<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501</id><updated>2011-12-18T15:14:54.912-08:00</updated><title type='text'>Relatos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://orlandolele.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>78</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-215275540972080507</id><published>2011-12-18T15:14:00.001-08:00</published><updated>2011-12-18T15:14:54.917-08:00</updated><title type='text'>NO MESMO DIA</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-215275540972080507?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/215275540972080507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/215275540972080507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/12/no-mesmo-dia.html' title='NO MESMO DIA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-6949749640155951369</id><published>2011-12-05T16:16:00.001-08:00</published><updated>2011-12-18T12:23:31.296-08:00</updated><title type='text'>UM ANO BOM</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-FURSxp1Hlfk/Tu49NzErwbI/AAAAAAAAAuQ/H2OIHD1x8Do/s1600/Copa%2Bdo%2BBrasil%2Btaca.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 267px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-FURSxp1Hlfk/Tu49NzErwbI/AAAAAAAAAuQ/H2OIHD1x8Do/s400/Copa%2Bdo%2BBrasil%2Btaca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687550686672961970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro fervia e era preciso comprar um desumidificador, daí a necessidade de sair da agradável umidade do Cosme Velho e pegar o carro até o Leblon. No caminho, já na Lagoa, não dava para deixar de perceber a quantidade de pessoas vestidas com as cores do “maior do mundo”, e todas caminhando na mesma direção. Grupos enormes de gente reunida, que só aumentavam de tamanho na medida em que o carro se aproximava da sede do time deles, daquelas paredes descascadas que há décadas envolvem o campo de futebol. Estádio? Não, o “maior do mundo” não tem estádio. Tem apenas um campo de futebol, e só horas depois de presenciar aquele espetáculo surreal, que se estendia também pelas ruas do Leblon – todos com as cores do “maior do mundo”, caminhando para o mesmo local –, é que pude constatar, já no trabalho, na tevê da redação, que uma multidão suada se espremia, debaixo de sol, nas precárias instalações do “maior do mundo”, isso por volta das quatro da tarde de um dia de semana. O povo ocupava todo o gramado, voltado para um palco improvisado em que Ivo Meirelles fazia U-hu! Sandra de Sá entoava gritos de guerra e Lecy Brandão cantava um pagode. No auge da festa, surge o “melhor do mundo”, jogador que até já jogou muito bem, mas que nunca decidiu nada na vida, e que, tal qual foca amestrada, faz embaixadinhas e demais gracinhas com uma bola de futebol. A multidão delira, grita, berra e no fim de tudo deixa o saldo de um portão quebrado, deixando ainda mais precárias as instalações do “maior do mundo”. Diante dessas cenas, na tevê da redação, é inevitável pensar: &lt;br /&gt;Vem coisa boa aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o ano de fato começa bem, não pelo carioquinha da Globo, que esse, definitivamente, não dá mais pra levar a sério. O ano começa com um Mundial de Clubes chancelado pela Fifa, um torneio reunindo camisas como as do Barcelona, Milan, Boca Juniors, Sporting de Lisboa, Vasco da Gama, o “timão” e o “maior do mundo”. Na divisão das equipes, feita tal qual num drafting de NBA, o melhor jogador do mundo cai no “timão”, e o maior artilheiro vai vestir as cores do “maior do mundo”. O Vasco fica com dois ou três veteranos da seleção, nenhum deles perto do melhor do mundo, muito menos do grande artilheiro. A Globo se anima, investe no torneio e decide transmitir a final ao vivo, no Esporte Espetacular, só que o Vasco elimina o “timão” nas quartas-de-final, vence o “maior do mundo” na semifinal e vai para a final contra o Sporting de Lisboa. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-T60s0i-626M/Tu49u_cMJuI/AAAAAAAAAuc/FBRZKKNjFeM/s1600/final-do-mundialito-de-beach-soccer.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 188px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-T60s0i-626M/Tu49u_cMJuI/AAAAAAAAAuc/FBRZKKNjFeM/s320/final-do-mundialito-de-beach-soccer.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687551256928462562" /&gt;&lt;/a&gt; A Globo, então, é obrigada a mostrar, domingão de manhã, a vitória do Vasco, que, pioneiro mais uma vez, conquista o Primeiro Mundial de Clubes de Futebol de Areia. Enquanto isso, o “maior do mundo” celebra uma tal Copinha, vencida graças a um gol de pênalti, daqueles bem marotos, e a CBF decide mudar critérios. Não será o campeão brasileiro Sub-20 o único representante do País na primeira Libertadores Sub-20 da história. Será, sim, só pode ser, o campeão da tal Copinha, e o “maior do mundo” recebe, de mão beijada, a chance de ser pioneiro em alguma coisa pela primeira vez na vida. Com uma geração que, dizem os entendidos, é de ouro, do goleiro aos atacantes, vai para a tal Libertadores Sub-20, a primeira da história, como um dos favoritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No futebol profissional, depois da saída de um técnico dado a ataques de histeria e de um vagabundo metido a ídolo, o Vasco começa a se acertar. Ricardo Gomes chega. Diego Souza também. E o time engata uma sequência de goleadas e de ótimas atuações fora de casa, que culminam na conquista da Copa do Brasil, a primeira da história do clube. A volta à Libertadores está garantida. Os três jogos finais são vistos no Bar do Nilson, boteco no coração da zona portuária, reduto cruzmaltino em que brilham figuras como Tião Cachaça, vascaíno típico, negro como boa parte do time de 1923, que garantiu ao Vasco vitórias acachapantes nos primeiros confrontos da história contra seus três rivais da cidade, e que fez com que o time nascesse campeão, conquistando o primeiro campeonato carioca do qual participou.  Uma conquista e tanto, se levarmos em conta que o “maior do mundo” nasceu vice, e vice de um time que não existe mais, e que em mais de 100 anos de campeonato só ganhou unzinho, justamente aquele em que o “maior do mundo” nasceu vice, em 1912. E mais: A sede do campeão carioca de 1912 fica, até hoje, em frente à carcomida sede do “maior do mundo”, como uma singela lembrança de como o “maior do mundo” nasceu para o futebol. Nasceu vice, e vice do Paisandu, que não é nem o de Belém do Pará. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Rb2iwrI-Jnw/Tu5BoyaaSlI/AAAAAAAAAuo/tCKXgyOljZ0/s1600/reservas-comemoram-gol-do-vasco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 244px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Rb2iwrI-Jnw/Tu5BoyaaSlI/AAAAAAAAAuo/tCKXgyOljZ0/s400/reservas-comemoram-gol-do-vasco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687555548398635602" /&gt;&lt;/a&gt;O “maior do mundo” também disputou a Copa do Brasil, e como franco favorito, mas caiu nas quartas-de-final, abatido por uma carroça desembestada num filme já visto outras vezes. Comemorando efusivamente mais uma carioquinha da Globo, conquistado na fórmula mágica de sempre, os mulambos tomam um sapeca-iá-iá do Ceará dentro de casa, casa aqui em termos figurativos, lógico, porque os mulambos, como se sabe, não têm estádio. No jogo de volta, o “melhor do mundo” começa com tudo, jogando muito, mas depois some do jogo, desaparece, e o Ceará leva a melhor. O juiz deixa de dar um pênalti claro contra o “maior do mundo” e o treinador mulambo, malandro que só ele, reclama do juiz, e continua reclamando semanas depois, em entrevistas coletivas depois dos jogos do Brasileirão, que já estava sendo diputado. Os favoritos ao título? Segundo os entendidos de sempre,  eram o “timão” e o “maior do mundo”, que tinha o “melhor do mundo” em seu elenco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Libertadores Sub-20, a primeira da história, “o maior do mundo” se classifica para as quartas-de-final, fica a três jogos do título histórico, mas toma de cinco de um time peruano. Na primeira Libertadores Sub-20, o futebol brasileiro volta pra casa sendo humilhado pelo futebol peruano, e o goleiro mulambo ainda agride o juiz com tapas de Didi Mocó, é obviamente expulso e deixa o campo chorando, aos prantos. Mais um na vasta coleção de vexames internacionais do “maior do mundo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no Brasileirão, tudo vem seguindo o script. O “timão” lidera e os mulambos estão logo ali, no encalço, e o “melhor do mundo” vem sendo elogiado por todos os entendidos, que tem de voltar pra seleção, que tem de conduzir o Brasil ao hexa, que é muito melhor que Neymar etc etc etc. Só o que destoa é o Vasco ali, sempre entre os primeiros. Como assim o Vasco? Já conquistou a Copa do Brasil, já tá na Libertadores, e vai disputar o Brasileirão? Vai. E na última rodada do primeiro turno, o Vasco só precisa vencer o “maior do mundo” para assumir a liderança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando um único lance, em que Fernando Prass faz grande defesa, o jogo é um verdadeiro massacre do Vasco. Logo no começo, o zagueiro mulambo, ruim que só ele, entrega a bola de presente pra Diego Souza. O Camisa 10 do Vascão se livra do zagueiro com extrema facilidade e toma a banda por trás quando partia em direção ao gol, livre, já na meia-lua da grande área. Cartão vermelho obrigatório. Juninho bate a falta na trave e o bombardeio continua até que, no começo do segundo tempo, o técnico Ricardo Gomes sofre um AVC durante a partida e tem de deixar o estádio numa ambulância, em estado gravíssimo. Parte da torcida do “maior do mundo” grita das arquibancadas, com sorrisos nos rostos: Vai morrer! Vai morrer! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-GjXeG-Y0mYs/Tu5B4YaV1lI/AAAAAAAAAu0/J9imuRrmREw/s1600/penalti-bernardo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 208px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-GjXeG-Y0mYs/Tu5B4YaV1lI/AAAAAAAAAu0/J9imuRrmREw/s400/penalti-bernardo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687555816296928850" /&gt;&lt;/a&gt;Mesmo assistindo a uma cena dessas do gramado, sem saber se seu treinador está vivo ou morto, os jogadores do Vasco continuam dominando amplamente o adversário. Duas, três bolas na trave, o goleiro mulambo fazendo quatro, cinco defesas difíceis, um massacre sem trégua, enquanto Fernando Prass assiste a tudo do gol vascaíno, sem ser incomodado. O “melhor do mundo”? Sumiu do jogo. Desapareceu. E o massacre continua até que, no último minuto, Bernardo domina na área e é atingido direto no tornozelo, por um carrinho com os dois pés do lateral mulambo. Pênalti escandaloso. Mas o juiz não marca. Depois do jogo, todos os entendidos afirmam que de fato, não há como negar, foi pênalti, mas alguns deles resolvem censurar o vascaíno que tomou o carrinho no tornozelo. “Ele abriu demais os braços quando caiu”, dizem, e são levados a sério, e esse tema chega a ser discutido em mesas redondas, tudo dentro da maior seriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um técnico entre a vida e a morte, sendo treinado por um interino, o Vasco vai cair de produção, dizem os entendidos. Os favoritos continuam sendo os dois de sempre, o “timão” e o “maior do mundo”, que permanece como único invicto da competição até as últimas rodadas do turno, quando toma de quatro, em casa (lembrando sempre do sentido figurativo), do Atlético Goianiense. Daí em diante a mulambada fica quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez jogos sem vencer. Perde pro Avaí, toma sacode do Bahia em casa, perde do Atlético PR num daqueles estádios de aluguel do interior e se afasta da liderança. De segundo cai pra quarto, quinto, sexto, enquanto o “melhor do mundo” distribui carrinhos, entradas desleais e reclama cada vez mais dos juízes, toda hora, a exemplo do treinador mulambo, que reclama até do juiz do jogo contra o Vasco, numa malandragem que dá gosto de ver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vasco? E não é que o Vasco ainda está lá nas cabeças, disputando o título? Pra ser líder, basta ganhar do Figueirense em Florianópolis, e ganha. Faz dois gols e toma só um, mas tem um dos gols anulados. O bandeirinha inventou alguma coisa que até hoje não conseguiu explicar e anulou o gol de Elton. Já o “maior do mundo” consegue vencer finalmente. Depois de tomar um baile do lanterna em casa no primeiro tempo, consegue a virada com um gol em impedimento nos últimos anos. A torcida se ouriça toda e brada: Deixou chegar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8r7bzrLc8aA/Tu5LW5VqJDI/AAAAAAAAAv8/ttWaGyvWmek/s1600/elton-e-diego-souza.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-8r7bzrLc8aA/Tu5LW5VqJDI/AAAAAAAAAv8/ttWaGyvWmek/s400/elton-e-diego-souza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687566236136383538" /&gt;&lt;/a&gt;Mas o Vasco continua ali, e não demora para alcançar a liderança, numa goleada de 4 a 0 sobre o Grêmio, com São Januário lotado. Show de Diego Souza, Fágner, Éder Luis e cia. A liderança é mantida por quatro rodadas, até que vem o Inter em Porto Alegre. Jogo difícil, ainda mais quando o Inter faz 1 a 0 no começo do segundo tempo. Mas o Vasco reage, Diego Rosa entra driblando na área e é derrubado. Pênalti claro. Mas o juiz não marca. Logo depois, marca falta inexistente ao lado da área do Vasco. Do cruzamento, sai o segundo do Inter, que ainda faria mais um. O “timão” volta à liderança. Já o “maior do mundo” continua atrás, lá pelo quarto lugar, mas consegue outra vitória nos últimos minutos, num fla-flu, e de virada, graças a uma falta inexistente e ao tradicional pênalti do adversário não marcado. A torcida delira e berra: Deixou chegar! Depois o time empata em casa contra o Palmeiras, com mais um gol irregular. Nessa altura, já toma corpo na mídia esportiva uma estatística que mostra que em todo o campeonato, em sei lá quantos jogos, não foi marcado um pênalti sequer a favor do “maior do mundo”. Mas como? Perguntam os “entendidos”, e debatem o assunto com toda a seriedade, e não conseguem buscar ao longo de tantas rodadas um lance sequer de pênalti que deveria ter sido marcado a favor do “maior do mundo”, e o treinador continua reclamando das arbitragens, malandro toda vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-pafNR6cB-Vw/Tu5C0cQR38I/AAAAAAAAAvA/iPa9rm9-Aug/s1600/ShowbolVasco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-pafNR6cB-Vw/Tu5C0cQR38I/AAAAAAAAAvA/iPa9rm9-Aug/s320/ShowbolVasco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687556848120618946" /&gt;&lt;/a&gt;Eis que, faltando sete rodadas para o final, o Vasco volta à liderança com uma vitória sobre o Bahia na Bahia, bela atuação de Felipe, mais um jogaço de Diego Souza. A fase é tal boa que o Vasco ganha até o Brasileiro de Showbol, com show de Pedrinho. No jogo seguinte pelo Brasileiro, em São Januário, o time pressiona o São Paulo o jogo inteiro, mas o gol não sai, até que, nos últimos minutos, Allan domina a bola dentro da área e sofre uma espécie de golpe de jiu jitsu do lateral são-paulino, que caiu por cima do meia vascaíno segurando o braço dele. O juiz manda seguir o jogo e, com o empate garantido, o “timão” volta à liderança. Enquanto isso, o “maior do mundo” tem um jogo difícil no Sul. Depois de esnobar o clube que o formou, que o auxiliou nos primeiros passos na carreira, o “melhor do mundo” volta pela primeira vez ao estádio do clube que abandonou uma vez, e que traiu uma segunda vez, quando já tinha um contrato apalavrado mas resolveu, por grana, fechar com o “maior do mundo”. O jogo promete ser muito difícil. A torcida gremista investe em várias provocações e durante a semana só se fala em como o “melhor do mundo” reagirá. E ele até começa bem, ajudando seu time a abrir 2 a 0. Mas depois some do jogo, desaparece, e o “maior do mundo” acaba caindo de quatro, de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-BWaegZgh75o/Tu5FJOl1obI/AAAAAAAAAvM/vzrmYRI9FqI/s1600/Vasco%2Bx%2BUniversitario.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-BWaegZgh75o/Tu5FJOl1obI/AAAAAAAAAvM/vzrmYRI9FqI/s400/Vasco%2Bx%2BUniversitario.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687559404253454770" /&gt;&lt;/a&gt;Aí vem a Copa Sulamericana, e o “maior do mundo” resolve colocar suas estrelas em campo, inclusive o “melhor do mundo”, para o jogo contra a Universidad do Chile, La U para os íntimos, e desde o ano passado o “maior do mundo” é bem íntimo da La U, porque foi eliminado da Taça Libertadores pelos chilenos, com derrota no Maracanã jogando meio tempo com um a mais, o que completou uma triste estatística: O “maior do mundo” não vence um mata-mata de Libertadores contra time estrangeiro desde 1993, quando conseguiu vencer um time venezuelano qualquer nas oitavas. E só. De lá pra cá foram quatro confrontos, contando o vexame da Sub-20 no Peru, e quatro eliminações. Nos últimos 18 anos, o “maior do mundo” só venceu um confronto de mata-mata em Libertadores: exatamento contra o “timão”, que em termos de Libertadores é uma espécie de São Caetano. Ou nem isso. Porque o São Caetano ao menos já foi vice da competição. Mas o “maior do mundo” tem a chance da vingança. Escala o time titular no jogo de ida, em casa (sentido figurado, não esqueçam) e.... Toma de quatro. Isso mesmo. Quatro a zero. Simplesmente a maior derrota da história do futebol brasileiro para o futebol chileno em território nacional. Mais um vexame pra coleção. O Vasco? E não é que o Vasco resolveu disputar também a Sulamericana e acabou caindo nas semifinais pela mesma La U, só que por 2 a 0 fora de casa, depois de empatar em casa, com o time todo morto de cansaço e sem três titulares. Eliminação digna, numa campanha que ainda serviu para redimir um pouco o vexame do futebol brasileiro no Peru, já que o Vasco meteu cinco gols no Universitário de Lima, conquistando a classificação para as semifinais numa daquelas viradas que só o Vasco consegue. Bom pra mostrar que nem só do “maior do mundo” vive o futebol brasileiro nas competições internacionais. Ainda bem. Aliás, da Sul-americana o que fica é a frase do técnico da La U antes de enfrentar o Vasco. Questionado sobre um suposto favoritismo de La U, depois do time ter vindo ao Rio para aplicar uma goleada vexatória no “maior do mundo”, o técnico argentino que treina o time chileno foi bem claro na resposta. “Vasco não é flamengo. Se passarmos pelo Vasco atingiremos outro patamar”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao Brasileirão, o Vasco vai enfrentar o Santos de Neymar, Ganso e cia. O Santos não quer mais nada no campeonato, mas resolve ir de força máxima. Neymar e Ganso juntos, e os dois jogam muito. O Santos faz 1 a 0 com um gol contra de Renato Silva, em falta batida por Neymar. Ainda no primeiro tempo, o Vasco empata. Diego Souza de cabeça. Mas o juiz vê a falta mais sutil do campeonato e anula o gol, por causa de um leve roçar de braço entre Diego e o zagueiro santista. Uma falta que, se fosse marcada sempre, prejudicaria bastante a carreira de um certo imperador, cuja maioria esmagadora dos gols foi conquistada na disputa pelo alto com os zagueiros, quando várias vezes os defensores se estatelavam no chão no choque com o imperador, que sempre jogou de braços bem abertos. Nesses casos, nunca foi marcada a tal falta. Os zagueiros caíam, segundo a opinião geral, porque o imperador era forte. Diego Souza, ao que parece, não é tão forte, e o juiz resolveu anular o gol. No segundo tempo, ainda com o placar de 1 a 0 Santos, o outro zagueiro santista resolve cortar um cruzamento com o braço, dentro da área. A bola ia fugindo de seu alcance e ele estica o braço pra rebatê-la. Mas o juiz nada marca. Depois, Felipe Bastos sofre falta no ataque do Vasco, o juiz resolve não marcar e no contra-ataque o Santos faz 2 a 0, selando a derrota vascaína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TaozjJVhLJo/Tu5HugcpFyI/AAAAAAAAAvY/emc28de8cZs/s1600/bernardo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 208px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-TaozjJVhLJo/Tu5HugcpFyI/AAAAAAAAAvY/emc28de8cZs/s400/bernardo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687562243725137698" /&gt;&lt;/a&gt;Depois de mais uma boa vitória, dessa vez sobre o Botafogo, o Vasco volta a jogar em São Paulo, contra o Palmeiras. Começa logo fazendo 1 a 0, Dedé de cabeça. Mas cede o empate no segundo tempo. Depois parte pra cima, tentando a vitória, e poderia até consegui-la, se o juiz marcasse o pênalti sobre Felipe, que, dentro da área, passou a não conseguir se mexer, pois um defensor do Palmeiras resolveu se jogar em cima dele. Nessa altura do campeonato, a CBF já tinha transferido a festa do título do Rio, onde a cerimônia sempre foi realizada, para São Paulo, terra do “timão”. Pra completar, o presidente da entidade, El Capo Teixeira, anuncia que o novo manda-chuva da CBF, abaixo apenas dele na hierarquia da confederação, será... O presidente do “timão”. Enquanto isso o Vasco tem mais dois gols legais anulados, um contra o Avaí e outro contra o Fluminense, mas chega à ultima rodada ainda brigando pelo título, apesar da situação difícil. Quando chega dezembro, o Vasco precisa vencer o “maior do mundo” e torcer para que o “timão” perca para o Palmeiras para ser campeão brasileiro. O “maior do mundo”? Não tem mais chance de título há algum tempo. Depois de ser exaltado como favorito ao título durante meses, depois de sua torcida gritar Deixou chegar! algumas vezes, depois das vitórias sofridas, sempre com um golzinho em impedimento, com um pênaltizinho não marcado para o adversário, o "maior do mundo" chega ao fim do ano com o incontestável título de maior cavalo paraguaio da era dos pontos corridos. Precisa de um empate pra garantir uma vaguinha na pré-Libertadores, ou de uma vitória e de uma derrota do Fluminense para entrar direto na fase de grupos da competição. E só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4Sm9OnfRGZA/Tu5IG3Yj7xI/AAAAAAAAAvk/JUXsF5k9QMU/s1600/201penalti-em-diego-souza-nao-marcado.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 207px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-4Sm9OnfRGZA/Tu5IG3Yj7xI/AAAAAAAAAvk/JUXsF5k9QMU/s400/201penalti-em-diego-souza-nao-marcado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687562662198898450" /&gt;&lt;/a&gt;Lembram do primeiro jogo? Do juiz que não marcou o pênalti escandaloso no último minuto? Acreditariam se eu dissesse que o mesmo juiz foi escalado para o segundo jogo entre o Vasco e o “maior do mundo”? Pois foi. E se eu dissesse que o mesmo juiz, de novo, deixou de dar um pênalti escandaloso a favor do Vasco? Contando ninguém acredita, né? Mas foi isso mesmo que aconteceu. Diego Souza entrou na área pronto pra chutar e sofreu um puxão de camisa daqueles de anúncio de gelol. O tal do Willians, jogador que, acreditem, chegou a ser cotado para a seleção, sequer se preocupou em tentar ser discreto. Esticou o braço todo, agarrou na camisa do vascaíno desesperado e puxou com força, com tanta força que o Diego Souza caiu para trás. E o juiz, o mesmo juiz que não deu o outro pênalti escandoloso no outro jogo, não marcou nada de novo. E muito provavelmente esse juiz ainda vai apitar jogos entre o Vasco e o “maior do mundo”. Se for jogo decisivo, então, as chances de isso acontecer são enormes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo assim, de novo, mais uma vez, o Vasco dominou amplamente o “maior do mundo”. Fez 1 a 0 com o mesmo Diego Souza, de cabeça, e só não foi para o intervalo com um placar mais elástico por capricho, e por causa do pênalti não marcado, lógico. Ainda no primeiro tempo, mais dois lances chamaram a atenção com relação à arbitragem. No primeiro, Jumar tomou cartão amarelo por uma falta que não existiu. No segundo, o mesmo Willians do pênalti se jogou na direção de Felipe quando este partia para um contra-ataque. Willians não achou nada, se jogou no vazio sem encostar em Felipe e se estatelou no chão. O meia vascaíno se viu livre, com a bola dominada e com várias opções de passe, com a defesa mulamba batendo cabeça, sem saber para onde correr, até que o juiz, rápido como só ele, soprou o apito e seguiu uma antiga tradição entre os árbitros brasileiros, sobretudo os do Rio de Janeiro, inventando mais uma falta a favor do “maior do mundo” e livrando a defesa mulamba do perigo de gol. O cartão amarelo do Jumar? Virou uma expulsão no começo do segundo tempo, numa falta que merecia apenas o cartão amarelo. Como foi o segundo cartão, graças àquele primeiro inventado do primeiro tempo, o Vasco se viu, mais uma vez na história dos confrontos com o “maior do mundo”, com um a menos em campo, isso logo depois do gol de empate do “maior do mundo”, numa jogada que, à primeira vista, pareceu impedimento. O tira-teima da Globo mostrou que o Deivid estava na mesma linha de um zagueiro vascaíno. De qualquer maneira, foi um gol muito mais anulável do que qualquer dos seis tentos legítimos do Vasco anulados na reta final do Brasileirão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-abo1idORyEA/Tu5IaSXAF8I/AAAAAAAAAvw/KAZJ-IEznRM/s1600/Copa%2Bdo%2BBrasil%2Btrem-bala.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-abo1idORyEA/Tu5IaSXAF8I/AAAAAAAAAvw/KAZJ-IEznRM/s400/Copa%2Bdo%2BBrasil%2Btrem-bala.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687562995857627074" /&gt;&lt;/a&gt;Com um a mais, o “maior do mundo” bem que poderia tentar a vitória. Bastava um gol contra o Vasco e mais um do Botafogo contra o Fluminense (estava 1 a 1 lá também) para pular de fase na Libertadores. Em vez de se classificar pra pré, passar direto pra fase de grupos e trocar de lugar com os tricolores. Mas o “maior do mundo”, mesmo com um a mais em campo, preferiu segurar o resultado. O goleiro mulambo fazia cera sempre que tinha oportunidade para isso. Com o empate entre o “timão” e o Palmeiras, e o apito final no Engenhão, o Vasco perdeu o campeonato brasileiro. Depois de perder seu técnico no meio do campeonato, de ter seis gols legítimos anulados e seis pênaltis a seu favor não assinalados pelos árbitros, que poderiam dar à equipe, no barato, mais doze pontos, o Vasco termina a competição em segundo lugar, a dois pontos do campeão. Enquanto isso, depois de passar todo o campeoanto sonhando com o título, depois de gritar Deixou chegar por várias semanas, toda vez que o time conseguia uma vitoriazinha, e depois de ver seu time chegar a lugar algum, provando mais uma vez, de novo, que o melhor slogan para definir o “melhor do mundo” seria Deixou chegar, tem que entregar, a torcida mulamba sai do estádio feliz da vida. Em menor número no estádio, até tenta “sacanear” os vascaínos com a tal história do vice que eles tanto adoram – ainda que tenham mais vices que o Vasco, ainda que o time deles seja mais vice do Vasco do que o Vasco é dele –, mas é abafada pelo gritos de incentivo da torcida vascaína aos seus jogadores, como reconhecimento da brilhante temporada do time, campeão da Copa do Brasil, garantido na fase de grupos da Libertadores. De qualquer maneira, os torcedores do “maior do mundo” vão as ruas celebrar ao fim do campeonato, e celebrar pelo simples fato de o Vasco não ter sido campeão. O “melhor do mundo” também tenta tripudiar dos vascaínos. Depois de completar seu nono ou décimo clássico em branco, sem marcar um golzinho sequer, ele desce os degraus para o vestiário gesticulando para a torcida vascaína. E depois diz que quer ficar no “maior do mundo” para o ano que vem. Em janeiro, logo na volta das férias, o “maior do mundo” enfrentará um time boliviano por uma vaga na Libertadores. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qMDB0MENYQE/Tu5LlYMN8OI/AAAAAAAAAwI/Ec1u1y31EUA/s1600/libertadores%2Bmauro%2Bgalv%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-qMDB0MENYQE/Tu5LlYMN8OI/AAAAAAAAAwI/Ec1u1y31EUA/s320/libertadores%2Bmauro%2Bgalv%25C3%25A3o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687566484936454370" /&gt;&lt;/a&gt; O Vasco entrará direto na competição em fevereiro, na fase de grupos, graças a um time que, ao longo do ano, jogou muita bola, fez o Vasco voltar a ser campeão depois de oito anos, uma eternidade para os padrões históricos do clube, e revelou-se, ao longo do ano, uma equipe capaz de bater de frente com qualquer um, em qualquer lugar. Diante disso, é inevitável pensar, de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem mais coisa boa aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-6949749640155951369?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6949749640155951369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6949749640155951369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/12/um-ano-bom.html' title='UM ANO BOM'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-FURSxp1Hlfk/Tu49NzErwbI/AAAAAAAAAuQ/H2OIHD1x8Do/s72-c/Copa%2Bdo%2BBrasil%2Btaca.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2432797578023834738</id><published>2011-12-03T07:45:00.000-08:00</published><updated>2011-12-03T07:46:24.941-08:00</updated><title type='text'>O ENGENHEIRO</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2432797578023834738?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2432797578023834738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2432797578023834738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/12/o-engenheiro.html' title='O ENGENHEIRO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-4351959884416788493</id><published>2011-10-29T17:41:00.000-07:00</published><updated>2011-10-29T17:51:25.437-07:00</updated><title type='text'>SELVA EM COPACABANA</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-4351959884416788493?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4351959884416788493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4351959884416788493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/10/selva-em-copacabana.html' title='SELVA EM COPACABANA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2175840802787246385</id><published>2011-09-02T10:09:00.001-07:00</published><updated>2011-09-02T10:09:15.088-07:00</updated><title type='text'>LEVANDO A VIDA</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2175840802787246385?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2175840802787246385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2175840802787246385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/09/levando-vida.html' title='LEVANDO A VIDA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-360582706378306421</id><published>2011-07-30T17:14:00.000-07:00</published><updated>2011-08-27T12:28:15.891-07:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL - A VENDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5OO4RGDSfoA/TllFBtAZi_I/AAAAAAAAAuA/m0U6e6bzowk/s1600/hon%25C3%25B3rio.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 259px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-5OO4RGDSfoA/TllFBtAZi_I/AAAAAAAAAuA/m0U6e6bzowk/s400/hon%25C3%25B3rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645619503449082866" /&gt;&lt;/a&gt;Foi o recado do porteiro, quando se chegava em casa mais uma vez, que despertou aquelas recordações nada exemplares referentes ao nome José Emir. Nada exemplares porque estúpidas, dignas da imbecilidade esporádica dos anos vinte, aquela época dourada, na flor da juventude, quando o sujeito mais faz merda na vida. No caso em questão, a merda era infringir o maior número possível de regras de trânsito durante a madrugada. Afinal de contas, ora pois, o carro jamais fora devidamente regularizado, estava ainda no nome do José Emir, então tome multa para o Zé Emir, tome pose sorridente, com a cabeça pra fora da janela, para a foto do radar do sinal avançado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que veio o porteiro e entregou aquele pedaço de papel com o número de um celular e um nome do lado: José Emir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, a dívida com as multas era menor do que deveria ser, coisa de quinhentos e poucos reais, e o José Emir mostrou ser um sujeito sensato, honesto, que compreendeu perfeitamente as peripécias de um jovem de vinte e poucos anos, que economizou pra comprar o primeiro carro, o gurgelzinho X12, e só seis meses após a compra &lt;a href="http://orlandolele.blogspot.com/2008/02/honrio-o-gurgel-compra.html"&gt;percebeu que jamais conseguiria botar o Gurgel em seu nome&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo ficou ainda melhor quando, naquele agradável fim de tarde no Cento e Onze do Cem, nós dois confortavelmente acomodados na varandinha fechada do apartamento, em cadeiras da década de 50, com uma outra mola arrebentada, em frente à mesinha com tampo de mármore, carcomida pela ferrugem, o grande Zé Emir disse que até estava pensando em comprar um carro como o meu, ou dele ainda, ou nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-UfZKz9A-0oQ/TllFOVcHZVI/AAAAAAAAAuI/dg_jtL1u9nU/s1600/gurgel2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 225px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-UfZKz9A-0oQ/TllFOVcHZVI/AAAAAAAAAuI/dg_jtL1u9nU/s400/gurgel2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645619720461182290" /&gt;&lt;/a&gt;O negócio foi fechado ali, na hora, e todos ficaram felizes. De um lado, um cara de vinte e tantos anos que jamais conseguiria regularizar seu carro, vendendo o Gurgel para o único sujeito que jamais teria problemas de documentação com o veículo; e do outro lado esse mesmo sujeito, que finalmente conseguia se livrar das multas injustas em seu nome, e ainda por cima tinha adquirido um carro por módicos dois mil reais, ou mil e oitocentos, com o desconto do IPVA atrasado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim terminava uma época da vida, um período tão desprovido de preocupações de verdade que até tempo pra batizar carro havia, se bem que essa história de dar nome a um veículo automotor continuou ainda por alguns anos, porque depois de Honório, o Gurgel, veio Bóris, o Niva. Mas isso é uma outra história. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-360582706378306421?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/360582706378306421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/360582706378306421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/07/honorio-o-gurgel-venda.html' title='HONÓRIO, O GURGEL - A VENDA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5OO4RGDSfoA/TllFBtAZi_I/AAAAAAAAAuA/m0U6e6bzowk/s72-c/hon%25C3%25B3rio.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3551230264735242459</id><published>2011-06-22T16:05:00.001-07:00</published><updated>2011-07-30T17:14:49.880-07:00</updated><title type='text'>AOS 95 ANOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-aiSL15--6SU/ThEkYo54qDI/AAAAAAAAAtg/jQDKC7Pum0M/s1600/Dona%2BCan%25C3%25B4%2B01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 140px; height: 230px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-aiSL15--6SU/ThEkYo54qDI/AAAAAAAAAtg/jQDKC7Pum0M/s400/Dona%2BCan%25C3%25B4%2B01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625317415278127154" /&gt;&lt;/a&gt;Aos 95 anos, Dona Canô corta o quiabo para o caruru do dia seguinte, da festa dela. Corta numa mesa grande, quase ao ar livre, na companhia de umas quinze pessoas que também cortam o quiabo, umas tão rápido quanto ela, outras menos, e um que ultrapassa todos os recordes negativos do corte do quiabo, sob olhares incrédulos da cozinheira da casa, matrona negra daquelas que bem poderiam ser a exata tradução da simpatia, e cuja imagem há muito foi atrelada à condição de cozinheira de qualidade, desde E O Vento Levou, passando pelo Sítio do Pica Pau Amarelo e chegando às novelas, Vale Tudo etc... E que ainda por cima é baiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 95 anos, Dona Canô de vez em quando levanta e vai conferir o ponto do feijão. Fala alguma coisa com a cozinheira e volta pra mesa. Depois levanta de novo, atravessa o corredor de entrada da casa, dá dois passos para a rua e chama pelo filho Rodrigo, porque o almoço vai ser servido. E chama gritando, porque o filho tá no bar a uns cinquenta metros da casa, conversando com amigos, e o almoço vai ser servido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 95 anos, Dona Canô cumpre agenda de atração turística. Recebe gente de todo o Brasil. E no aniversário, na festa pelos seus 95 anos, recebe o povo em casa, portas abertas, e recebe a todos um a um, sentada numa poltrona estrategicamente postada na saída do corredor de entrada da residência, que dá para uma sala, uma cozinha ampla, mais alguns quartos lá atrás e o pátio, onde o povo se aglomera junto com Caetano, com Bethânia, com Nicinha, com Clara Maria, com Mabel, com Rodrigo, com Roberto e com Irene. E toda esse gente se aglomera para comemorar o aniversário dela, que cumprimenta todo mundo, com um aperto de mão e com um sorriso, sereno, tranquilo, em paz, aos 95 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A abertura da matéria abaixo não é a que foi publicada, mas é a versão original do texto. As fotos são de Leandro Pimentel, o maior desatolador de carros do Recôncavo Baiano.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 164, de 23 de setembro de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A raiva estressa o organismo. As pessoas devem levar as coisas sem se aborrecer, fazendo de conta que não ouvem, não vêem”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio da matriz de Santo Amaro da Purificação marcava quinze pra meio-dia quando um carro preto parou em frente à igreja e dele saltaram o governador Paulo Souto e Antônio Carlos Magalhães, o ACM. Durante exatos oito minutos, os dois permaneceram de pé, um ao lado do outro, sob o sol de quase meio-dia da Bahia. ACM puxou do lenço duas vezes, para enxugar o rosto e a careca. O governador nem isso. Ficou na maior parte do tempo com as mãos para trás, em posição de espera, até que outro carro parou em frente à igreja e dele saltou Dona Canô, para assistir à missa pelos seus 95 anos de idade. Só então Paulo Souto e Antônio Carlos Magalhães puderam sair debaixo do sol, sem antes deixar de beijar a mão de Dona Canô e conduzi-la até a entrada da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mDF5gCvDWxw/ThEktFuBgYI/AAAAAAAAAto/LvAdEAdsaNY/s1600/Dona%2Bcan%25C3%25B4%2Bcaetano%2Bbetania.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-mDF5gCvDWxw/ThEktFuBgYI/AAAAAAAAAto/LvAdEAdsaNY/s400/Dona%2Bcan%25C3%25B4%2Bcaetano%2Bbetania.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625317766610387330" /&gt;&lt;/a&gt;A cena é mais uma mostra do respeito devido à dona de casa Claudionor Vianna Teles Velloso, a mais famosa entre os 60 mil moradores de Santo Amaro, desde que os filhos Caetano Veloso, 60, e Maria Bethânia, 56, projetaram o nome da família como ídolos da MPB. Matriarca de oito filhos, nove netos e três bisnetos, Dona Canô dá show de sabedoria na arte de levar a vida. “A vantagem da idade é saber viver, porque se a gente ficar se martirizando não vive bem”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 19 anos, Dona Canô assumiu as rédeas da família formada com o marido, o telegrafista José Teles Velloso, o Zeca, morto em 1983, com quem se casou aos 23 anos. A primeira providência foi manter viva nos filhos a lembrança do pai, que não se limita à foto em uma das paredes da casa. Desde a morte de Zeca, Dona Canô nunca mais fez qualquer refeição sentada na cabeceira da mesa, antes dividida com o marido. “A presença de meu pai ainda é muito forte na casa. A impressão é que ele também está em minha mãe”, diz a escritora Mabel Velloso, a terceira filha mais velha, de 68 anos, buscando uma explicação para o poder de aglutinação da mulher que até hoje mantém a família unida em torno dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a tranqüilidade típica de quem nunca foi “muito revoltada com a vida”, a mãe de Caetano e Bethânia dá sua receita para se manter lúcida. “A raiva estressa o organismo. As pessoas devem levar as coisas sem se aborrecer, fazendo de conta que não ouvem, não vêem”, ensina a matriarca. Ela mora apenas com Nicinha, a filha mais velha, mas não passa um dia sem falar com os filhos. De todos, só Caetano não faz ligações diárias para Santo Amaro. “Caetano é imprevisível. Ele acorda tarde e, por causa do trabalho, tem pouco tempo para conversar”, justifica, referindo-se ao único filho que não carrega os dois eles no sobrenome. “O cartório registrou assim, mas ele não deixou de ser Velloso”, afirma a mãe do compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que depender dos outros filhos, no entanto, nunca vai faltar telefonema para Dona Canô atender, inclusive de Bethânia, a mais apegada das filhas. “São duas ligações por dia, no mínimo”, entrega a mãe, exibindo o riso farto, uma de suas marcas. A cantora confirma. “Fui a última a sair de perto dela, pra estudar em Salvador quando tinha 17 anos, e até hoje falo com ela três, cinco vezes por dia, quantas for preciso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-g0C51wJWVvQ/ThElG2PmvEI/AAAAAAAAAtw/FetkXyCL09M/s1600/Cano%2BBetania.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 154px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-g0C51wJWVvQ/ThElG2PmvEI/AAAAAAAAAtw/FetkXyCL09M/s400/Cano%2BBetania.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625318209132870722" /&gt;&lt;/a&gt;Os cuidados de Bethânia com a mãe são tantos que Dona Canô escondeu dela o acidente sofrido uma semana antes do aniversário. Sentada na sala da casa de oito quartos, repleta de registros das carreiras dos dois filhos famosos nas paredes, ela arrancou um pequeno pedaço da pele da canela esquerda ao descruzar as pernas. O sangue do ferimento, causado pelo calor e pela fragilidade da pele, assustou Nicinha, que viu a cena. A própria Dona Canô se encarregou de tranqüilizar a filha. “Disse pra ela fazer um curativo com gaze e na manhã seguinte chamei o médico. Se Bethânia soubesse iria ficar louca de preocupação”, conta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O incidente mostrou a vocação de enfermeira de Dona Canô, já conhecida na família. A escritora Mabel não se esquece de um verão há mais de 50 anos, no antigo distrito de Berimbau, hoje Conceição de Jacuípe. Na época, um menino de dois anos da casa vizinha estava com uma forte dor de ouvido. Apesar dos esforços do farmacêutico local, foi Dona Canô quem descobriu um caroço de feijão germinando no ouvido do menino e tirou a semente de lá. “Ela também dava injeção em todo mundo na cidade. Meu pai é que brincava dizendo: ‘Canô ainda vai matar um’”, lembra Mabel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não matou, e ainda usou o dom para salvar a vida de Irene, a filha caçula agregada à família ainda recém-nascida. Ao visitar a menina sete dias após o nascimento, Dona Canô achou que a mãe estava com tétano e decidiu levar a criança para casa. O palpite foi confirmado dias depois, com a morte da mãe. “Ela evitou que Irene fosse contaminada”, diz Mabel. Nicinha, a outra filha adotada, também entrou na família graças a uma doença. Desde menina, passava a maior parte do tempo na casa da família Velloso, até que Maria Clara, mãe de Zeca, percebeu que a menina tinha sarampo e a impediu de sair de casa. Passada a quarentena, Nicinha preferiu não voltar para a casa dos pais biológicos, que eram parentes de Zeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra vocação de Dona Canô é a de cozinheira, o que gera mais telefonemas dos filhos. “Ligo para que ela me oriente quando tenho de cozinhar para muitas pessoas ”, conta Roberto, único dos oito a morar em São Paulo. Modesta, Dona Canô diz que hoje dá ordens às três cozinheiras da casa e “só faz olhar”, mas não é bem assim. Na tradicional cerimônia do corte do quiabo, quando a família recebe os amigos na véspera do aniversário da matriarca, para que todos cortem o legume necessário para o caruru do dia seguinte, ela não só cortou sua cota como foi diversas vezes à cozinha verificar se a feijoada do almoço estava no ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oIWlVQ8PbKE/ThElS1MRyiI/AAAAAAAAAt4/OI-CMXLwe5c/s1600/Dona%2BCan%25C3%25B4%2Bquiabo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 314px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-oIWlVQ8PbKE/ThElS1MRyiI/AAAAAAAAAt4/OI-CMXLwe5c/s400/Dona%2BCan%25C3%25B4%2Bquiabo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625318415008909858" /&gt;&lt;/a&gt;É nas festas que a família se reúne. Até Caetano e Bethânia sempre se esforçam para comparecer. Na segunda-feira 16, os dois chegaram no decorrer da missa e depois foram à festa que reuniu cerca de 300 pessoas na casa da família. Como de hábito, a cantora ficou em seu quarto, cuja janela dá para o pátio por onde circulam os convidados. Assediado com pedidos de fotos e autógrafos, Caetano mal tinha tempo para conversar com parentes e amigos de infância. “O aniversário de minha mãe é sempre uma festa popular dentro de casa. Isso tudo é resultado da alegria dela”, resumiu o compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando não tem festa em casa, Dona Canô não fica sem receber visitas, e muitas vezes de desconhecidos de passagem pela cidade. “Virei atração turística”, reconhece a mulher que já recebeu turistas de todo o Brasil e do exterior. “É por causa de Caetano e de Bethânia, mas recebo todos pelos dois”, completa. Para manter a privacidade, ela instituiu a parte da manhã como horário das visitas. Depois do almoço, mesmo quando não segue o hábito de dormir, manda dizer que não pode atender. “Senão não consigo fazer mais nada”, explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a mulher que dá nome ao único teatro de Santo Amaro não desperdiça tanto prestígio. Junto aos políticos que a respeitam, já conseguiu muita cadeira de rodas, roupas e comida para a população carente da cidade. “Minha mãe se ocupa com caridade e, acima de tudo, festeja a vida. Ela sabe viver plenamente. Para mim, é força, referência do significado mais amplo e bonito do que é viver”, conclui Maria Bethânia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3551230264735242459?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3551230264735242459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3551230264735242459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/06/aos-95-anos.html' title='AOS 95 ANOS'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-aiSL15--6SU/ThEkYo54qDI/AAAAAAAAAtg/jQDKC7Pum0M/s72-c/Dona%2BCan%25C3%25B4%2B01.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3339012817424042316</id><published>2011-05-08T07:23:00.001-07:00</published><updated>2011-05-28T07:48:51.498-07:00</updated><title type='text'>MÃE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PJAmke6eCbA/TeEI8-PLnJI/AAAAAAAAAs8/CDFZC5KLfIs/s1600/gal_01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 175px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-PJAmke6eCbA/TeEI8-PLnJI/AAAAAAAAAs8/CDFZC5KLfIs/s400/gal_01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611776454272195730" /&gt;&lt;/a&gt;Em 2007, Gal Costa adotou um menino, Gabriel, então com dois anos de idade. Quando soube disso, foi inevitável lembrar dessa entrevista aí embaixo, feita seis anos antes dessa adoção, em Salvador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 112, de 24 de setembro de 2001&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Tinha loucura para ter um filho, muito desejo mesmo. Fiz todos os exames e vim a saber que eu tenho um entupimento nas trompas. Tem uma pequena passagem, mas muito estreita. Seria difícil ficar grávida naturalmente.” &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um corredor leva à ampla sala de paredes envidraçadas, envolta pelo mar da Bahia. A decoração em tons claros e os sofás de estilo moderno dão um ar de simplicidade elegante à sala de dois ambientes, que recebe em cheio a luz de mais um dia ensolarado de Salvador. À vontade, a cantora Gal Costa nem de longe parece alguém que foi alvo de ataques por defender o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, ou que acabou de receber críticas negativas de seu novo disco (De Tantos Amores, o 26º da carreira), com várias regravações de seu repertório. Gal parece de bem com a vida. “Sempre gostei dessa casa. Tive a oportunidade de comprar e vim morar aqui. Não planejei nada”, comenta ela, referindo-se ao antigo hotel no Morro da Paciência com vista paradisíaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de posar para fotos, Gal avisa que vai comer algo e segue para a cozinha.  Entre uma garfada e outra de frango com legumes, obra da dieta que a fez perder seis quilos nos últimos três meses, a conversa flui. Mas é na volta para a sala ensolarada, depois do almoço, que vem o mais importante. “Tinha loucura para ter um filho, muito desejo mesmo”, conta. O sonho de ser mãe, porém, não pôde ser realizado. Em 1993, quando vivia com o violonista Marco Pereira, com quem ficou casada durante dois anos, Gal descobriu que não podia engravidar. “Fiz todos os exames e vim a saber que eu tenho um entupimento nas trompas. Tem uma pequena passagem, mas muito estreita. Seria difícil ficar grávida naturalmente.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma história que deverá constar da autobiografia que Gal está escrevendo. “Baianamente”, é claro, sem compromisso com prazos ou com a ordem cronológica dos fatos, embora dedique-se ao projeto três vezes por semana. “Escrevo lembranças da minha vida, coisas do momento e vou armazenando. Sento em frente ao computador e deixo sair. Depois dou uma arrumada”, conta a cantora, que admite chamar alguém para lapidar o texto final do futuro livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ficar pronta, a autobiografia de Maria da Graça Costa Penna Burgos, a Gracinha, que saiu de Salvador em 1965 para tentar viver de música no Rio de Janeiro, também terá histórias como as do tempo em que virou nome de praia carioca. Era o fim dos anos 60 e início dos 70, quando as Dunas da Gal, em Ipanema, tornaram-se ponto de encontro de artistas, intelectuais e de quem procurava uma ilha de liberdade na ditadura militar. Musa do local, vivenciou tudo o que se passou por ali. Ou quase tudo. Das drogas que rolavam à vontade nas Dunas, só experimentou maconha. Uma vez para nunca mais. “Fumei e detestei logo. Dá uma sensação de distanciamento de que não gostei. Já sou muito louca sem consumir nada.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PgqeWLC3NRE/TeEJEWR3QGI/AAAAAAAAAtE/7h0cOsMcrD4/s1600/doces%2Bb%25C3%25A1rbaros.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 117px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-PgqeWLC3NRE/TeEJEWR3QGI/AAAAAAAAAtE/7h0cOsMcrD4/s400/doces%2Bb%25C3%25A1rbaros.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611776580984979554" /&gt;&lt;/a&gt;Naquela época, Gal não era apenas a musa da praia. Já reconhecida nacionalmente, a cantora acabou assumindo, meio sem querer, o posto de representante do Tropicalismo no País. Com Caetano Veloso e Gilberto Gil exilados pelo regime, a imagem do movimento revolucionário criado pelos baianos tornou-se aquela morena de cabelos enormes e roupas esquisitas. “Não tinha noção dessa história de eu ter ficado no Brasil representando o Tropicalismo, como um pára-raios. Hoje tenho uma consciência mais inteira do que aquilo representou.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gal é taxativa quando comenta os motivos que a transformaram, junto com Gil, Caetano e Maria Bethânia, nas estrelas do movimento que reuniu outros artistas, hoje sem tanta expressão nacional. “Somos um grupo que, por acaso, saiu junto da Bahia para tocar nossas carreiras no Sul. Depois fizemos os Doces Bárbaros, mas acho que cada um de nós tem sua marca, que é muito importante para o Brasil.” Do convívio intenso entre os quatro naquela época, ficou uma amizade que perdura até hoje. “Não nos vemos com tanta freqüência como antes, mas estou com eles sempre que posso”, diz ela, há cinco anos vizinha de Caetano no Morro da Paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 55 anos, a cantora que já posou nua e abusou de figurinos sensuais em shows continua vaidosa. O regime estipulado pelo endocrinologista paulista Ricardo Peres – de 1.200 calorias diárias – não é o primeiro e, tudo indica, nem será o último. “Sempre tive problemas de engordar. Fiz dieta minha vida inteira.” Seis quilos sumiram de sua balança nos últimos três meses. Ela quer perder mais quatro até novembro e faz uma hora diária de exercícios na esteira em casa. Tanto esforço para se manter em forma parece não ter relação com preocupações com a passagem do tempo. Sem pensar muito antes de responder, a cantora garante que nunca passou por qualquer crise, seja dos 40 ou dos 50. “Me sinto jovem, saudável e bem. Se passei por alguma crise, nem percebi”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-yjqcd_2j138/TeELIvArvVI/AAAAAAAAAtU/vxJl0Lc6Ot4/s1600/Gal%2BACM.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 151px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-yjqcd_2j138/TeELIvArvVI/AAAAAAAAAtU/vxJl0Lc6Ot4/s400/Gal%2BACM.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611778855366540626" /&gt;&lt;/a&gt;Solteira, apesar de ressaltar que “sozinha a gente nunca está”, Gal só se aborrece com episódios como o das críticas recebidas por apoiar o ex-senador Antônio Carlos Magalhães durante as investigações das denúncias sobre a violação do sigilo nas votações no Senado, que culminaram com sua renúncia. Em maio, Gal participou de um ato em solidariedade a ACM na Bahia. Posou para uma foto com ele ao lado da escritora Zélia Gattai. Pelo gesto, levou uma saraivada de críticas que chegaram, inclusive, ao seu correio eletrônico pessoal. “Recebi mensagens de pessoas muito irritadas, algumas até grosseiras comigo. Havia uma postura fascista, faz parte do patrulhamento essa coisa de você ir com toda a raiva em cima de uma pessoa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, a cantora garante que faria tudo de novo hoje e atribui os petardos a um grande mal-entendido. “Não dei apoio político a Antônio Carlos Magalhães. Fui dar meu apoio moral ao homem que fez muito pela cultura da Bahia.” Considera, porém, correto ACM ficar sem mandato: “Ele mereceu. Foi cassado. Está mais do que certo. Acho que a impunidade nesse país tem que acabar”. E expõe a mágoa pela maneira como foi tratada: “Nunca mamei nas tetas do governo. Acho que as pessoas tinham que avaliar todo um histórico de artista e pessoa íntegra.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As críticas a seu último disco, cujo lançamento foi adiado de junho para agosto justamente por causa do episódio ACM, também a incomodaram. Questionada sobre o excesso de regravações, Gal escora-se em divas da música americana, como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holiday, que regravaram canções de seus repertórios em vários momentos das carreiras. Para realçar sua opinião, chega a dispensar elogios a sua obra. “Alguns dizem que minha primeira gravação de ‘Índia’ é definitiva. Não concordo. A idéia de reconstruir isso é importante.” O tema, o amor, foi sugestão de Daniel Filho, que a dirigiu no CD e irá dirigi-la nos shows, previstos para o fim do ano: “Num disco, a palavra final é do cantor, principalmente no caso de uma Gal. Você tem de ouvi-la primeiro antes de dar opinião”, diz ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-atin4jqZ0fw/TeEJR8DNu-I/AAAAAAAAAtM/BqOJIm7trlw/s1600/gal%2Bpeitos.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 132px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-atin4jqZ0fw/TeEJR8DNu-I/AAAAAAAAAtM/BqOJIm7trlw/s400/gal%2Bpeitos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5611776814462385122" /&gt;&lt;/a&gt;Se hoje tem de explicar por que optou pelas regravações, Gal já foi criticada por apresentar algo totalmente diferente do esperado. Em 1994, chamou Gerald Thomas para dirigi-la no espetáculo O Sorriso do Gato de Alice. O resultado: muitas polêmicas e algumas vaias para a direção do show no qual ela mostrava os seios à platéia. Nada que tenha intimidado a artista. Até hoje, ela considera aquele espetáculo um marco no showbusiness brasileiro. “Não adianta. Quando faço algo ousado, reclamam. Quando não faço, dizem que eu tenho que fazer”, resigna-se. Gerald derrama-se em elogios: “Não há nenhuma voz tão pura no mundo. As imitadoras tentam, mas, coitadas, não chegam perto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo ímpeto usado para defender seus shows vale quando o assunto é a elaboração do repertório de seus discos. Há 13 anos na mesma gravadora, a BMG, a libriana Gal Costa já teve de impor suas opiniões. Diz nunca ter tido grandes conflitos no mercado fonográfico, mas cita ocasiões em que teve que ‘se posicionar’. Lembra de quando sua antiga gravadora, a Universal, quis tirar a música “Borzeguim”, de Tom Jobim, do disco Minha Voz. “Disse que não ia tirar e não tirei.” É também com objetividade que a diva da MPB analisa a nova geração de cantoras brasileiras. “O rock que a Cássia Eller faz é muito bom. Da Zélia Duncan, gosto do timbre da voz, um timbre grave.” Questionada se a safra atual pode alcançar o nível dela, de Maria Bethânia e Elis Regina, Gal é clara: “Elas têm potencial, mas, na minha opinião, nossa geração é imbatível”. Para Zélia Duncan, essas palavras bastam. “Fico feliz só em saber que a Gal gosta do meu timbre.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cantora que hoje inspira tanta admiração já esteve do outro lado. Em 1963, conheceu o ídolo João Gilberto, que estava com a mulher, Miúcha, na Bahia. Os três foram para a casa do cronista social Silvio Lamer, onde João Gilberto começou a cantar ao violão. Reparando na morena que o assistia com veneração, João perguntou qual era o tom dela. Tocou, então, “Mangueira” e pediu para Gal cantar. Foi a primeira de uma série de músicas interpretadas pela baiana, que nunca havia cantado profissionalmente. “Fui cantando e ele não falava nada. Fui ficando aflita, achando que ele estava odiando, porque eu estava muito nervosa”, conta Gal. No fim da sessão, João Gilberto parou, olhou para ela e disse as palavras que faltavam para a jovem intérprete deixar a Bahia e tentar a carreira artística no Rio. “Você é a maior cantora do Brasil.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3339012817424042316?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3339012817424042316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3339012817424042316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/05/mae.html' title='MÃE'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-PJAmke6eCbA/TeEI8-PLnJI/AAAAAAAAAs8/CDFZC5KLfIs/s72-c/gal_01.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-8450285083113051551</id><published>2011-05-01T14:51:00.000-07:00</published><updated>2011-05-07T16:30:55.804-07:00</updated><title type='text'>O MINISTRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aIGQtNb9VwA/Tb7NE88LpBI/AAAAAAAAAsM/qZJ-paMZ04I/s1600/gilberto_gil_01.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 237px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-aIGQtNb9VwA/Tb7NE88LpBI/AAAAAAAAAsM/qZJ-paMZ04I/s400/gilberto_gil_01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602140471457195026" /&gt;&lt;/a&gt;O diretor da revista queria porque queria a matéria, mas o assessor do Ministério da Cultura garantia, por telefone, que com menos de um mês de governo seria impossível marcar entrevista com o novo ministro. O jeito era ir pra Brasília e cercar ele, disse o assessor, para afirmar em seguida que, nesse caso, se o repórter acompanhasse de perto a agenda do ministro, e se tivesse disposição para esperar,  poderia existir, quem sabe, a possibilidade de uns 15 minutos de entrevista. Dito e feito. O repórter passou três dias em Brasília acompanhando a agenda do ministro, tomou boas doses de chá de cadeira na sala de espera do gabinete dele e conseguiu seus quinze minutos, entrevista e foto praticamente ao mesmo tempo, tudo bem rápido, entre um compromisso e outro da apertada agenda do ministro da Cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O resultado tá aí embaixo. As fotos são de Felipe Barra, grande desbravador dos Sertões brasileiros&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 182, de 27 de janeiro de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O violão tem ficado num canto, sem sair da capa. É sinal de que estou me dedicando”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma das muitas audiências com autoridades, o ministro da Cultura Gilberto Gil recebeu em seu gabinete, na quarta-feira 8, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o uruguaio Enrique Iglesias, acompanhado de dois diretores da instituição. Durante cerca de uma hora, Gil e a comitiva do banco discutiram possibilidades de incentivos à cultura do País, com toda a formalidade que reuniões desse tipo costumam exigir. Até que, no fim do encontro, os dois diretores se encarregaram de quebrar o protocolo avisando que, se saíssem dali sem um autógrafo do ministro, seriam impedidos pelos filhos de entrar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contada pelo secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, essa história de coxia faz parte do show do ministro e ilustra bem o que têm sido os primeiros dias dele no governo. “Gil é sistemático, com uma capacidade de trabalho enorme. Ao mesmo tempo todos aqui têm a dimensão do artista, o que acaba criando um clima mágico, que o Ministério da Cultura sempre deveria ter”, diz Juca, ex-vice-presidente da ONG Onda Azul, voltada para o meio-ambiente, criada pelo atual ministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-GDpBRMkNCRI/Tb7NM5oB1pI/AAAAAAAAAsU/RjHPaNzqpKs/s1600/gilberto_gil%2Bmamberti.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 185px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-GDpBRMkNCRI/Tb7NM5oB1pI/AAAAAAAAAsU/RjHPaNzqpKs/s400/gilberto_gil%2Bmamberti.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602140608006313618" /&gt;&lt;/a&gt;A capacidade de trabalho citada por Juca pode ser medida pela agenda do ministro, que não raramente ultrapassa 12 horas por dia. Foi assim, por exemplo, na quarta-feira 15, quando Gil empossou o primeiro escalão de seu Ministério numa cerimônia no auditório da Funarte, que começou às 10h. Na mesma quarta-feira, outra solenidade no Palácio do Planalto – em que o presidente em exercício José Alencar assinou o decreto declarando 2003 o ano comemorativo do centenário de nascimento de Ary Barroso – acabou atrasando a agenda do ministro. Ele só deixou seu novo &lt;br /&gt;palco de trabalho depois das 22h30, após cumprir todas as audiências previstas para o dia, entre elas encontros com o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, com integrantes do setor de Cultura do Movimento dos Sem Terra e com o consultor da Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro com Boni mostrou que Gil também usa códigos. Ao chegar ao gabinete do ministro, o ex-vice-presidente de coordenação estratégica da Globo disse à recepcionista que estava ali para “buscar uns instrumentos”. Sem entender nada e nem reconhecer o convidado, a funcionária do Ministério disse que não havia instrumentos no gabinete. Bem-humorado, Boni retrucou. “Vai lá dentro, por favor, e diz que eu vim buscar uns instrumentos.” Constrangida, a recepcionista voltou dizendo que ele podia entrar. Na saída, o consultor da Globo minimizou a brincadeira, e disse que levou ao ministro a proposta da criação de uma loteria da Cultura. “Espero que ele, que é muito criativo, amplie a verba que tem”, disse, sem dar maiores detalhes sobre a idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Brasília, Gil mora no hotel da Academia de Tênis, um complexo com dez cinemas, oito restaurantes e dezenas de lojas situado a dez minutos da Esplanada dos Ministérios. O dia de trabalho começa entre 9h e 9h30, quando ele chega ao gabinete – sempre de terno e gravata ou, em dias de compromissos menos formais, vestindo blazer. O gabinete, aliás, ainda não tem a cara do novo ministro. “Acho o gabinete sem graça”, diz ele, que no momento não pensa em mudanças no local. “Por enquanto não vejo necessidade.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-K8IZOvWsCcM/Tb7Nh0E0qGI/AAAAAAAAAsc/LXnzTFhj0X8/s1600/gilberto_gil_carro.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 224px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-K8IZOvWsCcM/Tb7Nh0E0qGI/AAAAAAAAAsc/LXnzTFhj0X8/s400/gilberto_gil_carro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602140967293724770" /&gt;&lt;/a&gt;Para se dedicar à nova função, o músico mudou sua rotina. O violão fica esquecido no hotel. O único hábito que fez questão de manter são os exercícios diários ao acordar, entre 7h e 7h30. Antes do café da manhã, o ministro dedica de 1h a 1h30 à prática da ioga e da ritmoprática, um conjunto de exercícios corporais (inclui alongamento e respiração) indicados por Tomio Kikuchi, o mestre da macrobiótica no Brasil. “Sem os exercícios não poderia agüentar o ritmo. Eles são o alimento básico da musculatura, que acabam se refletindo na vontade de trabalhar e servem como estimulante nesse início de trabalho”, explica Gil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A macrobiótica também está presente no almoço do ministro, que acontece quase sempre em seu gabinete entre 14h30 e 15h. A comida vem de um restaurante próximo ao Ministério. “Não conheço direito essa comida, mas acho que até agora arrumei tudo certo na bandeja”, diz o garçom Antônio Martins, 48, há seis anos no Ministério da Cultura. Depois do almoço, Gil fica à base de água durante o resto do dia, além de um chá, de erva-cidreira ou de maçã, entre as 17h e 18h. E pára por aí qualquer tipo de rotina na vida do ministro. “Venho sendo atropelado por pedidos de audiências rápidas. Minha rotina fica em função da agenda”, justifica o compositor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Juca Ferreira, o ritmo intenso de audiências com o ministro deve diminuir no fim do primeiro mês de trabalho. “Esse esforço inicial é para tomarmos conhecimento do que temos pela frente, mas se continuar assim depois de um mês vai começar a prejudicar o trabalho”, afirma o secretário-executivo, que assumiu o Ministério na sexta-feira 17, quando o titular viajou para Cannes, de onde partiu depois para se encontrar com o presidente Lula em Davos, na Suíça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a previsão de Juca, até o fim de janeiro continuarão os jantares depois do expediente num dos restaurantes da Academia de Tênis. Neles, o ministro não come quase nada, mas chega a ficar até 1h30 discutindo assuntos do Ministério. Secretário do Livro e da Leitura, o poeta Wally Salomão resume o ritmo de trabalho nessa reta inicial. “Tenho passado a noite acordado”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o violão de Gil permanece esquecido. A exceção foi na festa da quarta-feira 15, na Funarte, quando, atendendo ao pedido dos funcionários do Ministério, o compositor levou seu instrumento para uma canja. Cantou três músicas – Drão, Three Little Birds, de Bob Marley, e Esperando na Janela – e se desculpou pela desafinação das cordas. “O violão tem ficado num canto, sem sair da capa. É sinal de que estou me dedicando”, disse, sem lamentar os ossos do novo ofício&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-8450285083113051551?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/8450285083113051551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/8450285083113051551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/05/o-ministro.html' title='O MINISTRO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-aIGQtNb9VwA/Tb7NE88LpBI/AAAAAAAAAsM/qZJ-paMZ04I/s72-c/gilberto_gil_01.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-7563202330393148851</id><published>2011-04-30T07:20:00.000-07:00</published><updated>2011-07-06T15:01:13.962-07:00</updated><title type='text'>FILHA DE GOVERNADOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-RIbs2Nidpxk/TbwmquIuDyI/AAAAAAAAAr0/pb2FyCBMVYY/s1600/lula_e_brizola%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 370px; height: 249px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-RIbs2Nidpxk/TbwmquIuDyI/AAAAAAAAAr0/pb2FyCBMVYY/s400/lula_e_brizola%2B2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601394551923019554" /&gt;&lt;/a&gt;A entrevista tinha sido convocada pela própria entrevistada. Leonel Brizola tinha morrido há poucos dias e a filha dele, Neusinha, aquela mesma do Mintchura nos estranhos anos 80, queria conceder uma exclusiva para a revista. A entrevista foi num sábado, no apartamento de dois quartos em Ipanema onde ela morava, e Neusinha falou ladeada por dois representantes do PDT, como uma autêntica guardiã da herança política do pai, que foi genro do Jango, governou o Rio duas vezes, o Rio Grande do Sul uma, foi exilado, voltou, e ao longo da carreira lançou na política gente muito diferente, de Cesar Maia a Marcello Alencar, de Garotinho a Rosinha, e que ficou em terceiro lugar nas primeiras eleições presidenciais depois de 29 anos, com mais de 11 milhões de votos, a menos de 500 mil do segundo turno; e que na última eleição que disputou, em 2000, para a Prefeitura do Rio, ficou em quarto lugar, com menos de 300 mil votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 256, de 5 de julho de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Nós todos da família pedimos para ele continuar a obra dos Cieps, em homenagem a meu pai, mas ele não pôde responder. Estava muito tumulto, tinha muita gente."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caçula dos três filhos do político Leonel Brizola, morto de enfarte aos 82 anos na segunda-feira 21, Neusinha Brizola deu muito trabalho ao pai na juventude. Enquanto Brizola governava o Rio em dois mandatos (1983 a 1986 e 1991 a 1993), sua filha, hoje com 49 anos, aprontava. Em 1983, ela posou para a Playboy, o que obrigou o pai a suspender a publicação da revista. Neusinha também envolveu-se com drogas, mas, segundo ela, os tempos de loucura ficaram no passado. Há 10 anos longe das drogas, a mãe de dois dos nove netos (Laila, 29, e Paulo César, 22) e avó de três dos quatro bisnetos (Túlio, 10, Breno, 4, e Marina, 2) de Brizola quer ser a guardiã do nome da família. Solteira após três casamentos desfeitos, Neusinha tem trabalhado como produtora de teatro, mas não descarta uma tentativa de entrar na política. A profissão de cantora, dos tempos de Mintchura, seu único hit, há 15 anos, é que está definitivamente sepultada. “Agora só canto no chuveiro”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que pretende fazer após a morte de Leonel Brizola?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quero atuar como guardiã do nome da família. Tenho que honrar esse nome por mim e por tudo que meu pai fez. Não houve político mais investigado do que ele no Brasil e ninguém provou nada contra. Todos os herdeiros, netos, filhos, temos de ter essa coerência, essa honestidade em respeito à memória dele, para não deixar ninguém aparecer do nada usando o nome dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha que existe esse risco?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, absolutamente. Ele deixou netos. Tem o Carlito (de 25 anos, filho de José Vicente, primogênito de Brizola) que já é candidato a vereador no Rio de Janeiro. Sairá como Brizola Neto e nós da família já nos fechamos em torno dele. Para as futuras eleições, tem também o meu filho Paulo César, que trabalhava com meu pai desde os 13 anos. De repente, até eu posso entrar na política. Por enquanto ainda é tudo prematuro, mas existe essa possibilidade. Não para esse ano, quando nosso candidato será o Carlito. Mas tenho vontade, talvez, de me candidatar a deputada federal em 2006. É uma questão de conversar com o partido. A vontade de seguir os passos do meu pai está no sangue, até para manter essa chama acesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bD0yZAkNmxc/TbwmHCf_vpI/AAAAAAAAArs/zOmR4BUJC78/s1600/Neusinha%2B1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 227px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-bD0yZAkNmxc/TbwmHCf_vpI/AAAAAAAAArs/zOmR4BUJC78/s400/Neusinha%2B1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601393938914066066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Tem outros projetos com relação ao seu pai?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quero participar ativamente dos trabalhos na Fundação Alberto Pasqualini (fundação que desenvolve projetos sociais, ligada ao PDT, que, como o partido, era presidida por Brizola). Minha preocupação é manter vivo o nome Brizola. Gostaria de fazer como a Lucinha Araújo fez com o Cazuza e a Viviane Senna com o Ayrton Senna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desde quando você se interessa por política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tivemos uma vida muito sofrida. Vivemos no exílio durante a ditadura militar. Tudo isso tornou toda a nossa família muito politizada. Lemos jornais todos os dias, temos nossa ideologia, acompanhamos tudo. Meu pai conversava muito com todos nós. Víamos o trabalho dele. Ele nos deu o exemplo. Foi uma jóia rara, uma grande escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi o momento mais duro na vida da família?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O golpe militar de 1964. Era pequena na época, tinha 9 anos. Não tinha muita noção das coisas, mas para mim foi como se tivesse ido dormir como princesa e acordasse como sapa. Meu pai foi para a clandestinidade e nós tivemos de sair do País. Ficamos com a minha mãe num hotelzinho de Montevidéu. Minha mãe rezando o terço, a gente rezava terço todo dia, pedindo para o meu pai ficar bem. Minha mãe fazia todo mundo ir à igreja todo dia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E os últimos dias de seu pai?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com o meu pai praticamente o tempo todo depois que ele voltou do Uruguai (na quarta-feira 16). Apesar de estar de cama, ele estava bem, animado. Foi um enfarte fulminante. Graças a Deus, ele não sofreu nada, não teve que ficar entrevado numa cama. Morreu dignamente, com as mãos limpas. A morte do meu pai foi uma surpresa. Na véspera ele estava ótimo, conversou comigo, quis saber da família, se estava tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ultimamente a saúde de Brizola preocupava a família?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos uma preocupação normal com alguém de 82 anos, mas meu pai era um homem sem vícios. Não fumava, só bebia um vinhozinho de vez em quando, tinha uma vida muito regrada. Seu único problema era que comia de tudo. Comia lingüiça no café da manhã, gostava de mocotó, rabada, e sempre o arroz de carreteiro acompanhando. Mas meu pai era um touro. Às vezes, não agüentava o pique dele. Na campanha de 1998, quando ele era vice da chapa do Lula, fui com ele para Bom Jesus da Lapa, na Bahia. Estava de salto, andando ao lado dele, mas eu não agüentei. Pedi para sentar no jardim da casa de uma senhora de lá enquanto meu pai seguiu com a passeata, sem demonstrar nenhum cansaço. Na volta da passeata é que me encontrei com ele de novo. Talvez por isso a ficha ainda não tenha caído direito pra mim. Ainda está o número do telefone dele no meu celular. De vez em quando me esqueço e tenho o ímpeto de ligar para ele. Ainda não assimilei direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leonel Brizola era avô coruja?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O mais coruja de todos. Ele adorava quando levávamos as crianças ao sítio da família em Itaipava (região serrana fluminense), para almoçar nos domingos. Ele gostava de comer melancia com as crianças depois do almoço. Abria a melancia no jardim e ficava lá, comendo com os netos e os bisnetos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PrcE1GiIbTM/Tbwm5Gd_DEI/AAAAAAAAAr8/FQ3u_qDziI0/s1600/Neusinha%2Bdisco.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 222px; height: 227px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-PrcE1GiIbTM/Tbwm5Gd_DEI/AAAAAAAAAr8/FQ3u_qDziI0/s400/Neusinha%2Bdisco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601394798972832834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Como estava o relacionamento de vocês, ultimamente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu pai sempre foi um aglutinador na política e na família. Procurava manter todos debaixo da asa. Comigo, especialmente nos últimos anos, era uma coisa de eu ligar dizendo que estava com dor de garganta e ele mandar na hora o motorista me trazer um remédio. Nos falávamos praticamente todos os dias. Ele trazia ovos do sítio e me mandava sagu (espécie de canjica fervida com vinho), que ele também adorava. Perdi um amigo. Meu pai era um fofo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a última briga entre você e seu pai?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Faz muito tempo, uns 10 anos. Foi na época em que eu tinha problemas com drogas. Hoje estou limpa, só fumo um cigarro de vez em quando. Filho sempre briga com o pai, ainda mais a gente, que tinha o mesmo temperamento. Mas o engraçado é que depois de todas as brigas eu sempre dava o braço a torcer. Ele me cantava, “vai acontecer isso”, e acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pode dar um exemplo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro casamento (com o produtor Franco Bruni, em 1983). Ele dizia que não ia dar certo e não deu. Meu pai sempre tinha razão, era impressionante. Inclusive, antes de casar ele nunca quis conhecer meus namorados. Dizia que eu mudava muito de namorado e que iria acabar confundindo os nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O ex-governador falava da briga com o José Vicente (filho de Brizola, rompido com o pai desde 2000 e que tinha ligações com o PT)? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Isso já passou. A família agora está unida, em memória da minha mãe (Neusa Goulart, morta em 1993) e de meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como a família viu a reaproximação do secretário de Segurança Anthony Garotinho e da governadora Rosinha Matheus com seu pai (Na véspera da morte de Brizola, Rosinha e Garotinho estiveram na casa do ex-governador para lhe oferecer a candidatura à prefeitura numa coligação com o PMDB)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estamos observando, o futuro dirá. Eles foram muito gentis em oferecer o Palácio Guanabara para o velório. Colocaram-se à disposição desde o início. Eles me abraça-&lt;br /&gt;ram, me deram os pêsames, mas não conversamos porque naquele momento não tinha como. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-W94d4A8ijns/TbwnL4ltHmI/AAAAAAAAAsE/jWacx_LfKrM/s1600/funeralbrizola.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 390px; height: 250px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-W94d4A8ijns/TbwnL4ltHmI/AAAAAAAAAsE/jWacx_LfKrM/s400/funeralbrizola.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601395121664630370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;O que achou das vaias ao presidente Lula no velório?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A família não concordou, tanto que tentamos impedir. Mas não era só o meu pai que estava insatisfeito com o governo. O Brasil inteiro está um pouco decepcionado, esperávamos uma mudança que não ocorreu. E esse salário mínimo é uma vergonha. Ele é que deveria viver com R$ 260 para ver como é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chegou a falar com Lula no velório?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nós todos da família pedimos para ele continuar a obra dos Cieps, em homenagem a meu pai, mas ele não pôde responder. Estava muito tumulto, tinha muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Neusinha Brizola morreu na quarta-feira, 27 de abril, aos 56 anos, com complicações pulmonares decorrentes de uma hepatite. A causa da morte foi divulgada pelo PDT, partido fundado por seu pai.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-7563202330393148851?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7563202330393148851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7563202330393148851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/04/filha-de-governador.html' title='FILHA DE GOVERNADOR'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RIbs2Nidpxk/TbwmquIuDyI/AAAAAAAAAr0/pb2FyCBMVYY/s72-c/lula_e_brizola%2B2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-4167822380073897407</id><published>2011-03-30T17:06:00.000-07:00</published><updated>2011-04-17T16:24:16.081-07:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL - O MENDIGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-NkwP9Rl59Vw/Tat2j-mKomI/AAAAAAAAArk/hRUtYifPVgs/s1600/carro%2Bmendigo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-NkwP9Rl59Vw/Tat2j-mKomI/AAAAAAAAArk/hRUtYifPVgs/s400/carro%2Bmendigo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596697322408551010" /&gt;&lt;/a&gt;O Cem era o perfeito recanto dos anos inconsequentes, ilha de paz e silêncio entre o centro de pesquisa de energia nuclear e o morro do Pasmado. Era um prédio daqueles antigos e tinha apartamentos espaçosos o suficente para a dura obrigação da época, imposta pela absoluta falta de dinheiro, a necessidade latente de dividir uma casa com um amigo. Dotado de uma suíte pra um e um quarto e outro banheiro pro outro, o 111 do Cem atendia ao quesito principal em situação tão difícil: a harmonia. E como era no primeiro andar, parecia casa, tinha até pátio nos fundos. O único problema era a falta de vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garagem, o prédio até tinha, mas conseguir vaga morando há menos de quatro anos por lá seria tarefa pra oficial do Bope, e como dinheiro pra alugar uma também não havia, o jeito era tentar a sorte na movimentada General Severiano, rua histórica, sim, sem dúvida, mas também de triste memória, quando, com a taça de primeiro campeão continental do planeta já na Colina Histórica, fomos prejudicados escandalosamente numa final de campeonato, no ano da graça de 1948. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinquenta anos depois, em outro ano de luz, a chuva em vias de se tornar torrencial provocava aquela corrida desagradável, primeiro subindo e depois descendo o elevado do Pasmado, por cima do túnel pelo qual já passaram até de helicóptero. Era mais de meia-noite e, como estamos falando de anos inconsequentes, era hora de sair de casa. Honório estava estacionado do outro lado do túnel, por falta de vaga mais perto, e a corrida até ele, primeiro subindo depois descendo, foi cansativa a ponto de gerar aquela sutil felicidade de abrir a porta, sentar no banco do motorista e fechar a porta, só um pouco molhado, a chuva começando a cair forte lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí veio aquele cheiro estranho, um budum de chulé misturado com certa nhaca de cecê e talvez uma pitada de amônia, quem sabe também um pouco de fezes, daquelas ressecadas, mais difíceis de limpar, que ficam presas naqueles cabelinhos... A primeira reação foi olhar para o lado, para o banco do carona, e dar pela falta do plástico preto que cobria as férias do vidro da janela, enfurnado havia alguns meses dentro da porta de fibra de vidro. Depois foi só virar pra trás e lá estava ele, o plástico, a servir de cobertor para aquele mendigo que dormia profundamente, encolhido, para se encaixar melhor no banco onde cabiam, no máximo, apertando um pouquinho, duas pessoas sentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7b7THgpymOs/Tatx650BcLI/AAAAAAAAArc/Q9Smh5ny8ic/s1600/anamb%25C3%25A9_general-severiano.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 257px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-7b7THgpymOs/Tatx650BcLI/AAAAAAAAArc/Q9Smh5ny8ic/s400/anamb%25C3%25A9_general-severiano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596692218703343794" /&gt;&lt;/a&gt;Dormia a ponto de ronronar e não chegou nem perto de acordar com o simples Ô, Ô, acorda aí, mermão, pronunciado ainda sob lampejos de incredulidade. Foi preciso cutucar o cara para que ele, os olhos ainda fechados, levantasse a cabeça e começasse a perceber o que estava acontecendo. O diálogo foi rápido e o mendigo compreendeu logo o fato de que aquele carro, tão confortável, tão quentinho, envolto pela fibra de vidro, iria sair dali, e que não seria nem um pouco conveniente que ele fosse junto, dormindo feliz no banco de trás pelas ruas de Botafogo e adjacências. Então ele se despediu com toda a educação, pedindo desculpas pelo inconveniente, ainda que através de grunhidos praticamente ininteligíveis, enquanto se esforçava para se livrar do banco da frente levantado e sair pela porta do carona, levando consigo, pendurado na cabeça, o saco plástico preto, agora em vias de ficar tão encharcado quanto o banco do carona do Gurgel, que recebia em cheio a chuva enquanto rodava pelas ruas de Botafogo, livrando-se aos poucos daquele budum de chulé, daquela nhaca de cecê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-4167822380073897407?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4167822380073897407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4167822380073897407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/03/honorio-o-gurgel-o-mendigo.html' title='HONÓRIO, O GURGEL - O MENDIGO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-NkwP9Rl59Vw/Tat2j-mKomI/AAAAAAAAArk/hRUtYifPVgs/s72-c/carro%2Bmendigo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-8167662251207685133</id><published>2011-03-01T15:51:00.001-08:00</published><updated>2011-03-27T08:56:48.221-07:00</updated><title type='text'>AMIGOS</title><content type='html'>O governo Lula não havia completado nem um mês de vida. Em meio à rotina habitual de jantares no Piantela, em que adversários políticos riam juntos na mesma mesa,  Brasília vivia ainda o clima de festa iniciado com a eleição do operário para presidente, cujo ápice fora a festa da posse, quando as ruas da cidade foram tomadas por milhares de pessoas, todas muito esperançosas. Os quatro dias na capital federal seriam, inicialmente, para a execução de duas pautas, uma com o então ministro Gilberto Gil, para saber seus hábitos e sua rotina na nova função, longe dos palcos; e outra com o cineasta Nelson Pereira dos Santos, que filmava, para a televisão francesa, um documentário sobre os 100 primeiros dias do governo Lula. No penúltimo dia, quando as duas matérias já estavam garantidas, surgiu mais um trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-uNjGL-8oa10/TY9d14Nm9tI/AAAAAAAAAq8/LajRwGWV-Ys/s1600/showmicio_lula.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 230px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-uNjGL-8oa10/TY9d14Nm9tI/AAAAAAAAAq8/LajRwGWV-Ys/s400/showmicio_lula.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588788842793989842" /&gt;&lt;/a&gt;Explicada sem muitos detalhes pelo telefone, a pauta parecia uma daquelas matérias recomendadas pela direção da casa, que às vezes nossas revistas e jornais impingem a seus repórteres. Um sujeito é amigo de fulano e quer sair na revista. Fulano é dono da revista, ou diretor de redação, e manda um repórter entrevistar o sujeito, que sai na revista mesmo sem ter tanta coisa assim pra dizer. Funciona mais ou menos assim, e parecia ser esse o caso daquela pauta aparentemente sem propósito. Felizmente, porém, não era nada disso. O entrevistado realmente não era famoso. Tratava-se de um completo desconhecido dos leitores da revista, sem dúvida; mas tinha uma história, que era simples, sem nada de extraordinário, e ilustrava bem aquele momento do país, de muita festa, muita empolgação, muita esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 182, de 27 de janeiro de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Sou do PDA, Partido dos Amigos.” &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até meados de 2001, o cantor Zezé di Camargo nunca tinha votado em Lula e alimentava sua aversão ao PT associando o partido a invasões de terra. O irmão, Luciano, votara no líder petista em 1989, mas também era contra qualquer aproximação com políticos. Em comum com o atual presidente, a dupla tinha apenas um amigo: o advogado goiano Paulo Viana, 46 anos. Hoje, depois de Zezé di Camargo e Luciano terem ajudado a eleger Lula fazendo shows por todo o Brasil, Paulo é quem comemora. Afinal, foi ele o responsável pela amizade que liga o homem mais importante do País aos artistas que chegam a vender 2 milhões de cópias por disco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigo dos cantores desde o início dos anos 90, quando intermediou a venda de um apartamento de Zezé em Goiânia e passou a trabalhar para a dupla, Paulo começou a costurar a aliança com Lula no final de 1998, após a terceira derrota do petista numa eleição presidencial. Ao se encontrar com Zezé num estúdio em São Paulo, acompanhou a gravação de “Meu País”. “Disse ao Zezé que, com aquela música, o Lula ganharia, mas ele nem ligou”, lembra o advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem sensibilizar o amigo, Paulo mandou a música para o atual presidente. Três anos depois, estava em sua chácara, em Goiânia, quando recebeu um telefonema de Lula. “Ele me disse que o Duda Mendonça queria usar a música no programa anual do partido e me pediu pra tratar disso com o Zezé”, conta. Depois de falar com Duda e saber que o publicitário estava finalizando o programa naquele mesmo dia, o advogado precisou de uma hora de conversa no telefone para convencer o sertanejo. “Ele aceitou porque o Lula tinha sido o único político a se sensibilizar com a música”, explica Paulo. “Antes tinha a impressão de que quem estava com o Lula era só o pessoal que fazia baderna ou gente dos sindicatos. Vendo que o Paulo, um advogado bem sucedido, apoiava o Lula, comecei a mudar de idéia”, conta Zezé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia depois de o programa ir ao ar, o advogado foi novamente requisitado por Lula, dessa vez para marcar um encontro de agradecimento com os cantores. A reunião, num jantar na casa da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, aconteceu 10 dias depois e marcou a mudança definitiva na posição de Zezé. Sem o irmão Luciano, que ficou gravando no estúdio, Zezé saiu do jantar dizendo a Paulo que queria participar mais da campanha. “Ele ficou impressionado com o preparo do Lula. Os dois falaram de cidades que eu nem conhecia. Quando voltou ao estúdio pra continuar a gravação, o Zezé já brincava chamando todo mundo de companheiro”, lembra o advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da união com a dupla, Paulo sempre incentivou Lula a abrir o leque de alianças,&lt;br /&gt;desde o primeiro encontro dos dois, em 1993, no escritório do petista em São Paulo. Acompanhando o empresário Luiz Antônio de Carvalho, seu cliente e filiado ao PT, &lt;br /&gt;o advogado expôs sua opinião ao político, que marcou a continuação da conversa &lt;br /&gt;para quando fosse a Goiânia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco meses depois, Paulo recebeu um telefonema do então prefeito da capital goiana,&lt;br /&gt;o petista Darci Acorsi, perguntando se ele poderia hospedar Lula na cidade. Desde&lt;br /&gt;então, todas as vezes em que o atual presidente dormiu em Goiânia, foi na casa do advogado. “Ficávamos na sauna ou na piscina, tomando uísque e conversando até&lt;br /&gt;de noite”, conta Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-gYB82fCSTIw/TY9eEvONq0I/AAAAAAAAArE/_OZg2HbXDeg/s1600/paulo_viana_02.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 174px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-gYB82fCSTIw/TY9eEvONq0I/AAAAAAAAArE/_OZg2HbXDeg/s400/paulo_viana_02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588789098078645058" /&gt;&lt;/a&gt;Casado com Rosa e pai de Denise, 22, e Fernando, 19, o advogado hoje é amigo do presidente, mas garante que sua participação no governo não passa disso. Se bem que, com a experiência de quem saiu de Goiás Velho, onde nasceu, aos 16 anos para tentar a vida em Goiânia, costuma dizer que poderia ser político. “Fui office-boy e cobrador de porta em porta para pagar meus estudos. Biografia para político eu tenho”, brinca o advogado que, apesar de carregar na lapela a estrela dourada presenteada por Lula, não se diz petista. “Sou do PDA, Partido dos Amigos.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-8167662251207685133?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/8167662251207685133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/8167662251207685133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/03/materia-reco.html' title='AMIGOS'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-uNjGL-8oa10/TY9d14Nm9tI/AAAAAAAAAq8/LajRwGWV-Ys/s72-c/showmicio_lula.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-6999564952737040712</id><published>2011-01-30T16:27:00.001-08:00</published><updated>2011-07-04T15:18:08.492-07:00</updated><title type='text'>O JIPEIRO</title><content type='html'>Entre os amantes de uma vida de aventura, coberta de lama, ele é um dos mais destemidos. Em madrugada de muito cuidado, atravessou el Paso Del Diablo, nos dois mil metros de altura do gêiser de El Tatio, desafiando com coragem ímpar as traiçoeiras precipitações de vapor aos pés do vulcão Lazcar. Nas trilhas, ele é o fecha, o mais capacitado a socorrer quem precise, sempre com o equipamento certo, sempre disposto a ajudar. Reboca quem já se dá como engolido pelo gelo, cava lama com disposição insuperável e, claro, cede de bom grado, satisfeito até, qualquer peça de seu vasto arsenal de sobrevivência, da chave-de-roda ao celular via satélite, a quem quer que o peça. Ele é muito respeitado entre os jipeiros. Não tem medo de nada, dizem todos. Ele é Roberto Jefferson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bordo de seu Defender 90, ele mostra toda a habilidade ao volante, enquanto repórter e fotógrafo quicam pra lá e pra cá na traseira do veículo, tentando se equilibrar em bancos dobráveis que, pelo tamanho, lembram o carro do vovô, a condução de volta pra casa aos 8 anos, uma caravan azul com quatro cadeirinhas no bagageiro para as crianças menores. Só que no volante do Land Rover não está aquele simpático português de cabelos brancos, que conduzia a caravan azul em velocidade de guia turístico. Roberto Jefferson pisa fundo. Freia bruscamente também, e joga o carro pra um lado, pro outro, e passa por vala, pula obstáculos, e ri muito. Parece muito bem-humorado nesta manhã de sábado, sol a pino, neste terreno enlameado da Barra da Tijuca. Sem dúvida, um jipeiro nato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Escrita um ano e dois meses antes do chamado mensalão, que catapultou Roberto Jefferson à fama nacional, a matéria vem abaixo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 237, de 23 de fevereiro de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-KsVPUKVwLXo/TWl9JW0xIfI/AAAAAAAAAqc/4CbxTAy0AkE/s1600/robertojefferson01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 256px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-KsVPUKVwLXo/TWl9JW0xIfI/AAAAAAAAAqc/4CbxTAy0AkE/s400/robertojefferson01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578127213174268402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;“Quando estou dirigindo, só como banana, barras de cereais e tomo água de coco, para evitar qualquer problema”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidente nacional do PTB na Câmara Federal, o deputado federal Roberto Jefferson, 50 anos, está sempre visitando as bases do partido espalhadas pelo País. Entre junho e julho de 2001, por exemplo, ele saiu do Rio de Janeiro, onde mora, e foi até Pirassununga, em São Paulo. De lá, partiu para Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, de onde saiu para visitar Aquidauana, em pleno pantanal. A viagem continuou por Rondonópolis, Cuiabá, Barão de Melgarço e Cáceres, em Mato Grosso; passou por Porto Velho (RO), Manaus (AM), Santarém e Ilha de Marajó, no Pará; Macapá (AP), Belém e terminou em Brasília. Nada muito diferente do que outros líderes políticos costumam fazer, exceto por um detalhe: em vez de usar helicópteros ou aviões, Roberto Jefferson percorreu todo o trajeto ao volante de seu Land Rover Defender 110. &lt;br /&gt;Desde que iniciou sua paixão por jipes, há 33 anos, é dessa maneira que o deputado prefere viajar. “Conheço o Brasil no chão”, vangloria-se ele, que adotou o hobby influenciado pela ex-mulher, Ecila Brasil, com quem começou a namorar em 1971 e se casou dois anos depois. Foi na fazenda da família de Ecila, em Posse, região serrana do Rio de Janeiro, que Roberto fez suas primeiras trilhas até comprar o precursor de seus veículos 4X4: um jipe Willis 64, adquirido em 1974. “Tínhamos de sair do carro para ligar a tração nas quatro rodas. Quando voltávamos, já estávamos imundos”, lembra Ecila, mãe dos três filhos do deputado, Cristiane, 30, Fabiana, 28, e Roberto, 26. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente proprietário de dois jipes Land Rover Defender, um modelo 110 e outro 90, Roberto Jefferson tem utilizado os carros não só em viagens como a que fez em 2001, durante 40 dias pelo Norte do Brasil, mas para ir a lugares bem mais distantes do que as primeiras trilhas pela região serrana fluminense. Em novembro de 2001, ele e Ecila saíram do Rio de Janeiro para passar 22 dias viajando entre o Chile e a Bolívia. Rodaram 16 mil quilômetros por localidades como Antofagasta, na costa do Oceano Pacífico, o deserto de Atacama, no Chile, e Laguna Colorada, na Bolívia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-qSIo5z3iotA/TWl9jPoagwI/AAAAAAAAAqk/T2L0QY5UQOM/s1600/robertojefferson04.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 321px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-qSIo5z3iotA/TWl9jPoagwI/AAAAAAAAAqk/T2L0QY5UQOM/s400/robertojefferson04.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578127657920004866" /&gt;&lt;/a&gt;Foi nessa viagem que, aos pés do Vulcão Lazcar, no Atacama, o deputado viveu uma das experiências mais arriscadas de sua carreira de trilheiro. Mesmo sabendo que, nove meses antes de sua chegada à região, três brasileiros haviam morrido quando o jipe em que viajavam caiu de uma altura de 2 mil metros, no gêiser de El Tatio, o então líder do PTB na Câmara decidiu percorrer o Paso Del Diablo, como é chamada a trilha que leva ao gêiser. Subiu no escuro, de madrugada, para escapar das precipitações de vapor, que começam por volta das 5h. “Tem que subir com muito cuidado, mas só tive medo de manhã, quando já tinha subido e vi como o caminho era arriscado”, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o deputado ofereceu ajuda a um casal de franceses que tinha atolado com seu carro numa fina camada de gelo, a 4 mil metros de altitude. Depois de 40 minutos, conseguiu rebocar a Ford Ranger do francês que, agradecido, ofereceu uma nota de US$ 50 ao brasileiro, convencido de que se tratava de um profissional que o ajudara. “Quando contei que eu era deputado ele nem acreditou”, diverte-se Roberto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na chegada a Paso Jama, na fronteira do Chile com a Bolívia, ele voltou a ajudar outras pessoas. Munido de um celular via satélite, cedeu aos apelos para emprestá-lo&lt;br /&gt;aos quatro guardas obrigados a ficar 15 dias baseados no posto, a 5 mil metros de altitude. “Todos os quatro falaram para casa”, lembra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A disposição para as viagens aumentou bastante depois que Roberto se submeteu, em 2000, a uma operação para redução de estômago. Emagreceu 70 quilos e passou a viver sob uma dieta rigorosa, que teve reflexos no seu hobby predileto. “Quando estou dirigindo, só como banana, barras de cereais e tomo água de coco, para evitar qualquer problema”, diz o político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3bMqvj1Thpo/TWl96nfskcI/AAAAAAAAAq0/oPs33K4fTZk/s1600/robertojefferson_02.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-3bMqvj1Thpo/TWl96nfskcI/AAAAAAAAAq0/oPs33K4fTZk/s400/robertojefferson_02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578128059462881730" /&gt;&lt;/a&gt;Quando não está em expedições, Roberto freqüenta as trilhas percorridas pelos associados do Jeep Clube de Petrópolis, na região serrana fluminense. Sempre levando em seu carro todos os apetrechos necessários para se livrar de qualquer obstáculo, o deputado costuma ser o chamado “fecha” nas trilhas, aquele que vai atrás de todos os outros e está pronto a socorrer os colegas que sofram problemas. Na opinião de especialistas no assunto, desempenha muito bem sua função. “O Roberto é um trilheiro nato. Não tem medo, o que é muito importante”, diz o empresário Carlos Salvini, 60 anos, diretor técnico do Jeep Clube de Petrópolis e atual campeão do Rally dos Sertões na categoria de caminhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi essa disposição em ajudar que provocou mais uma cena inusitada nas viagens do deputado. No deserto do Jalapão, em Tocantins, durante o Carnaval de 2002, o deputado cavava a terra com uma enxada, na tentativa de desatolar o jipe de um amigo. No meio de seu trabalho, uma mulher se aproximou pedindo para tirar uma foto dele. A justificativa pegou Roberto de surpresa. “Ela disse que era para mostrar para a mãe dela, que nunca iria acreditar se a filha dissesse que tinha visto o deputado Roberto Jefferson cavando a terra com uma enxada no meio do deserto do Jalapão”, conta Jefferson, rindo à beça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-6999564952737040712?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6999564952737040712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6999564952737040712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2011/01/o-jipeiro.html' title='O JIPEIRO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-KsVPUKVwLXo/TWl9JW0xIfI/AAAAAAAAAqc/4CbxTAy0AkE/s72-c/robertojefferson01.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3439629497069397341</id><published>2010-12-31T13:07:00.001-08:00</published><updated>2011-02-02T12:45:39.866-08:00</updated><title type='text'>NEVE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSB9N1QkwHI/AAAAAAAAAp4/Ozs1rV-4Fi4/s1600/Vars%25C3%25B3via%2Best%25C3%25A1dio.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 276px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSB9N1QkwHI/AAAAAAAAAp4/Ozs1rV-4Fi4/s400/Vars%25C3%25B3via%2Best%25C3%25A1dio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557579616763560050" /&gt;&lt;/a&gt;O primeiro contato foi logo depois de acordar, oito e pouco da matina, ao abrir a cortina da janela do hotel. A noite da chegada tinha sido fria, claro, mas nada muito diferente de Gramado, e além disso praticamente não saímos daquele lugar muito bem aquecido, que em cima era restaurante e embaixo, no subsolo, boate, e onde a garçonete era a Natasha Kinski, a atendente do balcão era a Anna Kournikova e na pista de dança evoluíam, uma sorrindo, os olhos fechados, outra entregue à música, de frente pro espelho, ignorando um idiota em volta, Ana Paula Arósio e Nicole Kidman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cortina do quarto do hotel era grossa, pesada, e assim que foi aberta mostrou aquela imagem inédita, nunca antes vista, um jardim quase todo branco. Mas neve mesmo, daquela que cai em flocos, nos filmes e nas lembrancinhas mais bregas, só veio a aparecer no estádio de futebol fantasma, inaugurado em 1955 para celebrar o décimo aniversário da rendição nazista. Tinha sido erguido em alguma ruína da Segunda Guerra e parecia incrustado no alto de um pequeno monte, como um teatro grego. Mesmo abandonado há mais de vinte anos, mantinha intactos o campo de futebol, com traves e marcações, e boa parte das arquibancadas. Em volta, nas bordas daquele vale, as barracas de camelô ofereciam uma infinidade de produtos, do capacete nazista perfurado a bala ao sobretudo do comandante soviético, da pistola usada, sim, com certeza, no motim do gueto, ao terço benzido por Sua Santidade, o papa. E foi quando eu examinava nas mãos um quepe bege, com a foice e o martelo bem no meio da testa, que começou a nevar. Milhares de flocos do mesmo tamanho, que caíam devagar, como que flutuando, e que voltaram a cair no pátio do palácio presidencial da Polônia, durante a visita do presidente brasileiro, o primeiro da história a aparecer por lá, à frente de uma comitiva enorme de políticos, empresários, convidados de multinacionais e, lógico, jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 135, de 4 de março de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Ah, nisso eu sou Romário. Quanto a isso não há dúvida”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSDooLJO5pI/AAAAAAAAAqA/XkmfWOMkPkE/s1600/FHC%2Be%2Bneta.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 260px; height: 270px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSDooLJO5pI/AAAAAAAAAqA/XkmfWOMkPkE/s320/FHC%2Be%2Bneta.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557697717059118738" /&gt;&lt;/a&gt;Uma menina de 14 anos e um craque de futebol mundialmente conhecido fizeram com que a visita de Fernando Henrique Cardoso à Polônia – a primeira de um presidente brasileiro àquele país – não fosse apenas mais uma série de encontros oficiais, endurecidos pela rigidez dos protocolos diplomáticos. A menina, Júlia Cardoso Zylberstajn, viajava pela primeira vez ao exterior com os avós, o presidente e a primeira-dama, Ruth Cardoso, sem a companhia de outros parentes. Talvez contagiado por sua presença, FHC não escondia o bom humor, que chegou a provocar surpreendentes declarações de apoio a Romário, na luta do atacante para ir à Copa do Mundo de 2002. No primeiro dia em Varsóvia, durante passeio pela Cidade Velha, centro histórico da capital polonesa, o presidente não quis falar sobre a campanha para sua sucessão, mas não resistiu a uma pergunta sobre a convocação, ou não, do craque para a seleção. “Ah, nisso eu sou Romário. Quanto a isso não há dúvida”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o artilheiro vascaíno foi assunto na Polônia sem sair do Rio de Janeiro, Júlia só precisou ir a um evento da programação oficial do presidente em Varsóvia para dar um toque de suavidade à comitiva do avô. Ainda no domingo, durante o concerto no Teatro da Orquestra Sinfônica de Varsóvia – patrocinado pela Brasil Telecom –, ela sentou-se na mesma fila dos avós, do presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski, e da primeira-dama Jolanta Kwasniewska. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSDpHahYp1I/AAAAAAAAAqI/uWePDw2uuZU/s1600/varsovia%2Bconcerto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 160px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSDpHahYp1I/AAAAAAAAAqI/uWePDw2uuZU/s320/varsovia%2Bconcerto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557698253762897746" /&gt;&lt;/a&gt;Ao lado de dona Ruth Cardoso, a filha de Beatriz Cardoso e de David Zylberstajn (ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo e ex-genro de FHC) acompanhou a apresentação da Orquestra Sinfônica da Rádio e Televisão Polonesa, que, regida pelo polonês naturalizado brasileiro Henrique Morelembaum, tocou a abertura de O Guarani, de Carlos Gomes, além das Valsas Humorísticas, de Alberto Nepomuceno, e o concerto para piano e orquestra Formas Brasileiras, de Hekel Tavares. No fim do programa tipicamente brasileiro, a menina, que junto com o irmão, Pedro, 9, costumava dormir no quarto dos avós quando visitava o Palácio da Alvorada, não escondeu a empolgação com o encerramento preparado pela produção do concerto. Sutilmente, acompanhou com a cabeça o som dos nove ritmistas de escolas de samba cariocas que, comandados pelo mestre de bateria Jorjão, tocaram Aquarela do Brasil junto com os músicos poloneses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom humor de Fernando Henrique continuou afiado no segundo dia da viagem, durante a entrevista coletiva realizada após a reunião no Palácio Presidencial, onde os presidentes trataram de assuntos em comum entre os dois países. No discurso antes da entrevista, Fernando Henrique arrancou risos ao dizer que tinha estado na Polônia para aprender. “A primeira coisa que aprendi foi a pronunciar o nome de meu colega, ‘Qua-chi-niévski’”. FHC elogiou a vodka polonesa servida no jantar de domingo, quando foi informado por Kwasniewski de que o Brasil exportava álcool para a Polônia. Na ocasião, o presidente tranqüilizou o colega polonês que, em tom de brincadeira, manifestara a preocupação de que o álcool brasileiro pudesse prejudicar a qualidade da principal bebida da Polônia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSDpSv4qxiI/AAAAAAAAAqQ/gRAoXvX4gRs/s1600/fhc_varsovia.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 159px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSDpSv4qxiI/AAAAAAAAAqQ/gRAoXvX4gRs/s320/fhc_varsovia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557698448476259874" /&gt;&lt;/a&gt;“Disse a ele que, provavelmente, o álcool exportado pelo Brasil só era bebido por automóveis”. Até a última pergunta da entrevista – feita ao presidente polonês a respeito de boatos sobre a possível candidatura da primeira-dama à prefeitura de Varsóvia – gerou brincadeiras de FHC. Depois da resposta do colega, ele pediu a palavra para um último comentário. “É só para dizer que, se ela se candidatar, terá o meu voto.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faltou quem pegasse carona na descontração do presidente para garantir momentos inesquecíveis. Foi o caso de Jorjão e seus ritmistas, que ganharam uma foto ao lado de Fernando Henrique. “Pedi e ele aceitou na hora. Essa foto vai para o currículo”, disse o mestre de bateria da Acadêmicos do Grande Rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3439629497069397341?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3439629497069397341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3439629497069397341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/12/neve.html' title='NEVE'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TSB9N1QkwHI/AAAAAAAAAp4/Ozs1rV-4Fi4/s72-c/Vars%25C3%25B3via%2Best%25C3%25A1dio.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3740648683057742035</id><published>2010-12-20T06:56:00.000-08:00</published><updated>2011-07-30T17:17:43.871-07:00</updated><title type='text'>PAUTA ESTRANHA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xETsBNRI/AAAAAAAAApc/CGdyL_aJbPs/s1600/fhc-jegue.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 275px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xETsBNRI/AAAAAAAAApc/CGdyL_aJbPs/s400/fhc-jegue.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552781184389428498" /&gt;&lt;/a&gt;Não dá pra lembrar o motivo, o que aconteceu no Rio de tão importante para Niterói, mas o fato é que veio a ideia, oriunda muito provavelmente da cachola do chefe da redação na época, idiota completo. O jornal passaria a ter uma sucursal no Rio, que funcionaria na fiat Uno pilotada pelo valente Itamar, motorista dos melhores que até já saiu nas páginas do jornal, de dorso nu, em frente à bela Lagoa de Itaboraí, em foto que ilustrava a matéria sobre o abandono do local.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma sucursal móvel, dotada de motorista, fotógrafo e repórter, que passaria a sair da redação por volta das 7h30, à caça do que fosse notícia no Rio, e pobre da chefe de reportagem, obrigada a arrumar o que fazer já tão cedo para a nova equipe. Foram tempos esquisitos, de acordar com o céu escuro, pegar ônibus, barca, e voltar logo depois pro Rio, para fazer pautas que até então jamais seriam entregues a qualquer repórter de um jornal que se preocupava, essencialmente, com o lado de lá da Baía de Guanabara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquela pauta eras dessas que, de acordo com as prioridades da reportagem do velho e bom O Fluminense, não fazia o menor sentido. Consistia em deixar de lado os valões de São Gonçalo, os camelôs de Alcântara e as delícias de Niterói, cidade maravilhosa, para atravessar a ponte e fazer a mesma matéria que as agências de notícias, baluartes do editor de um jornal pequeno, enviariam dali a algumas horas. O País vivia tempos diferentes, com novos ventos na economia. Depois de um período curto em que a moeda brasileira passou a ser uma sigla, a URV (Unidade Real de Valor), o Real começava a se consolidar. Nas ondas do sucesso do plano, Fernando Henrique percorria o Brasil andando de jegue e comendo buchada, com chapéu de cangaceiro, prestes a vencer Lula já no primeiro turno das eleições de 1994. No lugar dele, no Ministério da Fazenda, assumiu Ciro Gomes, e a pauta era a primeira visita dele ao Rio como ministro, em evento concorridíssimo no auditório da associação comercial da cidade, lotado de jornalistas, entre eles um repórter do velho O Fluminense, sem gravador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal O Fluminense, edição de sábado, 10 de setembro de 1994&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O presidente Itamar Franco colocou os bois adiante dos carros, onde eles têm de estar. Eu entro agora no Ministério para trabalhar com a mesma equipe que elaborou o plano e dar continuidade a esse programa”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Fazenda, Ciro Gomes, garantiu ontem, em encontro na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro, que os fundamentos da estabilização econômica serão mantidos e que os preços permanecerão estáveis. O ministro esteve na associação para fazer um balanço sobre o programa econômico do governo e foi ouvido por cerca de 300 pessoas, entre empresários, líderes sindicais e representantes de classe. Ele também ouviu perguntas e sugestões de alguns líderes empresariais e sindicais, na palestra que começou por volta das 11h e durou duas horas. Ciro Gomes estava acompanhado dos ministros da Justiça, Alexandre Dubeyrat, e da Comunicação, Djalma de Moraes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Fazenda afirmou que o Plano Real é fundamental para o Brasil, já que nenhuma abordagem dos problemas estruturais do País seria possível diante do quadro de hiperinflação que estava se formando. “O presidente Itamar Franco colocou os bois adiante dos carros, onde eles têm de estar. Eu entro agora no Ministério para trabalhar com a mesma equipe que elaborou o plano e dar continuidade a esse programa”, disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em resposta ao presidente da Confederação Nacional do Comércio, Antônio de Oliveira Santos – que reclamou das críticas generalizadas que os comerciantes vêm recebendo da opinião pública e da imprensa, que os acusam de buscar o lucro a qualquer custo –, Ciro Gomes disse que em qualquer área existem pessoas boas e más. “Há comerciantes honestos e desonestos, e acredito que os primeiros são maioria. A princípio, acreditamos em todas as pessoas, mas todos podem ter certeza que o governo será duro com aqueles que agirem contra a lei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questionado pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio, Arthur João Nonato, sobre a necessidade de estímulos à manutenção e aumento dos níveis de emprego, o ministro afirmou que esse problema é a grande chave para acabar com a miséria e, conseqüentemente, um dos principais objetivos da política econômica do governo. “Essa questão é importantíssima, mas vale ressaltar que, hoje, a administração do Ministério da Fazenda é semelhante àquele número de circo dos pratos: o equilibrista roda os pratos nos pinos e não pode deixar nenhum cair. Nós também estamos tendo de cuidar de vários assuntos ao mesmo tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xOs-LmDI/AAAAAAAAApk/ieDss01VoYM/s1600/ciro_mesa.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 216px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xOs-LmDI/AAAAAAAAApk/ieDss01VoYM/s320/ciro_mesa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552781362975184946" /&gt;&lt;/a&gt;Ciro Gomes também recebeu o apoio da Federação das Associações de Donas de Casa do Rio e do presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil do estado, José Boaventura Ferreira. Este último aproveitou para pedir a volta de uma política de financiamento que diminua o atual estado de abandono em que se encontra o setor, não só no Rio, mas em todo o País. O ministro concordou com Boaventura e disse que a decadência da indústria da construção civil é mais um exemplo do colapso em que se encontra todo o País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ex-governador do Ceará revelou sua esperança de que o presidente Itamar acelere o processo de saneamento financeiro da Caixa Econômica Federal, mas confessou que não se pode esperar muito de um ministro que chega para garantir, fundamentalmente, a estabilização econômica. “Acredito que no ano que vem, quando não estarei mais servindo o governo como ministro, o Brasil já possa apresentar um grande crescimento econômico, o que vai gerar maiores ofertas de emprego e moradia, por exemplo. Estamos trabalhando para isso”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ouvir o presidente da Associação Brasileira de Supermercados, Levi Nogueira, o ministro homenageou todos os donos de supermercado que permitiram a queda dos preços, e aproveitou para pedir a adesão daqueles que ainda não estão agindo dessa maneira. “A grande maioria dos donos de supermercados está colaborando com o governo. Eles estão agindo de acordo com as determinações do presidente, que prevêem um plano sem sustos, sem choques”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciro Gomes aproveitou o discurso do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, Luiz Oliveira Rodrigues, para tratar de dois temas também considerados fundamentais: a privatização e o entendimento entre trabalhadores e empresários. O ministro afirmou que Itamar foi o presidente que mais avançou na questão das privatizações em toda a história do País, e citou o exemplo da CSN, hoje a maior companhia privada do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xgTzQ2BI/AAAAAAAAAps/c6s2AaNcUxQ/s1600/itamar%2Blillian.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xgTzQ2BI/AAAAAAAAAps/c6s2AaNcUxQ/s400/itamar%2Blillian.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552781665456150546" /&gt;&lt;/a&gt;Apesar disso, Ciro avisou que nem ele nem o presidente Itamar vêem a privatização como um modismo neoliberal. “A privatização não é um fim, e sim um meio importante para reduzir as dívidas do País. Está provado no mundo inteiro que ela é um instrumento eficaz para fortalecer a capacidade gerencial. No entanto, não se deve afrouxar o controle sobre a manipulação do patrimônio público. Não vamos jogar esse patrimônio pela janela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao entendimento entre as câmaras setoriais, o ministro espera que se encerre o falso conflito entre trabalhadores e empresários. “O trabalho e o capital podem ter um espaço comum de atuação, com a valorização do diálogo”, concluiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente da Associação dos Exportadores do Brasil, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, pediu ao ministro providências para diminuir as três principais dificuldades dos exportadores brasileiros: os tributos excessivos (PIS, Cofins, IPMF), os altos custos dos juros e a lentidão das leis portuárias. Ciro Gomes prometeu lutar para diminuir os obstáculos à exportação no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à questão tributária, o ministro afirmou que a intenção do presidente é desonerar ao máximo o produto brasileiro na direção do exterior. “O mercado lá fora é muito competitivo e o Brasil não pode exportar impostos”, disse. Além disso, Ciro contou que o governo já está debatendo, há algum tempo, medidas para diminuir os custos de transferência e tornar as leis portuárias menos lentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito aos altos custos de juros, Ciro Gomes disse que, antes do governo Itamar, esses juros eram de 51% ao mês, e agora eles não passam de 3,8%. “Nós temos que comparar esses juros aqui dentro do País. É perverso compará-los com o mercado internacional por razões macroeconômicas”, explicou o ministro, que lembrou ainda o risco que representaria uma queda maior na taxa de juros. “O consumo pode extrapolar na base do crédito e do acesso fácil e, com isso, perderíamos todo o espaço conquistado até agora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ciro Gomes avisou que o plano é expansionista e admitiu que o governo vai precisar aumentar a oferta preventivamente. “Faremos isso com parcimônia, sem os erros dos governos passados, que tentaram correr atrás de um aumento de oferta quando não era mais possível”, disse, sem explicar como o aumento seria feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim do encontro, o ministro deixou a Associação Comercial e falou muito pouco. Questionado pelos jornalistas sobre a reportagem de um jornal de São Paulo, que acusou sua administração no governo do Ceará de crime eleitoral, ele limitou-se a negá-la. “Isso é futrica. No meu governo nunca houve isso”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3740648683057742035?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3740648683057742035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3740648683057742035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/12/pauta-estranha.html' title='PAUTA ESTRANHA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQ9xETsBNRI/AAAAAAAAApc/CGdyL_aJbPs/s72-c/fhc-jegue.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-5004690824425103452</id><published>2010-11-30T12:58:00.000-08:00</published><updated>2010-12-11T10:19:02.428-08:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL - A FESTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQPAiu9RH_I/AAAAAAAAApU/2rVVmTcTa44/s1600/ponte%2Brio-niteroi.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQPAiu9RH_I/AAAAAAAAApU/2rVVmTcTa44/s400/ponte%2Brio-niteroi.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549490868803674098" /&gt;&lt;/a&gt;As cubanas eram superiores, mais fortes e mais chatas, mas o primeiro set foi nosso, e o Hipódromo começava a tomar ares de Bar Esperança, o chope descendo redondo, gelado, mesas lotadas, unidas no mesmo ideal, e aquele adorável tráfego típico do Baixo Gávea, pra lá e pra cá, pra lá a loura de cabelo curtinho, vestido de alcinha, tamanquinho e duas flores no tornozelo, pra cá a morena de jeans e camiseta, e nenhuma delas, a exemplo dos garçons, sem sequer resvalar o olhar na direção da nossa mesa, nem para mim, nem para meu amigo Salomão, o que não tinha a menor importância. Olhar já era suficiente, ainda mais durante um jogaço daqueles, as cubanas um pouco melhores no segundo set, e a porrada começando a cantar naquela semifinal da Olimpíada de Atlanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis que chega Bê Moreno, com seu brinco de brilhante na orelha, senta com a gente e lança a proposta, irrecusável segundo ele. Uma festa espetacular, mulher a rodo, bebida liberada, comida também, tudo numa cobertura de um prédio em Niterói, há pelo menos meia hora de carro de onde estávamos. Nesse momento, as cubanas já tinham boa vantagem no segundo set, a poucos pontos de fechar, e também por isso, mas principalmente porque Bê Moreno insistia, com seu sorriso metálico, que a festa era imperdível, que a conhecida dele, dona da festa, só tinha amiga gata etc etc etc, resolvemos deixar aquela bela atmosfera do Baixo Gávea e seguir para a travessia da Baía de Guanabara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bê Moreno sugeriu que fossemos todos no carro dele, novo, motor possante, mas preferimos, eu e Salomão, manter nossa autonomia de ir e, principalmente, voltar de Niterói sem depender de ninguém. Por isso fomos na frente no Honório e o Bê Moreno foi atrás, na velocidade do Gurgel, porque ele não sabia como chegar em Niterói, e como eu só sabia chegar lá pela Perimetral, o caminho foi mais longo. Saímos da Gávea, passamos pelo Jardim Botânico, adentramos pelo Humaitá e atravessamos a Voluntários da Pátria, no rumo da Praia de Botafogo, e rapidamente chegamos à Praia do flamengo e dali ao elevado da Perimetral, de onde Bê Moreno avistou as luzes amarelas da Ponte Rio-Niterói e decidiu nos passar.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sumiu em pouco tempo, a toda velocidade, e a tarefa de achar o caminho até a festa ficou comigo e com meu vasto conhecimento da terra de Araribóia, fruto dos anos passados no velho e bom O Fluminense. Conhecia bem a área, de fato, e fazia questão de mostrar isso ao bom Salomão, enquanto saíamos da ponte e caíamos na Jansen de Mello, depois Marques de Paraná, ou vice-versa, e depois na Amaral Peixoto, para fazer o contorno e sair na Roberto Silveira, passando por aquela rua que, eu conhecia, claro, mas estava um pouco diferente, menos iluminada, mais estreita, até que, do nada, surgiu um meio-fio, e em menos de dois segundos Honório estava com suas quatro rodas em cima de uma calçada, que por sorte era bem larga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno contratempo, somente, incapaz de atrapalhar a chegada à Miguel de Frias, onde ficava o prédio da festa, colado na reitoria da UFF.  Na portaria, a primeira decepção. O porteiro, magro, calvo, o bigodinho ralo, disse que a festa não era na cobertura. Era no play. Na tevê dele, menos de 14 polegadas, brasileiras e cubanas continuavam quase engalfinhadas em Atlanta, e o placar dos quatro sets até ali mostrava números como 33, 29 e 31.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do elevador, o barulho da música era de festa grande, animador, mas a chegada ao playground foi esclarecedora. Numa mesa de armar, a única fora da salão de festas, quatro ou cinco pessoas permaneciam sentadas, e caladas, uma parecia a mãe, outra o avô, e as outras duas os primos adolescentes. Em volta deles, nada. Ninguém. Dentro do salão, mais duas mesas, uma com a aparelhagem de som (na verdade um daqueles três em um com caixas de som acopladas) e outra com croquete frio e demais salgadinhos sem gosto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQPAWjkPgLI/AAAAAAAAApM/jVgqxVqMEwM/s1600/marcia-fu-cubanas.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 317px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQPAWjkPgLI/AAAAAAAAApM/jVgqxVqMEwM/s400/marcia-fu-cubanas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549490659587489970" /&gt;&lt;/a&gt;Com a nossa chegada, o público presente dentro do salão suplantou o da mesa do lado de fora. Éramos nós dois e mais duas meninas, uma gordinha sorridente, simpática até demais, e outra mais interessante, mas que certamente ainda não tinha completado o ginásio. Na pista de dança, a dona da festa, bonita, bem bonita, dançava animadamente com Bê Moreno, ele que, com seu sorriso metálico, seu brinco de brilhante, pegava a moça pela cintura, abraçava e beijava na boca durante a música, possivelmente alguma do George Michael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuava fazendo isso quando saímos da festa, pouco menos de quarenta minutos depois da chegada. Na portaria, a tevê de menos de 14 polegadas mostrava as brasileiras chorando, com raiva, tristes, e as cubanas comemorando mais uma vitória, lógico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-5004690824425103452?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5004690824425103452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5004690824425103452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/11/honorio-o-gurgel-festa.html' title='HONÓRIO, O GURGEL - A FESTA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TQPAiu9RH_I/AAAAAAAAApU/2rVVmTcTa44/s72-c/ponte%2Brio-niteroi.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-5130864364858083322</id><published>2010-10-31T05:35:00.000-07:00</published><updated>2011-05-02T08:38:44.531-07:00</updated><title type='text'>O PREFEITO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNyR5D2b93I/AAAAAAAAAos/haQlofx6wig/s1600/Cesar%2BMaia%2Breza.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 319px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNyR5D2b93I/AAAAAAAAAos/haQlofx6wig/s400/Cesar%2BMaia%2Breza.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538462051231070066" /&gt;&lt;/a&gt;As paredes do gabinete estão tomadas por cartazes de propaganda soviética. Na mesa de trabalho, colado nela na verdade, ao lado, o computador não para. O prefeito dá entrevista com desenvoltura, é bom nisso, e de tempo em tempo se vira para o computador, mostra alguma coisa na tela ou apenas checa os emails, sem parar de responder a pergunta. Estava no meio do segundo de seus três mandatos e mantinha popularidade suficiente para ser reeleito com folga no ano seguinte, no primeiro turno, até pela ausência de adversários decentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No total, foram 12 anos à frente da Prefeitura do Rio e o início foi, sim, promissor. Mesmo resvalando um pouco além da conta pra direita, se é que ela ainda existe, conseguiu dar uma arrumada na cidade, ainda que tenha sido na base daquele velho discurso de busca pela ordem que sempre remonta a Orwell, Big Brother, a Hitler, Stalin, Mussolini, e a qualquer guardinha de rua todo-poderoso. Mas tinha também o humor involuntário, ou nem tanto. O picolé no açougue, o casaco azul da Lacoste, a resistência heroica pelo horário de verão e outros factóides. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, o primeiro governo do prefeito teve projeto, boas ideias como o favela-bairro e, o melhor de tudo, teve investimento em Saúde. Hospitais municipais como o Souza Aguiar e o Miguel Couto passaram a funcionar direito, a olhos vistos. Já no segundo mandato, a história foi diferente. Para vencer o pupilo, colocado por ele na Prefeitura, precisou fazer muitos conchavos, prometeu muita coisa pra muita gente, o que prejudicou sua administração. A saúde começou a degringolar, entre outros problemas, e o prefeito passou a ser alvo constante de todos os jornais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a virar vilão, mas conseguiu se reeleger mesmo assim, para, sob bombardeio intenso da mídia, perder de vez a popularidade em seu terceiro mandato. No último ano, nas eleições para sua sucessão, sua candidata teve votação pífia. No pleito deste ano, o prefeito tentou uma das duas vagas de senador. Ficou em quarto lugar, com 1,5 milhão de votos a menos que o terceiro colocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a entrevista&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 191, de 31 de março de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Qualquer político tem como objetivo ser secretário-geral da ONU, presidente dos Estados Unidos, se for americano, ou papa, se estiver na hierarquia da Igreja Católica. O político que não tem ambição maior não tem motivação no estágio em que está. Mas ninguém planeja ser presidente. O senador Antônio Carlos Magalhães diz: 'Ser prefeito é questão de competência, ser governador é questão de oportunidade e ser presidente é questão de sorte'. Depende das conjunturas."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu segundo mandato como prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, 57 anos, tem mostrado que continua fiel ao estilo que o transformou num dos principais líderes do PFL. Preocupado com a violência do Rio, o prefeito não poupa críticas a adversários políticos como o ex-governador fluminense Anthony Garotinho, ao mesmo tempo em que &lt;br /&gt;acena com uma trégua com a atual governadora e mulher de Garotinho, Rosinha Matheus. Na segunda-feira 18, ocupou o noticiário ao acertar o empréstimo ao Estado do Rio &lt;br /&gt;de R$ 230 milhões para o pagamento da folha salarial, num acordo que prevê ainda a cessão de R$ 100 milhões do município para o combate à violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A onda de violência que tem atingido o Rio de Janeiro poderia ser evitada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Poderia, se, no início dos anos 80, o governo federal tivesse consciência do que estava acontecendo em matéria de tráfico de drogas no Brasil. Na primeira metade da década de 80, os governos democraticamente eleitos nos Estados entraram enfatizando prioridades sociais e reduzindo as aplicações em Segurança Pública. Natural, se nem eles, e nem o governo federal, sabiam dos problemas nessa área, mas isso terminou produzindo o quadro dramático que se vê hoje, principalmente no Rio e em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem é responsável pela crise de segurança no Rio?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O fracasso da Segurança Pública a partir de 1999 é atribuível a quem hoje responde pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, o senhor Luiz Eduardo Soares. Ele deu a ordem de levantar a repressão ao narcovarejo de drogas, num momento em que a ação repressiva no final do governo Marcello Alencar (1998) tinha reduzido os índices de criminalidade e criado condições para a implementação de uma política que combinasse modernização e inteligência com repressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que isso não aconteceu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O senhor Luiz Eduardo Soares trabalhou com a ilusão de que, sem repressão, as gangues se estabilizariam nas suas regiões, como aconteceu com a contravenção. Cada vez que havia disputa à bala por bocas de fumo, ele entrava reprimindo, como castigo. A linha era de liberação do tráfico, desde que não houvesse disputa à bala entre eles. Foi um desastre, e acho gravíssimo o presidente nomear quem produziu esse desastre como secretário nacional de Segurança Pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não acredita no plano do PT para a Segurança?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o ministro da Justiça está adotando aquelas idéias, nunca mais vi aquele livrão que eles gastaram meses para produzir e apresentaram na campanha eleitoral. Se o ministro for influenciável por Luiz Eduardo Soares, Deus me livre. É distribuir colete à prova de bala para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNySTc57v6I/AAAAAAAAAo8/D047qb-4hTA/s1600/beiramar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 232px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNySTc57v6I/AAAAAAAAAo8/D047qb-4hTA/s320/beiramar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538462504633221026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Por que o senhor defendeu recentemente que se atirasse nos bandidos para matar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Respondi uma pergunta sobre a rebelião em Bangu 1 (em setembro de 2002, quando presos comandados por Fernandinho Beira-Mar mataram colegas de cela e tomaram o presídio). Eram 16 presos rebelados e a polícia negociou com eles durante 16 horas. Em qualquer lugar do mundo, numa situação de rebeldia, os presos têm de se deitar de bruços, de calção ou nus, e se alguém tentar fazer o que está ameaçando, a polícia atira para matar. Não no dedão do pé de um homem com uma arma na mão. Se não fizeram isso, perderam a autoridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor é a favor da pena de morte?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é eficaz. O ato de delinqüir está mais relacionado com a velocidade da punição, e com a probabilidade de que ela venha, do que com o nível da punição. Vivemos no Rio uma banalização da vida que todos esses bandidos sabem que, se não forem presos, vão morrer, ou na mão de outros bandidos ou da polícia. E introduzir a pena de morte gera uma sofisticação legal enorme, com vários cuidados adicionais na área de Justiça. Não é prático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como vê o governo Lula?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não começou ainda. O governo Lula ainda está em campanha. Raro é o dia que não vejo o Lula num comício. Ele recebe prefeitos, faz comício, vai para porta de fábrica, faz outro. Se fosse o partido do governo federal, ele estaria cumprindo seu papel, de presidente do Partido do Governo Federal. Em muitos momentos ele é um chefe de Estado qualificado. Tem enfrentado questões com muita coragem, mas o País não tem governo porque não há chefe de governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que o senhor diz isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O presidente não dedica parte substantiva de seu tempo a gerir a administração, que é complexa. Pego o Rio de Janeiro, segunda maior cidade do País, mas que perto do governo federal é um cisco, e vejo o tempo que tenho que me dedicar à gestão. Fico surpreendido que o Lula não precise dedicar esse tempo à administração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outros membros do governo não estão fazendo isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, podia estar de primeiro-ministro, mas está tratando acanhadamente da sua esfera de responsabilidade. José Dirceu podia estar fazendo, não está. Ele tem poder político de nomear cargos em comissão. É um governo de muitos tentáculos não coordenados. Cada um atira para um lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a expectativa para o governo Rosinha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A administração pública estadual está desintegrada praticamente em todos os segmentos. Numa crise grave como essa, não cabe fazer oposição, e sim discutir medidas concretas para que o Estado recupere sua capacidade de autogerir-se. Senão caminhamos para um segundo momento que é de intervenção, o que nenhum de nós deseja. Espero que a administração de Rosinha seja diferente da de Garotinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A ex-governadora Benedita da Silva tem culpa na atual crise?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Propus à Benedita que ela, quando assumisse, fosse à Assembléia Legislativa e pedisse a ruptura com a situação que recebera. Alertei que ela tinha de fazer a tomada de contas naquele momento, porque a responsabilidade para enquadramento na Lei de Responsabilidade Fiscal e no Código Penal seria dos últimos oito meses do governante. Ela não fez porque não quis, e porque não tinha consciência do que receberia. Devia ter, porque os números estavam no Diário Oficial do Estado, não eram secretos. Quando viu que era grave, Benedita agravou a situação com medidas que incharam mais a folha de pagamentos. Portanto, ela é agente desse processo de desintegração financeira do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acredita que ex-governadores como Itamar Franco, Benedita da Silva e Olívio Dutra deveriam ser punidos por descumprirem a Lei de Respondabilidade Fiscal? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O artigo 42 da LRF é combinado com artigo próprio do Código Penal e prevê pena de 1 a 2 anos de prisão. Se não for aberto processo e eles não forem julgados para alguma condenação neste intervalo, a LRF estará sendo desmoralizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A família Garotinho é uma força política a ser considerada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não quero falar da Rosinha porque ela não é a matriz. Ela diz que cumpre uma missão para o marido. Mas esses ciclos de populismo estão pelo País há décadas. À medida em que a política ganha envergadura, que é exigida da administração pública não um cargo de cabo eleitoral, mas uma administração profissional, o oportunismo perde espaço. Minha ascensão no Rio correspondeu a esse movimento, nosso grupo ganha eleição na cidade há 10 anos. Espero que o Estado se vacine também contra o populismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNySl0ej3-I/AAAAAAAAApE/39cARYJ2xu4/s1600/Brizola%2BCesar%2BMaia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNySl0ej3-I/AAAAAAAAApE/39cARYJ2xu4/s400/Brizola%2BCesar%2BMaia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538462820198506466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Anthony Garotinho é um populista?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Certamente, mas um populista sem estofo, sem raiz. É diferente do ex-governador Leonel Brizola. Brizola tinha clareza de que a resposta para a pobreza passava pela Educação. O Garotinho imagina que a resposta passa pelo cheque-cidadão, pelo sopão, e depois pelo reino dos céus. Você sobrevive por conta de políticas assistencialistas e ascende por conta de políticas divinas. Essa é a combinação do populismo dele. O resultado disso deve estar afligindo muito a governadora, até porque ela não tem pele grossa de político, porque nunca foi vereadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha que a governadora pode dissociar-se da imagem de Garotinho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é fácil, mas pode. Uma remontagem do governo com quadros técnicos de primeira qualidade, suprapartidários, ia ser uma forma de dar uma resposta à situação. Não se dá resposta a essa crise fazendária se, como gestor de uma Secretaria de Finanças, não tiver um quadro que dê absoluta tranqüilidade à sociedade, senão você vai achar &lt;br /&gt;sempre um Silveirinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pensa em se candidatar ao governo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, quero ser prefeito de novo. Quero ajudar a eleger o próximo governador, apresentar mais uma vez nosso programa de governo, que já foi derrotado duas vezes, discutir, apoiar e ajudar o governo, se precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem ambição de ser presidente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Qualquer político tem como objetivo ser secretário-geral da ONU, presidente dos Estados Unidos, se for americano, ou papa, se estiver na hierarquia da Igreja Católica. O político que não tem ambição maior não tem motivação no estágio em que está. Mas ninguém planeja ser presidente. O senador Antônio Carlos Magalhães diz: “Ser prefeito é questão de competência, ser governador é questão de oportunidade e ser presidente é questão de sorte”. Depende das conjunturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O governo estadual não seria um caminho para a Presidência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não precisa mais passar pelo governo estadual para ser candidato a presidente, principalmente nas grandes cidades, que são pólos propagadores do desenvolvimento. Marta Suplicy pode ser candidata à sucessão do Lula. Jacques Chirac foi prefeito de Paris e presidente da França. Jorge Sampaio, prefeito de Lisboa e presidente de Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-5130864364858083322?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5130864364858083322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5130864364858083322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/10/o-prefeito.html' title='O PREFEITO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TNyR5D2b93I/AAAAAAAAAos/haQlofx6wig/s72-c/Cesar%2BMaia%2Breza.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-4969434154067577844</id><published>2010-10-13T10:36:00.000-07:00</published><updated>2010-10-16T14:15:13.165-07:00</updated><title type='text'>A FUTURA GOVERNADORA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3JJqierI/AAAAAAAAAn0/zggOKyOoDo4/s1600/benedita.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 266px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3JJqierI/AAAAAAAAAn0/zggOKyOoDo4/s400/benedita.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527595854252374706" /&gt;&lt;/a&gt;Ela era preta, pobre e favelada. Virou vereadora, depois deputada, e quase foi prefeita do Rio, mas perdeu de virada para César Maia, naquela que foi a primeira grande vitória eleitoral do prefeito mais longevo da cidade na história recente. A popularidade, no entanto, foi suficiente para que Benedita da Silva se tornasse a primeira mulher negra eleita senadora e, quatro anos depois, garantisse a vaga de vice-governadora na chapa vitoriosa de Garotinho, nas eleições de 1998. A entrevista aconteceu quando ela estava prestes a se tornar a primeira governadora da história do Rio de Janeiro, mas Benedita minimizava o fato. Dizia que feliz, mesmo, ela ficaria se vencesse as eleições para o governo, dali a sete meses. Acabou perdendo no primeiro turno, para outra mulher, e terminou sua curta experiência no Palácio Guanabara com a desagradável marca de ter deixado de pagar o décimo terceiro salário dos servidores, entre outros problemas. Acusou o antecessor de ter deixado a bomba estourar na mão dela. Pode até ser, mas também a digníssima governadora não soube se cercar de bons quadros no governo. Na Secretaria de Fazenda, por exemplo, botou uma raposa, que graças aos meandros de nossa política estadual conseguiu se colocar novamente, dessa vez no galinheiro instalado no saudoso Vasco da Gama, hoje transformado em covil de aproveitadores com o beneplácito da mídia que sempre odiou o clube. Mas é claro que a Benedita, eleita agora deputada federal, com pouco mais de 60 mil votos, não tem nada a ver com isso. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Abaixo, a entrevista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 136, de 11 de março de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Sei muito bem quando estou sendo vítima de um preconceito e quando estou sendo vítima de uma disputa. Você vê isso na medida em que vai galgando posições. É um preparo constante de saber reagir. O que não pode é entrar numa paranóia de achar que essa ou aquela ação são preconceituosas."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nasceu na favela da Praia do Pinto, no Rio, cresceu e morou 57 anos no Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, zona sul carioca, só entrou na faculdade aos 40 anos e hoje, prestes a chegar aos 60, se prepara para ser a primeira mulher a governar o Estado do Rio de Janeiro. Na expectativa de substituir o governador Anthony Garotinho – que deverá licenciar-se do cargo em abril, para disputar as eleições presidenciais – a vice-governadora Benedita da Silva terá nove meses para mostrar serviço. Sem tirar os pés do chão, Bené transfere os louros de seu sucesso ao trabalho coletivo do PT. Mas, candidata ao governo estadual nas próximas eleições, avisa que não vai esconder a satisfação pessoal se ganhar a disputa. A ex-empregada doméstica, que já se destacava em organizações como a Associação das Mulheres do Chapéu Mangueira e a Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro, começou na política em 1982, como vereadora. De lá para cá, foi deputada federal duas vezes e senadora. Nada que fizesse a mãe de dois filhos e avó de quatro netas deixar a família de lado. Viúva duas vezes, faz questão de, quando tem tempo, preparar a comida do marido, o ator Antônio Pitanga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma vitória pessoal assumir o governo do Estado do Rio, mesmo por nove meses?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem pensar. A vitória se deu quando fomos eleitos. Governar nove meses é um desafio grande para o PT. Foi o PT, junto com o povo do Rio de Janeiro, que me elegeu para representá-lo nesse momento. A vitória é resultado de um trabalho coletivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nem uma ponta de orgulho? Nem quando foi eleita para o Senado (Em 1994, foi a primeira mulher negra eleita senadora, com 2,2 milhões de votos)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A vitória nunca pode ser atribuída unicamente aos seus méritos. Na política há outros componentes que formam esta constelação. Na eleição para o governo estadual, a vencedora foi a política de aliança (Benedita foi vice na chapa do governador Anthony Garotinho, na época ainda no PDT). Quando saí senadora, o PT não tinha representação no Senado no Rio. Foi para fortalecer o partido que saí candidata. Nunca coloco essas vitórias como um patrimônio da Benedita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E qual a sensação da Benedita mulher quando a candidata vence?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como representante dessa política, fico muito feliz quando sou vitoriosa. E quando perco, como nas disputas para a prefeitura do Rio (Benedita perdeu em 1992 e em 2000 para César Maia), tenho que administrar. Quando se ganha, a vitória é de todos. Mas quando se perde, a derrota é só sua. A política me deixa na posição de assumir o governo por nove meses. Agora é só complementar esse período e disputar para ganhar o governo do Estado do Rio de Janeiro. Quero ser governadora eleita. Aí pode ter certeza que vou ficar muito contente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Frei Betto disse que nove meses é muito tempo e que dá para fazer até gente. O que acha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Concordo. Só que neste caso será um parto prematuro. Terá menos de nove meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3cVpZCrI/AAAAAAAAAn8/2JxQi03Z4Ug/s1600/Benedita+palacio.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3cVpZCrI/AAAAAAAAAn8/2JxQi03Z4Ug/s400/Benedita+palacio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527596183886301874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;A senhora vai morar no Palácio Laranjeiras (residência oficial do governador do Rio)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Essa não é uma decisão colocada como prioridade. Mas, se necessário for, morar mais perto é sempre melhor do que morar longe. Moro em Jacarepaguá (Zona Oeste do Rio), mas não tenho dificuldades em chegar no horário. Mas é de domínio público que o palácio é um espaço para o governador. Nesse caso, poderá ser um espaço onde a governadora estará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Imaginava chegar onde chegou quando começou na política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nunca passou pela minha cabeça que eu pudesse sequer ser candidata a vereadora em 1982, mas minha história política vem da base. Até as universidades que fiz – sou formada em Serviço Social e Estudos Sociais – foram em função da luta que travava. Não nasci em berço de ouro, mas acredito que a inteligência e a sabedoria vêm de Deus, da natureza do ser humano. O segredo é como aproveitar essa inteligência na adversidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que característica marcou sua trajetória na política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre fui muito modesta. Ser modesto não significa que você não seja ousado. Às vezes os colegas me acham fria diante de uma boa notícia, mas não é isso. Sou calorosa, mas vivo cada dia, porque se carrega um peso grande na hora em que as coisas não dão certo. Não sou de soltar foguetes antes e muito menos de ter o passado como a impossibilidade do presente. Tem gente que olha para trás e não consegue avançar, porque o passado foi ruim. Tenho o passado como uma grande lição. No presente vou preparando um futuro, que na política sempre é projetado, mas que na minha cabeça depende muito do hoje, porque você sai de casa e não sabe o que vai acontecer. Posso ter sonhos, mas nada que me faça regozijar por algo que ainda vai acontecer. Parece frieza, mas não é. Tenho o pé no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sua ascensão política representa uma quebra de preconceito?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O preconceito racial brasileiro é gritante, mas você não pode assimilar isso diante dos desafios. O preconceito não é meu, é de quem tem. Cabe a mim seguir em frente e mostrar que é possível a convivência com as diferenças e construir um mundo de paz. Estamos perto de grandes vitórias nessa área, e não falo só de negros e indígenas. Se somamos no Brasil uma maioria de não brancos, então isso vai ser bom para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A senhora já sofreu preconceito na política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sei muito bem quando estou sendo vítima de um preconceito e quando estou sendo vítima de uma disputa. Você vê isso na medida em que vai galgando posições. É um preparo constante de saber reagir. O que não pode é entrar numa paranóia de achar que essa ou aquela ação são preconceituosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E como reage?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Procuro me pronunciar. Há momentos em que você nem reage, tal é o nível de ofensa. É um estado de choque. Já tive reações diversas, dependendo do ambiente, porque você tem que pensar muito rápido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pode dar exemplos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Prefiro não falar. Mas a coisa é tão maléfica que a reação tem de ser de autoridade, porque as justificativas são logo “não, não é nada disso'”. Então ataco com autoridade mesmo, senão é bem capaz de ter de dar explicações sobre a reação. Como se um cachorro te mordesse e alguém dissesse: “Quem mandou passar por aqui?”. Então você fala: “Aqui não pode passar? Quem pode passar?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como concilia a dona-de-casa com a política?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre estou próxima da minha família. Outro dia eu e minha irmã Celeide (70 anos) pensamos a mesma coisa sobre o Pitanga, sem saber. Ele está trabalhando em O Clone, faz o personagem Tião e come muitos pastéis em cena. Ela pensou em fazer os pasteizinhos para ele levar e eu pensei a mesma coisa, porque nós duas somos ótimas cozinheiras e o conquistamos com nossos pastéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3pcyLc7I/AAAAAAAAAoE/oanqqRtwvK0/s1600/bene+pitanga.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 305px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3pcyLc7I/AAAAAAAAAoE/oanqqRtwvK0/s320/bene+pitanga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5527596409140507570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Foram seus pastéis que conquistaram Antônio Pitanga?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é bem isso. O Pitanga gostava demais dos pastéis quando começou a freqüentar nossa casa. É uma tradição na minha família tratar bem quem chega lá em casa, e você dá aquilo que sabe fazer melhor. Então eu fazia uns pasteizinhos para o Pitanga, e ele gostava demais. Estou muito sem tempo, mas sempre faço uma comidinha que ele e nossos filhos gostem. Não quero abrir mão disso, porque na política é tudo passageiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que conseguiu dar aos netos que não teve na infância?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos eles estão estudando na época certa. Eu fiz o primário e depois fui autodidata. Batalhei para completar o segundo grau e só fiz a universidade com 40 anos. Meus netos estão estudando de acordo com a faixa etária. A mais velha, Ana, está com 18 e fazendo o pré-vestibular. Ela acabou de voltar dos Estados Unidos, onde ficou um ano fazendo curso de inglês. Ela e os outros três (Benito, 16, Ettiene, 15, e Diego, 11) têm muito mais chances do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que acha de Roseana Sarney, a primeira mulher a se candidatar, com chances, à Presidência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela é uma política e está perseguindo sua trajetória. A observação que faço é sobre o que ela representa: não é um projeto de renovação, que possa dar combate às desigualdades sociais do País. Não estou tratando de política de gênero e muito menos racial. Me colocaria da mesma forma sobre a candidatura de um negro ou de uma negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E qual a expectativa de disputar o governo com a primeira-dama Rosinha Matheus?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Espero ganhar. Vou tratá-la como estarei tratando os demais candidatos. Não escolho adversários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A senhora já trabalhou com Garotinho. Ele daria um bom presidente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu candidato é Luiz Inácio Lula da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dia 8 é o Dia Internacional da Mulher. O que mudou para você?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou uma vitoriosa. Na família, na política e na relação com os amigos. Nesse 8 de março, podemos levantar bandeiras que ajudaram na trajetória de cada uma de nós. Estamos um pouquinho aquém, mas houve grandes evoluções. O ano que passou foi pesado para as mulheres, com guerras, mortes. Espero no próximo 8 de março festejar com mais alegria. Não deixo de agradecer por mais essa data, sem esquecer que a luta continua&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-4969434154067577844?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4969434154067577844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4969434154067577844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/10/governadora.html' title='A FUTURA GOVERNADORA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TLX3JJqierI/AAAAAAAAAn0/zggOKyOoDo4/s72-c/benedita.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-9033312769355596382</id><published>2010-09-26T14:08:00.000-07:00</published><updated>2010-09-26T14:40:05.424-07:00</updated><title type='text'>CHAPA BRANCA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-6Ht3xpCI/AAAAAAAAAnM/0Dzl1wRYZAw/s1600/estatuagarotinho.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-6Ht3xpCI/AAAAAAAAAnM/0Dzl1wRYZAw/s400/estatuagarotinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521336309914903586" /&gt;&lt;/a&gt;A matéria era sobre uma grande mulher, mãe de nove filhos, cinco deles adotados. Era o perfil da mulher do governador do Rio de Janeiro, num momento em que ela adentrava na vida pública para nunca mais sair. Nos jardins do Palácio Laranjeiras, Rosinha Garotinho contou como conciliava a administração do lar com os compromissos no governo. Contou também bastidores de seu relacionamento com o então governador Anthony Garotinho e otras cositas más, tudo num tom descontraído, de felicidade plena, de harmonia sem fim com a vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Denúncias contra o então governador? Intrigas da oposição? O jogo sujo da política estadual? Não, não havia espaço pra isso na matéria, que foi assinada também pela Vivianne Cohen e está aí embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 41, de 15 de maio de 2000&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A gente não sabe o dia de amanhã, mas não tenho pretensão política”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano era 1994. Derrotado na eleição para o governo do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho acabara de se converter à religião evangélica e conversava com o pastor Antônio Carlos Costa em sua casa. Garotinho se lamentava de que a mulher, Rosângela Barros Assed Matheus, não aceitava sua conversão. Nesse exato momento, ela entrou na sala e, indignada, expulsou o pastor de sua casa. Hoje, evangélica, Rosinha, 37 anos, ainda conserva a mesma personalidade forte. Em meio à crise enfrentada pelo governador Anthony Garotinho, motivada por denúncias de corrupção na sua administração, ela assumiu a Secretaria de Ação Social e Cidadania há duas semanas. Na pauta de prioridades estão a reforma dos abrigos que recolhem a população de rua e a criação de cursos profissionalizantes e de uma segunda clínica de dependentes químicos. “Ele estava precisando de mim nessa hora”, argumenta Rosinha. “Eu só posso contratar quem eu puder demitir”, diz Garotinho. “Se um dia eu tiver de demiti-la, minha vida estará destruída”, conclui o governador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-6tH5QiLI/AAAAAAAAAnU/EzydyO5qLo0/s1600/cabral-e-rosinha.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 224px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-6tH5QiLI/AAAAAAAAAnU/EzydyO5qLo0/s320/cabral-e-rosinha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521336952555604146" /&gt;&lt;/a&gt;Ao assumir o posto, Rosinha realizou um antigo desejo de Leonel Brizola. Desde 1986, quando Garotinho se elegeu deputado estadual, o cacique do PDT queria incluir a atual primeira-dama entre os candidatos do partido. A preocupação com os filhos, no entanto, sempre falou mais alto. Até agora. “A gente não sabe o dia de amanhã, mas não tenho pretensão política”, garante. Na nova função, Rosinha teve de abrir mão de alguns hábitos. Contar histórias para os filhos e almoçar em casa, por exemplo, são compromissos que não se encaixam mais em sua agenda. “Disse aos meus filhos que seria por pouco tempo e eles entenderam.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida pública Rosinha é estreante. Mas a matriarca dos Matheus é uma veterana em assuntos domésticos. Em casa, ela conseguiu a proeza de organizar a vida em família na atual residência do governador, o histórico Palácio Laranjeiras, recheado de móveis antigos, quadros valiosos e outras relíquias. No primeiro andar, somente a cozinha e dois quartos podem ser freqüentados pela garotada. O restante é área proibida. “Quando fomos morar no palácio, levei todos para conhecer a parte onde eles não poderiam ir”, conta Rosinha. “Mostrando, a gente mata a curiosidade”, explica. As regras não param por aí. Andar de biquíni fora da área da piscina é terminantemente proibido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na área residencial do palácio, os filhos dividem os quartos. No primeiro, dormem Vladimir, 15 anos, e Altamir, 23, o irmão caçula que a primeira-dama adotou como filho quando sua mãe morreu, há 17 anos. O segundo pertence a Anthony, 10, e a Wanderson, 8, filho da babá, Mara, também adotado. Clarissa, 17, dorme sozinha, depois que Aparecida (outra filha adotada), 25, se casou e foi morar em Campos. Os outros três – Clara, 5, Amanda, 13, e Davi, de 1 ano – dividem o mesmo quarto. Amanda é filha de outra babá, Neti, e Davi foi adotado ainda recém-nascido, durante um jantar na casa de um correligionário do governador, que é dono de uma creche. “Ele tinha sido abandonado e decidimos ficar com ele”, diz Rosinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, a primeira-dama não queria morar no palácio, mas a necessidade a fez mudar de idéia. “Onde iria arrumar um lugar para abrigar todos os meus filhos com o salário do governador?”, questiona. E explica: “Não queria que meus filhos achassem que morar num palácio era a melhor coisa do mundo.” Rosinha também preparou os filhos para enfrentar o preconceito. Segundo ela, não foram poucas as vezes em que Aparecida e Wanderson – ambos negros – foram discriminados por convidados. A mãe de uma colega de Amanda do tradicional Colégio Sion, no Rio, proibiu a filha de brincar com a amiga quando descobriu que ela era adotada. “Sempre converso com meus filhos sobre o que pode acontecer”, diz a primeira-dama. “Quando acontece, eles já estão preparados.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-7W-vKHmI/AAAAAAAAAnk/t1ZUw80nU6k/s1600/garotinhogrevedefome.bmp"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 220px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-7W-vKHmI/AAAAAAAAAnk/t1ZUw80nU6k/s320/garotinhogrevedefome.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521337671651827298" /&gt;&lt;/a&gt;Não foi diferente durante a crise recente no governo. Quando foram publicadas nos jornais as primeiras denúncias, Rosinha chamou os filhos e explicou que eles poderiam ouvir gozações e ofensas ao pai. A estratégia teve efeito prático. Durante um seminário na Faculdade Cândido Mendes, onde Clarissa cursa o primeiro período de Direito, um dos palestrantes falava mal do governo Garotinho. A filha do governador pediu a palavra no fim da preleção e defendeu o pai. “Ela foi mais aplaudida do que o palestrante”, conta a primeira-dama. Clarissa, aliás, é a filha que mais gosta de política na família. Na última eleição, ela chegou a subir ao palanque em Campos, enquanto os pais faziam campanha no Rio. Em casa, ela cumpre as regras estipuladas pela mãe. “Tenho hora para chegar em casa, senão levo bronca e fico de castigo”, confessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No palácio, a rotina das crianças em nada lembra a dos príncipes. Vladimir, por exemplo, não tem moleza. Acostumado a ficar em recuperação na escola, ele trabalha como digitador no Palácio Guanabara e ganha o salário mais baixo pago pelo governo. Antes disso, ele teve aulas com os garçons que trabalham no palácio. A idéia partiu de Rosinha. “Meus filhos ficam muito presos em casa. Têm de aprender a se virar de alguma forma.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que Garotinho começou a se destacar na política, os filhos não saem sem seguranças por perto. A falta de tempo do casal fez com que Rosinha contratasse uma orientadora para os três filhos menores – Anthony, Wanderson e Clara –, mas ela não deixa de participar da educação. “Vou na escola nas reuniões de pais e assino as cadernetas.” Conversas sobre namoros, cuidados com doenças e puberdade também são freqüentes. Tudo é dividido com o governador. Nos fins-de-semana, Rosinha aproveita para sair com os filhos e os amigos deles. De uma vez só, levou 16 crianças ao teatro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A harmonia do casal só é quebrada nos detalhes. “Garotinho gosta de banho frio e minha água é fervendo”, diz a primeira-dama, citando apenas um exemplo das divergências. Na praia, as diferenças também aparecem. Enquanto o governador gosta de sol e de ficar na água, Rosinha fica embaixo da barraca. Nada que provoque alguma discussão séria. “São 18 anos de casamento. Já tínhamos muito em comum e fomos nos moldando com o tempo.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-7mEtz64I/AAAAAAAAAns/noJ5YW9l_n0/s1600/rosinha-e-garotinho1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 277px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-7mEtz64I/AAAAAAAAAns/noJ5YW9l_n0/s400/rosinha-e-garotinho1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5521337930954828674" /&gt;&lt;/a&gt;A afinidade vem desde os tempos do teatro, quando os dois se conheceram, em 1979. Garotinho acabara de levar para Campos o teatro do oprimido, depois de fazer um curso com Augusto Boal, no Rio. A dupla chegou a fazer sucesso até em performances dentro dos ônibus da cidade. Numa campanha contra um aumento da passagem, os dois simulavam discussões dentro do ônibus e incitavam os passageiros a se rebelar. “A Rosinha levava bronca da mãe porque passava o dia inteiro no teatro”, conta Maria Helena Gomes da Silva, 42, amiga da primeira-dama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa época, Garotinho ainda era Bolinha, o apelido que ele ganhou ao nascer, com cinco quilos. Já o codinome de Rosinha foi criado pelo marido, em uma das inúmeras poesias que ele escreveu para a mulher. Eram tempos difíceis. No início dos anos 80, o atual governador era radialista e despontava na política, mas chegou a ficar desempregado duas vezes. “Sofremos perseguições porque Garotinho era uma liderança nova”, lembra Rosinha. O que sustentou a família na época foram doações da população mais pobre de Campos. “Cheguei a fazer uma panela de arroz 22 vezes num dia, porque as pessoas davam comida mas ficavam pra almoçar.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única grande crise atravessada pelo casal aconteceu em 1994, quando o governador virou evangélico, após sofrer um acidente de carro. Rosinha não aceitou a troca do antigo discurso materialista pelas orações. Enquanto a primeira-dama não perdia um baile de sábado no Carinhoso, antiga gafieira de Ipanema, o marido a acompanhava a contragosto. A situação só mudou depois de dois anos, quando a primeira-dama se converteu. A resolução de uma crise que quase impediu a segunda candidatura de Garotinho à Prefeitura de Campos foi o motivo. “Foi a primeira vez que rezei, e deu certo.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, Rosinha freqüenta os cultos toda semana, dá 10% do que ganha na Secretaria para a igreja e tem três bíblias. Mas não deixou a vaidade de lado. Depois da lipoaspiração na barriga em fevereiro, ela aguarda para voltar às aulas de alongamento. Visitas semanais ao salão de beleza e idas esporádicas ao spa também fazem parte de sua rotina. Tudo para continuar mantendo a família em ordem, tocar os projetos da Secretaria e apoiar o marido sempre. Sem perder a pose. “Ela é o braço direito da família inteira”, diz Wilma Barros, tia e madrinha de Rosinha. A primeira-dama aceita ser considerada o braço direito da família, mas que ninguém diga perto dela a velha máxima de que atrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher. “Ao lado é melhor”, conclui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-9033312769355596382?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/9033312769355596382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/9033312769355596382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/09/chapa-branca.html' title='CHAPA BRANCA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TJ-6Ht3xpCI/AAAAAAAAAnM/0Dzl1wRYZAw/s72-c/estatuagarotinho.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-1070198316618972484</id><published>2010-09-01T16:25:00.001-07:00</published><updated>2010-12-20T10:42:57.566-08:00</updated><title type='text'>POLÍTICA, COM O PERDÃO DA PALAVRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1PIU685nI/AAAAAAAAAms/pxAgLjAsJn8/s1600/rio_rocinha_1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 205px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1PIU685nI/AAAAAAAAAms/pxAgLjAsJn8/s320/rio_rocinha_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516152123072243314" /&gt;&lt;/a&gt;De quatro em quatro anos, é sempre a mesma coisa. Acaba a Copa do Mundo e eles entram em cena, com sorrisos impecáveis, simpáticos toda vida, ou sérios, o olhar para o horizonte, a mirar futuras realizações; alguns de terno engomado, a gravata italiana e o rosto sem rugas, outros deliberadamente despojados, com a cara do povo. E todos com o mesmo objetivo: o seu voto, amigo eleitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma série dedicada ao velho esporte bretão, no embalo da Copa na África do Sul (em que perdemos de novo, dessa vez graças a uma falha bisonha do tal “melhor goleiro do mundo”), o &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Relatos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; pede licença – e desculpas – à multidão de leitores para desovar por aqui algumas matérias sobre essa gente estranha, que infesta as ruas das nossas cidades em fotografias de rostos sorridentes, ou sérios, altivos, com olho fixo no horizonte de novas conquistas, ainda que estas sejam apenas um salário de deputado e a possibilidade de nomear algumas dezenas de assessores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão duas séries de reportagens dessa vez, entremeadas por mais uma imperdível aventura de Honório, o Gurgel. A primeira série será dedicada à política local, com matérias protagonizadas por alguns dos personagens que ajudaram a transformar nosso amado estado do Rio de Janeiro nisto que vemos hoje. Depois o foco será a política nacional, os últimos 16 anos, em que muita coisa melhorou e outro tanto continuou na mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1PcxqTs5I/AAAAAAAAAm0/Cpe5uOWWi3w/s1600/cesar+conde+e+cia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1PcxqTs5I/AAAAAAAAAm0/Cpe5uOWWi3w/s320/cesar+conde+e+cia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516152474384446354" /&gt;&lt;/a&gt;Pra começar, esta matéria despretensiosa sobre os primeiros três meses de governo do prefeito Luiz Paulo Conde, cria de César Maia, quando as conquistas da primeira administração do prefeito maluquinho, que lhe renderiam mais duas vitórias eleitorais, começaram a ruir. Assinado também pelo Renato Cordeiro, o texto não deixa de ser mais uma humilde homenagem deste blog ao inesquecível JB, que a partir de hoje não existe mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil, edição de domingo, 30 de março de 1997&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Meu lema será o mesmo de César Maia. Vamos governar na ordem e na lei”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prestes a completar três meses de governo, o prefeito Luiz Paulo Conde começa a enfrentar problemas que pareciam extintos pela mão-de-ferro de César Maia. A volta gradual dos camelôs a Copacabana, o tumulto causado pelas vans e táxis no trânsito e a depredação de equipamentos do Rio Cidade são exemplos de que, pelo menos no início de sua administração, Conde tem dificuldades em conciliar seu estilo bonachão com o dia-a-dia agitado do Rio. Apesar de continuar bem distante do estilo César Maia, o prefeito se esforça para mostrar que as coisas não vão mudar muito no Rio nos próximos quatro anos. “Meu lema será o mesmo de César Maia. Vamos governar na ordem e na lei”, afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1Pqaq6UhI/AAAAAAAAAm8/cBGKYRBILNk/s1600/conde+sanfona.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 198px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1Pqaq6UhI/AAAAAAAAAm8/cBGKYRBILNk/s320/conde+sanfona.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516152708731130386" /&gt;&lt;/a&gt;Para provar o que diz, Conde anuncia um novo plano de ação para a Guarda Municipal, marca registrada da prefeitura de César Maia. “Estamos fazendo um concurso para recrutar mais 2 mil homens e já pedi um plano de ação ao Amêndola (coronel Paulo César Amêndola, superintendente da Guarda Municipal), principalmente para o Aterro do Flamengo e Copacabana”, disse o prefeito, na última quinta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anunciado reforço da Guarda Municipal nunca foi tão necessário para a continuidade do governo César Maia. Afinal, nos últimos três meses o afrouxamento na repressão levou os camelôs de volta à Zona Sul e facilitou a ação de vândalos, que não se intimidaram em destruir equipamentos do recém-inaugurado projeto Rio Cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Copacabana, os camelôs continuam longe das vias principais, como a Nossa Senhora de Copacabana e a Barata Ribeiro, mas voltaram a armar barracas em outras sem o menor constrangimento. As calçadas da Rua Bolívar, por exemplo, viraram ponto de concentração dos vendedores, que disputam espaço com os pedestres e os buracos da expansão da NET. “Eles estão retornando. Só espero que o bairro não volte a ser o que era”, diz o aposentado Adalberto de Castro, 62 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são apenas moradores de Copacabana que temem pelo futuro do que consideram boas realizações da prefeitura. “Está havendo um choque. Tínhamos um governo cheio de obras e novidades e, agora, temos um totalmente paralisado”, critica a guia de turismo Adriana Páscoa, 27, moradora de São Conrado. O paisagista aposentado Alberto Attademo, 71 anos, critica a conservação do Rio Cidade. “Está faltando uma boa fiscalização para evitar a degradação do projeto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1P5i8hVTI/AAAAAAAAAnE/kIZL9eiZ2cE/s1600/onibus-rio-de-janeiro.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 252px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1P5i8hVTI/AAAAAAAAAnE/kIZL9eiZ2cE/s320/onibus-rio-de-janeiro.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516152968650511666" /&gt;&lt;/a&gt;Alberto tem razão. Nas últimas semanas, diversos abrigos de pontos de ônibus foram depredados na Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, onde o Rio Cidade foi inaugurado em outubro do ano passado. Já em Botafogo, os pilares de concreto que serviriam de base a outros abrigos ficaram abandonados na Rua Voluntários da Pátria. Conde aposta no reforço da Guarda Municipal para acabar com o vandalismo e retirar os camelôs definitivamente das ruas. “Com a volta às aulas aumentamos as rondas escolares, mas vamos tirar a Guarda do trânsito, que ficará a cargo só da PM e da CET-Rio, e reforçar o patrulhamento urbano”, diz o prefeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trânsito, aliás, é mais um dos problemas enfrentados por Conde neste início de governo. Desde que assumiu, o prefeito se viu às voltas com a guerra das tarifas dos ônibus intermunicipais – os donos das empresas se recusaram a cobrar a tarifa única de R$ 0,55 nos limites do Rio, conforme estipula o decreto 15.578 da prefeitura –, com anúncios de reajuste nas passagens dos ônibus municipais e com a polêmica envolvendo as vans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Encomendamos um estudo à Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ e em 15 dias receberemos a proposta deles para reorganizar as linhas de ônibus. Quero discutir com os empresários e apresentar o melhor plano possível à população, dentro de seis meses”, conclui o prefeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-1070198316618972484?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1070198316618972484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1070198316618972484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/09/politica-com-o-perdao-da-palavra.html' title='POLÍTICA, COM O PERDÃO DA PALAVRA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TI1PIU685nI/AAAAAAAAAms/pxAgLjAsJn8/s72-c/rio_rocinha_1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-1757183763127025707</id><published>2010-08-21T13:20:00.000-07:00</published><updated>2010-12-20T10:42:01.577-08:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL – A BLITZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/THA_nQUA30I/AAAAAAAAAmU/Z9oHP-GPIkY/s1600/JB+Av+Brasil+500.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/THA_nQUA30I/AAAAAAAAAmU/Z9oHP-GPIkY/s400/JB+Av+Brasil+500.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507972287900475202" /&gt;&lt;/a&gt;A impressão hoje é que a rotina durou uma década, mas na verdade não chegou a dois anos. À meia-noite em ponto, ou alguns minutos antes dela, ou alguns minutos depois, o homem da madrugada adentrava no cubículo da escuta do saudoso Jornal do Brasil. Chegava como que do nada e aparecia na porta com seus quase 1,90m de altura, o corpo esguio, os cabelos grisalhos e a pele, negra, a exibir as rugas, nem tantas assim, de uma vida inteira atrás da notícia, e fugindo dela também, porque trabalhar de meia-noite às sete sem ao menos uma soneca no meio do expediente – ou um filme de três horas no vídeocassete – era, de fato, humanamente impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgia com certa cara de sono, fazia a saudação habitual e a pergunta de todas as noites, à espera da resposta que em 99% dos casos era aquela que ele queria ouvir: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tranquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, eu e o &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/eclipse/"&gt;co-piloto&lt;/a&gt; podíamos nos considerar livres, pendurar nossas bolsas a tiracolo e atravessar, de ponta a ponta, o lado maior do H da redação do JB na Avenida Brasil, 500, até o hall dos elevadores, dois de um lado, dois do outro, sem esquecer de dar boa noite ao &lt;a href="http://correiodalapa.blogspot.com/"&gt;boêmio alemão&lt;/a&gt;, que ficava ali no traço de ligação entre as duas retas do H, na primeira página, a exercer a função de secretário-gráfico, e que às vezes nos encontrava uma ou duas horas depois, no Lamas, ou no Cervantes, ou, mais provavelmente, no Bukowski. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do elevador, no térreo, eram apenas mais alguns passos até o estacionamento, muito bem apelidado de Rock in Rio, onde Honório nos esperava em meio à terra batida, aos tufos esparsos de mato ralo e, não raramente, à lama. Toda noite era a mesma coisa. Honório nos atravessava para o outro lado do túnel Santa Bárbara, onde buscávamos no chope gelado (o co-piloto no Jack Daniel`s, quem diria) o merecido relaxamento após a bruta labuta noturna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, porém, o co-piloto esqueceu o casaco, o que obrigou Honório a pegar o retorno para o jornal e dar de cara, bem embaixo da perimetral, com uma blitz da valorosa Polícia Militar do Rio de Janeiro. O PM fez sinal e eu, sem um documento sequer do carro que estivesse em dia, com um estepe que já havia ultrapassado em muito a condição de careca, encostei o Gurgel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/THA_ziNSByI/AAAAAAAAAmc/xuwpACXgllA/s1600/cafezinhojb.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/THA_ziNSByI/AAAAAAAAAmc/xuwpACXgllA/s320/cafezinhojb.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507972498862507810" /&gt;&lt;/a&gt;Para escapar, era preciso ser rápido, e antes que o digníssimo policial solicitasse a documentação do veículo, eu e o co-piloto sacamos de nossos crachás de prestadores de serviço do JB, ambos verdes, retangulares e vencidos, o dele há alguns meses, o meu há mais de um ano. E funcionou. Ao olhar a logomarca do JB, com o prédio da Av. Brasil praticamente à nossa frente, o gentil PM sensibilizou-se. Nos deixou seguir na direção do jornal, sem pedir um documento sequer, e ainda nos recomendou cautela com o estepe, que, guardado do lado de fora, na traseira do Gurgel, ostentava, numa superfície totalmente lisa, um tufo de borracha do tamanho de uma bola de sinuca, a sair do que parecia ser, sim, e era, um buraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecemos a preocupação do guarda e seguimos viagem, sem um documento do carro sequer, salvos pelo JB, pelo saudoso JB da Avenida Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-1757183763127025707?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1757183763127025707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1757183763127025707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/08/honorio-o-gurgel-blitz.html' title='HONÓRIO, O GURGEL – A BLITZ'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/THA_nQUA30I/AAAAAAAAAmU/Z9oHP-GPIkY/s72-c/JB+Av+Brasil+500.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-1099511578558231003</id><published>2010-07-31T14:29:00.000-07:00</published><updated>2010-08-01T08:27:05.089-07:00</updated><title type='text'>O CARA</title><content type='html'>Na primeira abordagem, o cara riu, depois de uma pelada entre veteranos no Maraca em que o grande destaque foi o alemão Voëller, campeão mundial em 1990. Andava ofegante, as meias arriadas, a camisa para fora da calça, ainda molhada, e ao ser abordado pelo repórter da revista brasileira de celebridades pedindo uma hora de entrevista no dia seguinte, achou fôlego para repetir o tempo pedido, One Hour?!, e rir. O repórter insistiu, dessa vez bem mais modesto, e pediu Half an Our como uma súplica. O cara, eleito o melhor jogador do mundo por três vezes na década de 80, falou para o repórter passar no hotel no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Craque das Copas do Mundo de 78, 82, e 86, o cara hoje é presidente da UEFA, mas na época iniciava sua carreira política no futebol. Era apenas conselheiro da FIFA, sem poder de voto para nada. Estava no Rio para o primeiro Campeonato Mundial de Clubes da entidade, de belas e fatídicas lembranças, e o evento no auditório do hotel cinco estrelas, nas pedras de São Conrado, era uma espécie de balanço do torneio, na véspera da decisão. Na mesa, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, discorria sobre alguma coisa; o cara, por sorte, estava sentado no meio do auditório, longe da primeira fila e com alguns lugares vagos atrás dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFSdXtf2qdI/AAAAAAAAAmM/97QDVBA6SUs/s1600/platini+vs+argentinos+juniors.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 127px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFSdXtf2qdI/AAAAAAAAAmM/97QDVBA6SUs/s400/platini+vs+argentinos+juniors.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500194075601971666" /&gt;&lt;/a&gt;Já tinha esquecido do encontro da véspera, com certeza, e por isso foram necessárias  mais duas abordagens, a primeira discreta, em sussurros, para a assessora ao lado dele enquanto Blatter falava, sem parar, sobre algum dado importante. Muito educada, na elegância de seu tailleur azul, o corpo esguio, os cabelos escorridos, na maioria amarelos, e o rosto com os vincos naturais da idade, a assessora não passou a menor garantia de que ajudaria, então a segunda abordagem foi direta, depois que Blatter encerrou o evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campeão europeu e mundial de clubes em 1985, quando marcou um dos gols anulados mais bonitos da história, o cara ficou surpreso de novo, mas pareceu ter se lembrado do encontro da véspera, no estacionamento do Maracanã. Disse para o repórter esperar na piscina do hotel e para lá também se dirigiu. Ficou um tempo conversando com dois sujeitos no bar da piscina e depois saiu. Andou ao encontro do repórter, que esperava, gravador em punho, numa fila de espreguiçadeiras. Sentou numa delas, o repórter na outra, o gravador na mesinha de plástico entre as duas, e deu a entrevista, que durou pouco mais de quarenta minutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 25, de 24 de janeiro de 2000&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Jogamos duas semifinais contra a Alemanha, em 1982 e 1986. Precisávamos ganhar, mas os juízes não fizeram a parte deles. Em 1982, venceríamos se o juiz tivesse expulsado o Schumacher e marcado penâlti quando ele atingiu Battiston dentro da área. Já em 1986 fiz um gol e o juiz julgou que eu estava impedido. Não estava, mas o que podia fazer?" &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem gosta de futebol, o atual conselheiro da Federação Internacional de Futebol Associado (Fifa), Michel Platini, 44 anos, dispensa apresentações. Considerado o melhor jogador da história do futebol francês e um dos melhores do mundo, nas décadas de 70 e 80, Platini fez fama na seleção de seu país e em times como a Juventus da Itália, onde conquistou a Copa Toyota de 1985, o equivalente na época ao campeonato mundial interclubes. Eleito o melhor jogador do planeta por três vezes consecutivas, em 1983, 1984 e 1985, ele só não conseguiu ganhar uma Copa do Mundo como atleta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFSbGsGa5nI/AAAAAAAAAl0/dGIJ21BI1Z4/s1600/platinihotel"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 161px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFSbGsGa5nI/AAAAAAAAAl0/dGIJ21BI1Z4/s320/platinihotel" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500191584145827442" /&gt;&lt;/a&gt;Atualmente, o ex-craque trabalha como uma espécie de embaixador do futebol. Em novembro, Platini assistiu à derrota do Palmeiras para o Manchester United, na Copa Toyota. Na semana passada, ele esteve em São Paulo e no Rio de Janeiro, prestigiando o primeiro Campeonato Mundial de Clubes organizado pela Fifa. Em entrevista a Gente, realizada na véspera da decisão entre Vasco e Corinthians, o francês defendeu a realização da Copa do Mundo de 2006 na África, criticou o individualismo de Rivaldo e relembrou alguns momentos de sua carreira de jogador, como o histórico jogo entre Brasil e França, na Copa do México, em 1986. O ex-jogador também fugiu do futebol para contar que o mais velho de seu casal de filhos, Laurent, foi concebido no Rio, em 1978. A outra filha de Platini é Marine, 9 anos. "Esse lugar é especial para mim", afirma ele, sentado numa espreguiçadeira do Hotel Sheraton, de frente para o mar de São Conrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que você achou deste primeiro Campeonato Mundial de Clubes da Fifa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O sucesso da competição é inegável, e isso pode ficar provado pelos comentários dos jogadores, da imprensa especializada e até pelos índices de audiência das televisões que transmitiram o campeonato, que foram altos em todo o mundo. Para o futuro, o torneio deverá ficar ainda melhor. Ele veio para ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em 1985, você ganhou a Copa Toyota com a Juventus de Turim, quando o torneio era considerado o mundial de clubes. Com o novo campeonato da Fifa, qual será o verdadeiro mundial interclubes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Considero-me campeão mundial de 1985 porque a Copa Toyota valia esse título na época. Só que isso acabou com o novo torneio. A partir de agora, o time campeão mundial sairá do campeonato organizado pela Fifa. A Copa Toyota passará a ser uma disputa entre o campeão europeu e o campeão sul-americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pelo que mostrou ao organizar o mundial de clubes, o Brasil pode sediar a Copa do Mundo de 2006?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Brasil é um grande país e tem condições de organizar uma Copa. Só que na mesma situação de vocês estão a Alemanha, a Inglaterra, Marrocos e África do Sul (outros países que se candidataram). Não tenho poder de voto na Fifa, mas acho que 2006 seria um ótimo momento para o continente africano, que nunca organizou uma Copa do Mundo. A América do Sul poderia ser beneficiada em 2010. A hora agora é da África. Há tempos que o futebol de lá vem evoluindo e, na minha opinião, merece essa chance, até para se aprimorar ainda mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois da Copa de 1998, o futebol brasileiro continua sendo o melhor do mundo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pelo que já fez e por toda a sua tradição, o Brasil será sempre um dos três melhores do mundo. Mas apontar o melhor é sempre difícil. Vocês podem argumentar que a final do mundial de clubes foi disputada por dois times brasileiros, mas se o campeonato fosse na Europa, a decisão mais provável seria entre duas equipes européias. Então diríamos que o futebol europeu é melhor. O fato é que não se pode apontar um país apenas como o melhor, mas o Brasil será sempre um grande e lindo país do futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antes de assumir o cargo na Fifa, você chegou a ser técnico da seleção francesa, depois que abandonou o futebol, em 1987. Pensa em voltar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Fui técnico da França entre 1988 e 1992, peguei o time nas eliminatórias para a Copa de 1990, quando não tínhamos quase nenhuma chance e acabamos eliminados. Depois fizemos uma boa campanha nas eliminatórias do Campeonato Europeu, mas na fase final perdemos da Dinamarca, que acabou sendo a campeã. Não suporto mais ficar sentado no banco, dependendo do que os jogadores estão fazendo dentro do campo. Prefiro ficar com minha função na Fifa. Assim continuo convivendo com meus amigos do futebol, sem tanto estresse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFScVRzWUhI/AAAAAAAAAl8/ja69Pk96WeM/s1600/Zico+Bats.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 170px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFScVRzWUhI/AAAAAAAAAl8/ja69Pk96WeM/s400/Zico+Bats.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500192934296179218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;E no Brasil, quem são os amigos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Zico é um de meus grandes amigos. Tenho orgulho de ter sua amizade. O Brasil, aliás, é um lugar especial para mim. Foi no Rio de Janeiro que eu e minha mulher (Christel, 43 anos) concebemos nosso primeiro filho, durante umas férias em 1978. Eu e mais alguns jogadores viemos para cá com nossas mulheres depois que a França foi eliminada na primeira fase da Copa do Mundo da Argentina. Voltei em 1979 e 1980 e depois só vim 16 anos depois, já como presidente do comitê organizador da Copa de 1998. Espero voltar muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O brasileiro Rivaldo já ganhou vários prêmios como o melhor jogador do mundo em 1999 e é o favorito para receber o título da Fifa, na eleição do próximo dia 24. Você concorda com essa escolha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pessoalmente, prefiro os jogadores mais coletivos. Rivaldo é um excelente atacante e joga sempre para o gol, mas é um pouco individualista para o meu gosto. Ganhei esse título três vezes e posso dizer que acho tudo muito subjetivo. Você pode gostar do jogo de Zidane, e não gostar de Rivaldo. Pode gostar de Ronaldo e não gostar de Zidane. Rivaldo é bom, mas não diria que ele é o melhor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E qual é o melhor jogador do mundo, na sua opinião?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como falei, prefiro quem joga para o time. Poderia citar Zidane, Veron (apoiador argentino que joga na Lazio), Figo (meio-campo português do Barcelona) ou Beckham (armador inglês do Manchester United), mas prefiro não escolher um nome. Talvez em 15 anos eu possa responder essa pergunta, já que o importante será o jogador que ficar na lembrança dos torcedores. Aqui no Brasil temos Pelé, Rivelino, Zico e muitos outros que entraram para a história. Prefiro esperar para ver quais os craques dessa geração que também entrarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ronaldo seria um deles?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho que sim. O futebol precisa de Ronaldo. É muito importante que ele volte, readquira a antiga forma e seja novamente considerado um dos melhores ou mesmo o melhor do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E da sua geração, qual foi o melhor jogador?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Também é difícil dizer. Um termo de comparação seria o campeonato italiano, que reunia os maiores craques do mundo na minha época de jogador. Só que Maradona começou a se destacar depois que eu abandonei o futebol. Zico, por sua vez, foi para o Udinese, um clube sem expressão. Acho que a torcida de Turim me considera o maior. Já os napolitanos acham que foi Maradona. Provavelmente, o pessoal de Udine considera Zico o melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que lhe deu mais prazer, eliminar o Brasil na Copa do Mundo de 1986 ou ver a França ganhar a Copa em 1998?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foram dois grandes momentos. O jogo de Guadalajara, em 1986, foi fantástico. Os dois times jogaram muito bem, mas foi um dia de sorte para nós. Já a final de 1998 foi o grande dia do futebol francês. Ganhamos a Copa depois de tantas chances desperdiçadas, em tantos anos. Era presidente do comitê organizador da Copa e, ao entregar as medalhas de segundo lugar para Roberto Carlos, Dunga e Ronaldo, disse para que eles não ficassem tristes. O Brasil já era tetra, mas para nós era a primeira vez. O jogo de 1986, porém, foi significativo para mim. Naquele 21 de junho, eu completei 31 anos e marquei meu último gol pela seleção francesa (a partida valeu pelas quartas-de-final da Copa e terminou 1 a 1. A França ganhou nos pênaltis).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFScm5DlN0I/AAAAAAAAAmE/D8lw4v_PvUA/s1600/platini82.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 311px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFScm5DlN0I/AAAAAAAAAmE/D8lw4v_PvUA/s400/platini82.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500193236891023170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Ficou alguma frustração por não ter conquistado a Copa do Mundo como atleta?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jogamos duas semifinais contra a Alemanha, em 1982 e 1986. Precisávamos ganhar, mas os juízes não fizeram a parte deles. Em 1982, venceríamos se o juiz tivesse expulsado o Schumacher (goleiro alemão) e marcado penâlti quando ele atingiu Battiston (meio-campo francês) dentro da área. Já em 1986 fiz um gol e o juiz julgou que eu estava impedido. Não estava, mas o que podia fazer? (Em 1982, a França perdeu da Alemanha nos pênaltis. Já em 1986, a semifinal terminou 2 a 0 para os alemães.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A respeito de Maradona, como você se sente vendo mais esse problema dele relacionado com a cocaína?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Diego Maradona é uma pessoa de quem eu gosto, porque ele é bom. Mas comete muitos erros, e o maior deles é esse envolvimento com a droga. Espero que se recupere. Não falo isso nem pelo futebol que ele jogou, mas pelo próprio Diego Maradona, para o seu bem e de sua família. Joguei muito contra ele na Itália. Não posso dizer que somos amigos porque nunca fomos muito próximos, mas gosto dele porque ele é uma pessoa legal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-1099511578558231003?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1099511578558231003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1099511578558231003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/07/o-cara.html' title='O CARA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TFSdXtf2qdI/AAAAAAAAAmM/97QDVBA6SUs/s72-c/platini+vs+argentinos+juniors.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-5552540887324389032</id><published>2010-07-14T13:12:00.000-07:00</published><updated>2010-07-14T13:46:49.366-07:00</updated><title type='text'>O VELHO LOBO SE RETIRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4gPKuClpI/AAAAAAAAAlM/gWaurGHGx-Y/s1600/zagalo13.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 251px; height: 340px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4gPKuClpI/AAAAAAAAAlM/gWaurGHGx-Y/s400/zagalo13.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493864040386172562" /&gt;&lt;/a&gt;Zagallo marcou a entrevista no playground do prédio e na hora marcada estava lá, sentando numa cadeira de plástico, com algumas folhas de papel na mão. Era o currículo dele, disse, como se precisasse daquilo para se apresentar. Uns seis meses antes, o Brasil tinha conquistado sua quinta Copa do Mundo, na Coreia do Sul e no Japão. Foi a primeira e até agora única sem a participação de Zagallo, bicampeão em 1958 e 62 como jogador, tri como treinador em 70 e tetra como coordenador técnico em 1994, o que lhe valeu a honra de ser o único técnico da história da seleção brasileira a ganhar o direito de um jogo de despedida dirigindo o Brasil. A entrevista aconteceu menos de um mês depois desse jogo, quando o Velho Lobo já estava plenamente recuperado de uma embolia pulmonar adquirida nas quase 50 horas de voo para ir e voltar da Coreia do Sul, onde o Brasil venceu os anfitriões por 3 a 2. Bem ao seu estilo, Zagallo minimizou o problema de saúde. O importante, mesmo, foi a vitória na despedida definitiva dos gramados. Justa vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a entrevista &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 176, de 16 de dezembro de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Estou com quatro conquistas nas costas e, se não fosse isso, o Brasil não seria penta. Me considero penta porque todo brasileiro é penta. Cada um de nós tem de botar banca, sim"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada melhor do que os números para apresentar Mário Jorge Lobo Zagallo. Aos 71 anos, único homem a ostentar quatro Copas do Mundo no currículo, o alagoano de Maceió que começou a jogar futebol aos 17, no América do Rio, não esconde uma preferência especial pelas estatísticas da sua passagem como técnico da Seleção. Em 154 partidas, Zagallo venceu 110, empatou 33 e perdeu apenas 11. “É difícil alcançar esses números”, diz, sem falsa modéstia. Campeão mundial como jogador em 1958 e 1962, como técnico em 1970 e como coordenador técnico em 1994, o velho Lobo, como é conhecido, deu adeus como técnico da Seleção no último dia 20, dirigindo o Brasil na vitória por 3 a 2 sobre a Coréia do Sul, em Seul. Largar o futebol, porém, ainda não está nos seus planos. “A paixão continua. O futebol é minha vida”, diz o marido da dona-de-casa Alcina de Castro Zagallo, pai de quatro filhos e avô quatro vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sentiu medo quando foi internado recentemente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, porque tive uma embolia pulmonar em conseqüência do tempo em que fiquei sentado para ir e voltar de Seul. Um coágulo se deslocou da perna e se alojou no pulmão direito. Poderia ocorrer com qualquer um, de qualquer idade. Só senti uma dorzinha quando puxava o ar. Felizmente, tinha um check-up de rotina marcado logo depois e comentei essa dor com o médico. Ele disse que era normal, afinal foram quase 50 horas sentado, na ida, na volta e esperando nos aeroportos. Viajo desde 1950 e só foi acontecer isso agora. Graças a Deus foi tudo bem. Daqui a um mês estarei liberado para jogar meu tênis quatro vezes por semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O médico deu alguma outra recomendação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que em viagem longa tem de andar no avião. Só que ali tem umas 400 pessoas. Já imaginou se todos resolvem andar, como o trânsito ia ficar interrompido? Tem que rir agora, porque o susto já foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4ga7M9KfI/AAAAAAAAAlU/IICU8aqyhAk/s1600/Zagalogente"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 163px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4ga7M9KfI/AAAAAAAAAlU/IICU8aqyhAk/s320/Zagalogente" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493864242379303410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Como foi se despedir da Seleção na Coréia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O coração até que agüentou bem. Me sinto honrado porque nunca aconteceu uma despedida de técnico como essa no esporte brasileiro. Acabou sendo um evento mundial, porque foi na Coréia, passou no mundo inteiro e foi bom também o resultado positivo. Me despedi com uma vitória e é sempre importante, porque futebol brasileiro é sinônimo de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve medo de perder o jogo final?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na palestra antes do jogo disse aos jogadores que festa é muito bonita, mas com vitória. Com derrota, não adiantava nada. Foi difícil porque viajamos direto para o jogo, sem tempo de nos acostumar com o fuso horário. Tivemos que correr contra tudo e ainda jogar na casa do adversário, quarto colocado na Copa. Felizmente as coisas não poderiam ter sido melhores. Comecei vencendo e terminei da mesma forma a carreira de técnico da seleção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi assistir ao Brasil ser campeão do mundo como torcedor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre disse que, quando ganhávamos a Copa, proporcionávamos um Carnaval em junho e julho aos brasileiros. Demorou mas acabei tendo a alegria de curtir cada vitória na Copa como torcedor, porque lá dentro é uma adrenalina só. Quando você está no comando a responsabilidade é tão grande que você só comemora alguma coisa quando tudo acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O senhor se considera pentacampeão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou com quatro conquistas nas costas e, se não fosse isso, o Brasil não seria penta. Me considero penta porque todo brasileiro é penta. Cada um de nós tem de botar banca, sim, porque quando estávamos mal nas eliminatórias a Argentina estava aí nos gozando. Tiveram de engolir, não é? Agora vamos para o hexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como avalia o trabalho do técnico Luiz Felipe Scolari?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou com um rabo de foguete tremendo nas eliminatórias e não podia ser diferente, porque pegou o time numa situação delicada. Mas classificou e depois prosseguiu. Fazia uma variação entre o 3-5-2 e o 4-4-2, escolheu o primeiro e foi feliz. Sempre disse que o técnico tem que escolher um esquema e ir com ele até o fim. Ficar variando de um para outro é querer mostrar que sabe mexer em sistema, &lt;br /&gt;mas o futebol não é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acredita que os técnicos fazem isso por vaidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acredito que sim. Não tem essa de variar de jogador dependendo do adversário, ou passar alguém da ponta para o meio. Você pode tentar tudo antes de montar o time, &lt;br /&gt;como fiz em 1970, avançando o Tostão, recuando o Piazza e tirando o Rivelino e o Clodoaldo do banco. Mas fiquei dois meses trabalhando em cima da minha idéia antes da Copa. Depois que acertei, não mexi mais e fomos campeões. Futebol é simples. Se há craques no time, eles têm de saber desempenhar a função no esquema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hoje, quem é craque?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Temos jogadores que já mostraram que são craques e se firmaram com o tempo. O Roberto Carlos é o melhor na posição dele. O Ronaldinho Gaúcho também se firmou e se desenvolveu ainda mais indo para a França. Ronaldo é outro, um fenômeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A recuperação de Ronaldo o redime da decisão de ter confiado nele em 1998?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O meu problema, entre aspas, com o Ronaldo foi a doença dele, o estresse emocional, convulsão ou como queiram chamar. Depois do problema na concentração, ele não estava escalado. Quando voltou da clínica, disse que queria jogar. Não foi vetado pelos médicos e eu o coloquei para jogar. Esse ano o Felipão acreditou nele e eu, nas crônicas que escrevia, apoiei essa decisão. Felizmente, o Ronaldo chegou lá, mesmo sem estar 100%, porque é um artilheiro nato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Arrepende-se de tê-lo escalado em 1998?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em absoluto. A doença dele é que deixou a seleção apática. Se não jogasse, o time sentiria da mesma maneira. Se eu não o escalasse, seria o único culpado. Mas escalei &lt;br /&gt;o melhor jogador do mundo, que não tinha sido vetado e disse que queria jogar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4gpdySf1I/AAAAAAAAAlc/Dk1R2PZfueg/s1600/zico-e-zagallo1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4gpdySf1I/AAAAAAAAAlc/Dk1R2PZfueg/s400/zico-e-zagallo1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493864492180864850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Levaria Romário para a Copa de 2002?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma ação na Justiça contra Romário porque, quando ele foi cortado em 1998, inaugurava o Café do Gol e me botou sentado na privada (uma das caricaturas pintadas nas portas dos banheiros da boate de Romário no Rio) e, do lado, o Zico com papel higiênico. Mas o chamaria para a Copa, porque não misturo vida pessoal com profissional. É meu ponto de vista e respeito o do Felipão. Deve ter havido problemas quando o Felipão estava no comando, mas quem tem de falar disso não sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficou magoado com Romário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre o convoquei, mas quando o cortei ele me detonou. Fiquei magoado porque ele quis desmoralizar a mim e ao Zico. Entrei com ação porque a imagem correu mundo, em jornal e televisão. Já estivemos juntos novamente, nos cumprimentamos, mas ele não me pediu desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É verdade que o senhor estava trabalhando no Maracanã na final da Copa de 1950?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estava como soldado da Polícia do Exército. Não fui convocado só para a Seleção. Fui também para o Exército e para tirar madeira do Maracanã. Trabalhei uns três dias retirando as sobras da obra do estádio. Na final, vi o jogo da arquibancada, com a farda verde-oliva, fazendo a segurança. Mas ninguém me falou que tinha de ficar de costas para o campo, vigiando a torcida, e não fiquei. Não ia perder a final da Copa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já imaginava o que faria no futebol naquela época?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fico até arrepiado pensando nisso. Nunca podia imaginar, apesar de já estar jogando nos juvenis do Flamengo em 1950, que um dia seria o único a ser quatro vezes campeão do mundo e uma vez vice. Muitos acham que não, mas chegar à final de uma Copa do Mundo é coisa à beça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pensa em continuar no futebol?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não vou dizer que dessa água não beberei. Como técnico da Seleção, me despedi. Toparia trabalhar como coordenador técnico de clube ou da Seleção. Não quero mais é ficar dentro das quatro linhas, mas pode ser que me dê uma coceirazinha e eu aceite algum convite de clube. No brasileiro desse ano recebi quatro convites, do Inter, do Botafogo, do Palmeiras e do Atlético Paranaense. Quase aceitei o do Atlético, mas achei que não era o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4iE2N36YI/AAAAAAAAAlk/0m_CK0g_PkM/s1600/zagalo58.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 286px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4iE2N36YI/AAAAAAAAAlk/0m_CK0g_PkM/s320/zagalo58.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5493866062107109762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Sua vocação de técnico se manifestou quando?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Comecei na meia-esquerda do América, com 17 anos. Já acompanhava bem o futebol e, naquela idade, tive a intuição de mudar para a ponta-esquerda para, num futuro, chegar à Seleção. Passei a jogar ali pra fugir da concorrência no meio, que tinha gente demais. Em 1958, fui convocado para a Copa, mas todos achavam que ia ser cortado. O Vicente Feola (técnico da seleção de 1958) percebeu que eu fazia a dupla função, jogando na ponta e fechando o meio-campo, e me confirmou como titular. Fui muito criticado, mas o tempo me deu razão. Hoje quem não faz isso não joga, tirando as exceções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O início de carreira foi difícil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu pai (Aroldo Cardoso Zagallo) era contra, apesar de gostar de futebol e ir aos estádios aos domingos. Na época todos achavam que jogador de futebol era vagabundo. Depois ele acabou deixando e ia sempre me ver jogar. Meu pai morreu em 1958. Até hoje acho que foi por causa das emoções que ele viveu ouvindo os jogos da Copa. Fomos campeões em junho e ele morreu em setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual seu time de coração?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meus dois clubes foram o Flamengo e o Botafogo, onde ganhei os principais títulos. Se disser que sou um ou outro, magoaria os torcedores de um dos dois. Então digo que sou América. Não magôo ninguém e ainda faço justiça com o meu primeiro clube.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-5552540887324389032?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5552540887324389032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5552540887324389032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/07/o-velho-lobo-se-retira.html' title='O VELHO LOBO SE RETIRA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TD4gPKuClpI/AAAAAAAAAlM/gWaurGHGx-Y/s72-c/zagalo13.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-7540676333654050841</id><published>2010-06-29T18:23:00.001-07:00</published><updated>2011-05-02T08:41:04.609-07:00</updated><title type='text'>O OUTONO DO CRAQUE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqgtRQFnYI/AAAAAAAAAk0/X8dJ2StaJD8/s1600/bebeto1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 370px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqgtRQFnYI/AAAAAAAAAk0/X8dJ2StaJD8/s400/bebeto1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488375795489807746" /&gt;&lt;/a&gt;As pernas já não obedeciam como antigamente. O fôlego, já não era o mesmo há alguns anos, e as atuações antológicas, os golaços de voleio, as tabelas com o maior de todos os tempos dentro da área e aquele toque de chapa, mortal, preciso, ficaram no passado. Mas como abandonar tudo isso assim, de repente, de uma hora pra outra? Como deixar de ser tratado como ídolo, num clube de massa, depois de tantas glórias, de tantos gols? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carreira de Bebeto estava prestes a acabar quando a matéria foi feita, na casa dele, arrumada por um assessor de imprensa que "vendeu" a pauta para a revista; e o sujeito que anos antes deveria lidar com uns vinte pedidos de entrevista por semana me recebeu sorridente, feliz da vida, porque estava voltando a um grande clube, no caso, o Vasco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos depois de sua última passagem pelo Rio, no Botafogo, onde quase ganhou uma Copa do Brasil, Bebeto retornava de duas breves temporadas frustradas no exterior, uma no México, de onde saiu correndo com medo de ameaças veladas do presidente de um clube sem qualquer tradição, e outra no Japão, onde foi obrigado a treinar conclusões a gol exaustivamente como se fosse um iniciante, ele que formou com Romário a maior dupla de atacantes que uma geração inteira viu jogar com a camisa da seleção brasileira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi o parceiro da Copa América de 1989, e depois do Tetra, em 94, quem levou de volta ao Vasco o artilheiro do Brasileiro de 92, o campeão do Brasileiro de 89. Bebeto agradecia muito ao Romário na entrevista, e sorria, feliz com a oportunidade. No tempo parado, sem clube, tinha treinado na quadra e na piscina do condomínio, com um personal trainer. Garantia que estava em forma, com um entusiasmo de início de carreira. O problema eram os 37 anos, porque é preciso ser muito acima da média, é preciso ser gênio, lendário, para jogar em alto nível depois dos 37. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqg9VfsLnI/AAAAAAAAAk8/0taadCrAJp0/s1600/bebeto1989_1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 304px; height: 235px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqg9VfsLnI/AAAAAAAAAk8/0taadCrAJp0/s320/bebeto1989_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488376071506898546" /&gt;&lt;/a&gt;Bebeto não virou lenda como o parceiro Romário, que aos 41 anos registrou média de um gol por jogo em 14 jogos de campeonato; mas Bebeto foi grande, enorme. Antes de sair para o All-Ittihad, da Arábia Saudita, onde encerrou a carreira sem pompa nem circunstância, fez apenas dois gols nessa última passagem pelo Vasco, em dois empates sem importância no Brasileiro de 2001. Tudo bem. O que fica na memória são as atuações antológicas, os golaços de voleio, as tabelas com o maior de todos os tempos dentro da área e aquele toque de chapa, mortal, preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 109, de 1 de setembro de 2001&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“O presidente deles prometeu que iria contratar mais três brasileiros, mas não fez nada disso. Ele disse que eu não sabia do que ele era capaz. Me mandei com meus filhos. Não sabia se ele era mafioso."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde janeiro, José Roberto Gama de Oliveira, 37 anos, ilustre morador do luxuoso condomínio Santa Marina, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, vinha cumprindo uma rotina árdua para manter a forma física. Diariamente, passava duas horas e meia com o preparador físico Ronaldo Torres exercitando-se na piscina, na academia de ginástica e no campo de futebol. Tudo sem sair do condomínio. A recompensa veio no início de agosto, quando José Roberto, ou Bebeto, o atacante tetracampeão mundial com a seleção brasileira em 1994, acertou sua volta ao Vasco da Gama, após uma negociação que incluiu declarações públicas de Romário pedindo sua contratação. No domingo 26, o craque não fez gol, mas entrou em campo no segundo tempo e ajudou o Vasco a golear o Atlético Paranaense por 4 a 0. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o fim de oito meses de inatividade e de pesadelos como as temporadas frustrantes no México e no Japão. Artilheiro e ídolo de clubes como o Vitória, Vasco, Flamengo e La Coruña da Espanha, Bebeto começou seu calvário em 1999, quando deixou o Botafogo para assumir o desafio de transformar o desconhecido time mexicano do Toros Neza numa grande equipe. “O presidente deles (Juan Antonio Hernandez) prometeu que iria contratar mais três brasileiros, mas não fez nada disso.” Para piorar a situação, só Bebeto recebia salário na equipe. Ao entrar na briga pelo pagamento dos companheiros, acabou afastado do time, mas ganhou o respeito dos jogadores mexicanos. “Num jogo do Toros contra o Puma, os dois times exibiram camisas de apoio a mim na entrada em campo”, conta, orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estopim para a saída do México foi uma ameaça velada do presidente do Toros, diante da insistência de Bebeto em brigar pelos salários. “Ele disse que eu não sabia do que ele era capaz.” Foi a senha para que o atacante deixasse o país com sua família. “Me mandei com meus filhos. Não sabia se ele era mafioso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casado há 14 anos com a ex-jogadora de vôlei Denise, 32, e pai de três filhos – Roberto Nilton, 11, Stephannie, 10, e Matheus, 7 –, Bebeto tem fama de bom moço e dificilmente fala mal de alguém. Prova disso foi a passagem pelo Kashima Antlers do Japão, no ano passado. Obrigado a treinar chutes a gol durante duas horas, pelo técnico e ex-jogador da seleção brasileira Toninho Cerezo, sofreu uma lesão por estresse nos ligamentos do joelho. Nada que o fizesse ficar aborrecido com Cerezo. “Não guardei mágoa dele”, afirma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqhMc0eFzI/AAAAAAAAAlE/7BF8pcgjNdI/s1600/Bebeto+Rom%C3%A1rio.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqhMc0eFzI/AAAAAAAAAlE/7BF8pcgjNdI/s400/Bebeto+Rom%C3%A1rio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5488376331171141426" /&gt;&lt;/a&gt;O craque deixou o Japão e voltou para a casa no Rio, que divide com a família e sete cachorros, entre eles o yorkshire Campeão. “Em Kashima não tinha nem escola para meus filhos. Tinha que contratar professora particular.” Quarto artilheiro da história da seleção brasileira, com 50 gols, atrás apenas de Pelé, Romário e Zico, o atacante contou com a ajuda de dois companheiros dos bons tempos, os também tetracampeões mundiais e agora colegas no Vasco Romário e Jorginho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorginho foi o primeiro a telefonar para o amigo. Romário fez ainda mais. Depois da estréia do Vasco no campeonato brasileiro contra o Gama, no dia 1º de agosto, deu entrevistas pedindo a contratação do antigo parceiro. A atitude dobrou até o presidente vascaíno Eurico Miranda, que fechara as portas do clube para Bebeto depois que, em 1996, o atacante preferira voltar da Espanha para o Flamengo. “Fiquei emocionado. Sempre tive carinho pelo Romário e juntos ganhamos tudo.” Agora, o artilheiro que fez mais de 500 gols desde 1983 só quer jogar futebol: “Parece que ele assinou seu primeiro contrato profissional. A garra dele é de um iniciante”, resume Ronaldo Torres, o preparador físico que ajudou o craque quando ele estava sem clube.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-7540676333654050841?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7540676333654050841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7540676333654050841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/06/o-outono-do-craque.html' title='O OUTONO DO CRAQUE'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/TCqgtRQFnYI/AAAAAAAAAk0/X8dJ2StaJD8/s72-c/bebeto1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-7194353309917874499</id><published>2010-05-09T16:14:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T16:57:17.652-07:00</updated><title type='text'>COPA À VISTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dI4B5l3AI/AAAAAAAAAj8/EBNpYlS0LtE/s1600/Dunga+Copa+94.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 207px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dI4B5l3AI/AAAAAAAAAj8/EBNpYlS0LtE/s320/Dunga+Copa+94.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469420399884622850" /&gt;&lt;/a&gt;Pressão antes da Copa do Mundo? Com o Brasil sem título há oito anos, só? Mole. Tranquilíssimo. Duro era antes do Tetra, quando o jejum só aumentava a cada Copa. Doze anos em 82, dezesseis em 86 e vinte em 90, até um certo Romário, com o auxílio precioso de Bebeto, Mazinho, Taffarel, Dunga e cia, acabar com o jejum de 24 anos. E foi nos últimos dias desse martírio sem títulos – período ainda mais complicado para quem nasceu logo depois da Copa de 70, tipo assim, em 72 – que a matéria foi feita. Foi uma entrevista com um então titular da seleção de 94 e com um craque da tragédia de 50, tido e havido como maior do Brasil antes de Pelé, e que iniciou a linhagem de camisas 10 de um certo time, cujos nomes começam com Z, considerados os melhores do mundo, gênios espetaculares, e que na hora do “vamu vê” em Copas, naquele momento que separa os homens dos meninos, somem do jogo, perdem pênaltis bisonhos e amarelam bonito, sob o beneplácito da mídia amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizinho e Leonardo não deram a entrevista juntos. Tava meio tumultuado o negócio no glorioso Clube Central de Icaraí e não dava pra juntar os dois numa mesa. Também não teve gravador na história. Leonardo deu entrevista em pé, no meio de um monte de criança pedindo autógrafo. Com Zizinho foi mais tranqüilo. Pelo menos pudemos sentar com calma numa mesa, apesar do burburinho de feijoada em volta. Leonardo foi bom moço como sempre, sem qualquer declaração bombástica, até porque não era o momento pra isso mesmo. As alfinetadas ficaram por conta de Zizinho, que também deu suas pixotadas. Errou, por exemplo, a zaga do Brasil na Copa de 90. Botou Mozer no lugar de Mauro Galvão. Mas tudo bem, foi um erro plenamente desculpável, ainda mais pra um sujeito de 72 anos, com história à beça no futebol. O resultado da matéria, com todas as características de um texto para o velho e bom O Fluminense, na abertura principalmente, está aí embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal O Fluminense, edição de domingo, 15, e segunda-feira, 16 de maio de 1994&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dJIhTjxvI/AAAAAAAAAkE/AIFuftYow2k/s1600/leonardo2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 120px; height: 163px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dJIhTjxvI/AAAAAAAAAkE/AIFuftYow2k/s200/leonardo2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469420683192944370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;“O Brasil está aí para brigar e vai à Copa para ganhar, já que a cada Mundial perdido a cobrança sobre a seleção aumenta.”&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dJUHx9WiI/AAAAAAAAAkM/7dat_oIn1jk/s1600/zizinho.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 98px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dJUHx9WiI/AAAAAAAAAkM/7dat_oIn1jk/s200/zizinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469420882499557922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Uma conquista de Copa do Mundo sempre gera ídolos, não importa o momento.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zizinho, craque das décadas de 40 e 50, e Leonardo, atual titular da seleção brasileira e camisa 10 do São Paulo, têm muitas coisas em comum, apesar dos mais de 40 anos que os separam. Ambos jogaram no Flamengo e na seleção, e Zizinho também vestiu a camisa 10 do São Paulo. Além disso, os dois são de Niterói – Leonardo nasceu e foi criado na cidade, enquanto Zizinho, nascido em São Gonçalo, veio para a “terra de Araribóia” aos 17 anos. No último dia 7, houve uma homenagem a esses dois representantes de gerações tão diferentes do nosso futebol com a Feijoada da Copa, no Clube Central, em Icaraí. O idealizador do encontro inédito foi o irmão de Leonardo, Francisco Araújo Júnior, de 27 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thomaz Soares da Silva, 72 anos, o Zizinho, também conhecido como Mestre Ziza, iniciou sua carreira aos 15 anos, no Carioca Futebol Clube, de São Gonçalo, clube fundado por seu pai. Antes de começar a jogar profissionalmente, atuou ainda pelo Byron, de Niterói, aos 17 anos. No Flamengo, onde iniciou a carreira profissional, Zizinho participou do primeiro tricampeonato da história do clube (1942/43/44) e foi convocado para disputar a Copa de 1950. Depois disso, jogou seis anos pelo Bangu e, em 1957, aos 35 anos, foi campeão paulista pelo São Paulo. Após encerrar a carreira, no Audax Italiano, do Chile, Zizinho chegou a trabalhar como técnico. “Esse esquema do 4-4-2, que todo mundo usa hoje, foi criado por mim no América, em 71”, garante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo Nascimento de Araújo, 24, começou no Flamengo e se transferiu para o São Paulo em 1990. Foi negociado com o Valencia, da Espanha, em 1991, mas voltou ao clube paulista, emprestado, em 93. Em entrevista a O Fluminense, Zizinho e Leonardo analisaram o atual momento do futebol brasileiro e se mostraram otimistas quanto às possibilidades do Brasil na Copa. Em relação aos nossos adversários na primeira fase, a Rússia foi apontada pelos dois como a seleção mais perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como vocês estão vendo o atual estágio do futebol brasileiro?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; O momento é bom. O nível tem crescido muito ultimamente. Basta ver os campeonatos paulista e carioca, por exemplo, que estão levando um bom público aos estádios. Acho que, com a proximidade da Copa, o nosso futebol tinha mesmo de melhorar em relação aos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; O futebol paulista é muito forte e, na minha opinião, ainda está melhor que o carioca. O Palmeiras, patrocinado pela Parmalat, conseguiu formar um timaço e o São Paulo é o clube mais organizado da América. O futebol do Rio só se arrumou às vésperas do campeonato. Mas, no geral, o momento é bom. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dLwEBLocI/AAAAAAAAAkk/Kji5Ck7UzOg/s1600/mazinhobebeto.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 215px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dLwEBLocI/AAAAAAAAAkk/Kji5Ck7UzOg/s320/mazinhobebeto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469423561549259202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;E quais as nossas chances na Copa?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; O Brasil está aí para brigar e vai à Copa para ganhar, já que a cada Mundial perdido a cobrança sobre a seleção aumenta. O importante é que o grupo está bem e está formado há muito tempo, o que já ajuda muito.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; O Brasil só perde essa Copa se a direção atrapalhar. Apesar de alguns erros do Parreira, que já devia ter definido o time titular, nós ainda somos favoritos. Ninguém pode ganhar da gente, nós é que podemos perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Parreira está no caminho certo, ou seu esquema tático ainda poderia ser modificado?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; O que tinha de ser feito já foi feito. Temos agora é que nos adaptar ao esquema com dois cabeças-de-área, parar de fazer amistosos com dois dias de intervalo e se preparar realmente para a Copa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; Essa história de dois volantes é um atraso. Temos que ter cuidado com a defesa, mas o importante é o ataque. Os outros times é que têm de ter medo da gente, pois a nossa tradição sempre foi de partir para cima do adversário. Outra coisa que ninguém percebeu é que esse esquema do 4-4-2, que a maioria das seleções usa, foi criado por mim no América, em 71, com Edu (irmão de Zico) jogando de ponta-de-lança e municiando os dois centroavantes. Mais tarde, eu utilizei o mesmo esquema na seleção de novos, campeã do Pré-Olímpico de 72.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O fato de países como a França e a Inglaterra estarem fora da Copa facilita ou as dificuldades serão as mesmas de sempre?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; Se eles estão eliminados é porque alguém eliminou. Não existe moleza em Copa do Mundo. A primeira fase ainda pode ser considerada leve, porque classificam-se dois de cada grupo, mas a partir das oitavas-de-final só tem jogo duro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; Acho que fica um pouco mais fácil, sim. A Inglaterra, por exemplo, sempre foi um adversário chato. Além disso, algumas seleções européias sem tradição certamente vão tremer contra a gente. Mesmo assim, o Zagalo ainda me preocupa. Ele conseguiu ser retranqueiro até com aquele timaço de 70, já que o único jogador que não voltava para marcar era o Tostão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dKJyJo-UI/AAAAAAAAAkc/eLXghyTJomI/s1600/copa+50"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 235px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dKJyJo-UI/AAAAAAAAAkc/eLXghyTJomI/s320/copa+50" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469421804406241602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;E quanto aos nossos adversários na primeira fase, qual será o mais perigoso?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; A estréia é sempre difícil. Por mais que a Rússia esteja com problemas (brigas entre o técnico e os principais jogadores), o primeiro jogo oficial nunca é fácil. Confesso que não sei direito como os russos estão, mas assisti ao último jogo deles, um empate de 1 a 1 com a Alemanha. A Suécia tem aquele estilo europeu já bastante conhecido, explorando os contra-ataques e os chuveirinhos na área. Já Camarões joga com aquela irreverência, sem responsabilidades. Acho que mesmo depois de 90, quando fizeram uma boa campanha e foram eliminados por pura inexperiência, eles vão continuar jogando da mesma forma, e vão aos EUA só para participar. Teoricamente, o jogo contra Camarões deve ser o melhor pra gente, porque eles jogam e deixam jogar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; Também acho que Camarões vai continuar na inocência e naquela correria de 90. Na Suécia eu não acredito, talvez porque eu meti 7 neles em 50 (Zizinho se refere aqui à goleada de 7 a 1 que o Brasil aplicou na Suécia no quadrangular final da Copa de 50). Sobra a Rússia, que apesar de tudo ainda é nosso adversário mais perigoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dJ0FeZZpI/AAAAAAAAAkU/g-NBWEXJ7H8/s1600/leonardocotovelada.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 211px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dJ0FeZZpI/AAAAAAAAAkU/g-NBWEXJ7H8/s320/leonardocotovelada.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469421431636453010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;No que diz respeito ao grupo de jogadores, vale a pena chamar a mesma defesa da Copa de 90, quatro anos mais velha? E o Branco, por exemplo, ainda tem lugar no time titular?&lt;br /&gt;Leonardo: &lt;/strong&gt;Esse grupo está sendo testado há muito tempo e o Parreira confia nos jogadores. Quanto à lateral-esquerda, eu vou brigar pra ser titular.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; A defesa de 90 tinha três zagueiros de esquerda, Ricardo Gomes, Mozer e Ricardo Rocha, e o Caniggia fez o gol da nossa eliminação entrando pela direita. Agora vem o Parreira e chama os mesmos zagueiros. Na lateral-esquerda, o meu titular é o Leonardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que ainda está faltando para a seleção chegar aos 100%?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; Juntar o grupo e treinar, para chegar à Copa no melhor momento.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; Falta definição do time e do esquema. Acho ainda que o Parreira poderia fazer com o Cafu o mesmo que eu fiz com o Rosemiro na seleção de novos. O Rosemiro era lateral, mas eu coloquei ele jogando como ponta-direita, junto com o Mauro, que era o verdadeiro lateral. O resultado é que eles ficaram no dois contra um o jogo inteiro, em cima do lateral-esquerdo adversário. O Parreira poderia fazer a mesma coisa com Cafu e Jorginho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Brasil vive uma crise de ídolos. A conquista do Tetra atenuaria esse problema?&lt;br /&gt;Leonardo:&lt;/strong&gt; A conquista do Tetra, se acontecer, certamente vai contribuir para que o futebol brasileiro volte a ser o que sempre foi. O bicampeonato mundial do São Paulo já ajudou bastante, e a conquista da Copa seria perfeita para levantar de vez o nosso futebol.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zizinho:&lt;/strong&gt; Uma conquista de Copa do Mundo sempre gera ídolos, não importa o momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-7194353309917874499?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7194353309917874499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7194353309917874499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/05/copa-vista.html' title='COPA À VISTA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S-dI4B5l3AI/AAAAAAAAAj8/EBNpYlS0LtE/s72-c/Dunga+Copa+94.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3075969153133065210</id><published>2010-04-23T09:11:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T18:53:56.200-07:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, EL GURGEL, Y EL DIABLO RUBLO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S9HIXVzWfJI/AAAAAAAAAjs/l5NvDyVJFP0/s1600/Corisco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 312px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S9HIXVzWfJI/AAAAAAAAAjs/l5NvDyVJFP0/s400/Corisco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463368126292196498" /&gt;&lt;/a&gt;Qui se passo és que El Diablo Rublo siempre, em toda su vida, fuera perseguido por los policiales rodoviários. Su pelos longos, rojos, y la tez blanca, como la Patagônia, llamaban de tal manera la atencion de los tiras qui bastava qui estiviesse em um coche para que este fuesse víctima de una ación rápida, precisa, de la Policía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asi si sucedeo em la jornada hasta Saquarema, quando fue parado a la saída de la gran puente Rio-Niterói, la mayor del mundo, portento de la genialidad humana. El coche, de su suegra, no tenía más qui el documento de transferência, y si siequer el nombre de la duena assinado. Em el hogar de la firma, lo espacio estaba em blanco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si escribo mi nombre a cá, le dijo el guarda, el coche és mio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com El Diablo Rublo viajava Don Chevalier, el mejor apertador de marijuana de todo el planeta, que empezava a se quedar vierde, aunque su compañero de viaje mantenia-se tranquilo y hablaba com lo policía que sí, como no, puede abrir todo el coche, puede nos revistar, sí, no tenemos nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y el guarda llegó a abrir la mala, y Don Chevalier vierde como las montañas de Macchu Picchu... Pero no se importo com las valises. Se quedo satisfecho com la plata para la cerveza y asi no descobrió las cierca de vinte gramas de marijuana que llevaba Don Chevalier em su mojila, si que lo supiesse El Diablo Rublo, que despues ha seguido su sina, parado siempre por los policiales del tráfego, hasta lo gran dia de su redención, a bordo de Honório, El Gurgel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trafegávamos por región de muy rasa energia, una encruzillada desdicha, y el cabron hijo de puta nos cerro em lo cruzamiento. Apareció a frente de Honório, si colocar la sieta tampoco, y el choque fue inevitable. Una tonteria de lás más grandes del cabron hijo de puta, qui guiaba el coche de su mujer, qui, por su vez, era la dona del coche y se quedo sentada em el banco del carona, los brazos cruzados, enquanto el hombre, cabron hijo de puta, salió para, hijo de puta, tirar satisfación.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La razón se quedaba totalmente com nosostros, pero los documentos... No los habia, nadie. Y habia, para desgracia nuestra, uno de los representantes de nuestra valorosa Policía Militar, devidamente uniformizado. Si el policía requisitasse los documentos de los coches, seria malo, muy malo; pero, em tal situación, era necessário un poco de representación, y por esto jo fue de encuentro a lo policía, junto de mi &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S9HIgvLtR6I/AAAAAAAAAj0/ZXlL1RHCip8/s1600/patrulheirorodoviario.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S9HIgvLtR6I/AAAAAAAAAj0/ZXlL1RHCip8/s400/patrulheirorodoviario.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5463368287724062626" /&gt;&lt;/a&gt;oponente, y nos quedamos, los dos, a hablar em lo miesmo tiempo, a disparar argumentos, hasta que la voz del sábio PM nos calo, para escuchar su sentença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ustedes, qui son ombres, qui si entiendam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dije, y salió, el salomônico guarda, polícia de los mejores, y así el cabron hijo de puta fue escuchar el espuerro de la mujer, y El Diablo Rublo, com su pelos rojos, por primera vez em su vida escapo de los policiales rodoviarios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3075969153133065210?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3075969153133065210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3075969153133065210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/04/honorio-el-gurgel-y-el-diablo-rublo.html' title='HONÓRIO, EL GURGEL, Y EL DIABLO RUBLO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S9HIXVzWfJI/AAAAAAAAAjs/l5NvDyVJFP0/s72-c/Corisco.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-397003256061409865</id><published>2010-03-31T11:15:00.000-07:00</published><updated>2010-04-01T13:51:32.152-07:00</updated><title type='text'>O MÉDICO</title><content type='html'>O plantão estava calmo no Hospital Municipal de Mangaratiba, e o médico fumava. Cara de cansado, a camisa branca pra fora da calça, de manga curta, falava dentro da sala onde tudo acontecera, um espaço menor que o pior conjugado de Copacabana, cercado por ladrilhos brancos de todos os lados, inclusive na bancada do centro, pouco maior do que uma cama de solteiro. A bancada, com mármore no alto, era o único “móvel” do recinto. Não havia mais nada ali além das paredes de ladrilho e do médico, que contava a história do paciente de dois dias atrás, à beira da morte, depois de cair de avião numa praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão ali, naquela sala sem nada, era manter vivo o paciente, que deu entrada no hospital com sérias dificuldades para respirar, traumatismo crânio-encefálico e provável hemorragia intracraniana, e ninguém precisa ser médico pra saber que um quadro desses não é nada simples. Manter ele vivo, repetiu o médico, fumando ainda, era só o que podia ser feito naquela sala vazia, o paciente deitado no mármore, claro que em cima de um colchonete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante cerca de 15 minutos, o médico e mais nove colegas, outros médicos e enfermeiros, mantiveram o paciente com vida, dentro daquela sala sem nada, e com vida o entregaram ao helicóptero que o transportou para o Copa D’Or, onde novos médicos, renomados, consagrados na profissão, conseguiram, com a ajuda de tudo de mais moderno disponível na medicina, salvar definitivamente a vida de Herbert Vianna. Um trabalho de fato espetacular, que mostra como a inteligência humana é capaz de salvar uma vida que se esvai. De um fiapo de reação do organismo, quase último sopro, os grandes médicos, renomados, conseguem trazer o sujeito de volta, como no caso do Herbert Vianna. Só precisam do fiapo de vida, e o médico, a camisa social e a calça ligeiramente amarrotadas, fumava naquela sala sem nada, com a cara de cansado e um certo ar de consciência tranqüila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O resto da história do acidente e da recuperação de Herbert Vianna está nas duas matérias abaixo. A primeira delas foi assinada também pela Márcia Montojos e pela Vivianne Cohen. A segunda foi mais uma parceria com a Vivianne Cohen.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 80, de 12 de fevereiro de 2001&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SYFc02HjI/AAAAAAAAAi0/dsbKKKj-sNw/s1600/herbert_aviao.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 145px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SYFc02HjI/AAAAAAAAAi0/dsbKKKj-sNw/s400/herbert_aviao.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455152268057124402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;“O quadro dele era gravíssimo. Nosso trabalho foi o de estabilizar o paciente na gravidade para ser socorrido numa unidade com mais recursos”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite do sábado, 3, o cantor Leoni, ex-integrante da banda Kid Abelha, e sua mulher, Luciana Fregolente, receberam em casa seus novos vizinhos: o músico Herbert Vianna, líder do conjunto Paralamas do Sucesso, e a mulher, a jornalista inglesa Lucy Needham. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho amigo do casal, Leoni havia completado naquela semana a mudança para a nova casa de Vargem Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde Herbert e Lucy residiam havia mais de seis anos. “Nos divertimos como amigos de 20 anos que se encontram e se gostam”, conta Luciana. O jantar se estendeu pela madrugada. Herbert confidenciou à mesa que estava de férias e pronto para investir na boa forma física praticando natação e corrida diariamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy chegou a comentar que no dia seguinte ela iria voar pela primeira vez no novo ultraleve do marido — um modelo Fascination, de dois lugares, fabricado na Alemanha e capaz de atingir 280 km/h, o mais avançado dos três ultraleves que Herbert Vianna adquiriu nos últimos quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Só perguntei se ela queria deixar a Hope na minha casa, mas a Lucy disse que as crianças iriam a uma festa”, conta Luciana, referindo-se à filha do meio do casal de amigos. No fim da comemoração, ficou acertado que a primeira saída dos quatro juntos como vizinhos de bairro seria um pulo ao cinema, na quarta-feira, 8, para assistir às agruras de Tom Hanks em &lt;em&gt;O Náufrago&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SYhRJU-XI/AAAAAAAAAi8/xqtEwzbmWAg/s1600/herbert_"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 134px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SYhRJU-XI/AAAAAAAAAi8/xqtEwzbmWAg/s320/herbert_" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455152745958144370" /&gt;&lt;/a&gt;Às duas horas da tarde do domingo, 4, Herbert chegou acompanhado de Lucy à sede do Clube Esportivo de Ultraleve em Jacarepaguá, próximo à sua casa. Foi direto à secretaria para fazer sua notificação de vôo. Os dois seguiriam para Mangaratiba, no litoral Sul do Rio de Janeiro, onde o músico Dado Villa-Lobos, ex-integrante da Legião Urbana e amigo de Herbert desde a época da adolescência, em Brasília, preparava um churrasco de comemoração do aniversário de sua mulher, Fernanda. Antes de embarcar Herbert inspecionou a aeronave de prefixo U 5210 durante meia hora. Verificou o óleo do motor, as asas e os comandos. Pegou no seu armário o headphone e pediu para que colocassem o avião na pista. Por fim, abasteceu o tanque de gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram duas e meia da tarde e estava tudo pronto para a decolagem quando ele teve uma última conversa com Valdir Lacerda, 51 anos, seu mecânico desde o primeiro ultraleve, adquirido há quatro anos.&lt;br /&gt;– Você está indo para onde? — perguntou Valdir.&lt;br /&gt;– Para Mangaratiba, no aniversário de uma amiga — respondeu Herbert.&lt;br /&gt;– Vai com calma, porque vai ter formação de chuva para o lado de lá.&lt;br /&gt;– Tá tudo bem – disse Herbert, levantando o polegar em sinal de positivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova aeronave tinha apenas 42 horas de vôo. Havia sido comprada há dois meses em Fortaleza, por US$ 80 mil. Quando chegou ao hangar do clube de ultraleve, foi saudada na oficina com champanhe francês. “Ele só passou a usar a máquina quando instalou os pára-quedas”, afirma Valdir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coube ao irmão de Herbert, Hermano, e a sua mãe, Maria Teresa, a missão de reunir as crianças para dar a notícia da tragédia na presença de uma psicóloga. Assim que souberam da morte da mãe, Luca, 8 anos e Hope, 5, começaram a chorar. Phoebe, de um ano e meio, deu brinquedos para os irmãos. “Se eu estivesse lá, abria a porta e salvava a mamãe”, disse Luca. “Eu sei abrir a porta do avião.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hermano, que dormiu no quarto de Luca, contou que o menino passou a noite perguntando sobre os pais. “Ele pegou a foto de um painel e me falou. “Esta é a foto mais preciosa que eu tenho: a minha família toda reunida”, disse o menino, grudando-a no computador. Emocionado, Hermano contou que Luca pediu a mãe de volta. “Eu disse que todos nós queríamos, mas que isso era impossível. Aí ele falou: “Mas tem a máquina do tempo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois da rápida conversa com o mecânico, o cantor e Lucy já estavam na Enseada de Mangaratiba. Herbert, como piloto da aeronave, chegou a passar três vezes na frente da casa de Dado, no condomínio Portobello. Quando tentava outra manobra, o músico perdeu o controle da aeronave. Ela caiu no mar, a cerca de 20 metros da praia particular do condomínio. “Parecia que ele queria dar um vôo rasante”, conta o comerciante Guilherme Ribeiro, 36, que velejava na enseada na hora do acidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parte da frente da aeronave ficou submersa, mas uma lancha que passava pelo local facilitou o resgate, empurrando o ultraleve para terra firme. O resgate do casal até a areia durou entre três e cinco minutos. Guilherme foi o primeiro a socorrer o líder dos Paralamas. “Saltei do meu barco e ajudei a empurrá-los para a areia. Entrei no ultraleve, retirei o cinto de segurança do Herbert e o tirei de lá.” Outros cinco velejadores que estavam no local ajudaram a retirar Lucy da aeronave. Aos 36 anos, ela deixou o ultraleve já morta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7Sb-twpw5I/AAAAAAAAAjk/cZVVFJqwcsU/s1600/mangaratiba9521.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 176px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7Sb-twpw5I/AAAAAAAAAjk/cZVVFJqwcsU/s320/mangaratiba9521.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455156550390367122" /&gt;&lt;/a&gt;A equipe de paramédicos da Defesa Civil de Mangaratiba chegou ao local cinco minutos mais tarde. Quando viram o acidente, Dado e Paula Toller, vocalista do Kid Abelha, correram para a praia e entraram em desespero com o que presenciaram. “O Dado estava fazendo muita força para segurar a cabeça do Herbert, porque se ela caísse, poderia fechar a traquéia e prender a respiração dele”, contou Antônio Carlos Aniceto, coordenador da Defesa Civil. “O Dado não parava de gritar ‘Reage Herbert!’. Foi aí que nós assumimos e imobilizamos ele na prancha.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As condições gerais de Herbert não pareciam boas. Ele tinha um corte de 15 centímetros na cabeça, um hematoma no peito e estava expelindo água do mar e sangue pela boca. “A pupila de um dos olhos estava dilatada e a outra, não. Isso nos fez suspeitar logo de lesão cerebral”, disse o chefe dos paramédicos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 10 minutos, Herbert foi levado da praia para o Hospital Municipal de Mangaratiba. Lá, o cantor deu entrada na Sala de Parada, reservada a pacientes graves, com sérias dificuldades de respiração, traumatismo crânio-encefálico e provável hemorragia intracraniana. Na avaliação do médico Paulo Roberto Roseli, que chefiava a equipe de plantão, o corte na cabeça provocou perda de parte do couro cabeludo. Herbert mobilizou 10 pessoas da equipe do hospital — entre médicos e enfermeiros — nos 15 minutos em que permaneceu naquele local. “O quadro dele era gravíssimo. Nosso trabalho foi o de estabilizar o paciente na gravidade para ser socorrido numa unidade com mais recursos”, disse Paulo Roberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento mais crítico aconteceu no trajeto de helicóptero de Mangaratiba até o Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. O músico teve uma convulsão e quase morreu. Uma hora depois de ter sofrido o acidente, Herbert dava entrada no Hospital Copa D’Or. Para comandar a equipe médica, formada por 20 profissionais, foi chamado o médico da família, o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai de Herbert, Hermano, e os irmãos Hermano e Hélder foram os primeiros a chegar ao hospital. A mãe do cantor, Maria Teresa, passava férias em João Pessoa, na Paraíba, mas chegou ao Rio na noite de domingo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As manobras que Herbert teria feito foram o estopim de uma polêmica. Enquanto testemunhas como Guilherme Ribeiro afirmam que o avião fez dois loopings e caiu quando o músico tentava o terceiro, amigos do roqueiro descartam essa hipótese. “Ele nunca faria isso”, diz o compositor Paulo Sérgio Valle, que também é piloto de ultraleve. “O perigo é a mudança repentina dos ventos naquele local”, diz Antônio Carlos Aniceto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira experiência de Herbert Vianna como piloto foi a bordo de um helicóptero há alguns anos, que ele largou devido ao alto custo para mantê-lo. O músico cresceu vendo o pai, Hermano, hoje major brigadeiro da reserva, pilotando aviões. Ainda na escola primária, quis prestar exame para ingressar na Academia da Força Aérea de Barbacena, mas foi reprovado porque era míope. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, Herbert se dedicava cada vez mais à aviação. As horas vagas eram preenchidas com vôos diários de, no mínimo, 40 minutos. Muitas vezes, Lucy e os três filhos assistiam a suas manobras da piscina do clube. Além da mulher, Herbert também costumava levar Luca, para voar com ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando adquiriu a nova aeronave, ele teve que passar por um período de adaptação e tirar uma nova carteira de habilitação, o Certificado de Piloto Desportivo Avançado. “Ele foi um ótimo aluno. Chegou aqui já sabendo tudo”, afirma Jesus Domingues, seu primeiro professor de ultraleve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A compensação para o fracasso na Aeronáutica veio na música. Em 1982, o jovem de 20 anos que tocava de brincadeira com o amigo Bi Ribeiro conheceu o baterista João Barone. Estavam formados os Paralamas do Sucesso, uma das bandas de rock mais respeitadas do País, que já vendeu mais de 4 milhões de cópias de seus 14 discos lançados desde 1983. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Herbert e Lucy se conheceram em 1989, quando a jornalista inglesa veio ao Brasil fazer um documentário para a BBC londrina sobre a música jovem produzida no Brasil. Um ano depois, ela e Herbert se casaram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SY_IXD0mI/AAAAAAAAAjE/9QGrn-FmD0c/s1600/herbert_familia000.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 175px; height: 141px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SY_IXD0mI/AAAAAAAAAjE/9QGrn-FmD0c/s320/herbert_familia000.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455153258995896930" /&gt;&lt;/a&gt;Presente em quase todas as viagens do marido, a jornalista inglesa usou a experiência de levar os filhos nas excursões para escrever &lt;em&gt;Viajando com as Crianças – Um Guia para Pais de Primeira Viagem&lt;/em&gt;, em 1997. Durante as 100 páginas, Lucy conta suas experiências de viagens com a família completa. O casal conheceu a Grécia, o Marrocos, a Espanha, a França e os Estados Unidos com seus filhos a tira-colo. “Nosso filho Luca chegou a dormir na mochila, enquanto nós perambulávamos pelas vielas de Marrakesh”, conta, na página 41 do seu guia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu tive o tempo de me dedicar a uma mulher que é excepcional como esposa, como mãe, como profissional. Para mim, o grande afrodisíaco da vida é admiração. Isso eu tenho muito por ela”, disse Herbert recentemente, em entrevista à revista Marie Claire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 158, de 12 de agosto de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A cabeça do malandro aqui voltou a ter um mínimo operacional.” E a platéia chorou, vibrou e aplaudiu a volta dos Paralamas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem se emocionou ao assistir à volta dos Paralamas do Sucesso ao palco, numa participação especial no show da banda Reggae B, na terça-feira, 30, no Rio, pode se preparar para ver a cena cada vez com mais freqüência. Um ano e meio após o acidente de ultraleve que matou sua mulher, Lucy Needham, e o deixou entre a vida e a morte, o cantor e compositor Herbert Vianna, 40 anos, vem mostrando uma recuperação acima das expectativas dos médicos. Apesar de persistir a dúvida sobre a possibilidade de o cantor se recuperar totalmente do traumatismo na medula que o deixou paralítico, ele já consegue mexer a perna direita, e não há dúvidas sobre a plena recuperação do líder dos Paralamas em relação às lesões cerebrais. “Herbert está pronto para retomar a vida normalmente. Meus encontros com ele hoje são quase sociais”, diz o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, que acompanha o tratamento do líder dos Paralamas e, hoje, só precisa ver o paciente de três em três meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SaBOZThkI/AAAAAAAAAjM/Qf1BYqEwGaI/s1600/herbert_01.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 189px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SaBOZThkI/AAAAAAAAAjM/Qf1BYqEwGaI/s320/herbert_01.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455154394487293506" /&gt;&lt;/a&gt;Motivado pela recuperação e sem esconder o ânimo com a retomada da carreira, Herbert aumentou as aparições nos últimos dois meses. No dia 11 de junho, tocou em público pela primeira vez, durante o show do colega argentino Fito Paez, no Canecão, no Rio. Duas semanas antes do reencontro com os parceiros de banda Bi Ribeiro e João Barone, no Ballroom, o guitarrista dos Paralamas subiu no mesmo palco, para uma participação especial no show da banda Reggae B, do companheiro Bi, que contou ainda com a canja de Lulu Santos. Em meio a tudo isso, gravou o novo disco dos Paralamas do Sucesso e fez viagens a São Paulo, nas últimas quatro semanas, para acompanhar a mixagem do CD, que terá o nome de &lt;em&gt;Longo Caminho &lt;/em&gt; e será lançado em outubro, pela EMI. Aos parentes e amigos, tem repetido uma frase que marca a nova fase de sua vida: “Estou me reconstruindo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar a reconstrução almejada, o cantor não tem medido esforços. Diariamente, faz duas horas de exercícios pela manhã, alternando-se em três tipos de fisioterapia: a hidroterapia, feita na piscina aquecida de um clube, onde é estimulado a caminhar com pesos nas pernas; a terapia ocupacional, realizada em casa, onde Herbert se acostuma a fazer todas as atividades da rotina diária, desde trocar de roupa a passar da cadeira de rodas para a cama, por exemplo; e a cinesioterapia, num miniginásio montado dentro de sua casa, em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio, onde o músico se exercita num aparelho semelhante às barras paralelas da ginástica olímpica. Ele caminha apoiado nas mãos e impulsiona as pernas com o quadril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhado por um fisioterapeuta em cada exercício, Herbert já dispensa os enfermeiros e toda a estrutura hospitalar montada em sua casa logo após o acidente. No dia-a-dia, tem a ajuda de apenas um acompanhante. A boa performance na fisioterapia, porém, não é uma garantia de que o cantor conseguirá voltar a andar. “Os exercícios servem para que ele retome o equilíbrio e possa se reacostumar a andar rapidamente, caso se recupere da lesão da medula”, explica o médico fisiatra Luiz Alexandre Catanhede, que coordena a equipe de fisioterapeutas responsável&lt;br /&gt;pelo tratamento de Herbert. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Alexandre, quanto mais tempo passar do acidente, menores serão as chances de o músico voltar a caminhar. “O prazo para saber se um paciente com a medula lesionada poderá andar costuma ser de até três anos após a lesão. Se ele não se recuperar nesse tempo, dificilmente conseguirá depois”, explica o médico. O último grande avanço de Herbert foi há cerca de dois meses, quando o cantor, deitado na cama, conseguiu dobrar a perna direita num ângulo de 30 graus. Catanhede não arrisca prognósticos, mas garante que seu paciente está preparado para o que acontecer. “Ele tem esperança de andar novamente, mas sabe que pode continuar a levar uma vida normal se isso não acontecer”, resume o médico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SaSi3NM4I/AAAAAAAAAjU/Y8PDcZp4I7o/s1600/osparalamasdosucesso1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SaSi3NM4I/AAAAAAAAAjU/Y8PDcZp4I7o/s320/osparalamasdosucesso1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455154692039193474" /&gt;&lt;/a&gt;A dúvida sobre as chances de voltar a andar não tira de Herbert a alegria que a música vem lhe proporcionando. A família e os médicos, aliás, acreditam que a vontade de tocar guitarra, violão e até o piano de sua casa tem sido fundamental na recuperação do líder dos Paralamas. “Quando meu filho está travestido de músico, ganha outra energia, tem atitudes seguras. É muito importante que ele retome a carreira”, diz o brigadeiro Hermano Vianna, pai do compositor. Com a experiência de quem acompanhou o parceiro na gravação do novo CD dos Paralamas, o baterista João Barone já avisou a amigos que quem quiser saber como o guitarrista da banda está ficará muito surpreso ao vê-lo em ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro amigo de Herbert, o músico Leoni, faz coro. “Ele está eufórico em constatar que se lembra de todo o repertório que compôs antes do acidente. Quando fala de música, a memória dele funciona perfeitamente”, conta o ex-integrante do Kid Abelha. O último contato com o amigo foi há um mês, quando Herbert telefonou de São Paulo para felicitar Leoni pelo lançamento de seu disco solo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Hermano Vianna, a memória do filho está praticamente recuperada, resta apenas um lapso referente a cerca de dois meses antes e depois do acidente ocorrido no dia 4 de fevereiro, em Mangaratiba, no litoral sul do Rio de Janeiro. Além da retomada da carreira, o compositor tem se dedicado a atividades de rotina, como buscar no colégio os filhos Luca, 9, Hope, 6, e Phoebe, 3. Antes avesso a computadores, Herbert agora gasta um tempo de seu dia navegando na internet e trocando e-mails com amigos. Apesar de todo o entusiasmo com a nova fase, o músico ainda não superou a tristeza pela perda da mulher. “Ele sempre diz que está de luto pela morte da Lucy”, conta Hermano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de ver o filho recuperado, o pai de Herbert também sonha em vê-lo voando de ultraleve novamente. Embora o assunto não seja freqüente nas conversas entre eles, Hermano diz que a possibilidade já foi cogitada pelos dois. “Seria ótimo, porque foi por causa dos vôos que me tornei mais próximo do meu filho.” Se depender do mecânico que sempre cuidou dos ultraleves do líder dos Paralamas, o sonho tem tudo para se realizar. “Vamos tentar fazer uma adaptação no avião para que o Herbert possa pilotar. Ele sente muita saudade disso”, disse Valdir Lacerda, que esteve com o cliente mais famoso há dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de voltar a voar, porém, o músico terá muito trabalho pela frente. Além do lançamento do novo disco dos Paralamas em outubro, a banda deverá fazer alguns shows em novembro ou dezembro. Empresário do grupo, José Fortes já começou a se reunir com representantes da gravadora para traçar a estratégia de marketing para o primeiro CD gravado por Herbert e seus parceiros após o acidente. “Estamos avaliando a possibilidade de um pequeno show para convidados quando lançarmos o disco”, diz o empresário. Ainda este mês, a música &lt;em&gt;Calibre&lt;/em&gt;, que o líder dos Paralamas começou a compor antes da tragédia e concluiu depois, começará a ser tocada nas rádios. Já os ensaios para os shows terão início na próxima semana, primeiro na casa de Herbert e depois num estúdio maior, a ser escolhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SavHJnoDI/AAAAAAAAAjc/-5dKq4375w4/s1600/paralamas.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 256px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SavHJnoDI/AAAAAAAAAjc/-5dKq4375w4/s400/paralamas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5455155182816436274" /&gt;&lt;/a&gt;Provavelmente, o clima dos ensaios será parecido com o que foi visto no Ballroom, no reencontro dos Paralamas. Animado com seu retorno, Herbert mostrou a disposição do início de carreira. Totalmente à vontade, o cantor cumpriu o ritual de aquecimento antes do show e abusou do bom humor puxando o coro de músicas repletas de palavrões. “Ele está com ótimo astral. Durante sua apresentação, olhava para seus amigos como se dissesse: ‘Estou de volta’”, conta George Israel, integrante do Kid Abelha que estava no show. Levado ao palco na cadeira de rodas pelo músico Dado Villa-Lobos, o líder da banda emocionou a platéia cantando sucessos como &lt;em&gt;A Novidade &lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Meu Erro&lt;/em&gt;. Herbert admitiu ter sentido pequenas tonturas no palco, mas disse que se achava pronto para tocar. Lá, no palco, diante de fãs emocionados e ao lado dos amigos, resumiu o que sentia ao apresentar a música &lt;em&gt;Calibre&lt;/em&gt; durante a apresentação: “A cabeça do malandro aqui voltou a ter um mínimo operacional.” E a platéia chorou, vibrou e aplaudiu a volta dos Paralamas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-397003256061409865?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/397003256061409865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/397003256061409865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/03/o-medico.html' title='O MÉDICO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S7SYFc02HjI/AAAAAAAAAi0/dsbKKKj-sNw/s72-c/herbert_aviao.jpeg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2632064204703449116</id><published>2010-02-22T07:03:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T07:33:33.799-08:00</updated><title type='text'>A ÚLTIMA ENTREVISTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4KgFj4X8KI/AAAAAAAAAiU/702iLLhyxy0/s1600-h/Cassia1"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 151px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4KgFj4X8KI/AAAAAAAAAiU/702iLLhyxy0/s400/Cassia1" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441087317208461474" /&gt;&lt;/a&gt;As recomendações da chefe antes da entrevista beiravam o terrorismo. A Cássia Eller era muito difícil, tinha acabado de derrubar um daqueles pingue-pongues gigantescos da Playboy, contava a chefe, porque não gostou de uma pergunta da repórter. Ouviu a pergunta e encerrou a entrevista, no começo dela, deixando a repórter plantada. Além disso, continuava a chefe, a Cássia era ruim de falar, tímida em entrevistas simplesmente porque não gostava daquilo, e a cantora confessava isso sempre que perguntada. Pra arrematar, o horário da revista com ela seria o último de uma série marcada na sede da gravadora. Cássia Eller passaria a tarde inteira no mesmo lugar, fora de casa, fazendo algo que não gostava; e quando ela já estivesse mais do que saturada disso, haveria ainda mais um repórter, no caso eu, para fazer a última entrevista do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interesse de tantos jornais e revistas era mais do que justificado. Cássia Eller vivia o melhor momento de sua carreira. Depois de anos de marginalidade bem criticada, a cantora conhecia o sucesso, de vendas e de público, no nono disco, e por isso estava visivelmente cansada quando nos encontramos, ainda no pátio da gravadora, eu chegando e ela saindo da sala de entrevistas, achando, sinceramente, que seu suplício já tinha terminado. Quando a assessora disse que haveria ainda mais uma entrevista, a última, Cássia jogou a cabeça pra trás e deu um desses suspiros de quem se prepara para sofrer um pouco mais, antes do alívio final. Talvez tenha chegado a dobrar os joelhos no gesto, mas a reclamação ficou apenas no corporal. A cantora voltou resignada à sala de entrevistas e, durante pouco mais de uma hora, revelou uma despreocupação com as próprias respostas rara em entrevistados. Parecia bem à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A matéria abaixo foi publicada doze dias antes da morte de Cássia Eller, em 29 de dezembro de 2001&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 124, de 17 de dezembro de 2001&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Sempre acreditava que iria me tornar uma artista popular, mas cada disco que fazia quase nunca ficava um ano em turnê. Já tinha desistido. Me conformei em ser meio maldita"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cássia Eller virou cantora popular. Depois de 11 anos de uma carreira sempre elogiada pela crítica, mas com um quê de marginal, a cantora de 38 anos acaba de atingir a marca de 400 mil cópias vendidas com seu nono CD, Acústico MTV. Tudo bem diferente de quando a filha do sargento pára-quedista do Exército Altair Eller e da dona-de-casa Nanci começou a cantar pelos bares de Brasília músicas de Cazuza, Beatles e da vanguarda paulista. A nova fase só não fez com que a carioca criada em Minas perdesse por completo a timidez, que confunde quem assiste às apresentações da artista escrachada e sempre à vontade no palco. Companheira de Eugênia há 14 anos e mãe de Francisco Ribeiro Eller, o Chicão, oito anos – seu filho com o percussionista Jorge Felipe, que morreu antes do menino nascer –, Cássia admite que até recentemente ficava apavorada com a idéia de dar entrevistas. “Tenho tentado melhorar, ficar mais civilizada, e acho que estou conseguindo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você esperava todo esse sucesso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sonhei com isso há muitos anos. Sempre acreditava que iria me tornar uma artista popular, mas cada disco que fazia quase nunca ficava um ano em turnê. Já tinha desistido. Me conformei em ser meio maldita. Tinha respeito do público, da crítica e dos outros artistas. Estava mais do que satisfeita. Ainda estou meio na onda do susto, não me acostumei. Lógico que é bom, mas até hoje me assusto quando vou a um lugar aberto e tem 30 mil pessoas me vendo. Não era assim até o ano passado comigo. Suava para botar mil pessoas num lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4Khjzph_fI/AAAAAAAAAis/2axelw5fcKo/s1600-h/CassiaMTV.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4Khjzph_fI/AAAAAAAAAis/2axelw5fcKo/s200/CassiaMTV.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441088936348876274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Teve problemas com gravadoras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O terceiro disco (Cássia Eller) foi feito na base da troca. Eu queria gravar uma coisa e eles falavam “só se você gravar tal coisa”. Tive que trocar. Metade do disco era meu, metade deles. Agora estou no meu melhor período de relação com a gravadora. Temos mais diálogo, mais condição de conversa. Briguei para nunca mudar meu estilo por causa das tendências do mercado. Valeu a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sempre quis ser cantora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na minha casa se ouvia muita música. Minha avó materna tocava bandolim, todos na família da minha mãe tocavam instrumento e ela cantava. Cresci ouvindo minha mãe cantando enquanto arrumava a casa e comecei a cantar com ela. Aprendi a tocar violão com primos. Mas ninguém na família quis ser profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando virou profissional? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com 18 anos, em Brasília, fiz um teste para um espetáculo do Oswaldo Montenegro. Passei e trabalhei com ele um ano. Depois cantei num trio elétrico, fiz dois anos de ópera e tinha um grupo de samba com os músicos da guarda presidencial. Com eles, cantava, tocava surdo e fazia o carnaval dos bailes. Tinha 19 anos e só queria saber de cantar. Em 1986, formei uma banda e cantava em bar, com repertório de quem eu gostava, Beatles, Caetano, Luís Melodia, Gil, Barão Vermelho e Cazuza, principalmente. Também cantava o som dos caras de São Paulo, Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trabalhou no Ministério da Agricultura?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tentei, né? Fui despedida com dois dias, acho. Substituí uma amiga minha que pediu licença para fazer uma cirurgia no olho. Só que demorei horas para escrever uma carta na máquina elétrica. Aí o chefe falou: “Pega seu violão, minha filha, e vai embora”. Tinha uns 21 anos e já estava na música. Fiz o bico pela grana. Também fui garçonete nessa época. Ganhava para o cigarro e o ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tinha apoio da família para cantar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Achava legal. Eles diziam que eu era persistente e davam valor a isso. Só que meu pai falava que as músicas que eu cantava não agradavam a ninguém. Ficava me dando conselhos para mudar o repertório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Chicão segue tocando com você?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele tocou no Rock in Rio e não quis tocar mais esse ano. Espantou-se com o público, ficou nervoso antes de entrar no palco. A mão dele suava diante daquele mundo de gente. O lance dele é jogar futebol. Faz escolinha no colégio e é bom, viu? Faz gol todo jogo, isso é que é matador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quer que ele siga sua carreira?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lógico. A gente sempre quer puxar a brasa pra nossa sardinha. Mas tenho certeza de que ele é muito sensível, que vai descobrir algo de que goste. O Chicão tem uma bateria, a gente costumava fazer um som de bobeira, mas agora ele não tá muito ligado nisso. Tem tocado cada vez menos. Até pensei em colocá-lo numa escola de música, mas já perguntei e ele não quer. Só quer jogar bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como você é como mãe?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sou muito coerente. Às vezes sou muito rígida com o Chicão e, no outro dia, na mesma situação já sou mais tranqüila, relaxo mais. Mas ele também é meio doidinho, acho que entende isso. Presto atenção nessas coisas de fazer o dever de casa, arrumar o quarto, escovar os dentes. Coisas que menino não gosta, que precisa mandar mesmo, ficar em cima. Isso eu gosto de prestar atenção, porque só com a repetição ele vai aprender, não tem jeito. Tenho que encher o saco do cara até que um dia ele faça sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O fato de ter um filho criado numa relação não convencional atrapalha?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ele leva na boa. A gente nunca parou um dia e contou pra ele. Vivemos nossa vida desde que o Chicão nasceu. Ele sabe de tudo da gente e convive bem com isso, não mentimos. Ele é respeitado na escola também. Eu já cansei de procurar saber. Muitas vezes neguinho faz piadinha e ele nem liga, balança os ombros e sai andando. Acho bacana porque ele se impõe. O Chicão adora a nossa relação, minha e da Eugênia. Fica feliz em ver nós duas juntas, dá para perceber isso. É muito legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o segredo para manter uma união de 14 anos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tem que ter muita paciência, respeito. Claro que cobramos fidelidade uma da outra, pra caramba. E tem que ter vontade de estar junto! Não consigo me imaginar sem ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vocês já sofreram preconceito?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já, mas a gente nem liga. Com a família, por exemplo, foi bem difícil. O preconceito era velado, mas meu pai não aceitava minha opção sexual. Hoje tá superlegal, minha mãe aceita na boa, meu pai, meus irmãos. Meu pai diz que meu casamento é o melhor da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4KgjE5FozI/AAAAAAAAAik/OlHqTtHfMfs/s1600-h/cassia-eller2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4KgjE5FozI/AAAAAAAAAik/OlHqTtHfMfs/s320/cassia-eller2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5441087824286032690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Você gosta de ser dona-de-casa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Adoro cozinhar, principalmente nesses dias em que tenho viajado muito. Chego em casa e me dá uma vontade louca de fazer meu rango. Quando o Chicão era pequenininho eu cozinhava mais, também trabalhava menos. Agora tenho gostado de cozinhar de novo. Nada especial, só arroz com feijão, sopa, macarrão, frango com cebola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gal Costa disse certa vez que acha a geração dela, Bethânia e Elis imbatível. Você concorda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Concordo. Acho difícil essas três aí. Tá fogo pra nós. A Bethânia marcou mais pela força da interpretação. Todas elas têm isso muito forte, mas a Bethânia tem uma força única. A Elis Regina nem se fala. É uma das maiores cantoras que já ouvi na vida. O jeito de cantar dela me impressiona até hoje. A Gal Costa foi a primeira cantora moderna do Brasil. Com certeza abriu um caminho que, se não fosse ela, a gente estaria meio atrasada na forma de cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A apresentadora Soninha foi demitida da TV Cultura por admitir que já tinha fumado maconha. Qual sua opinião sobre isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda existe esse tipo de hipocrisia quando o assunto é droga. Acho que a Soninha foi muito corajosa. Alguém tem que falar a verdade. Ela foi só a primeira a falar na posição dela. Daqui a pouco vai pipocar mais dois, três. Ela abriu o caminho, foi legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas você sempre falou abertamente sobre droga...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas sou cantora, não tenho patrão para me mandar embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como anda sua relação com as drogas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu cheirava muita cocaína. Parei total, graças a Deus. Fiquei um tempo sem beber também e isso me fez bem. Não foi nem exatamente por causa do Chicão que parei, meu corpo não estava mais agüentando. Durante a gravidez parei porque, milagrosamente, enjoei de cigarro, café, maconha, de tudo. Cocaína, então, lógico. Não ia fazer uma coisa dessas. Aí o Chicão nasceu, amamentei e depois caí de novo na farra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando decidiu parar com a cocaína definitivamente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiz um tratamento de desintoxicação no fim de 1998 e no início de 1999. Esqueci o absorvente lá dentro, vinte dias. É o fim da picada! Estava com um sangramento esquisito e fui ao ginecologista. Ele olhou e disse: “Tem alguma coisa aí”. O cara tirou meio com nojo. Isso é estado crítico total, não pode uma coisa dessas. Aí me lembrei do dia em que coloquei o absorvente e da situação. Estava cheirando numa festa. Eu embalava dois, três dias sem parar. Aí deu um clique, fiquei pirada com a história. O meu problema hoje é que eu bebo, entorno uma cana. Eu gosto de birita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2632064204703449116?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2632064204703449116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2632064204703449116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/02/ultima-entrevista.html' title='A ÚLTIMA ENTREVISTA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S4KgFj4X8KI/AAAAAAAAAiU/702iLLhyxy0/s72-c/Cassia1' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-883526035871290567</id><published>2010-01-31T17:41:00.000-08:00</published><updated>2010-06-23T13:51:09.948-07:00</updated><title type='text'>MADRUGADA ADENTRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S2Y0Ud10KUI/AAAAAAAAAh0/n-s0FVw5dTg/s1600-h/cemiteriocaju"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S2Y0Ud10KUI/AAAAAAAAAh0/n-s0FVw5dTg/s320/cemiteriocaju" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433087526681454914" /&gt;&lt;/a&gt;O primeiro erro foi morar com a mãe aos 24 anos. O segundo, deixar que ela atendesse o telefone naquela noite de sexta-feira, você recém-chegado do trabalho, de banho tomado, jantando em frente ao vasto noticiário sobre a morte de Renato Russo no Jornal Nacional. A mãe atende, fala Um momento e chama pelo teu nome. Já era. Do outro lado da linha, o chefe de reportagem, com ares de âncora do Leão Camarada, diz que você acaba de ganhar duas folgas na semana seguinte, qualquer dia, é só escolher. Ao fundo, escutam-se risadas, de colegas que permanecem na redação àquela hora, no pescoção, e você já sabe que vem coisa aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pauta era a melhor de todas, chegou a dizer o chefe de reportagem, e o pessoal atrás rindo. Consistia, a pauta, em passar a madrugada, de 1h às 7h, no Cemitério do Caju, lá no fundo dele, pertinho do Complexo da Maré, no crematório onde jazia, muito bem guardado, inacessível, o corpo de Renato Russo. A cerimônia de cremação estava marcada para a manhã seguinte, às 10h, e o carro do jornal nos deixou no local à 1h15, mais ou menos. Nos deixou e partiu. O combinado era que o motorista voltasse às 7h. Ficamos em frente ao crematório eu, o fotógrafo da madrugada e vinte ou trinta sujeitos, todos homens, que lá estavam por livre e espontânea vontade, no escuro, a pé, no cemitério colado ao Complexo da Maré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um deles não tinha uma das pernas. Dizia-se poeta, chegara de muletas, sozinho, tinha o nome da banda tatuado num dos braços e era dos mais falantes, porque o Renato era tudo, tudo pra ele. O cara era o cara, dizia o sujeito, que morava em favela, sim, e era poeta mas se virava mesmo vendendo uns negócios, e pra ele o Renato era tudo. E cantavam todos, ao som de um violão, É preciso amar ou Quando o sol nascer, e conversavam também, riam. O faxineiro contou que tinha errado o caminho, já de noite, e topou com traficantes da Maré, três deles, todos de pistola na mão. Teve que deixar o boné com eles, e ria, todo mundo ria no Cemitério do Caju, às três da manhã. O menino de lenço no pescoço, os braços finos, brancos, dizia que simplesmente não podia estar em outro lugar, não podia, não naquele momento, e também pegou três ônibus, também morava longe, também não tinha grana. O único que tinha dinheiro não varou a madrugada. Chegou de carro, lá pelas 4h30, parou em frente ao crematório e saiu, deixando a mulher no banco do carona, de braços cruzados. A gravata vinha abaixo dos três botões abertos da camisa, que estava pra fora da calça. Ele primeiro perguntou se era ali que o Renato Russo estava e depois só falou que tinha que ver o cara. Tinha que ver o cara, só isso, e falou duas ou três vezes até a mulher chamar, alto, e ele entrar no carro. E foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois não chegou mais ninguém até o dia clarear. Ficamos eu, o fotógrafo da madrugada e os vinte ou trinta sujeitos, que sumiram na multidão quando o velório começou a encher, às 7h, e o carro do jornal voltou, e dali para a redação, onde o tamanho da matéria, da melhor pauta, já estava estipulado. Era esse aí debaixo.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil, edição de domingo, 13 de outubro de 1996&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Sou fanático pela Legião, mas jamais vi um show deles, por falta de dinheiro. Prometi a meus amigos que ficaria perto do Renato, mesmo sabendo que seria difícil ver o corpo”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo a proibição de ver o corpo de Renato Russo, imposta pela família do compositor, foi suficiente para desanimar as 25 pessoas que passaram a noite no crematório do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária. Durante toda a madrugada de ontem, o pequeno mas fiel grupo de fãs do vocalista da Legião Urbana permaneceu em frente ao crematório, cantando e tocando no violão os maiores sucessos da banda brasiliense. No último adeus a Renato, seus admiradores mais fiéis acabaram sendo os jovens das classes sociais mais baixas, que não se incomodaram em pegar até três ônibus para passar a noite perto do corpo do ídolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da histeria característica dos enterros de artistas famosos e dos barulhentos shows da banda liderada por Renato Russo, o clima no cemitério durante a madrugada era tranqüilo. O grupo de fãs enfrentou a madrugada sem causar tumulto, sem se incomodar com a falta de conforto. “Praticamente ninguém trouxe comida ou bebida, mas a intenção de todos aqui é ficar ao lado do Renato. Ninguém vai abandona-lo”, afirmava o faxineiro Valdeir da Silva Fonseca Nunes, de 24 anos, que saiu de Piratininga, em Niterói, para se despedir do ídolo, e quase se complicou na ânsia de ficar perto de Renato Russo. O faxineiro errou o caminho para o crematório e acabou entrando na Favela da Chatuba, ao lado do cemitério, por volta das 23h. Abordado por traficantes, Valdeir foi liberado após deixar seu boné na favela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S2Y2EB8wKgI/AAAAAAAAAiM/44HCB6JFDZs/s1600-h/legi%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 198px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S2Y2EB8wKgI/AAAAAAAAAiM/44HCB6JFDZs/s200/legi%C3%A3o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5433089443339708930" /&gt;&lt;/a&gt;Entre os admiradores do compositor que enfrentaram as maiores dificuldades para passar a madrugada no crematório, o mais determinado acabou sendo o poeta Émerson Gonçalves Leonardo, de 21 anos. Deficiente físico – ele não tem a perna esquerda –, Émerson saiu sozinho de Marica às 13h de anteontem para, quatro horas e três ônibus depois, chegar ao cemitério. “Sou fanático pela Legião, mas jamais vi um show deles, por falta de dinheiro. Prometi a meus amigos que ficaria perto do Renato, mesmo sabendo que seria difícil ver o corpo”, contou o fã, que tem o nome da banda tatuado no braço esquerdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-883526035871290567?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/883526035871290567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/883526035871290567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/01/madrugada-adentro.html' title='MADRUGADA ADENTRO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S2Y0Ud10KUI/AAAAAAAAAh0/n-s0FVw5dTg/s72-c/cemiteriocaju' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-7079084087010680220</id><published>2010-01-18T05:09:00.000-08:00</published><updated>2010-01-24T07:34:45.543-08:00</updated><title type='text'>O SUCESSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1Rrf3gsGBI/AAAAAAAAAhM/2365fptKhK8/s1600-h/cidade+do+m%C3%A9xico.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1Rrf3gsGBI/AAAAAAAAAhM/2365fptKhK8/s320/cidade+do+m%C3%A9xico.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428081646109464594" /&gt;&lt;/a&gt;A Cidade do México tinha um quê de nostálgica com seus fuscas verde-e-branco, táxis sem o banco do carona e com a cordinha pra fechar a porta, que remetiam aos anos setenta, no máximo oitenta, na muy amada cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. No México, o espaço vazio, sem o banco do carona, era ótimo para colocar a bagagem dos turistas, geralmente mochilas enormes, e foi numa dessas que o alquimista de origem germânica pode constatar, in loco, todo o talento, a categoria e a manemolência do povo asteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha acompanhado de duas amigas e deixou a mochila no espaço vazio do carona, com o bolso da frente, estufado pela máquina digital, virado para o painel do fusca. O taxista foi muito simpático, conversou, deu dicas sobre a cidade e até gorjeta ganhou, antes que o alquimista de origem germânica descobrisse, já no quarto do hotel, que não era mais sua máquina digital, ultra-moderna, que estufava o bolso da frente da mochila, ainda devidamente fechado, como no início da viagem. No lugar da máquina, caríssima na época, três pedras, de tamanho e forma variados, cumpriam a função de evitar suspeitas. Um prodígio, de fato, prova cabal do que um mexicano da capital é capaz de fazer quando desafiado pelo destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era nessa Cidade do México, onde a cada três estações um cego adentrava no vagão do metrô, às vezes munido de uma sanfona, que Pedro Rodrigo tentava reconquistar o sucesso, que veio enorme, gigantesco, logo no início da carreira, quando a banda de rock liderada por ele arrebanhava multidões a ginásios e estádios, e vendia milhões, eu disse milhões, de discos. No México não havia mais rock, nem banda. Pedro Rodrigo virara cantor romântico e almejava seguir a trilha do Rei. Disputaria o mercado com ícones do pop romântico, entre eles um porto-riquenho, outro espanhol e outra, linda, espetacular, hispano-americana. Seria preciso muito trabalho, e Pedro Rodrigo não fugiu à luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou dez dias na Cidade do México, onde o centro histórico tem muitas ruas parecidas com aquelas que, no Rio, são exclusivas para pedestres. A diferença é que, no México, as tais ruas, além de infestadas por camelôs de todo o tipo – dos donos de barracas aos que vendiam seus produtos no chão mesmo, em cima de um saco qualquer –, permitiam o tráfego de veículos, caminhões inclusive. Tudo isso ao lado de uma ruína asteca de mil trezentos e alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1RrqPjD3-I/AAAAAAAAAhU/zGGGoEnPp-E/s1600-h/salma+drink.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 170px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1RrqPjD3-I/AAAAAAAAAhU/zGGGoEnPp-E/s320/salma+drink.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428081824360554466" /&gt;&lt;/a&gt;Pedro Rodrigo percorreu estações de rádio, sedes de gravadores e participou de programas de televisão. Fez também um show para 400 convidados, quase todos executivos do meio musical, ocasião em que, antes do espetáculo, foi entrevistado por duas repórteres da TV mexicana que... Meu Deus do Céu. Repito... Meu Deus do Céu... Cumpriu à risca toda a agenda, com profissionalismo exemplar, e não reclamou de nada, muito menos da altitude da megalópole, ridícula, se comparada a La Paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi para Miami, para sentir aquele bafo quente muito parecido com o do verão carioca logo na saída do aeroporto, antes de entrar na limusine branca que o aguardava do lado de fora. Durante dois dias, circulou pela cidade em grande estilo, percorreu estações de rádio, sedes de gravadoras e programas de televisão, e voltou ao Brasil para esperar o sucesso, de novo, como há treze, catorze anos. Mas o sucesso não veio, pelo menos o esperado, porque dois anos depois Pedro Rodrigo não era mais cantor romântico. Remontara a banda antiga, com o mesmo nome, e caíra na estrada novamente, em busca do sucesso, sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A matéria abaixo não tem relação alguma com o texto acima. Não passa de mera coincidência.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 4, de 30 de agosto de 1999&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Acho que posso ocupar o espaço criado pelo Roberto"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã do dia 19 de agosto, o radialista cubano Javier Romero, 34 anos, radicado em Miami, gastou 35 minutos de seu programa diário de quatro horas de duração para entrevistar o cantor brasileiro Paulo Ricardo Medeiros. O programa, na Rádio Amor, é o mais ouvido pela comunidade latina da cidade e a entrevista, ao vivo, faz parte da estratégia internacional do ex-roqueiro para se firmar como cantor romântico. A idéia é incluir o Brasil como país de exportação dos artistas que têm faturado alto com o recente boom latino no continente, principalmente nos Estados Unidos. Paulo Ricardo quer dividir os refletores com o porto-riquenho Ricky Martin, a hispano-americana Jennifer Lopez e o espanhol Enrique Iglesias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1RsxOTqfxI/AAAAAAAAAhs/ektPsvuimV0/s1600-h/luis+miguel.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1RsxOTqfxI/AAAAAAAAAhs/ektPsvuimV0/s200/luis+miguel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428083043798253330" /&gt;&lt;/a&gt;Lançada no México há dois meses, a música &lt;em&gt;Dos&lt;/em&gt;, do disco em espanhol de Paulo, &lt;em&gt;La Cruz y la Espada&lt;/em&gt;, já ocupa o primeiro lugar entre as mais tocadas nas rádios de Monterrey, terceira maior cidade do país. Em Guadalajara, Paulo está em quinto. Só perde para Enrique Iglesias e os mexicanos Luís Miguel, Alejandro Fernandez e Moenia. Na Cidade do México, &lt;em&gt;Dos&lt;/em&gt; está entre as dez mais tocadas. Em Miami, a situação não é diferente. Na Rádio Amor, que mantém uma audiência diária de 500 mil ouvintes, Dos está em quinto, atrás de canções de Ricky Martin, Jennifer Lopez, do grupo mexicano Mana e de Christian Castro. "Estão pedindo a música do Paulo mesmo sem conhecer seu rosto", conta Javier Romero. "Isso é um ótimo sinal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só no dia 17, &lt;em&gt;Dos&lt;/em&gt; foi tocada 40 vezes em 17 rádios de Miami, Porto Rico, Nova Orleans e Atlanta, entre outras cidades. Somou uma audiência de 2.411.000 pessoas, número superior aos 2,2 milhões alcançados por &lt;em&gt;Bailamos&lt;/em&gt;, de Enrique Iglesias, da mesma gravadora, no mesmo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No México, o cantor brasileiro é prioridade da Universal. "Queremos começar vendendo 100 mil discos até o fim do ano", diz Marco Bissi, presidente da filial mexicana da gravadora. "Dinheiro não vai faltar para promovê-lo", garante. Para divulgar o disco, Paulo Ricardo ficou dez dias no país, entre 8 e 18 de agosto, cumprindo uma agenda com aparições em programas de rádio e televisão. Além de trabalhar quase 12 horas por dia, o cantor ainda fez um show no Hard Rock Café da Cidade do México, para cerca de 400 convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia da gravadora é aproveitar o mercado aberto por Roberto Carlos, até hoje um sucesso com as versões em espanhol de suas músicas. "Acho que posso ocupar o espaço criado pelo Roberto", diz Paulo Ricardo. Nas entrevistas em solo mexicano e em Miami, por onde passou nos dias 18 e 19, o rei sempre foi lembrado. "Roberto Carlos é o grande nome da música brasileira", não se cansou de dizer aos jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de exaltar os românticos, Paulo Ricardo despreza o passado de roqueiro no RPM, banda que vendeu mais de 5 milhões de cópias na década de 80. "Sempre fui romântico, desde a época do RPM", diz. A certeza do que queria só veio com o sucesso da balada &lt;em&gt;A Cruz e a Espada&lt;/em&gt;, em seu terceiro disco solo, &lt;em&gt;Rock Popular Nacional&lt;/em&gt;, em 1996. A música, que já tinha feito parte do repertório do RPM, estourou na voz de Paulo Ricardo e Renato Russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1RsHNLTbBI/AAAAAAAAAhk/yAW_5mCwP4c/s1600-h/paulo+ricardo"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 319px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1RsHNLTbBI/AAAAAAAAAhk/yAW_5mCwP4c/s320/paulo+ricardo" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428082321940245522" /&gt;&lt;/a&gt;Depois de estudar a fundo Francisco Alves e Lupicínio Rodrigues - "não conhecia nada antes de Roberto Carlos"-, o cantor gravou mais dois discos, &lt;em&gt;O Amor Me Escolheu &lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Amor de Verdade&lt;/em&gt;. Este último já vendeu 500 mil cópias no Brasil. A vida pessoal do cantor também mudou. Atualmente solteiro, o pai de Paola, 10 anos - filha de seu casamento com a produtora de vídeo Moira Lynch, 33 -, garante que as drogas, o fumo e o álcool fazem parte do passado. Sempre acompanhado do personal trainer André Andrade, Paulo Ricardo mantém uma dieta rigorosa e faz ginástica sempre que sua agenda permite. Tudo para manter os atuais 77 kg distribuídos em 1,81m de altura. O esforço é tanto que o cantor prefere não revelar seus 36 anos de idade nas entrevistas. Nas perguntas sobre sua intimidade, ele se esquiva com um velho chavão: "Minha vida é a música".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para enfrentar a forte concorrência, Paulo Ricardo fez mini-shows ao vivo em todas as entrevistas que concedeu. Acompanhado dos guitarristas Felipe Eyer, 32, e Paulo Galvão, 31, o cantor chegou até a improvisar um versão ao vivo de &lt;em&gt;Dos&lt;/em&gt; dentro da limusine alugada pela gravadora, durante uma entrevista pelo telefone celular. Tudo pelo sucesso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-7079084087010680220?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7079084087010680220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7079084087010680220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/01/sucesso.html' title='O SUCESSO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S1Rrf3gsGBI/AAAAAAAAAhM/2365fptKhK8/s72-c/cidade+do+m%C3%A9xico.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-1971356084883941424</id><published>2010-01-05T08:43:00.001-08:00</published><updated>2010-03-12T14:59:49.612-08:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL, E O PARALELEPÍPEDO MOLHADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SPKApjaJI/AAAAAAAAAgs/kNtHJqPmswU/s1600-h/quitandinha.jpeg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SPKApjaJI/AAAAAAAAAgs/kNtHJqPmswU/s400/quitandinha.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423617253396670610" /&gt;&lt;/a&gt;A situação seria bem estranha se não tivesse partido do Palhoça, sujeito polivalente, que já trabalhou como segurança em show do Oswaldo Montenegro e baixista de banda de pagode, de calça branca e camisa cintilante azul bebê, ele que nem gosta de samba. Dessa vez, o caso envolvia uma máscara de mergulho especialíssima, cujo visor era uma lente para alguns graus de miopia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animado com as aulas de um curso de mergulho, onde mostrou desenvoltura nos exercícios da piscina e aprendeu todas as técnicas necessárias para admirar as maravilhas do fundo do mar, Palhoça mandou fazer a máscara. E já tinha pagado tudo, as aulas do curso e a máscara, quando o médico de sempre lhe disse que, se ele insistisse com essa história de mergulho, poderia deixar o convívio dos amigos com rapidez impressionante, talvez na primeira incursão aos domínios de Netuno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante daquele sábio doutor, do outro lado da mesa do consultório, a máscara virou artefato inútil, lembrança de uma vontade não saciada. Só que não tinha custado barato e, pior, não tinha sido nem entregue. Questão de honra, portanto, pegar aquele material precioso, caríssimo, nem que fosse apenas para assistir ao Discovery Channel com ele. E como Honório nunca deixava um amigo na mão, lá fomos eu, o Palhoça e a Pequena Espevitada, moça cheia de charme, muito próxima na época, atrás do “especialista” em construir máscaras de mergulho para míopes, que já tinha parado de atender telefonema há uns bons quinze dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que tínhamos era o endereço da casa do sujeito, em Petrópolis, num bairro chamado Samambaia, do qual eu nunca ouvira falar, mesmo tendo freqüentado a aconchegante cidade serrana desde muito pequeno até os 20 anos. A viagem de ida foi tranquila. Honório teve atuação espetacular, desde a saída do Rio, passando pela subida da Serra, pela parada obrigatória do croquete do alemão, por vielas nunca antes visitadas da terra de Dom Pedro II, perguntando aqui e ali, até chegar na frente da casa do “especialista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava no alto de uma ladeira com duas fileiras de pedras e grama em volta, por onde deveria entrar e sair, todo dia, o carro do dono da casa. Chamamos, batemos palmas, buzinamos, e eis que assoma, no alto da ladeira, um sujeito calvo, de cabelos amarelos e ligeiramente mais baixo que um urso polar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SPXfRn20I/AAAAAAAAAg0/9OIiesq-1Pw/s1600-h/Manga.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 229px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SPXfRn20I/AAAAAAAAAg0/9OIiesq-1Pw/s320/Manga.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423617484956097346" /&gt;&lt;/a&gt;Goleiro de handebol nos tempos de estudante, e de futebol até os dias de hoje – desde a glória maior nas olimpíadas do colégio, quando pegou, sim, pulando num canto mas deixando a perna esticada, o pênalti do craque da turma, do bonitinho da escola –, Palhoça subiu sozinho. Eu e a Pequena Espevitada ficamos ao lado do carro, eu de braços cruzados, apoiado no Gurgel e fazendo cara de peça de Gerald Thomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lado a lado, e vistos de baixo da ladeira, Palhoça e o “especialista” tinham um quê de Danny De Vitto e Arnold Schwazenegger naquele filme em que os dois interpretaram irmãos gêmeos. A conversa foi rápida, de poucos gestos e fala mansa, e logo o Palhoça desceu, ainda sem a máscara mas de posse de uma garantia escrita de próprio punho pelo “especialista”, num papel de pão em que se lia, apenas e tão somente, o endereço da casa onde estávamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordamos, os três, que a garantia tinha valido a viagem, até porque quem escrevera aquele endereço, no papel de pão, poderia muito bem ter um rifle em cima da lareira, quem sabe embaixo de uma cabeça de alce ou, por que não, de urso polar. Que a vida seguisse, que fosse feita a distribuição de renda involuntária, se assim era a vontade do destino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imbuídos desse sentimento nobre, de profundo desapego, decidimos relaxar e aproveitar as maravilhas da joia do Império, o palácio das pantufas, os passeios de charrete, o lanche na Colombo, a carne da churrascaria Maloca, com seu teto de palha, a casa de Santos Dumont e muito mais, até a volta ao Rio, de início pela estradinha de paralelepípedos com um canal no meio, os paralelepípedos molhados, todos, pela garoa fina que quase não caía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SQQ0IfDeI/AAAAAAAAAhE/SUYQvJu6rLY/s1600-h/paralelep%C3%ADpedo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SQQ0IfDeI/AAAAAAAAAhE/SUYQvJu6rLY/s200/paralelep%C3%ADpedo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423618469807459810" /&gt;&lt;/a&gt;Honório vinha devagar, cauteloso, com todo o respeito devido ao paralelepípedo molhado, mas a época era de salário ridículo e os pneus não estavam lá muito confiáveis. Numa das curvas, e contra a vontade própria (tenho certeza), Honório decidiu se livrar do meu comando. Rodou completamente descontrolado, seguramente mais de 180 graus, e só parou na beira do canal, graças ao meio-fio, alto, sólido, exemplo digno da competência dos pedreiros nacionais, construído talvez durante o governo de nosso melhor imperador, que segurou as duas rodas traseiras do Gurgel, interrompendo o descontrole. Do banco de trás, Palhoça repetia esporadicamente: Eu vi o canal. Eu vi o canal. Falou isso ainda algumas vezes no bar, enquanto bebíamos a cerveja de emergência, antes de pegar a estrada de volta, e aqui que a Lei Seca me perdoe, porque foi uma cerveja só e sem ela não haveria a menor condição de descer uma serra cheia de curvas depois de ficar tão perto das águas fétidas daquele canal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem foi tensa, lógico, mas chegamos sãos e salvos, a Pequena Espevitada dormindo no banco do carona, eu com dor no pescoço, pelo receio de cada curva, e o Palhoça com o endereço do “especialista” no bolso, no papel de pão. Todos nós muito felizes, bem longe daquele canal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-1971356084883941424?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1971356084883941424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/1971356084883941424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2010/01/honorio-o-gurgel-e-o-paralelepipedo.html' title='HONÓRIO, O GURGEL, E O PARALELEPÍPEDO MOLHADO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/S0SPKApjaJI/AAAAAAAAAgs/kNtHJqPmswU/s72-c/quitandinha.jpeg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2291167043223072766</id><published>2009-11-28T09:40:00.000-08:00</published><updated>2010-02-03T11:06:28.992-08:00</updated><title type='text'>O POETA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFuDW3yc5I/AAAAAAAAAgE/i2HLj6XSfhA/s1600/torcida.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFuDW3yc5I/AAAAAAAAAgE/i2HLj6XSfhA/s320/torcida.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409225631406912402" /&gt;&lt;/a&gt;O poeta brasileiro concorre ao Nobel. Nas horas que antecedem o resultado, ninguém sai da frente da televisão ou do rádio, de Aquidauana a Bagé. A bandeira verde e amarela toma conta das janelas e as cornetas insuportáveis dão o ar de sua chatice a todo momento, no meio da rua ou no alto de um prédio. É o Brasil de novo na Suécia, abençoada terra gelada, para mostrar dessa vez a arte de sua literatura; e os publicitários, claro, não perdem essa oportunidade. Em quase todos os comerciais, daqueles com música de exaltação aos mais pretensamente sérios, com algum ator declamando um texto metido a literário, uma expressão se faz presente: O Nobel é nosso. O País vive em função da disputa na Suécia. De novo, a Suécia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que nada disso aconteceu quando resolveram oficilizar a candidatura do Ferreira Gullar ao Nobel, mas pelo menos o poeta se divertiu. Entre uma caminhada e outra pelas calçadas de Copacabana, o autor de Poema Sujo recebeu o apoio de copacabanenses bem informados e pôde sentir um discreto clima de Copa do Mundo, por mais contraditório que seja botar as palavras discreto e Copa do Mundo na mesma frase. Não levou o Nobel, ainda, mas isso também não tem tanta importância assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 141, de 15 de abril de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"São as mesmas pessoas escrevendo há anos. Não há imaginação que agüente. Graciliano Ramos escreveu uns cinco romances, Flaubert fez quatro. Balzac escreveu muitos, mas nem ele daria conta do que a tevê pede para os autores."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As caminhadas pelas ruas de Copacabana nunca mais foram as mesmas para o poeta Ferreira Gullar, 71 anos. O maranhense que revolucionou a poesia brasileira com o concretismo de A Luta Corporal, em 1954, tem vivido experiências dignas dos maiores ídolos do esporte nacional. Parado pelos vizinhos do bairro, ouve incentivos e recebe apoio como se fosse disputar uma Copa do Mundo. O motivo é a candidatura do poeta ao Prêmio Nobel de Literatura, oficializada em janeiro, quando o catedrático de Literatura Brasileira Antônio Carlos Secchin foi à Suécia para entregar, na centenária Academia de Estocolmo, a defesa de Gullar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das tentativas de lançar os nomes de Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto e Jorge Amado, essa foi a primeira vez em que as exigências burocráticas foram seguidas à risca para a candidatura de um brasileiro. “No caso do Jorge, foi enviado apenas um telegrama à academia sueca, assinado pela União Brasileira de Escritores. Quanto ao Drummond e Cabral, parece que a indicação nunca chegou a Estocolmo”, conta Secchin, representante do grupo de intelectuais que apóia Gullar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFwTvlm6TI/AAAAAAAAAgM/4u8GGDy8Up0/s1600/ferreiragullar.jpeg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 275px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFwTvlm6TI/AAAAAAAAAgM/4u8GGDy8Up0/s320/ferreiragullar.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409228111942707506" /&gt;&lt;/a&gt;Sem querer pensar muito no Nobel, cujo resultado sairá em outubro, o pai de três filhos e avô de oito netos prefere gastar o tempo livre curtindo as estripulias do único bisneto, Pedro, 5 anos. Viúvo da atriz Thereza Aragão, o ex-integrante do Partido Comunista vive hoje com a poetisa Cláudia Ahimsa, mas não mora com a mulher. Em casa, sua única companhia é o gato Gatinho, que inspirou um livro de poemas infantis. “A casa foi esvaziando e ficamos eu e o gato”, resume Gullar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como recebeu a candidatura para o Prêmio Nobel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A princípio, tentei dissuadir o grupo que apresentou minha candidatura. Os prêmios Nobel são escritores por quem eu tenho muita admiração. Jamais imaginei ser um deles, seria petulância. Mas não vou brigar com quem quer me indicar, não sou maluco. Acho bastante difícil. Nunca fez parte do meu projeto de vida, mas se vier, será bem-vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sua rotina mudou depois disso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As pessoas me encontram na rua e falam: “É o Brasil, vamos ganhar!”. Digo que só não quero que me transformem no Guga, porque quando ele perde querem acabar com ele. Não sou o primeiro do ranking, nem pretendo. Porque depois vão dizer “esse filho da mãe não correspondeu à nossa expectativa”. Mas tem um lado simpático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que lado é esse?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho muito o sentido de herdeiro da cultura brasileira e me orgulho disso. Sou um poeta brasileiro, nasci da poesia brasileira. Costumo dizer que o sentido da vida são os outros e incluem, em primeiro plano, seu próprio país, língua, gente e cultura. Se o Nobel acontecer, o maior significado será esse. De ser a literatura brasileira. A senhora que me encontra na rua e diz “vamos lá, é o Brasil!” se sente representada e torce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFzhMpBkQI/AAAAAAAAAgU/-OefVR6mef8/s1600/tendadosmilagres.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 280px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFzhMpBkQI/AAAAAAAAAgU/-OefVR6mef8/s320/tendadosmilagres.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409231641614848258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Acha que é a hora de um brasileiro levar o Nobel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O prêmio do Saramago (o português José Saramago foi o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel, em 1998) teve um significado enorme e chamou a atenção para a literatura de língua portuguesa. Era um escândalo que nenhum escritor da nossa língua, um Fernando Pessoa, um Drummond, tivesse ganho. O João Cabral, sem dúvida, mereceria também. O Jorge Amado idem, é um nome mundial, traduzido em todas as línguas e com um prestígio maior fora do Brasil do que aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que pensa da intenção de Paulo Coelho de entrar para a Academia Brasileira de Letras?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um escritor e qualidades ele tem, porque não existe mágica. Se não tivesse algo especial, que atraísse o interesse das pessoas, Paulo Coelho não teria esse êxito. Não é a literatura que me interessa, mas isso não quer dizer nada. Essa coisa do valor literário é relativa. Não existe um critério que estabeleça o que é literatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A crítica não gosta de quem vira best-seller?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há essa tendência. Mas é claro que existe um tipo de arte, em todos os gêneros, que por ser menos inovadora ou inquietante atinge uma faixa muito maior de pessoas. Uma literatura mais crítica, profunda, não oferece solução fácil para os problemas e não atinge tanta gente. Como a novela de televisão. Do ponto de vista estético, é a linguagem fácil, aceita sem inquietação. Quase tudo ali são falsas soluções, muitas vezes falsos sentimentos. Mas você não vai pretender fazer uma literatura televisiva para atingir milhões de pessoas se não for assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como vê a qualidade das novelas hoje?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Está mais baixa, e não é culpa dos autores. São as mesmas pessoas escrevendo há anos. Não há imaginação que agüente. Graciliano Ramos escreveu uns cinco romances, Flaubert fez quatro. Balzac escreveu muitos, mas nem ele daria conta do que a tevê pede para os autores. Então esgota. O cara não tem mais o que contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a solução?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como a novela é a espinha dorsal da tevê, está criado um conluio estranho. A tevê não pode dispensar a novela e o autor está cansado mas não pode deixar de escrever, porque também ganha um belo salário. A televisão bota no ar o que é escrito, e o cara escreve sabendo que não está tão bom. Não sei como sair disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que acha das adaptações da literatura para a televisão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acho válido, sabendo que é outra coisa. Por exemplo, &lt;em&gt;Dona Flor e Seus Dois Maridos &lt;/em&gt;tem umas 500 páginas, mas deu um filme de uma hora e meia. E está tudo lá. Quando a Globo encomendou, para o Dias Gomes e para mim, a adaptação de Dona Flor para uma minissérie de 36 capítulos eu disse, tô fora. A história é muito curta e a tevê tem de fazer muitos capítulos para compensar os custos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que aconteceu então?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dos 36 capítulos iniciais passamos para 24. No capítulo 15 Dona Flor se encontrava com Vadinho. Como se conta uma história em que os protagonistas só se encontram no capítulo 15? Quando chamaram o Guel Arraes para dirigir, ele leu e falou que daquele jeito não dava. Eu disse: “Então vai lá e diz pro Boni, porque já conseguimos passar de 36 pra 24”. Negociamos e foi ao ar com 12 capítulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como avalia sua experiência na Globo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiquei 22 anos. Comecei em 1978, convidado pelo Dias Gomes, e fiquei até 2000. Tinha voltado do exílio em 1977, desempregado, e só tinha feito teatro. O Dias me deu as dicas e fiquei trabalhando, mas não queria me transformar em autor de novela. Não estou subestimando, é que não é a minha. Não tenho vocação para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFzu5ItnvI/AAAAAAAAAgc/mkF4jjp7pWU/s1600/odorico.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 178px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFzu5ItnvI/AAAAAAAAAgc/mkF4jjp7pWU/s320/odorico.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409231876897218290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Como o poeta de vanguarda se adaptou à tevê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sempre separei as coisas. A televisão era algo profissional. Até porque só um louco diz “agora vou escrever uma novela de 180 capítulos” sem ninguém pedir. Na tevê só se faz o que é encomendado. Tive sorte de trabalhar 90% do tempo com o Dias, que tinha uma qualidade excepcional. Trabalhar com ele me protegia, porque o Dias tinha prestígio na Globo, não precisava seguir as mesmas exigências, que obrigam muitas vezes o autor a se submeter a determinadas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Voltaria a trabalhar em televisão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jamais. A melhor coisa que me aconteceu foi sair da Globo. Não tenho queixa de lá, mas há algo angustiante, que é essa coisa do público e da própria emissora. O contrato em suspenso como uma espada na cabeça do cara, que não sabe se vai ser contratado. Um clima terrorífico, que leva todo o pessoal para a ponte de safena. O dia em que saí de lá fui jantar com minha mulher para comemorar, junto com meus 70 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como vê o cenário político atual?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi dado um passo para um país mais organizado com o Fernando Henrique, temos de reconhecer isso. Quero saber quem vai dar o passo adiante sem destruir o que foi feito, quem vai começar a governar para os 50 milhões que não têm nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que candidato tem condições de fazer isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei. Estou observando. O quadro está aí, as pedras estão sendo lançadas ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que acha de Roseana Sarney, sua conterrânea?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ela pelo menos não dizia que ia para trás, dizia que ia continuar as coisas. O governo dela no Maranhão não é pra trás. Ela acabou com as secretarias e criou gerências. Fez isso porque cada secretário criava um pequeno governo e gastava à toa. Agora o cara é gerente, não faz mais isso. Parece que tem uma série de coisas que ela fez que são certas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O escândalo envolvendo o marido de Roseana atrapalha a candidatura dela?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um golpe forte. Acho difícil que ela consiga ir adiante. Não estou a par dos bastidores da política, mas até agora a responsabilidade pessoal dela no caso ainda não foi apurada. Lamento porque de fato tenho carinho por Roseana, mas é um caso grave e tem de ser apurado. Não acho que aquilo tudo foi fruto de conspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda acredita no socialismo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É evidente que o socialismo acabou, o que não significa que o capitalismo é bom. É fecundo, cruel e injusto como a natureza, porque a natureza não tem sentido de Justiça. Ela cria milhões de bichos, depois inunda e mata tudo. Como o capitalismo é injusto, tem de ser mudado, se não for com o socialismo será de outra forma. As pessoas não continuam brigando, protestando? Então, a luta continua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2291167043223072766?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2291167043223072766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2291167043223072766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/11/o-poeta.html' title='O POETA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SxFuDW3yc5I/AAAAAAAAAgE/i2HLj6XSfhA/s72-c/torcida.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2282930414446465997</id><published>2009-10-31T14:29:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T15:09:49.533-07:00</updated><title type='text'>O DIRETOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suy1hxzz4CI/AAAAAAAAAf8/-rMUo-VsZLM/s1600-h/globo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suy1hxzz4CI/AAAAAAAAAf8/-rMUo-VsZLM/s320/globo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398889645221339170" /&gt;&lt;/a&gt;Na muy hermosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, pouquíssimas pessoas detêm mais poder do que os diretores de Núcleo da Globo. A entrevista abaixo é com um sujeito que começou como ator, passou a diretor e, pouco tempo depois, virou um desses caras com salário inimaginável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 253, de 14 de junho de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Parei um ano após a operação. Voltei com a novela. É muita ansiedade, mas estou fumando dois, três cigarros por dia. Com o fim da novela, vou parar".&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casado pela sétima vez, com a atriz Deborah Evelyn, Dennis Carvalho gosta de se definir como um diretor de conflitos urbanos e humanos. Conflitos como a briga entre Maria Clara e Laura, personagens de &lt;em&gt;Celebridade&lt;/em&gt; – novela que ele dirige e é recorde de audiência com média de 58 pontos, o equivalente a 2,8 milhões de residências em São Paulo. Aos 57 anos, com a experiência dos casamentos desfeitos com a atriz Bete Mendes, a psicóloga Maria Tereza Schimdt e as atrizes Christiane Torloni, Monique Alves, Ângela Figueiredo e Tássia Camargo, ele elege o tipo de cena que mais gosta: “Sou especialista em cenas de separação”, diz o pai de Leonardo, 24, seu filho com Christiane, Tainá, 22, filha de Monique, e Luiza, 11, fruto da união com Deborah, que pôs fim à longa lista de separações de Dennis. Com a ajuda dela, superou conflitos mais sérios, como a morte do filho Guilherme, gêmeo de Leonardo, há 12 anos, e as drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a participação do diretor no sucesso de uma novela?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se não tiver uma boa história, não adianta. O telespectador quer saber o que vai acontecer. Cabe ao diretor coordenar. A cena em que a Maria Clara bateu na Cacau (Cláudia Abreu, intérprete da Laura na novela) foi um desafio. Era perigoso, podia ficar inverossímil duas mulheres brigando no banheiro. Fiquei sem dormir na noite anterior. Podia ter ficado um pouco melhor, mas o resultado foi dentro das expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suyz4C0lZmI/AAAAAAAAAfs/MQSYtyCsPPE/s1600-h/celebridade.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 125px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suyz4C0lZmI/AAAAAAAAAfs/MQSYtyCsPPE/s200/celebridade.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398887828721854050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Concorda com quem achou exagerados os hematomas no rosto de Laura, após a surra?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a crítica procede. As pessoas acham que tinha de ter batido mais, mas aí achei que era demais. A Maria Clara não é uma lutadora. É difícil achar esse meio termo. Geralmente briga de mulher é de rolar no chão, puxar cabelo. Ali, o Gilberto pedia no texto que a Cacau tivesse o rosto transfigurado. O grau dos machucados foi mesmo para dar o impacto, para o público ver a vilã castigada, embora alguns achem que ela não apanhou tanto para ficar daquele jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Concorda com isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho a justificativa do anel da Maria Clara. Você não pode botar os caracteres embaixo na hora da cena dizendo “aqui o anel da Maria Clara atingiu o rosto”. Não tem como explicar, é difícil. Mas essas coisas fazem parte da profissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que outra cena lhe tirou o sono?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A morte do Bruno Ferrari (Fábio, filho de Fernando na trama) foi difícil. O Gilberto é tão legal comigo que, quando estava escrevendo a sinopse, me disse que mudaria a história se a morte de um dos filhos fosse me fazer mal. Disse: “Não, vamos fazer”. Para mim foi meio como exorcizar a morte do meu filho. Na hora foi muito dolorido, mas fiz questão de dirigir a cena. Todo mundo chorou no estúdio, eu chorei. &lt;br /&gt;Minha filha (Tainá) é assistente de figurino da novela. Ela também sofreu com a cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda sente a morte de Guilherme?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Perder um filho está fora da ordem natural das coisas. Ele era muito criança, tinha 12 anos. Ele e o Leonardo eram gêmeos idênticos. Os dois não se largavam, eram muito ligados, nem se chamavam pelo nome. Era meu irmão pra lá, meu irmão pra cá. Quando cheguei no hospital e a Christiane falou “perdemos o Guilherme”, minha vista ficou preta, a perna tremeu, uma loucura. O sentimento de perda de um filho é terrível. Estava fazendo &lt;em&gt;O Dono do Mundo&lt;/em&gt;. O Léo foi com a Christiane para Portugal. Eles não iam agüentar a barra aqui. Foi duro, mas estamos aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O trauma está superado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tá. Só tenho a curiosidade de ver como ele seria hoje, do tamanho que o Léo está. Seriam dois parrudos. O Léo tá forte, grande. A Christiane também foi forte. Ele morreu nos braços dela. Ela que segurou a barra toda, no carro e, depois, no caminho para o hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Depois de tantas perdas (um mês antes da morte de Guilherme, Dennis perdeu a mãe, Djanira Carvalho. Sua ex-mulher, Monique Alves, mãe de Tainá, morreu em 1994, de leucemia), acredita em destino?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acredito, um pouco, que as coisas estão traçadas. Só podia estar escrito. Meu filho, por exemplo, morreu num acidente bobo, de um carro cair de uma garagem (Christiane estava manobrando sua caminhonete na garagem de casa, em São Conrado, no Rio, quando o carro se desgovernou e caiu de uma altura de quatro metros no barranco situado atrás da garagem). Ele não estava surfando ou voando de asa delta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pensou em abandonar a carreira ou se isolar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não. Foi o trabalho que me segurou. Era um alucinado. Queria fazer reunião à meia-noite. Coitados dos meus assistentes! Morro de pena deles. Hoje, dez e meia estou dormindo. Minha barra pesada foram as drogas. Era consumidor esporádico de cocaína, em festas. Depois da morte do meu filho, era quase todo dia. E trabalhava direto, sem querer dar bandeira, comandando mais de 100 pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suy0KF2XK5I/AAAAAAAAAf0/8X_IIE4h3Z8/s1600-h/denniscarvalho"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 243px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suy0KF2XK5I/AAAAAAAAAf0/8X_IIE4h3Z8/s320/denniscarvalho" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398888138772261778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Como foi esse período?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ficava sem comer, sem dormir. Cheirava uns cinco gramas por dia em casa, a qualquer hora, para me anestesiar. De manhã, para poder trabalhar, porque virava a noite me destruindo em casa. Durou uns três anos, após a morte do Guilherme.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como parou?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cheguei num limite de o coração palpitar e eu ficar com medo de morrer. Foi acumulando e a Deborah falando para eu parar. Ela queria se separar. Com razão. Não agüentava uma pessoa ao lado como eu estava. Ela me ajudou, me deu coragem para me internar. Achava uma vergonha, mas foi o que me salvou. Fiquei 40 dias numa clínica de dependentes químicos e passei a freqüentar o NA (Narcóticos Anônimos) diariamente, por um ano e meio. Estou há nove anos limpo. Vou esperar o fim da novela para voltar lá uma vez por semana. É bom não parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual o papel da Deborah na sua vida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;São quase 16 anos juntos. É uma grande companheira. Senti que ela falou “vou comprar essa briga”, e comprou. Passou muitos perrengues ao meu lado, sofreu e hoje conseguimos ter a vitória. Metade da responsabilidade pela minha volta por cima é dela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os problemas consolidaram o casamento?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim. E a vinda da Luiza também. Além disso, a Tainá tinha 9 anos quando a mãe dela morreu. Veio morar com a gente e a Deborah foi mãe dela também, ajudou a criá-la na fase mais difícil de uma garota, quando ela precisa de uma mulher para orientar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve medo de morrer ao detectar um câncer no pulmão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tive. A vida inteira passa na cabeça. Tive sorte porque detectei ele muito pequeno. Meu médico (Yunes Ryad, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo) decidiu operar e fiquei apavorado. Mas ficou tudo em ordem. Nem quimioterapia fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi a operação?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiquei apavorado na hora da anestesia. Nunca tinha tomado antes. Fiz um escândalo no hospital, gritava palavrão, um vexame. Foi há dois anos, durante a Copa do Mundo. Assisti à final no hospital, sem poder gritar porque doía à beça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda fuma?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Parei um ano após a operação. Voltei com a novela. É muita ansiedade, mas estou fumando dois, três cigarros por dia. Com o fim da novela, vou parar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2282930414446465997?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2282930414446465997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2282930414446465997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/10/o-diretor.html' title='O DIRETOR'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Suy1hxzz4CI/AAAAAAAAAf8/-rMUo-VsZLM/s72-c/globo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-753464039080689744</id><published>2009-09-28T08:31:00.000-07:00</published><updated>2009-09-29T13:55:10.474-07:00</updated><title type='text'>O ATOR</title><content type='html'>Um grande amigo que trabalha na &lt;em&gt;Grobo&lt;/em&gt; me contou essa. Ele entrevistava o Tony Ramos para algum especial da emissora e o cara, em dado momento, disse algo do tipo: Depois do serviço, eu faço sei lá o quê, porque o resto não importa. O que importa é que um dos maiores atores do país, quiçá do planeta, chama de “serviço” tudo o que ele fez em 45 anos de carreira, do Rubinho, de &lt;em&gt;Nino, o Italianinho&lt;/em&gt;, na Tupi, ao indiano dessa última novela das oito, da Globo, passando pelo Riobaldo do Guimarães Rosa e pelo Jorge do Eça de Queiróz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDkL1JPxHI/AAAAAAAAAfM/rPAIyZNMAtM/s1600-h/tony_ramos"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 234px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDkL1JPxHI/AAAAAAAAAfM/rPAIyZNMAtM/s320/tony_ramos" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386556046230668402" /&gt;&lt;/a&gt;E a pauta eram os 40 anos de tevê desse sujeito, que chama a fama de “serviço”, e que talvez por isso nunca foi de se expor muito. O jeito foi contar a vida dele pelos trabalhos na tevê. A entrevista foi na sala de imprensa do Projac. Cheguei na hora marcada e Tony Ramos já estava lá, lógico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 258, de 19 de julho de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Vim para essa profissão não como voyeur, para espiar minha vaidade. Vim porque gosto de representar personagens. É disso que vivo e ponto final."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo de seus 40 anos de carreira, completados este ano, Tony Ramos, 55, fez personagens marcantes no teatro, como o Zé do Burro de &lt;em&gt;O Pagador de Promessas&lt;/em&gt;, e no cinema, como o inspetor Guedes de &lt;em&gt;Bufo &amp; Spallanzani&lt;/em&gt;. É a tevê, porém, o melhor veículo para contar sua história. Desde a adolescência em São Paulo, para onde a família de Arapongas (PR) se mudou quando Tony tinha 13 anos, o ator tem levado a vida paralelamente a algum personagem na tevê. É através das telas que ele é mais conhecido, até porque sempre preservou a vida pessoal. “Não alimento o glamour por ser famoso. Vim para essa profissão não como voyeur, para espiar minha vaidade. Vim porque gosto de representar personagens. É disso que vivo e ponto final.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Estréia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aos 16 anos, Antônio de Carvalho Barbosa já tinha estreado, no programa &lt;em&gt;Novos em Foco&lt;/em&gt;, quando, em 1965, fez sua primeira novela, &lt;em&gt;A Outra&lt;/em&gt;, na TV Tupi. Aluno do curso clássico (hoje ensino médio) do Colégio Estadual Brasílio Machado, em São Paulo, estudava de manhã e, à tarde, encarnava o Vevé, filho de Juca de Oliveira na trama. “Comia pastel, tomava caldo de cana e andava de ônibus”, conta. Da época, ele se recorda ainda dos improvisos do texto. “Não havia emenda eletrônica de videoteipe. Se errássemos, tínhamos de recomeçar toda a seqüência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Namoro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Após a primeira novela, o ator só tirou férias em 1974, quando viajou para a Europa com a mulher, Lidiane. O início do namoro foi trabalhoso para Tony. Em 1966, ele estudava à noite quando conheceu Lidiane, então aluna do turno da manhã, numa festa do colégio dos dois. O ator levou 15 dias até convencer a futura mulher a namorar. “Para dar o primeiro beijo, levei uma semana”, conta. Tony só não lembra se a novela que fazia era &lt;em&gt;O Amor Tem Rosto de Mulher&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Os Irmãos Corsos&lt;/em&gt;, mas lembra que Lidiane não o assistia. “Ela via a TV Excelsior, até que um dia assistiu e disse ‘legal, gostei’.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDkktBjQRI/AAAAAAAAAfU/1BO9PMNktVs/s1600-h/tony+nino.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 241px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDkktBjQRI/AAAAAAAAAfU/1BO9PMNktVs/s320/tony+nino.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386556473547637010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Casamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando se casou, em 1969, o ator já tinha um personagem de destaque, o Rubinho de &lt;em&gt;Nino, O Italianinho&lt;/em&gt;. Mas não teve qualquer regalia por isso. Casou numa quarta-feira e, na segunda-feira, já estava trabalhando. “Fui para a praia do José Menino, em Santos, num apartamento emprestado do meu cunhado”, lembra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Filhos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No nascimento dos dois filhos do ator, Rodrigo, 33 anos, e Andréa, 31, não foi diferente. O parto de Rodrigo foi num dia sem gravações da novela &lt;em&gt;As Bruxas&lt;/em&gt;. Mas no nascimento de Andréa, o ator teve de gravar algumas&lt;br /&gt;cenas da novela &lt;em&gt;Rosa dos Ventos&lt;/em&gt;. “Fui trabalhar de manhã, mas deu tempo de virar para o pessoal e dizer ‘olha, vai nascer meu neném, tchau, tchau’.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Fama e os pais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na Globo, Tony estreou em 1977, em &lt;em&gt;Espelho Mágico&lt;/em&gt;, mas virou ídolo nacional ao emendar três sucessos: Márcio, filho de Salomão Hayala, em &lt;em&gt;O Astro&lt;/em&gt;, de 1978, André Cajarana, em &lt;em&gt;Pai Herói &lt;/em&gt;(1979), e os gêmeos Quinzinho e João Vítor de &lt;em&gt;Baila Comigo&lt;/em&gt;, de 1981. Durante &lt;em&gt;Pai Herói&lt;/em&gt;, o ator perdeu o pai (Paulo, que se separou de sua mãe, Maria Antonia, quando o filho tinha 4 anos) e o padrasto (Salvador, que criou o ator desde os seus 14 anos). “Não tive muita vivência com meu pai, mas sempre o respeitei. Já meu padrasto foi muito importante”, diz o ator, que gravou a novela no dia seguinte ao enterro de Salvador. “Foi duro, mas com muita dor quis trabalhar, para fazer a catarse da perda. Para chorar, sim, mas ter consciência que a vida seguia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Sertão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A cena em que Tony Ramos gravava em 1985, como o Riobaldo de &lt;em&gt;Grande Sertão, Veredas&lt;/em&gt;, era noturna. O ator rastejava em pleno sertão mineiro, entre Tarcísio Meira e Lutero Luiz, quando ouviu um barulho estranho. Com uma faca entre os dentes, como pedia a cena, perguntou o que era. Tarcísio não soube responder, mas Lutero, rindo, avisou que Tony estava em cima de um cupinzeiro. “Fiz a cena toda, mas quando acabou fiquei só de sunga. Estava cheio de cupim nos meus pêlos e todo mundo rindo em volta.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDk844GrnI/AAAAAAAAAfk/bmgYU-OzG7Q/s1600-h/tony2"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 87px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDk844GrnI/AAAAAAAAAfk/bmgYU-OzG7Q/s200/tony2" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386556889046101618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;O Galã&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como os cômicos Tonico, de &lt;em&gt;Bebê a Bordo &lt;/em&gt;(1988), e Manolo, de &lt;em&gt;As Filhas da Mãe&lt;/em&gt;, de 2001, ou o perturbado Zé Clementino de &lt;em&gt;Torre de Babel &lt;/em&gt;(98), Riobaldo foi um dos personagens que ajudou Tony a se livrar do rótulo de galã, apesar de nunca se incomodar com o fato. “Dizia baixinho à minha mulher e aos amigos, ‘deixa falar, vamos ver quem é galã’”, conta Tony. “Não tenho 1,90m de altura, nunca tive um físico de deus apolíneo. Sou um homem normal, fruto de espanhóis, italianos e portugueses.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Avô&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando Henrique, 5, seu primeiro neto, nasceu, Tony ostentava uma autêntica cara de avô, graças à barba do Miguel de &lt;em&gt;Laços de Família&lt;/em&gt;, de 2000. Na hora de raspá-la, o ator quis o neto, então com 1 ano, do lado. “Dizia a ele:‘Vou tirar a barba, mas continuo sendo teu avô’”, lembra Tony, que também é avô de Gabriela, 6 meses, e está no ar como o coronel Boanerges, de &lt;em&gt;Cabocla&lt;/em&gt;. Os dois são filhos de Rodrigo. “A gente com neto, relaxa. Criança pra mim é a presença de Deus.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-753464039080689744?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/753464039080689744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/753464039080689744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/09/o-ator.html' title='O ATOR'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SsDkL1JPxHI/AAAAAAAAAfM/rPAIyZNMAtM/s72-c/tony_ramos' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-4823689871577734336</id><published>2009-09-06T14:14:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T12:49:42.987-08:00</updated><title type='text'>O AUTOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQwa5jG2CI/AAAAAAAAAfE/Hhr0yja0eis/s1600-h/tv.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQwa5jG2CI/AAAAAAAAAfE/Hhr0yja0eis/s400/tv.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378477093670017058" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagina ter que escrever uma história de cento e oitenta capítulos durante oito meses. Uma história cujo desenrolar será acompanhado por milhões de pessoas, diariamente, e que precisa agradar a toda essa gente. Uma trama com algumas dezenas de personagens, distribuídos em vários núcleos, que serão gradativamente esquecidos ou valorizados, na medida em que caiam, ou não, no gosto popular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagina que para entregar o texto no prazo será preciso internar-se no trabalho em regime de dez, doze horas diárias; e que, em virtude disso, será no contínuo estado de sono interrompido que a mente terá de funcionar para garantir a sobrevida da história, sempre sob a pressão do ibope. Pra finalizar, imagina que o texto a ser escrito será exposto a todo o país, ainda durante o processo de criação, e que as críticas, positivas ou negativas, serão diárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A entrevista abaixo é com um sujeito que trabalha dessa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 245, de 19 de abril de 2004&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"A um filme as pessoas reagem como se fossem críticos: “Esse roteiro é bom, a fotografia não sei quê”. Na novela, não. É: “A Bárbara tem que casar com o Paco, esse tem que namorar aquela”. É tudo direto, não uma coisa filtrada por uma crítica. Todo mundo que vai ao cinema é expert. Novela não tem isso, é muito mais visceral."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que começou a escrever &lt;em&gt;Da Cor do Pecado&lt;/em&gt;, João Emanuel Carneiro dorme às 8h, acorda às 14h e trabalha todo o resto do dia. O resultado da rotina estafante é medido pela audiência de 43 pontos, em média – índice que há oito anos não era atingido por nenhuma novela das sete – ou pelo pico de 48 pontos, esse o melhor desempenho do horário nos últimos 10 anos. É a primeira novela de João Emanuel, 34 anos, e essa foi uma espécie de reedição do que já conseguira no cinema quando assinou o roteiro de seu primeiro longa, &lt;em&gt;Central do Brasil&lt;/em&gt;, junto com Marcos Bernstein. Solteiro, o autor mora num apartamento no Leblon e foi descoberto por Walter Salles graças a seu primeiro curta-metragem, &lt;em&gt;Zero a Zero &lt;/em&gt; – que fez aos 19 anos, com os US$ 4 mil arrecadados com a venda de uma estátua egípcia que herdara. Apesar do começo “meio por acaso”, encara o sucesso como um veterano. “Penso sempre que o que estou fazendo vai ser extraordinário. Senão, é melhor nem fazer”, diz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que a novela é um sucesso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quis fazer uma fábula tipo Alexandre Dumas, mas tocando em pontos da nossa realidade social, como o menino mulato que é neto do milionário, ou a negra que mora no Maranhão e namora o branco rico do Rio de Janeiro. Apontaria isso como motivo do sucesso e também o fato de a novela trazer de volta as relações humanas, de ternura, família. Às vezes você faz uma novela com muita ação, muito efeito, violência. Minha história tem isso também, mas tocando em sentimentos humanistas, como a relação do avô com o neto. Isso comove as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Escreve pensando na audiência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fico ligado no Ibope, ele te dá a medida de muitas coisas.Se você finaliza um capítulo com um personagem que o povo não gosta tanto, no dia seguinte a audiência já começa mais baixa. A novela é uma amostra de situações cômicas e dramáticas. Claro que tem coisas que interessam mais ao público e outras, menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teme não agradar o público?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Esse horário é complicado. As pessoas estão em casa mas também não estão. Alguns estão chegando, as crianças estão ali. Precisa de agilidade, de chamar a atenção do telespectador de alguma maneira. Fico tenso porque a novela no fundo é um jogo. Por mais que você faça por uma satisfação artística, pessoal, tem que jogar com essas milhões de pessoas que assistem, e são elas também que fazem a novela. Já aconteceu de me pedirem na rua para criar uma situação que eu já tinha escrito, só não tinha ido ao ar. Fico feliz, parece que o público está escrevendo comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A primeira protagonista negra da Globo ajudou na audiência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na imprensa ajudou muito, em termos de divulgação, mas não acho que isso tenha sido um fator de alavancagem da audiência. É um factóide de imprensa, a primeira protagonista negra, e não tem como você fazer sucesso com um factóide. O sucesso é da história. Com factóide se faz um filme, um especial, mas não uma coisa tão longa quanto uma novela, porque são 180 capítulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQu7V6HeXI/AAAAAAAAAe8/6gfdr7HTnzw/s1600-h/Joao+emanuel"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 218px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQu7V6HeXI/AAAAAAAAAe8/6gfdr7HTnzw/s320/Joao+emanuel" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378475452015278450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é o ritmo de trabalho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Animalizante (sic). Acho que as novelas eram menores antigamente. A Globo era hegemônica, então muitas novelas eram ótimas, mas tinham situações no meio que era a pessoa indo na feira saber o preço do peixe, e virava cena. Hoje é muito mais pesado, o Ibope exige mais. E o fato de fazerem novelas sempre tão longas é mortificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A duração deveria ser menor?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Novela de longa duração, com esse tamanho de oito meses, é um problema. Escrevo com o auxílio de uma equipe, mas faço a novela muito sozinho no sentido de que eu conduzo toda a história. É muito pesado narrar 180 capítulos, 40 cenas por dia. Se fossem 150, daria facilmente. Esses 30 a mais fazem a diferença porque não seriam oito meses que ficaria internado, mas cinco. É uma coisa física, humana. Não sei como a Glória Perez ou o Benedito Ruy Barbosa fazem, mas estou quase caindo pelas tabelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A escolha de Taís Araújo para viver a Preta foi imediata?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O elenco foi feito por mim, pelo Silvio de Abreu e pela Denise Saraceni (diretora da novela). O que um dos três não queria, dançava. A Taís era a primeira opção dos três. Ela tem a jovialidade que eu via na Preta, essa coisa alegre, carismática. Não podia ser uma bonita triste para fazer esse papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem escalou Reynaldo Gianecchini para dois papéis (Paco e Apolo)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A escolha foi minha, pela cara dele. Acho que o Gianecchini tem gente ali dentro. Tem alguma coisa ali. É um homem bonito, mas tem um mistério, uma indagação atrás dele. Como um galã de filme do Hitchcock, um James Stewart.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já disse que não queria discutir racismo na novela, que escolheu a protagonista negra só para realçar o contraste social dos personagens. Por que incluiu cenas de racismo envolvendo o Raí (filho de Taís Araújo na trama)? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou o avô rico (Afonso, vivido por Lima Duarte) com o neto mulato (Raí, interpretado por Sérgio Malheiros) a coisa veio mais forte. No romance você entra pelo sexo, mas muda no momento que tem o filho. É diferente você ter um caso com uma negra e ter um filho, uma família com uma negra. Aí o preconceito passa a abranger a família inteira. Mas acho que o que agrada as pessoas é que a novela tem a discussão desses temas polêmicos dentro de um contexto de fábula. Você não aprofunda isso como aprofundaria numa novela das oito, com uma discussão mais didática do problema. O racismo está dentro da leveza da fábula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que alguém que escreveu &lt;em&gt;Central do Brasil &lt;/em&gt; migrou do cinema para a televisão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fiz 12 filmes depois do &lt;em&gt;Central do Brasil &lt;/em&gt; e sempre tive vontade de fazer novela. É mais estimulante você falar com o povo que assiste tevê do que com a elite que vai ao cinema. A um filme as pessoas reagem como se fossem críticos: “Esse roteiro é bom, a fotografia não sei quê”. Na novela, não. É: “A Bárbara tem que casar com o Paco, esse tem que namorar aquela”. É tudo direto, não uma coisa filtrada por uma crítica. Todo mundo que vai ao cinema é expert. Novela não tem isso, é muito mais visceral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há preconceito contra a tevê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As pessoas acham que desprezando a televisão estão se valorizando. É um erro. A novela é o primeiro prato do consumo cultural do Brasil. Venho do cinema. Minha mãe (Lélia Coelho Frota) é crítica de arte. Fui filho dessa elite cultural, educado no Moma (principal museu de Nova York), no Louvre (maior museu de Paris). Venho desse mundo que nega um pouco a novela e vim trabalhar com isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abriu caminho para uma renovação dos novelistas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não sei. É uma honra pertencer a esse time, conseguir fazer uma novela. Fazer 180 capítulos e sobreviver já é um talento extraordinário. Essa novela é tão absorvente&lt;br /&gt;que não tenho mais projetos para o futuro. Só de vida, como poder dormir. Quero sobreviver a isso, aí vou poder ir à praia, tomar um suco...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQuqWABFjI/AAAAAAAAAe0/_AQWpesqTmU/s1600-h/centraldobrasil.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQuqWABFjI/AAAAAAAAAe0/_AQWpesqTmU/s320/centraldobrasil.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378475159982249522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Voltará a fazer cinema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Poderia fazer outro filme com Walter Salles. Foi minha experiência mais feliz no cinema, por poder contar uma história junto com uma pessoa em sintonia com você. E &lt;br /&gt;contar uma história original, que é o que falta no cinema nacional, pois o que se vê é adaptação de um livro ou uma biografia. Enquanto a tevê se aplicou em encontrar seus narradores, o cinema encontra sempre diretores, com raras exceções. E o cinema nunca será a indústria que pretende ser enquanto não contar histórias originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Walter Salles é uma exceção?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Walter é um gênio que tem dedicação total ao trabalho. Também é um narrador. Filmou três histórias originais (&lt;em&gt;Terra Estrangeira&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Central do Brasil &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;O Primeiro Dia&lt;/em&gt;). Outras exceções são o Beto Brant, em parceria com Marçal Aquino, o Jorge Furtado, a Sandra Werneck. Já é um caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-4823689871577734336?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4823689871577734336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/4823689871577734336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/09/o-autor.html' title='O AUTOR'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SqQwa5jG2CI/AAAAAAAAAfE/Hhr0yja0eis/s72-c/tv.bmp' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-8176322324183420369</id><published>2009-07-17T10:18:00.000-07:00</published><updated>2009-12-10T14:55:37.277-08:00</updated><title type='text'>PEQUENO TRECHO DO XARÁ</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SmC5AkLGmHI/AAAAAAAAAec/-Siaw_FwTAU/s1600-h/Luiz_edmundo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 230px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SmC5AkLGmHI/AAAAAAAAAec/-Siaw_FwTAU/s320/Luiz_edmundo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359486975932274802" /&gt;&lt;/a&gt;Cada rapaz que escreve, pelo tempo, tem-se na conta de um ser privilegiado e que se faz respeitar. Cada sonêto que publica ou cada conto que assina eleva-o do solo, mais um palmo. E é por isso que êsse semideus das letras divide os literatos freqüentadores da Garnier em dois grupos distintos: o das &lt;em&gt;bêstas&lt;/em&gt; e o dos &lt;em&gt;gênios&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Bêstas&lt;/em&gt; são os desprezíveis sêres que a opinião pública consagra, por estupidez ou engano, e que a Academia engole. &lt;em&gt;Gênios&lt;/em&gt;, as vítimas dos erros dessa mesma opinião e da estultícia acadêmica, os que se julgam roubados no conceito público, sem admiradores, sem leitores ou sem nome, mas com um enormíssimo talento... Como, porém, as &lt;em&gt;bêstas&lt;/em&gt; mantenham sobre os &lt;em&gt;gênios&lt;/em&gt; idéias inteiramente diferentes, &lt;em&gt;gênios&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;bêstas&lt;/em&gt; vivem num completo desentendimento, latejando rancores, a desmanchar, por vêzes em mentidos sorrisos, hostilidades tenebrosas.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;gênio&lt;/em&gt;, em geral, usa o cabelo crescido, caindo sôbre a gola do casaco, as botinas cambaias, roupa sovada e gravata borboleta. Anda quase sempre sem punhos e traz a barba por fazer. Isso por fora. Por dentro um resplandecer de coisas escovadas e brunidas. Adora o luar e a giribita. Deve o quarto em que mora, a pensão onde come... Recolhe à casa de madrugada e, com freqüência, berra pelas rodas em que anda, alto, para que todos ouçam, esta frase que em sua bôca tem foros de um clichê:&lt;br /&gt;- Nós, os boêmios!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Luiz Edmundo, O Rio de Janeiro do meu tempo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No caso, o tempo de Luiz Edmundo - historiador com texto de cronista - englobava a última década do século 19 e a primeira do 20. Entre as "bêstas" da época estavam Joaquim Nabuco, Olavo Bilac e a maior de todas elas: Machado de Assis. Já os "gênios" mudaram um pouco o figurino, aposentaram a gravata borboleta e continuam andando por aí, até hoje.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-8176322324183420369?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/8176322324183420369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/8176322324183420369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/07/pequeno-trecho-do-xara.html' title='PEQUENO TRECHO DO XARÁ'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SmC5AkLGmHI/AAAAAAAAAec/-Siaw_FwTAU/s72-c/Luiz_edmundo.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-7290656827821021630</id><published>2009-06-30T14:55:00.000-07:00</published><updated>2009-07-08T15:37:16.293-07:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL - O CASAMENTO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SkqQS2IxbJI/AAAAAAAAAd8/DcmdDzaNKfU/s1600-h/o_casamento.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SkqQS2IxbJI/AAAAAAAAAd8/DcmdDzaNKfU/s320/o_casamento.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353249760527608978" /&gt;&lt;/a&gt;Sábado de sol, às nove e meia da manhã. Eu de blazer e o &lt;a href="http://www.interney.net/blogs/eclipse/"&gt;copiloto&lt;/a&gt; de terno e gravata. O Gurgel rodando macio pela Tijuca e passando em frente ao Maraca, o que motiva a pergunta que talvez seja a mais estúpida da vida do copiloto. No ano do centenário – e  da Libertadores –, o cara vira e manda do banco do carona, com a maior naturalidade, o Gurgel já alguns metros depois do estádio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você já foi ao Maracanã ver jogo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em ato reflexo, bem perto da entrada para o Alto da Boa Vista, o sinal do cruzamento acabando de abrir, apelo para o tradicional soco no braço. Exagero um pouco na força, ou nem tanto, porque perguntar isso a um sujeito de 26 anos no período de glória maior do time dele merece uma resposta contundente. E nesse caso, nada como uma boa porrada, daquelas que machucam mas não danificam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A subida do Alto da Boa Vista estava chata, em marcha lenta. O engarrafamento era provocado pelo pessoal que invadiria a Praia da Barra, enquanto eu e o copiloto cumpríamos uma obrigação social, por livre e espontânea vontade. O casamento, marcado para as 10h de um sábado, nem era de gente muito íntima, mas a noiva era muita amiga de uma mulher bem próxima na época, baixinha arretada, e o noivo era um canalha dos mais gente finas. Por isso estávamos ali, eu e o copiloto, de ressaca mas determinados a curtir aquela festa, como manda o manual da juventude feliz. Até que Honório resolveu aprontar uma das suas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele irritante revezamento entre a primeira marcha e o ponto morto, avançando cinco metros por minuto, debaixo do sol das 10h, o Gurgel resolveu que não queria mais funcionar. Apagou tudo no painel. Virava a chave e o único barulho que se ouvia era das buzinas atrás. Virei uma, duas, três vezes a chave, até cair na real. Era sábado de manhã e estávamos, eu e o copiloto, dentro de um carro de fibra de vidro, que enguiçou na subida de uma ladeira e no meio de um engarrafamento. Pra arrematar, eu estava de blazer e o copiloto, de terno e gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirei o blazer, o copiloto tirou o terno, dobramos as mangas e iniciamos o exercício inimaginável para aquela manhã de ressaca: Começamos a empurrar o Gurgel ladeira acima, no meio do engarrafamento. Para nossa sorte - se é que podemos falar em sorte numa situação dessas - havia um recuo próximo, coisa de uns cinquenta metros, e conseguimos levar Honório até aquele pouso tranquilo, debaixo de densa vegetação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto dali, uma casa tinha aspecto de oficina, mas não encontramos o que procurávamos. O sujeito na casa disse que o único mecânico por perto se chamava Odir e morava no fim de uma descida perto do recuo. Só que já passava da hora marcada para o casamento e decidimos chegar na cerimônia a pé. O problema com o carro que ficasse para mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos com a igreja já lotada e os noivos lá dentro. Era pequena a igreja, e cor de rosa. Estávamos ligeiramente suados da caminhada de quinze minutos do Gurgel ao casório e decidimos pela situação mais cômoda, depois de tanto incômodo naquele sábado ensolarado. Ficamos do lado de fora esperando o regabofe, que seria ali mesmo, nos jardins da igreja cor de rosa. Conosco, no pátio, só outro convidado que também chegou a pé: Um negão rastafari, que carregava uma sacola plástica dos supermercados Disco, de saudosa memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os noivos saíram, fizeram aquela festa tradicional, jogaram arroz neles, cumprimentamos os dois e passamos à recepção no jardim. Mas não ficamos muito tempo. Havia um problema a ser resolvido. Honório precisava voltar a funcionar para nos levar de volta. E para isso acontecer precisávamos encontrar Odir. Saímos então, no exato momento em que alguém deixou cair no chão uma garrafa de Red Label, eu de blazer, o copiloto de terno, os dois com uma missão a cumprir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SkqQeAgituI/AAAAAAAAAeE/pPsAXq92-d4/s1600-h/stephen+king.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 319px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SkqQeAgituI/AAAAAAAAAeE/pPsAXq92-d4/s320/stephen+king.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5353249952290223842" /&gt;&lt;/a&gt;Achar a casa foi fácil, mas demorou até que tivéssemos certeza de que era ali mesmo. O portão parecia de uma daquelas propriedades de história do Stephen King. Era de ferro e arame, e estava, além de torto, meio arrebentado. Mas logo depois apareceu uma casa "normal", e uma senhora gentil, gordinha atarracada, nos atendeu e disse que Odir não estava. Tinha ido fazer um serviço, mas voltava logo. Será que não queríamos esperar no terraço? Queríamos, sim, e então fomos levados por ela ao terraço, uma laje onde só havia duas cadeiras de plástico, além de uma aranha que começava a tecer sua teia num canto do telhado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teia estava pronta quando Odir chegou, uns quarenta minutos depois de nos acomodarmos nas cadeiras, munidos de uma garrafa com água gelada e dois copos, tudo fornecido pela gentil senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odir era magro, tinha cabelos grisalhos e usava boné de algum time da NBA (provavelmente o Chicago Bulls). Vestia bermuda jeans e mocassim sem meia, e chegou numa pick up quase do tamanho daqueles caminhões da Vale, que carregam minério de ferro. Estava visilmente mau-humorado, porque, aparentemente, alguma coisa tinha atrasado o tal serviço. Quando explicamos nosso problema, o sujeito revelou toda a sua educação e seu profissionalismo. Em vez de nos mandar à merda, por atrapalhar ainda mais o sabadão dele, nos mandou entrar no carro gigantesco, e nos levou ao local onde Honório descansava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho até lá, Odir só falou uma frase: "Paciência tá curta", disse, enquanto esperávamos uma brecha para entrar na estrada do Alto da Boa Vista. Até hoje não sabemos se o cara se referia ao trânsito intenso àquela hora, seis e pouco da tarde - que nos fez esperar quase três minutos até sairmos da rua para a estrada - ou se falava da gente mesmo. Preferimos não perguntar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do motor traseiro, Odir não gastou nem dois minutos para resolver o problema. Colocou um fio solto no lugar, emendou com fita isolante e falou a segunda frase desde que entramos na pick up gigantesca. "É 20 reais". Paguei de bom grado, e antes de entrarmos no bom e velho Honório, novamente ressuscitado, o copiloto mostrou que, ao lado do carro, no asfalto daquele recuo, uma galinha e cinco pintinhos devoravam uma cobra coral. Mais uma cena estranha, de um sábado muito estranho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-7290656827821021630?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7290656827821021630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7290656827821021630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/06/honorio-o-gurgel-o-casamento.html' title='HONÓRIO, O GURGEL - O CASAMENTO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SkqQS2IxbJI/AAAAAAAAAd8/DcmdDzaNKfU/s72-c/o_casamento.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-41519558583143853</id><published>2009-05-28T11:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T13:37:54.534-07:00</updated><title type='text'>LOTOCRACIA</title><content type='html'>A entrevista tinha sido marcada pelo próprio. Era a voz dele no telefone, inconfundível, concordando com a hora e o local, Rua Alegrete, porque ele tinha nascido em Alegrete, no Sul. Mas o interfone foi tocado com certa insistência, quatro vezes, duas mais longas, e nada do cara responder. Eis que chega outro morador do prédio, abre o portão eletrônico e os toques passam a ser na campainha da porta do apartamento. Dois, três, o terceiro duplo, e ouve-se a voz dele ao fundo, inconfundível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vai. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pereio vestia algo entre bermuda e pijama, havaianas das antigas e camisa social branca, de manga curta, aberta até o umbigo. Vinha de uma temporada de três anos em Olhos D’Água, pequena e pacata cidade do interior de Goiás. Foi pra lá, como disse na entrevista, para “atingir a temperança”. E disse isso com essa cara aí embaixo, à esquerda, de uma das quatro fotos que ilustraram a matéria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7abQ3iHoI/AAAAAAAAAdc/TCulDyWn3IM/s1600-h/pereio4"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 175px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7abQ3iHoI/AAAAAAAAAdc/TCulDyWn3IM/s320/pereio4" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340946370027200130" /&gt;&lt;/a&gt;Aliás, o cara disse coisa à beça em uma hora de conversa, e como era para uma revista de celebridades – e o espaço dado a gente como Pereio nesse caso não é grande –, muita coisa acabou cortada. Ficou de lado, por exemplo, a sugestão dele para reformular radicalmente o sistema político-eleitoral do País. Na opinião do cara que traçava a Sônia Braga em Dama do Lotação – e falava pro Nuno Leal Maia, marido dela, que só tinha ele no mundo como amigo – a solução para o Brasil era a Lotocracia. A Presidência decidida por sorteio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito dá uma cagada e vira presidente da República, resumiu, sucinto, sem se alongar sobre o tema, com a cara da foto aí em cima, à esquerda, e das outras duas ali embaixo, depois de atingir a temperança.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Com vocês, Paulo César Pereio.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 107, de 20 de agosto de 2001:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Atingi a temperança. Voltei a ser normal. Fui muito desmedido e, com a idade, o corpo não agüenta os exageros. Deixei de ser um adolescente senil". &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ator de 63 filmes e com 43 anos dedicados ao teatro, Paulo César Pereio, 60, nunca fez mais do que participações esporádicas na tevê. Sua última participação foi em 1997, em Hilda Furacão, na Rede Globo. De volta à emissora na minissérie Presença de Anita, Pereio quer mudar esta estatística. Depois de uma temporada de três anos em Goiás, para superar uma confessa tendência ao exagero, seja com drogas, álcool e até comida, o ator diz ter atingido o equilíbrio. Nada que o impeça, contudo, de reativar sua metralhadora giratória. Expulso em abril da peça Hamlet – que está em cartaz em São Paulo – sob a acusação de assediar uma atriz, o ator critica Diogo Vilela, protagonista e produtor do espetáculo. “Ele não quer que tenha um cara fazendo sombra a ele”, diz Pereio, pai de Lara, 28, Tomás, 22, João, 17, e Gabriel, sete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7auW_31OI/AAAAAAAAAdk/XXGrFqZQil0/s1600-h/pereio2"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 167px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7auW_31OI/AAAAAAAAAdk/XXGrFqZQil0/s320/pereio2" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340946698090304738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A volta à tevê é definitiva?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu problema era mais com novela. Em alguns casos era quase como servir o Exército. Oito meses tendo de estar maquiado às 7h. Hoje há condições melhores. Mas prefiro fazer personagens de impacto com uma permanência não muito superlativa, como em Presença de Anita. Se o cara não está na “Grobo”, está morto. Duas vezes por semana passa filme meu no Canal Brasil, então eu estou no cinema. Picasso morreu, mas se fizerem uma exposição, a arte dele vai estar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você prefere fazer teatro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Às vezes é uma lenha, como agora com o Diogo Vilela e o Marcus Alvisi (diretor de Hamlet), uma turma que não tem nada a ver. Vi opiniões da Bárbara Heliodora (crítica de O Globo), do José Celso Martinez Corrêa, dizendo que minha estatura artística era muito superior à deles. Isso incomodou os caras. Fui expulso da peça como tarado. Deixei gravada uma brincadeira na secretária eletrônica de uma atriz (Rita Elmor), falei: “Tara, você é minha tara”. Ela se queixou com o Diogo dizendo que tinha medo de mim. Isso serviu de pretexto para me chutarem. O Diogo não quer um cara que faça sombra a ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o que acontecia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando eu fazia o Fantasma, ele ficava um pouco chateado e reclamava que eu não olhava pra ele. Toda hora tinha piti. E aí teve esse episódio estranho. Queria convidar o pessoal para assistir a um filho meu, o João, numa peça. Telefonei para a menina. Há dois meses a gente convivia e nunca faltei com respeito. Ela trabalhava na Globo, tem filho, não é ingênua. Deixei gravada a brincadeira. Agora ela deve estar arrependida e sabe que foi usada. O Diogo não estava agüentando. E os caras não iam dizer: “Ô Pereio, você tá fazendo muito bem, piora aí”. Quando fui expulso não argumentei nada. Mas fiquei um pouco aliviado. Estava me sentindo um estranho no ninho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que se isolou três anos em Goiás até voltar ao Rio para fazer Hamlet?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Morava em Olhos D’Água, uma cidade a 90 quilômetros de Brasília. Queria uma vida mais equilibrada. Se você quer evitar as drogas, álcool, continuar vivendo em situações que te seduzam para isso não é muito inteligente. Fui para lá atingir a temperança. Tenho tendência ao exagero. Sou uma pessoa extremada, até para comer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7a_iR4o2I/AAAAAAAAAds/M5Xxb7IPric/s1600-h/pereio1"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 152px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7a_iR4o2I/AAAAAAAAAds/M5Xxb7IPric/s320/pereio1" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340946993176421218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Você parou de beber e de usar drogas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Atingi a temperança. Voltei a ser normal. Fui muito desmedido e, com a idade, o corpo não agüenta os exageros. Deixei de ser um adolescente senil. Durante a peça, forcei a barra para ficar abstêmio. Exagerei no bom comportamento. Com a expulsão tive uma pequena crise alcóolica. Tirei um pouco a válvula da panela de pressão. Meu filho, João, ficou preocupado e procurou o Antônio Pedro (ator), o Hugo Carvana e o Tunga (artista plástico). O plano era me internar em São Paulo. Quer dizer, era seqüestro. Achei engraçado o Antônio Pedro dar uma dessa porque ele estava no elenco da peça e viu que eu não estava maluco. O Carvana estava começando um filme. Pô, se ele estava preocupado, tinha personagem à beça pra eu fazer no filme dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi colocar um marcapasso? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tive um bloqueio no coração. Botei o marcapasso e voltei a ser normal. Foi há dois anos e até agora nem examinei. Se por acaso começar a baquear eu vou lá e troco por outro. É um geradorzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se relaciona com sua ex-mulher, Cissa Guimarães, depois que passou oito dias preso por não pagar pensão, em 1994?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi uma declaração de amor dela. Foi ciúme. Eu tinha engravidado outra mulher. Me botar na cadeia foi uma manifestação. Foi só falar bem e ela abriu a cela logo, a chave estava com ela. Eu não ia pagar mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pretende se casar de novo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, não sou bom nisso. Há cinco anos namoro uma cientista da Fundação Oswaldo Cruz. Ela tem o filho dela, eu tenho os meus. Moramos no mesmo prédio, mas ela na casa dela, e eu na minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-41519558583143853?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/41519558583143853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/41519558583143853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/05/lotocracia.html' title='LOTOCRACIA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sh7abQ3iHoI/AAAAAAAAAdc/TCulDyWn3IM/s72-c/pereio4' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-251088311323352542</id><published>2009-04-18T13:40:00.000-07:00</published><updated>2010-04-27T13:35:23.592-07:00</updated><title type='text'>TREM DAS CINCO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo9qGWgwWI/AAAAAAAAAdM/Spb9gKru_nw/s1600-h/tremlotado.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 205px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo9qGWgwWI/AAAAAAAAAdM/Spb9gKru_nw/s320/tremlotado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326137302787866978" /&gt;&lt;/a&gt;A matéria começou no início da noite anterior, no banheiro da redação, quando um gesto atolado levou o papel de enxugar rosto ao olho. No dia seguinte, às 4h45, o carro do jornal parava na frente de casa, com destino a Japeri. O olho estava vermelho, lacrimejava um pouco, e nem colírio nem lenço estavam resolvendo o negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornal tinha feito pesquisa sobre os transportes públicos da cidade e a pior avaliação era dos trens, administrados na época pelo governo do estado. A pauta era conferir essa avaliação in loco. Escolher um dos ramais, no caso Japeri, achar alguém que fosse até o fim da linha, na Central, e pegar o primeiro trem ao lado do personagem. Fomos eu e o fotógrafo Marcelo Sayão, sujeito que, ao meio-dia no verão do Rio, já traçou uma feijoada completa antes de uma pauta em Bangu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Japeri, às 5h10, foi fácil achar a personagem. Na primeira abordagem, apareceu dona Cirlene. O olho incomodava, ardia, e ela faria a viagem até a Central, num trajeto que repetia há 13 anos. Conversamos bastante até a terceira estação. Depois ela continuou sentada e eu fiquei em pé, com a batata da perna encostada na perna de outra senhora sentada, um dos braços colado na costela de um sujeito ao lado e o queixo a milímetros do couro cabeludo de uma dona baixinha, que se agarrava à barra onde eu também segurava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém se movia, praticamente, e pro Sayão foi mais difícil; mas ele resolveu o problema enfiando meio corpo pra fora do trem e fazendo uma foto bem ilustrativa de mais um novo dia nessa nossa cidade maravilhosa. De um lado, imagens borradas de barracos na beira da ferrovia, efeito da velocidade nem tão alta assim do trem. Do outro, gente espremida numa janela, em primeiro plano o sujeito de olho fechado, tentando abstrair alguma coisa, e a senhora encarando a câmera com cara de zangada. Ao fundo, três metades de corpos pra fora da porta, de costas pra lente, a vislumbrar o horizonte onde os últimos vagões faziam a curva e, lá atrás, o sol começava a despontar. E o olho doía.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo9WdI0ukI/AAAAAAAAAdE/50HiWK4QPIE/s1600-h/supervia"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 190px; height: 130px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo9WdI0ukI/AAAAAAAAAdE/50HiWK4QPIE/s320/supervia" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326136965307087426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Hoje o sistema ferroviário do Grande Rio é privatizado. Não tive a oportunidade de voltar a andar de trem desde então, mas, pelo que aconteceu na quarta-feira, acho que não mudou muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A matéria abaixo foi publicada dentro de uma arte que mostrava os trilhos e as estações. Cada estação era um quadradinho de texto acompanhando o trajeto do trem. Por isso essa estrutura. Quanto ao olho, só ficou bom após consulta médica, aplicação de pomada e dois dias de visão tapada, sem tirar o curativo, pra cicatrizar a ligeira lesão na córnea que o papel do banheiro da redação havia provocado, segundo o oftalmologista. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil, edição de domingo, 18 de agosto de 1996:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Já teve homem que puxou o revólver só pra pegar o lugar do outro. Também já vi uma mulher pegar uma tesoura e ameaçar um cara que tava se esfregando nela. Esse tipo de coisa é normal aqui”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5h10, estação de Japeri:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A empregada doméstica Cirlene Pereira, de 51 anos, espera uma amiga para entrar no trem que, se tudo correr bem, a levará até a Central em uma hora e meia de viagem. “Não dá pra confiar no trem porque a gente nunca sabe se ele vai quebrar”, diz, com a autoridade de quem segue a mesma rotina há 13 anos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5h35:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cirlene já está sentada no trem, que parte com cinco minutos de atraso. Sentar, aliás, é um luxo restrito aos moradores de Japeri e aos mais rápidos de Engenheiro Pedreira, a segunda parada do percurso. “Depois disso, achar lugar é o mesmo que ganhar na loto”, compara Cirlene, que da Central ainda pega um ônibus em direção à Zona Sul, onde trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5h42, estação de Queimados:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O trem chega à 3ª estação do ramal de Japeri e já está lotado. Espremida no banco, Cirlene estranha a tranqüilidade da viagem. “Já teve homem que puxou o revólver só pra pegar o lugar do outro. Também já vi uma mulher pegar uma tesoura e ameaçar um cara que tava se esfregando nela. Esse tipo de coisa é normal aqui”, conta. Medo mesmo ela só sente há pouco tempo, com a divulgação das suspeitas de sabotagem no sistema da Flumitrens. “Todos aqui estão preocupados”, afirma a doméstica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo93G3S0xI/AAAAAAAAAdU/AcM6YlKUggM/s1600-h/metrosp_lotado.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 291px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo93G3S0xI/AAAAAAAAAdU/AcM6YlKUggM/s320/metrosp_lotado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326137526263665426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;5h57, estação de Nova Iguaçu:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar por Comendador Soares e Austin, o trem chega à sexta estação do ramal. De Nova Iguaçu, o carro segue viagem abarrotado e já com passageiros pendurados do lado de fora das portas, que não mais serão fechadas até o fim do trajeto. Apesar da superlotação, os passageiros garantem que o trem está vazio. “Hoje tá muito bom, dá até pra se mexer”, diz um deles, revelando o bom humor necessário para suportar a viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6h30, estação de Cascadura:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A situação começa a melhorar. Depois de quase uma hora de viagem e de passar por 16 estações, o trem já não está superlotado, e deve seguir assim pelas três estações restantes, até a Central. “Só é assim quando não tem atraso, ou o trem não quebra, o que é raro”, se apressa em alertar Cirlene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7h, Central do Brasil:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Após passar uma hora e meia espremida entre centenas de pessoas, a doméstica sai comemorando o que, segundo ela, foi uma das melhores viagens de trem da sua vida. Apesar da felicidade momentânea, Cirlene não pensa duas vezes antes de dar uma nota para os trens urbanos: “É zero”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-251088311323352542?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/251088311323352542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/251088311323352542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/04/trem-das-cinco.html' title='TREM DAS CINCO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Seo9qGWgwWI/AAAAAAAAAdM/Spb9gKru_nw/s72-c/tremlotado.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-843405120640150339</id><published>2009-04-14T09:08:00.000-07:00</published><updated>2011-07-06T15:34:17.724-07:00</updated><title type='text'>TRAPALHÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTPiccRjvI/AAAAAAAAAck/1qxc62w8hAM/s1600-h/Didi-teresinha.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 227px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTPiccRjvI/AAAAAAAAAck/1qxc62w8hAM/s400/Didi-teresinha.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324608850116054770" /&gt;&lt;/a&gt;O cara botou Novalgina e Sonrisal no nome de um personagem e deu certo; escreveu cenas que jamais saíram da memória de quem as viu; pulverizou, com a ajuda de Mussum e Zacarias, qualquer idéia que Chico Buarque tenha tentado passar pra quem escuta Teresinha; quintuplicou a popularidade de Amelinha com uma paródia; e ainda por cima é Vasco. Por que, então, esse cara não pode escrever um romance?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Renato Aragão resolveu estrear na literatura e publicou Amizade Sem Fim, um romance com cenas de sexo e violência, a crítica caiu de pau, com direito a resenha irônica em revista de circulação nacional. O livro foi um dos ganchos da entrevista, feita na casa dele, enquanto uns gatos circulavam entre os sofás da sala que dava pra uma piscina. O outro gancho era a proximidade dos 70 anos do cara que escreveu, entre dezenas de roteiros, Saltimbancos Trapalhões, O Cangaceiro Trapalhão e Os Trapalhões e o Mágico de Oroz. E que escreveu também – por que não? – Amizade Sem Fim, se bem que o romance dele eu não li ainda.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição número 276, de 22 de novembro de 2004:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Sou um palhaço, vou morrer fazendo humor infantil, circense, primário, humor de palhaço. Para isso não como carne, gordura, fritura, bebo só socialmente. Para conservar o meu físico, poder pular, saltar janela, porque o meu humor é visual. O dia que eu não puder fazer tudo isso, vou parar."&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os fãs de Didi Mocó que aguardem. Renato Aragão, que completará 70 anos em janeiro, lança na quarta-feira 17 seu primeiro romance, Amizade sem Fim, pela editora Mondrian. A história, que aborda temas religiosos, mostra a violência carioca e cenas de sexo, desconstrói a imagem do humorista cultivada há décadas. Há dois anos ele escreveu um livro de pensamentos, Meus Caminhos. Dessa vez se propôs um desafio maior. Pai de cinco filhos (Paulo, 43, Ricardo, 41, Renato Jr., 38, Juliana, 26, e Lívian, 5) e avô de oito netos, Renato garante: essa é mais uma de suas facetas. Casado há 13 anos, com Lílian Taranto, 37, mãe da filha caçula, ele não pensa em abandonar o humor circense que o tornou famoso. Só não gosta de rever seus filmes antigos, por um único motivo. “Tenho muita saudade”, resume, referindo-se aos companheiros Mussum e Zacarias, já falecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que decidiu escrever um romance?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A idéia surgiu da minha prática com roteiros. Escrevi 37 dos mais de 40 filmes que fiz. Nos últimos, surgiam idéias que não eram para temas infantis, não tinha como encaixar o Didi nelas. Comecei a perceber que aquilo daria um livro. O tempo foi passando e fui criando mais coragem. Por que não podia fazer um livro? Não era uma coisa errada. Tenho projeção nacional como palhaço, mas tinha também a pretensão de escrever pelo menos um romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não tem receio da crítica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo de se aproveitarem do Didi. Eles já vêm pra cima de mim como se fosse um livro do Didi Mocó, mas estou calejado. Nos meus filmes, estou acostumado a levar porrada. Quanto mais eu levava porrada mais bilheteria dava. O que tenho a dizer é que fiz um livro com seriedade e com minha experiência de redação nos roteiros. Se você entra na praia dos outros, acham que é um invasor. Mas me sinto um convidado, e garanto que não vou jogar papel nem garrafa na praia dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O livro tem cenas de violência e sexo. Não teme chocar seu público infantil?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem escreveu o livro foi o Renato Aragão. Meu público vê o Didi Mocó. Essa é a minha saída. Não quero deixar meu público infantil, mas o romance é outra faceta minha que não queria deixar guardada num canto. Tenho o direito de fazer alguma coisa diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nunca pensou em mudar de profissão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sou um palhaço, vou morrer fazendo humor infantil, circense, primário, humor de palhaço. Para isso não como carne, gordura, fritura, bebo só socialmente. Para conservar o meu físico, poder pular, saltar janela, porque o meu humor é visual. O dia que eu não puder fazer tudo isso, vou parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A chegada dos 70 anos o incomoda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não fala disso, não. É tanta idade que eu até nem sei mais. Minha mulher quer comemorar essa data, mas eu não gosto disso, não. Sei lá, principalmente esse número. Não sei o que vou fazer com esse número. Pula isso aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alguma crise?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, eu sou como cabrito. Vou até o último berro. A idade cronológica não me interessa. Me interessa a idade física, o que eu posso fazer no momento. Faço ginástica, passo fome, sempre fiz dieta, passei minha vida toda me policiando. Afinal, uso o corpo para fazer as crianças rirem, é minha ferramenta de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTQUzjLbsI/AAAAAAAAAc0/Mueeq3vJ_zM/s1600-h/didifutebol.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTQUzjLbsI/AAAAAAAAAc0/Mueeq3vJ_zM/s320/didifutebol.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324609715312488130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Como mantém a forma?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jogo futebol uma vez por semana e caminho sempre que posso, de 30 a 40 minutos. Aliás, eu dou conselho a qualquer um: troque seus remédios, seus comprimidos por um par de tênis, porque ele resolve todos os seus problemas físicos, mexe com tudo, seu corpo, sua cabeça. Aquela insônia, aquela depressão que às vezes você tem, tudo passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em algum momento de sua vida se achou velho?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tive a crise do vovô. Foi terrível. Me senti velho mesmo, foi a única coisa que me derrubou. A enfermeira chegou com minha neta dizendo “olha aí o vovô”, e eu disse “que que é isso?”. Queria já sair na porrada com a enfermeira. Foi difícil na época, mas hoje em dia já esculhambou tudo, tenho oito netos. Me acostumei. A tudo você se acostuma, né? (a neta mais velha de Renato é Inara, 22 anos, filha de Ricardo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ser pai aos 64 anos rejuvenesce?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isso é verdade. Quando pensei que tinha encostado a chuteira vi que iria começar tudo de novo. Na verdade é isso. A liberdade que você tinha acaba. É o único problema. No resto, é maravilhoso, parece que você revive, renasce. Vou ter que viver o suficiente para dar uma boa educação a Lívian. Isso é a única coisa com a qual me preocupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É um pai presente?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vou buscar no colégio sempre que posso e já fui até a festa de criança na escola. Foi uma festa caipira. Para mim é complicado ir a essas festas. A criançada cai em cima, fica aquele tumulto. Adoro, mas quando a coisa aperta eu saio fora. Dessa vez não podia decepcionar, todos os pais estavam lá. Eram mais de mil pessoas. Ainda bem que tinha gente do colégio que compreendeu a situação. Cheguei lá, dei um tchau pra Lívian, ela piscou pra mim, e quando a garotada veio eu atendi rapidamente e saí logo depois. Cumpri minha missão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Restringe os programas que a Lívian assiste na televisão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nem eu nem a Lílian deixamos ela ver violência ou programas impróprios. Você hoje assiste um desenho animado japonês e o cara desmancha a cabeça do outro com uma pistola do futuro, o futuro dela. Se você for ver todos os canais, tevê aberta e a cabo, vai ter uns 80 assassinatos por dia, um mau exemplo danado. Mas a gente também não diz “sai daí”, não, porque o proibido atrai. Quando começa a passar algo que achamos ruim falamos “Lívian, dá licença um instantinho, vamos ver o que tem ali no outro canal?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como se sentiu ao ser acusado pelo Grupo Gay da Bahia (em julho passado) de insultar os homossexuais com suas piadas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem faz humor tem que ser irreverente. Não se pode, em lugar nenhum, ser 100% politicamente correto num veículo de comunicação. Mas eu policio tudo, procuro não sacanear muito as pessoas gordas, nem as feias ou os homossexuais. Mas, enfim, o humor vive disso, então temos de dar uma pincelada sem agredir ninguém. Agora, quem de vez em quando não dá um escorregão? Às vezes, você acha que não atingiu ninguém com uma piada e atingiu. Há muitos anos, ainda na Tupi, fiz um super-homem que bebia óleo e tomava sopa de prego, era o homem de ferro. Não percebi nada, nem o diretor do meu programa, mas alguém viu e lembrou que as crianças em casa podiam, de repente, pegar um bocado de prego ao alcance da mão e botar na água para tomar. Olha o problema criado. Temos que ter muito cuidado com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTQm3wKzyI/AAAAAAAAAc8/N3nMgwnad6o/s1600-h/mussum.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 343px; height: 336px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTQm3wKzyI/AAAAAAAAAc8/N3nMgwnad6o/s400/mussum.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324610025678360354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Acha que a cobrança em ser politicamente correto está maior hoje em dia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Hoje não poderia metade das piadas dos Trapalhões. O Mussum, por exemplo, tomava umas e assumia. Isso era verdadeiro e era ótimo. Ele dizia: “Vim do morro, posso tomar pinga e não vou esconder, que é pior”. Mas o Mussum tinha uma cumplicidade com os espectadores que mostrava que só ele podia fazer aquilo, o resto, não, porque só quem se estrepava na piada era ele. Hoje nem comentar isso em televisão você pode, e eu sou o maior fiscal disso. Vejo nas novelas o ator chegar em casa e pegar um copo de uísque. Os amigos vão a um bar conversar e já tem cerveja. Não pode fazer isso. Você tá induzindo inconscientemente o adolescente que tá começando na vida a chamar o amigo para ir a um bar, está fabricando alcoólatras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você concorda com quem diz que A Turma do Didi está parecida com os antigos Trapalhões?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi coincidência isso. Decidi montar uma curriola exatamente para não ficar parecido, porque na época que começamos A Turma a Globo estava reprisando os Trapalhões. Aí o Jacaré e o Tadeu Mello se identificaram com Mussum e Zacarias. Só faltava trazer o Dedé Santana, se bem que o Marcelo Augusto também ficou um pouco parecido com ele. A garotada gostou deles, mas é o pessoal que não conheceu os Trapalhões e não compara, porque o duro é a comparação. Ninguém iria aceitar se fosse uma substituição. Tem substituto para o Mussum? Para o Zacarias? Para o Dedé? Não, eles são eles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-843405120640150339?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/843405120640150339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/843405120640150339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/04/trapalhao-na-literatura.html' title='TRAPALHÃO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SeTPiccRjvI/AAAAAAAAAck/1qxc62w8hAM/s72-c/Didi-teresinha.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-503374953281091647</id><published>2009-03-04T11:20:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T11:37:08.546-08:00</updated><title type='text'>MIMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7W6Ly8j6I/AAAAAAAAAcE/a7LFLAGpUDQ/s1600-h/macaca2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7W6Ly8j6I/AAAAAAAAAcE/a7LFLAGpUDQ/s320/macaca2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309417305803624354" /&gt;&lt;/a&gt;A voz do outro lado do telefone estava revoltada, porque uma macaca, dizia ela, mordera a criança de seis anos, filho dela; e a bicha era uma fera, enchia o saco de todo mundo no Alto Leblon, entrava nas casas pra roubar comida, infernizava os cachorros etc etc etc. Problema sério, talvez o maior do bairro no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três telefonemas depois, a macaca já tinha nome, Mima, história e sentença. Apesar de alimentada por moradores da área, era culpada. De roubo, invasão de domicílio e agressão a uma criança de seis anos. A arte da matéria retratou a bicha com dentes de vampiro e olhar diabólico e assim ela saiu no jornal, o que motivou outro telefonema, mais revoltado do que o primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque aquilo era uma injustiça, a macaca era ótima, dizia a senhora de idade, que dava ovo, banana, amendoim e milho pra Mima, todo dia. E ela era mansa, só tinha mordido o garoto porque aqueles meninos, uns demônios, ficavam atirando pedras na coitada; e se o Ibama aparecesse pra levar ela embora, iam ver só. Ia descer todo mundo na rua pra impedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nova leva de telefonemas, surge a origem da macaca no Leblon, novos nomes para ela e uma denúncia grave. Um roubo, de uma arma branca. Mas a segunda matéria é totalmente favorável à Mima, um libelo pela liberdade dos animais silvestres, pela convivência pacífica entre as espécies, apenas com um aviso sutil no fim. Afinal de contas, alguém denunciara um roubo, de uma arma branca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, as duas matérias.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil, edição de quinta-feira, 12 de setembro de 1996&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7XF6XysWI/AAAAAAAAAcM/WbH3i0ibPMY/s1600-h/macaca4.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7XF6XysWI/AAAAAAAAAcM/WbH3i0ibPMY/s320/macaca4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309417507284758882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;“Meu filho aproximou-se da macaca porque ela estava na calçada e, sem ter feito nada, foi atacado. Ela arranhou e mordeu a perna dele”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma macaca-prego, com menos de 60 centímetros de altura, vem acabando com a paz num dos locais mais tranqüilos do Rio. “Moradora” do Alto Leblon e conhecida pelos “vizinhos” das ruas Sambaíba e Timóteo da Costa, a macaca já atacou um menino de 6 anos e tem o hábito de invadir casas da região para roubar comida. Apesar dos transtornos que costuma causar, conquistou a simpatia de alguns moradores, que a alimentam com frutas e biscoitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apelidado de “Mima”, o animal pertencia a uma antiga moradora da Rua Sambaíba, que se mudou há cerca de três anos e não o levou. “Mima” continuou na Sambaíba, sem incomodar ninguém, até ser expulsa por uma obra no terreno da casa onde costumava se esconder. Desde então, tem sido vista com mais freqüência no Leblon, nas redondezas do número 149 da Rua Timóteo da Costa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último dia 30, a macaca atacou Ricardo, de 6 anos, quando o menino voltava da escola. “Meu filho aproximou-se da macaca porque ela estava na calçada e, sem ter feito nada, foi atacado. Ela arranhou e mordeu a perna dele”, conta a comerciante Patricia Marcondes, de 36 anos, moradora do número 215 da Timóteo da Costa. Patricia chegou a pedir que o Ibama tomasse alguma providência em relação ao animal, mas não obteve resposta. “Tenho ligado diariamente pra lá, mas eles não fazem nada”, protesta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ser incomodada, “Mima” continua exercitando sua ousadia pelas casas do Leblon. Um de seus passatempos prediletos é invadir o apartamento do diretor de fotografia Luís Paulo Peixoto, no quarto andar do número 91 da Sambaíba. “Ela aparece de vez em quando na varanda, para roubar a comida do meu cachorro, e causa um tumulto enorme. Fica a macaca gritando de um lado e o cachorro latindo do outro”, conta Luís Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o biólogo Valdir Ramos Júnior, da Fundação Rio Zôo, o macaco-prego é uma espécie comum na Mata Atlântica e costuma alimentar-se de frutas. “Chega a ser comum a criação dessa espécie em residências. Mas seus dentes são muito grandes e uma mordida certamente causa problemas sérios”, explica o biólogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A atual casa da macaca-prego do Leblon fica ao lado de uma produtora de vídeo, onde “Mima” já é mais do que conhecida. “Trabalho aqui há um ano e sempre vi essa macaca. Quem está há mais tempo no bairro diz que ela é antiga na área. Muita gente a alimenta, mas ninguém é dono dela”, diz a secretária da produtora, Lúcia Cosenza, de 31 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alimentada por uns e odiada por outros, o certo é que “Mima” não deverá desfrutar da vida de moradora de um dos bairros mais valorizados do Rio por muito tempo. “Na sexta-feira (amanhã) vamos deslocar um carro para recolher a macaca”, garantiu, ontem, o chefe de Fiscalização do Ibama, Luís Antônio Ferreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil, edição de sábado, 14 de setembro de 1996&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7XVko9OWI/AAAAAAAAAcU/fQ9m3RVdPgU/s1600-h/macaca3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 263px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7XVko9OWI/AAAAAAAAAcU/fQ9m3RVdPgU/s320/macaca3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309417776329079138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;“Toda a rua está de sobreaviso. Se o Ibama chegar, vamos descer e impedir que levem a macaca. Ela é mansa e só mordeu o garoto porque os meninos costumam jogar pedras nela”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma campanha de moradores do Alto Leblon pode fazer com que o Instituto Brasileiros de Recursos Naturais e Renováveis (Ibama) desista de recolher a macaca-prego que há sete anos habita um dos bairros mais prestigiados do Rio. Denunciada pela comerciante Patricia Marcondes – que teve o filho arranhado pelo animal –, a macaca seria recolhida pelo Ibama ontem, mas os técnicos do instituto preferiram reavaliar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Ibama decide se recolhe ou não o animal, os ecologistas de ocasião do Alto Leblon se mobilizam para defender a “vizinha” contra os moradores que não agüentam mais a ousadia da macaca, também acusada de invadir casas para roubar comida e objetos. “Toda a rua está de sobreaviso. Se o Ibama chegar, vamos descer e impedir que levem a macaca. Ela é mansa e só mordeu o garoto porque os meninos costumam jogar pedras nela”, diz Lia Machado Portela, 73 anos, moradora do número 179 da Cortes Sigaud, que alimenta a macaca diariamente com ovos, banana, milho e amendoim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de colecionar simpatizantes e desafetos, a macaca-prego do Leblon é pródiga em nomes. Mima, Chiquinha e Monkey são apenas alguns dos apelidos que ganhou ao longo dos sete anos de convivência com os “vizinhos”. A primeira moradora da área a batizar o polêmico animal foi a psicoterapeuta Márcia Gruber, de 54 anos, dona da primeira casa da macaca no Leblon, no número 68 da Rua Sambaíba. “Nós a chamávamos de Monkey (macaco em inglês). Ela ficava no forro do sótão da casa e convivia perfeitamente conosco e com nossos cachorros. Depois, mudamos para um apartamento e ela ficou sem ter para onde ir”, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7XjFkpNRI/AAAAAAAAAcc/DSANuh896ac/s1600-h/macaca1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7XjFkpNRI/AAAAAAAAAcc/DSANuh896ac/s320/macaca1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309418008507659538" /&gt;&lt;/a&gt;Apesar da simpatia que angariou junto a moradores como Lia, Monkey não é acusada apenas por perturbar a ordem no Alto Leblon. “Ela já invadiu meu apartamento várias vezes e roubou um canivete do meu filho, que até hoje não consegui recuperar”, denuncia a empresária Márcia França Gomes, de 46 anos, moradora do número 215 da Timóteo da Costa. A assessoria de imprensa do Ibama informou ontem que o instituto ainda está estudando o que fazer com a macaca-prego mais famosa da zona sul carioca. Enquanto isso, ela continua a circular pelo Leblon, e agora pode estar armada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-503374953281091647?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/503374953281091647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/503374953281091647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/03/mima.html' title='MIMA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sa7W6Ly8j6I/AAAAAAAAAcE/a7LFLAGpUDQ/s72-c/macaca2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2375002741973020399</id><published>2009-02-18T10:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T17:40:07.771-08:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL – A OFERTA</title><content type='html'>Como de praxe, os caronas não paravam de tripudiar do carro. Eram dois colegas de trabalho e uma amiga, bela amiga. Voltávamos todos do velho JB, hoje um esqueleto que, dizem, vai virar hospital, e desde o rock in rio – o estacionamento do jornal, cujo chão de terra, em dias de chuva, lembrava o charco do primeiro festival – os três só sacaneavam o bom e velho Honório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um falava do barulho de coisas pendentes, marca registrada do carro; outro reclamava de andar encurvado, da falta de espaço; e a outra ria do teto solar amarrado com barbante. Ficaram nisso o tempo todo, da Avenida Brasil a Laranjeiras, achando defeitos aqui e ali no valente Gurgel, até que no final da Pinheiro Machado, ao lado da pedreira, emparelha conosco um sujeito num Del Rey prateado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SZxT24BwbqI/AAAAAAAAAb8/ZHN7ss2qUZY/s1600-h/delrey.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SZxT24BwbqI/AAAAAAAAAb8/ZHN7ss2qUZY/s320/delrey.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304206663353396898" /&gt;&lt;/a&gt;Estávamos em 1997 e o Del Rey já havia saído de linha há quase tanto tempo quanto o Gurgel. A identificação entre os dois veículos já seria natural, mas o motorista do Del Rey, que trafegava sozinho e parecia o James Belushi, resolveu aproximar de vez os laços entre os dois carros. Com a cabeça pra fora da janela, nós dois a uns 50 por hora, gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito maneiro esse teu carro, cara! Quer trocar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito estava visivelmente transtornado e o problema devia ser no casamento dele, porque quando sua primeira oferta foi recusada, já entrando na Muniz Barreto, ele emendou com um lance maior, definitivo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro e a minha mulher! Vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova recusa, ainda a 50 por hora, e o trânsito tratou de nos separar para toda a eternidade. Dentro do Gurgel, todos gargalhavam e ninguém mais falava mal do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esse texto é uma homenagem um tanto tardia a João do Amaral Gurgel, o sujeito que simplesmente inventou o Gurgel, essa maravilha da indústria automobilística nacional. João morreu no último dia 30 de janeiro. Fica aqui a homenagem do &lt;strong&gt;Relatos&lt;/strong&gt; ao grande empreendedor.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2375002741973020399?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2375002741973020399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2375002741973020399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/02/honorio-o-gurgel-oferta.html' title='HONÓRIO, O GURGEL – A OFERTA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SZxT24BwbqI/AAAAAAAAAb8/ZHN7ss2qUZY/s72-c/delrey.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3124404989332698924</id><published>2009-01-09T10:53:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T11:25:51.346-08:00</updated><title type='text'>O PALESTINO</title><content type='html'>O assunto já era complicado. O Oriente Médio. E pra dificultar ainda mais a entrevista seria em inglês, sem intérprete, com um cineasta palestino pouquíssimo conhecido por aqui, que mostrava o filme dele no Festival do Rio. Ver o filme, então, seria fundamental. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquela fila, na sala 2 do Espaço Unibanco, tava estranha à beça. Só pessoas do sexo masculino, algumas de mãos dadas, muitos cavanhaques e talvez até um quepe preto, se não for invenção da memória. Por isso a necessidade de cutucar o cara da frente e perguntar se aquele filme não era o do cineasta palestino, ao que o sujeito, dono de um dos cavanhaques da fila, respondeu, com expressão de espanto e a língua presa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nãããão, o filme é a biografia de um ator pornô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sorte, os horários coincidiam e deu pra chegar na sala 2 do Estação Botafogo, a uns 200 metros dali, antes do início da sessão, o que salvou parte da entrevista do dia seguinte, no Copacabana Palace. O resto foi salvo pela paciência do entrevistado, principalmente com o inglês de índio do entrevistador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A matéria tá aí embaixo, graças também ao gravador, aparelhinho às vezes dispensável, mas que é primordial em algumas situações. Pra entender melhor o que foi dito numa entrevista, então, com calma, voltando a fita várias vezes, é uma maravilha.   &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 221, de 27 de outubro de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SWeiBC6Ok8I/AAAAAAAAAbM/vY8fsJbv4cI/s1600-h/eliasuleiman"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 256px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SWeiBC6Ok8I/AAAAAAAAAbM/vY8fsJbv4cI/s320/eliasuleiman" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289374426214601666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;"Os governos dos países árabes fazem uma lavagem cerebral nas pessoas, usando a causa palestina em prol do nacionalismo árabe. Mas nosso drama não os atinge"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cineasta palestino Elia Suleiman, 42 anos, mora em Paris, viveu 14 anos em Nova York, onde iniciou a carreira, mas não se desliga dos problemas do Oriente Médio vividos desde a infância. Nascido em Nazaré, cidade de maioria palestina ocupada por Israel desde a criação do estado judeu, em 1948, ele tratou do tema em dois filmes premiados: Crônica de um Desaparecimento, eleito melhor filme do Festival de Veneza em 1996, e Intervenção Divina, que ganhou o prêmio internacional da crítica no último Festival de Cannes, foi exibido no Festival de Cinema do Rio de Janeiro e tem lançamento previsto para janeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que mudou entre os dois filmes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em Intervenção Divina, as coisas pioraram. Se mostrei uma situação extrema, mais violenta, é porque no primeiro filme tudo estava sob a superfície. Mas acho que esse filme tem até mais humor que o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já teve problemas por usar o humor para falar das tensões entre judeus e palestinos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com Crônica de um Desaparecimento, fui criticado no Chartage Film Festival, na Tunísia, por causa de uma cena irônica mostrando a bandeira israelense. Pensaram que eu estava vendendo minha alma ao diabo. Os governos dos países árabes fazem uma lavagem cerebral nas pessoas, usando a causa palestina em prol do nacionalismo árabe. Mas nosso drama não os atinge. O humor então não é permitido, como se não tivéssemos o direito de rir de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não acha que os países árabes ajudam a causa palestina?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eles não conhecem o assunto. Muitos árabes não têm nem sequer o senso da geografia da Palestina. E por que os governos árabes iriam querer um verdadeiro estado democrático palestino? Seria contra o que eles são: monarquias com muito petróleo, onde poucos são ricos e todos em volta, pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi ter um filme (Crônica de um Desaparecimento) financiado pelo Fundo Israelense para Qualidade dos Filmes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi uma luta. O roteiro foi premiado pelo júri deles, mas queriam me dar menos do que a verba prevista. Constituí advogado, fomos à Suprema Corte e provamos meu direito. Eles ainda queriam brigar para que o filme fosse classificado como israelense. Então eu disse não. Foi uma co-produção de Israel e França e assim foi classificado. Quase fomos à corte por isso também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SWei7CdGkQI/AAAAAAAAAbU/_Dlz8brX6_0/s1600-h/eliaarafat.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 146px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SWei7CdGkQI/AAAAAAAAAbU/_Dlz8brX6_0/s200/eliaarafat.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5289375422524854530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Esse também foi o problema no Oscar (em janeiro desse ano, a Academia retirou Intervenção Divina da disputa por não considerar a Palestina um país)?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aquilo foi mais uma conseqüência de um problema maior&lt;br /&gt;e mais antigo. Sempre quis que meus filmes fossem palestinos, mas para Israel e seus aliados a Palestina não existe. É insuportável para eles a noção da Palestina existindo dentro de Israel. Por isso nos deram esse nome político de árabe israelense, para negar o fato de que antes de 1948 havia uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é ser um palestino em Israel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É um completo apartheid. Eles olham para baixo diante dos palestinos. Nós nos sentimos inferiores em nossa própria terra, que foi tomada por outro país. Me lembro de quando era pequeno e ia com minha mãe a uma área judia comprar algo. Se eu falasse alto em árabe, ela logo me mandava fazer silêncio, porque, se percebessem nossa origem, iriam nos tratar de forma rude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que escolheu fazer cinema?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Queria fazer filmes desde os 20 anos, mas não tinha condições. Até que, em 1991, um sujeito de origem libanesa que estava fazendo um vídeo em Nova York me contratou para traduzir do árabe para o inglês. Preparei um projeto sobre como os árabes eram vistos pela mídia ocidental e negociei para que, em vez de receber pagamento, meu material fosse aproveitado. Foi um sucesso e ganhei uma comissão para fazer um outro vídeo, que me deu recursos para um pequeno filme (Guerra do Golfo... E Depois?, de 1993).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Teve outros empregos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Primeiro lavei louça em Londres, para onde fui aos 17 anos. Tocava bateria numa banda heavy metal em Nazaré e queria ver shows de rock em Londres. Deixei crescer uma barba porque não tinha idade para entrar no bar onde trabalhava. Também fui operador de fotocopiadora em Nova York. Eram 12 horas por dia na máquina, o que me deixou com trauma do barulho da folha indo e voltando. Os três primeiros anos em Nova York foram terríveis. Tinha 21 anos, tentava sobreviver e estava ilegal. Foi uma verdadeira experiência paranóica, imaginando a imigração na minha porta o tempo todo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3124404989332698924?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3124404989332698924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3124404989332698924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2009/01/o-palestino.html' title='O PALESTINO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SWeiBC6Ok8I/AAAAAAAAAbM/vY8fsJbv4cI/s72-c/eliasuleiman' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2091720567638454580</id><published>2008-12-14T17:47:00.000-08:00</published><updated>2009-08-30T11:43:45.618-07:00</updated><title type='text'>SÉTIMO DIA</title><content type='html'>A esperança tinha acabado havia uns bons vinte minutos. Com 2 a 0 contra e nenhum dos resultados necessários acontecendo, a tragédia era inevitável. Mas sair do estádio era impossível. Um anjo exterminador qualquer o impedia, o mantinha de pé, em cima da cadeira social, como muitos que também não conseguiam deixar o local, já meio vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXAjcHG_NI/AAAAAAAAAbE/PLpd13ku0Ks/s1600-h/edmundo1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 245px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXAjcHG_NI/AAAAAAAAAbE/PLpd13ku0Ks/s320/edmundo1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279837853235739858" /&gt;&lt;/a&gt;Nos minutos finais, esqueceu o jogo e decidiu observar só o xará em campo. Queria ver a reação dele com o apito final. Uma espécie de homenagem, já que, sem vontade de gritar porra nenhuma, mal acompanhou o Ah! É Edmundo! entoado perto do fim da partida. O time estava rebaixado, mas a homenagem era válida, porque era o último jogo da carreira do cara e porque o que ele fez em 1997 é para ser reverenciado em qualquer circunstância, não importa um Mundial perdido, muito menos uma Copa do Brasil. E com o rebaixamento consumado, Edmundo cobriu o rosto com a camisa e, de cabeça baixa, começou a andar na direção do vestiário, para logo ser encoberto por um enxame de jornalistas, como na conquista daquele Brasileirão antológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem depois disso ele conseguiu sair do estádio. Ficou em pé nas cadeiras por uns cinco, dez minutos, observando colegas de sofrimento como o garoto de dezesseis anos, no máximo, que usava uma dessas camisas retrô, do time de 87, o que o fez lembrar que ele tinha uma camisa igual àquela no armário, com a diferença que a dele não era retrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto fazia cara de dor e não chorava. Estava entre os abnegados que ainda conseguiam gritar o nome do time, que ainda tinham forças pra dar provas ostensivas de seu amor pelo Vasco. Mirrado, sozinho, chegou a berrar contra quatro sujeitos umas oito fileiras de cadeiras acima dele, que faziam parte de outra leva de torcedores, a dos que preferiam xingar o time inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flamenguistas! Flamenguistas! Gritava o moleque mirrado, com a camisa de 87, e era tão improvável uma porrada entre ele e os quatro adultos revoltados que estes, mesmo ouvindo o garoto muito bem, preferiram nem olhar pra ele, que às vezes batia palmas ironicamente e falava, alto ainda: Isso mesmo! Xinga o Vasco mesmo! Flamenguistas! E nisso ele teve a impressão que o garoto já chorava, mas não ficou pra conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXAUjxm8ZI/AAAAAAAAAa8/v7gKQXem74c/s1600-h/Vasco1923.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 183px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXAUjxm8ZI/AAAAAAAAAa8/v7gKQXem74c/s320/Vasco1923.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279837597595005330" /&gt;&lt;/a&gt;Saiu de cima das cadeiras e passou a caminhar a esmo pelas sociais. A cabeça latejava ligeiramente. O time, bicampeão sul-americano, tetra brasileiro, único dos grandes do país a começar de baixo, voltava à segunda divisão 86 anos depois de subir pela primeira e única vez, quando conquistou o campeonato carioca em sua estréia na competição, com um time de negros, pobres e mulatos, que desbancou os principais adversários – os três repletos de filhinhos de papai bem nascidos em suas hostes –, o que garantiu ao Vasco, graças a Deus, três vitórias nos três primeiros confrontos da história com os outros grandes da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada disso consolava naquele momento. Apoiado na grade entre a social e o gramado, ele ainda acompanhou o resgate de um idiota que fingiu que tentava se matar, sem noção de que poderia ter morrido mesmo com aquela brincadeira estúpida, de ficar pendurado na marquise do estádio, e que chegou rindo no hospital, andando, depois de ser salvo pelos bombeiros. E ele andava também, de um lado para o outro. Chegou perto do portão principal mas não conseguiu sair. Voltou às cadeiras e de lá retornou ao portão principal, ele que nunca sequer cogitou a possibilidade de ser um daqueles malucos que xinga dirigente, que berra no meio de todo mundo, que saiu calado do estádio até quando viu o time tomar de 4 do Figueirense, outro rebaixado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o time tinha acabado de cair pra segunda divisão, a cabeça latejava e, entre a porta trancada da sala de troféus e o bar aberto, ele gritou o primeiro Cadê a Diretoria?, dando voz ao pensamento que veio à mente assim que avistou a tribuna de honra do estádio completamente vazia. Seguiu-se então um grito mais alto, inimaginável na infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cadê o banana do Dinamite?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vieram uns Filhos da Puta berrados a esmo, entre outros ditos não menos raivosos, até que um segurança o abordou, ao lado do busto do Almirante. A cabeça ainda latejava, mas a visão daquele sujeito de 1,90 m e pescoço parecido com o do Mike Tyson rendeu um segundo de raciocínio lógico, suficiente para ele continuar com os gritos, mas dessa vez com um objetivo específico: livre do anjo exterminador, precisava sair do estádio, mas sem afinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então continuou berrando, olho no olho do segurança gigantesco, e disse que era sócio do clube e que falaria o que quisesse, e que tava indo embora, porra! E nisso finalmente saiu do estádio, para se deparar com um grupo de PMs usando máscaras de oxigênio e com mais torcedores na mesma situação que ele, como o sujeito que tinha o rosto do Bill Murray, a calva do Phil Collins e os cabelos longos do Robertinho do Recife. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXADn6WwlI/AAAAAAAAAa0/fjF9umeEWZI/s1600-h/Expresso%2Bda%2BVit%C3%B3ria.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 226px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXADn6WwlI/AAAAAAAAAa0/fjF9umeEWZI/s320/Expresso%2Bda%2BVit%C3%B3ria.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279837306647659090" /&gt;&lt;/a&gt;O cara também protestava contra a diretoria, e enquanto falava, de cinco em cinco segundos, que o Vasco estava na segunda divisão, que não era Série B porra nenhuma, que era segunda divisão, mostrava as três ou quatro camisas que vestia, todas do Vasco, uma por cima da outra. E tirou do bolso o ingresso do jogo, bem bolado, com a foto do Expresso da Vitória, campeão sul-americano, cinco vezes campeão carioca em sete anos, e disse que sempre guardava os ingressos, e nisso jogou aquele fora. Guardar pra quê, porra? Agora já era, e se despediu. Deixou com ele uma das duas latas de cerveja que tinha acabado de comprar e disse Vou pra lá agora, apontando pro lado da Barreira do Vasco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda hesitou, sem saber direito pra onde ir, até que seguiu o fluxo silencioso na direção contrária. Andou alguns segundos ao lado de outros dois sujeitos, um mais velho, outro mais ou menos da idade dele. O mais moço lembrava ao mais velho algo que tinha acontecido na semana anterior, quando o outro, ao que parece, enchera a cara sem condições físicas pra isso. E o sujeito, cabeça e bigode brancos, nem dava ouvidos. De cabeça baixa, como o Edmundo, respondeu com uma frase apenas: Hoje é uma situação especial. E o outro ficou calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também entrou no bar perto da social. Pediu uma bohêmia, sentou numa mesa improvisada do lado de fora e bebeu até escurecer, coisa de uns vinte minutos. Depois saiu andando até os bares próximos à arquibancada, mas os dois botecos estavam fechados. Sobravam apenas três isopores no meio da rua e uns oito sujeitos bebendo latinhas em pé, observados por seis PMs, que conversavam tranqüilamente apoiados em seus porretes de borracha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então decidiu procurar um táxi. Andou quase até o Pavilhão de São Cristóvão quando encontrou um, de um coroa que ouvia um programa de esporte qualquer no rádio, com alguém dando pitaco sobre o rebaixamento do Vasco. Consciente, o taxista viu a camisa do passageiro e trocou rapidamente para uma estação FM. Antes de deixá-lo no bar perto de casa, se revelou torcedor do América e disse que entendia perfeitamente o que o outro sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUW_xwSQ1xI/AAAAAAAAAas/JFBJpv-A_6g/s1600-h/mercosul1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 223px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUW_xwSQ1xI/AAAAAAAAAas/JFBJpv-A_6g/s320/mercosul1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279836999657772818" /&gt;&lt;/a&gt;Ele acreditou, aceitou as palavras solidárias do taxista e entrou no bar. Comprou quatro Originais e foi pra casa. Preparou um cigarro artesanal, abriu a primeira cerveja e, ainda com a camisa do Vasco, iniciou a sessão de DVDs. Começou com a Libertadores de 98 e botou depois a Mercosul, o jogo inteiro da final. Bebendo e fumando, começou a cambalear de sono no primeiro gol do Romário e antes de adormecer no sofá, com os olhos já fechados, ouviu a narração do gol da vitória, do Romário também, e ao fundo, na saída de som da televisão, a torcida gritava que o Vasco é o time da virada, que o Vasco é o time do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A matéria abaixo não tem absolutamente nada demais. Nem entrevista teve. Foi só um apanhado da semana, depois de mais uma briga entre Romário e Edmundo. Mas, nesse momento difícil, resolvi botar o texto aqui, ao menos para relembrar um tempo não tão distante, em que o Vasco, mais uma vez, dominava o futebol brasileiro. Hoje a situação é outra, mas daqui a pouco volta a ser como era antes, não importa a torcida de nossa "mídia" esportiva, ou as arbitragens da CBF, ou as intervenções de governadores num clube, ou os ex-ídolos que viraram deputados. O Vasco vai voltar ao topo, porque o Vasco sempre volta. É só esperar.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 28, de 14 de fevereiro de 2000:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SprHzgiEwXI/AAAAAAAAAek/Y7BbtAudzWM/s1600-h/edmundobracadeira.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SprHzgiEwXI/AAAAAAAAAek/Y7BbtAudzWM/s200/edmundobracadeira.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375828792940216690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;"Ele é falso e me tirou tudo o que conquistei no Vasco (...) Uma pessoa que acabou de chegar não pode ocupar a posição de capitão" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SprIKrLiZ2I/AAAAAAAAAes/ao4b-_l1_Sw/s1600-h/romariobracadeira.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 156px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SprIKrLiZ2I/AAAAAAAAAes/ao4b-_l1_Sw/s200/romariobracadeira.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5375829190935471970" /&gt;&lt;/a&gt;"A braçadeira veio para o meu braço porque eu tenho braço. Se não tivesse, não haveria esse problema"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durou pouco a tentativa de reconciliação entre Romário e Edmundo, as duas estrelas do Vasco da Gama e os dois maiores salários do futebol brasileiro: R$ 450 mil mensais para cada um. O pomo da discórdia entre os ex-amigos e atuais desafetos foi a disputa pela braçadeira de capitão do time. Escalado para o jogo contra o Palmeiras, no sábado 5, Edmundo deixou o estádio do Parque Antártica meia hora antes do jogo, alegando estar indisposto. No dia seguinte, já no Rio, o craque confessou que não gostou de ver Romário, que o substituíra como capitão durante as férias, efetivado no posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele é falso e me tirou tudo o que conquistei no Vasco", disse Edmundo. "Uma pessoa que acabou de chegar não pode ocupar a posição de capitão", protesta. Romário não respondeu diretamente, mas foi irônico. "A braçadeira veio para o meu braço porque eu tenho braço. Se não tivesse, não haveria esse problema", disse, depois do treino da última segunda-feira. O bom humor de Romário não é à toa. Desde que está no Vasco, marcou 13 gols em apenas 11 partidas. Seis dos sete gols que a equipe fez na Copa Rio-São Paulo saíram dos pés do baixinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sl9rK0EeAGI/AAAAAAAAAeM/9zXjthb8TpE/s1600-h/edmundomacaco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 288px; height: 254px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sl9rK0EeAGI/AAAAAAAAAeM/9zXjthb8TpE/s320/edmundomacaco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359119915114430562" /&gt;&lt;/a&gt;O presidente do clube, Antônio Soares Calçada, suspendeu Edmundo por dez dias, porque o jogador abandonou o estádio minutos antes da partida contra o Palmeiras. O presidente confirmou que a decisão de efetivar Romário como capitão do time foi tomada na véspera do jogo contra o Palmeiras. "Edmundo precisa de paz, mas ele não tem equilíbrio emocional para ser capitão", disse Calçada. "Se eu não tenho controle emocional, eles não deveriam ter me deixado ser capitão do time por tanto tempo", retruca Edmundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romário, que havia jogado no Vasco no início da carreira e em dezembro voltou ao clube que o formou para o futebol, depois de ser afastado do Flamengo, evitou o conflito com o companheiro de time. Tudo mudou depois das últimas declarações de Edmundo, chamando Romário de falso. O baixinho não respondeu diretamente, mas não ficou calado. "Basta observar o dia-a-dia do time para tirar as conclusões e perceber quem é o quê", disse o craque. "Sei que todos esperam que eu fale algo sobre tudo isso, mas minha cabeça agora é outra", emendou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da estratégia atual de evitar o confronto, foi Romário quem começou a dar motivos para a briga. Logo após a decisão da Copa do Mundo de 1998, o atacante divulgou as caricaturas pintadas nas portas dos banheiros de sua boate, o Café do Gol, na Barra da Tijuca. Em uma delas, Edmundo aparecia sentado numa bola murcha, ao lado da modelo Cristina Mortágua, com quem ele teve um filho, Alexandre, hoje com 5 anos, fruto de uma relação extraconjugal. Romário acabou recuando dias depois. Retirou as charges diante da reação de Zagallo, que inspirou outro painel. O ex- técnico da seleção brasileira - que foi estampado numa privada, enquanto Zico segurava um rolo de papel higiênico para ele - ingressou na Justiça contra o baixinho para vetar o uso de sua imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica esfriou depois que Edmundo foi para a Fiorentina, da Itália, mas voltou a esquentar no retorno do atacante para o Vasco. Em julho, na véspera da decisão do campeonato carioca de 1999 entre o Vasco de Edmundo e o Flamengo de Romário, o craque vascaíno provocou os rubro-negros dizendo que seu time ganharia de dez a zero. No centro do gramado, antes do início do jogo, os dois capitães mal se cumprimentaram e sequer se olharam. Após a vitória do Flamengo por um a zero, Romário afirmou que os que o provocaram tinham de fazer muita coisa para chegar aonde ele chegou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trégua entre os dois veio três meses depois da decisão do campeonato carioca, quando Edmundo passou uma noite na prisão, condenado pela morte de três pessoas num acidente de carro em 1995. Em 6 de outubro, na noite da prisão, Romário fez um gol pelo Flamengo e exibiu uma camiseta com mensagem de apoio ao antigo amigo. Fora da cadeia, Edmundo retribuiu a gentileza, após marcar um gol contra o Botafogo de Ribeirão Preto, pelo campeonato brasileiro, numa camiseta com a inscrição "Valeu pela força".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sl9raiS0TXI/AAAAAAAAAeU/Tlkz5PbAPIM/s1600-h/Edmundo_romario.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 283px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/Sl9raiS0TXI/AAAAAAAAAeU/Tlkz5PbAPIM/s400/Edmundo_romario.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359120185220681074" /&gt;&lt;/a&gt;A solidariedade não foi suficiente para evitar novas brigas, mesmo quando Romário foi contratado pelo Vasco. Nos cinco primeiros dias treinando juntos, os dois craques trocaram apenas um tímido aperto de mão. Nos jogos pelo Campeonato Mundial de Clubes, realizado em janeiro, renasceu a esperança de reconciliação. Na partida entre o Vasco e o Manchester United, da Inglaterra, o time brasileiro venceu com um gol de Edmundo e dois de Romário, o primeiro deles depois de um passe do Animal. Os jornais exibiram a foto dos dois craques abraçados, comemorando o gol, mas tudo não passou de um ato isolado. Um mês depois do jogo, Romário e Edmundo estão mais distantes um do outro do que nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2091720567638454580?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2091720567638454580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2091720567638454580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/12/stimo-dia.html' title='SÉTIMO DIA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SUXAjcHG_NI/AAAAAAAAAbE/PLpd13ku0Ks/s72-c/edmundo1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-6324075842841650723</id><published>2008-12-03T11:37:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T11:39:58.627-08:00</updated><title type='text'>REGISTRO</title><content type='html'>Vá em paz Napoleão Segundo. Honório e Bóris te dão as boas vindas no retiro dos carros amigos. E longa vida a Napoleão Terceiro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-6324075842841650723?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6324075842841650723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6324075842841650723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/12/registro.html' title='REGISTRO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-7471909613826754798</id><published>2008-12-01T08:31:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T04:40:49.945-08:00</updated><title type='text'>BAIXO ASTRAL</title><content type='html'>A matéria teve fotos de 16 personagens e histórias de 31. Duas com destaque de manchete, sete também com certo espaço, de umas vinte linhas, e o resto resumido em até cinco, no máximo. Em perfis mais ou menos detalhados, estavam lá, entre outros, o estudante de 13 anos, a costureira de 52, o auxiliar de escritório de 23, o aposentado de 61 e a professora de 42. Todos mortos pelas chamadas balas perdidas, aquelas que pipocam de um tiroteio qualquer e atingem quem não tem nada a ver com a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/STQTq76_6mI/AAAAAAAAAUM/3k1x6W8vty0/s1600-h/gabrielabala"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 256px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/STQTq76_6mI/AAAAAAAAAUM/3k1x6W8vty0/s320/gabrielabala" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274862691918277218" /&gt;&lt;/a&gt;O gancho da matéria partiu de uma história absurda, de uma menina linda de 14 anos, filha única, de classe média, superprotegida pelos pais, que por isso vibrou de alegria quando, por telefone, a mãe deixou que ela pegasse o metrô sozinha numa estação e saltasse na seguinte para encontrá-la, tudo no bairro onde morava. E graças ao retardamento psicológico de quem resolve assaltar uma estação de metrô e à estupidez de dois policiais trapalhões, que resolveram reagir sem condição mental para isso, a menina, Gabriela, foi atingida por um tiro quando descia a escada do metrô. Morreu a caminho do hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia era reunir os casos fatais de bala perdida no estado e chegou-se ao número de 45 mortos entre maio de 2002 e maio de 2003, 31 deles na mui amada cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A estatística era da Secretaria de Segurança e só tinha isso mesmo: números de casos divididos por meses. Nada de nomes, nem endereços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi preciso uma pesquisa daquelas bem chatas, em jornais populares, para conseguir identificar as 31 vítimas, e como também tinha que marcar entrevista, foto, ir entrevistar, tirar foto de pelo menos sete personagens, a matéria demorou um pouco pra ficar pronta. Tanto que o gancho mudou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarenta e um dias depois da morte de Gabriela no metrô, outra menina, essa de 19 anos, conversava com colegas no pátio da faculdade onde estudava, num intervalo entre as aulas. Sentada num banco, a menina, Luciana, estava encostada na parede, e assim foi atingida por um tiro na altura da mandíbula que a deixou tetraplégica. Não morreu, e por isso não constou das estatísticas da Secretaria de Segurança, que naquela época só contava as mortes, sem nomes, a maioria aqui na nossa cidade maravilhosa, do balconista de lanchonete de 24 anos, da dona-de-casa de 64, do subgerente de supermercado de 40, da vendedora de 25, do motorista de 27...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Essa matéria ficou bem grande, dois textos principais, da Luciana e da Gabriela, e seis coordenadas com mortos e feridos, além de 27 microtextos das outras vítimas fatais. Botar tudo aqui seria desnecessário. Vai abaixo só uma das coordenadas, que é mais do que o suficiente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 198, de 19 de maio de 2003:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No dia seguinte, a menina brincava no pátio da escola quando foi baleada na cabeça. Segundo o depoimento de uma colega, Jéssica ainda disse que a cabeça doía e pediu socorro antes de desmaiar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/STQTJiXCY_I/AAAAAAAAAUE/vBpQ2_YsNzQ/s1600-h/jessicabala"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 170px; height: 217px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/STQTJiXCY_I/AAAAAAAAAUE/vBpQ2_YsNzQ/s320/jessicabala" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274862118120874994" /&gt;&lt;/a&gt;Na véspera da festa de amigo oculto que seria realizada na sexta-feira 6 de dezembro, na Escola Municipal Pernambuco, próxima à favela do Jacarezinho, na zona norte, a aluna da 1a série do ensino fundamental, Jéssica de Jesus Teixeira, de 8 anos, conseguiu R$ 0,50 do pai, o entregador Hélio de Jesus Teixeira. Com o dinheiro, comprou um pacote de elásticos para cabelo, embrulhou-o com o papel arrancado de um livro de figuras e mostrou ao pai, orgulhosa do presente que não chegou a ser dado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a menina brincava no pátio da escola quando foi baleada na cabeça. Segundo o depoimento de uma colega, Jéssica ainda disse que a cabeça doía e pediu socorro antes de desmaiar. Levada para o Hospital Salgado Filho, morreu dois dias depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente desempregado, O pai vive com a mulher, Cláudia Maria de Paula, e os outros quatro filhos – Paulo Sérgio, 10, Jennifer, 4, Joice, 3, e Pablo, 8 meses – em uma casa de três cômodos no Jacarezinho. Ele ainda procura entender o que aconteceu. “A perícia diz que o tiro partiu de dentro da escola, mas ninguém ouviu nem viu nada, O município diz que bala perdida é de responsabilidade do estado, e o estado diz que não é com ele porque aconteceu numa escola do município”, conta Hélio, que processa a Prefeitura e tirou o filho mais velho da mesma escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que reduza a dor pela perda da filha que sonhava em ser bailarina. “Ela tinha passado num teste para fazer aula de dança e queria que eu a levasse ao curso da Vila Olímpica da Mangueira”, lembra o entregador, que ainda tem de arranjar forças para combater a depressão da mulher e a tristeza dos filhos, principalmente de Jennifer, que tem tido febre quase toda noite. “Prefiro acreditar que a Jéssica não morreu. Ela está viva em algum lugar”, diz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-7471909613826754798?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7471909613826754798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/7471909613826754798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/12/baixo-astral.html' title='BAIXO ASTRAL'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/STQTq76_6mI/AAAAAAAAAUM/3k1x6W8vty0/s72-c/gabrielabala' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2971445106075399962</id><published>2008-11-17T05:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T11:13:20.572-08:00</updated><title type='text'>O TEXTO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGR477HFJI/AAAAAAAAATs/Ks_pyk-a644/s1600-h/m%C3%A1quina+escrever.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGR477HFJI/AAAAAAAAATs/Ks_pyk-a644/s320/m%C3%A1quina+escrever.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269653446344512658" /&gt;&lt;/a&gt;O que importava era o texto. Na correria do fechamento, jornal diário, tinha pouco mais de uma hora pra escrever a matéria, fruto de uma boa idéia do editor, que já tinha o título pronto: O Vale das Balas Perdidas. Era um texto grande de abertura e outro menor, sobre um colégio de freiras, fora alguma apuração de última hora, por telefone. E tava concentrado em tentar fazer tudo a tempo quando alguém me avisou que a matéria ia ter arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha pouco mais de três meses de jornal, vindo de outro onde o departamento de arte limitava-se à mesa do legendário Pamé, um dos maiores cartunistas de Niterói e adjacências. Quando alguém me disse que a matéria ia ter arte, fiz aquela cara de Que bom! E continuei concentrado no texto. Não percebi que também era responsável pela arte nem quando o cara de lá veio me pedir pra dar um confere no que ele tinha feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltavam uns quinze minutos pro deadline e eu finalizava o texto de abertura, ainda. Fui lá bem rápido, olhei o mapa de relance, aprovei e voltei ao meu computador. A arte era responsabilidade da arte, o que importava pra mim era o texto, que consegui entregar a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, me chama o editor, em pé, no meio da redação. Tinha língua presa, e tinha feito teatro na juventude. O esporro foi daqueles histriônicos, bem alto, porque no mapa da arte o Morro do Zinco ficava no Morro da Coroa, a Mineira ficava a léguas de distância da Rua Itapiru e o Morro dos Prazeres, de Santa Teresa, pairava atrás do cemitério do Catumbi, entre outros absurdos. Percebi ali o que ninguém tinha me dito antes, que o mapa era comigo, também. Na hora, achei melhor fingir que sabia disso do que confessar minha completa ignorância com relação a mais essa responsabilidade do repórter. Fiquei quieto e absorvi o esporro, porque, até então, o que importava era o texto, esse aí debaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Jornal do Brasil, edição de 7 de novembro de 1996:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No Educandário Nossa Senhora de Nazaré, a diretora Eliete Fernandes da Silva diz que é comum a escola virar alvo dos traficantes durante a madrugada. "Já guardamos 80 cápsulas de balas que atingiram a escola nos últimos seis meses", conta.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGSFVIBsNI/AAAAAAAAAT0/QPx_O4s8XMo/s1600-h/sambodromo_1502.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 128px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGSFVIBsNI/AAAAAAAAAT0/QPx_O4s8XMo/s200/sambodromo_1502.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269653659268002002" /&gt;&lt;/a&gt;O que o Sambódromo, o Centro Administrativo da Prefeitura, o edifício Balança Mas Não Cai e os circos que costumam se instalar na Praça Onze têm em comum? Para quem não sabe, ou ainda não percebeu, todos ficam na área mais atingida pelas balas perdidas, que ultimamente têm tirado o sono dos cariocas. Nas noites de ontem e anteontem, mais três pessoas foram baleadas no Catumbi, situado no vale das balas perdidas, aumentando para 62 o número de pessoas atingidas esse ano no Rio. Desse total, 14 estavam nos bairros do Catumbi, Estácio, Cidade Nova e Rio Comprido, que compreendem a Região Administrativa de Rio Comprido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a polícia, a guerra entre traficantes nos morros da área, que já dura mais de dois meses, tornou o local um dos pontos críticos da cidade, onde o tráfico não respeita nem as escolas. No Educandário Nossa Senhora de Nazaré, a diretora Eliete Fernandes da Silva diz que é comum a escola virar alvo dos traficantes durante a madrugada. "Já guardamos 80 cápsulas de balas que atingiram a escola nos últimos seis meses", conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para piorar ainda mais a situação, a região do Rio Comprido é cercada por 15 favelas, que, de acordo com os dados do Instituto Municipal de Informática e Planejamento (Iplan) - baseados no censo de 1991 -, abrigam 25.699 do total de 82.344moradores dos 6,11 quilômetros quadrados da área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o comandante do Primeiro Batalhão de Polícia Militar, coronel Jorge Siqueira, os constantes tiroteios entre traficantes nos morros de São Carlos, da Mineira, do Zinco, Querosene, Falet, Coroa e Fogueteiro - que formam o Complexo do Estácio - fazem com que os bairros do Estácio e, principalmente, do Catumbi, sejam os principais alvos das balas perdidas. "Sempre fizemos operações de rotina nesses locais, independente desse crescimento de casos de balas perdidas. Nos últimos meses, apreendemos quatro fuzis e uma grande quantidade de revólveres e pistolas na região", disse o coronel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGSSeyA2VI/AAAAAAAAAT8/0bbetLSuV6E/s1600-h/dadinho.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGSSeyA2VI/AAAAAAAAAT8/0bbetLSuV6E/s320/dadinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269653885198326098" /&gt;&lt;/a&gt;A guerra nos morros citados pelo comandante do 1o BPM envolve três quadrilhas. A primeira delas controla o Morro do Zinco e era liderada por Rogerinho, preso no último domingo por policiais da 6a Delegacia Policial (Catumbi). O bando de Rogerinho faz parte do Comando Vermelho e tem como aliada a quadrilha de Nélson Gabino, o Português, e Claudinho, que controla o tráfico no Morro da Mineira. Os dois grupos estão em luta aberta contra os rivais do Morro de São Carlos, chefiados por Adílson dos Santos Balbino e seu gerente, conhecido como Gangan. A proximidade entre os morros da área, praticamente colados uns nos outros, envolve todos na guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite de anteontem, o apontador do jogo do bicho Carlos Alberto Cardoso de Mendonça, de 52 anos, engrossou as estatísticas da violência na cidade ao ser baleado na perna direita quando voltava para casa, no Morro do Zinco. A 60a vítima de bala perdida no Rio este ano foi atendida no Hospital Souza Aguiar e liberada ainda na mesma noite. Em seu depoimento na 6a Delegacia, Carlos Alberto contou que foi atingido durante um tiroteio entre traficantes da favela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meninos Rafael de Siqueira Silva, de 5 anos, e Clécio José Faria, 6, foram as últimas vítimas das balas na cidade. No fim da tarde de ontem, os dois brincavam na calçada da Rua Itapiru, no Catumbi, em frente ao número 1045, quando marginais passaram pelo local em dois carros, trocando tiros. Rafael foi atingido na região lombar e levado para o Souza Aguiar, onde está fora de perigo. Clécio foi baleado na perna direita e está internado, também fora de perigo, no Hospital da Amiu, em Botafogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2971445106075399962?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2971445106075399962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2971445106075399962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/11/o-texto.html' title='O TEXTO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSGR477HFJI/AAAAAAAAATs/Ks_pyk-a644/s72-c/m%C3%A1quina+escrever.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-2601306362877951628</id><published>2008-11-16T05:19:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T04:38:00.176-08:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL - O EIXO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSAz5P_CGXI/AAAAAAAAATc/KLMVWRNgdU0/s1600-h/eixoquebrado.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSAz5P_CGXI/AAAAAAAAATc/KLMVWRNgdU0/s320/eixoquebrado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269268622659950962" /&gt;&lt;/a&gt;Ladeira de paralelepípedo em Santa Tereza, na saída do Goiabeira, se é que ele ainda existe. Carro em ponto morto, controlando no freio, porque assim é mais legal. Até que na última curva, já avistando o batalhão de choque, um barulho estranho, tipo Clock, avisa que algo aconteceu, e você sente isso imediatamente, porque o gurgel aderna ligeiramente para a direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho seguinte é de maçarico, quando você faz a curva para a esquerda e atravessa o viaduto por baixo, e o som já parece de aparelho de dentista quando você percebe como é difícil manter o gurgel em linha reta, e como é quase impossível virar pra direita, pra onde ele tá adernado. Pára, sai, deita no asfalto e descobre que o eixo, aquele ferro que liga o pneu ao resto do carro, não tá ligado à roda. Tá balançando perto dela, tocando o pneu de vez em quando, mas ligado à roda, não tá não. O que a segura é, de um lado, o próprio eixo, que não deixa ela cair pra trás; e do outro o pára-lama rebaixado, que tira faísca do chão nas pontas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está parado às três e pouca da matina numa área da cidade que um jornal já chamou um dia de vale das balas perdidas. E como conseguiu andar uns cinqüenta metros naquelas condições, pensa mui sensatamente: por que não sair de lá, atravessar o Santa Bárbara e deixar o gurgel são e salvo em frente à oficina do lado de casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos vão na frente em outro carro, devagar, para o caso de uma desistência no caminho, mas curva pra direita, em todo o trajeto, só tem duas. E a primeira, de acesso ao túnel, é ultrapassada sem problemas, graças à pista vazia em frente ao Frei Caneca, que permite uma linha reta em diagonal, pra dar as melhores condições à roda boa, da esquerda, de fazer a curva sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSA0GgocH0I/AAAAAAAAATk/XQSfD9cTX8E/s1600-h/praiabotafogo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSA0GgocH0I/AAAAAAAAATk/XQSfD9cTX8E/s320/praiabotafogo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269268850466889538" /&gt;&lt;/a&gt;Depois linha reta no túnel, como o gurgel já sabia, e o barulho de aparelho de dentista começa a ser entremeado por alguns clocks, isso em frente ao Palácio Guanabara. A segunda curva pra direita, de acesso à Praia de Botafogo, é mais complicada, porque a rua é mais estreita, não permite a diagonal. Sinal aberto, o volante pesa barbaridade, quase não se mexe pra direita, mas o gurgel consegue completar a curva, de uns 120 graus, e finalmente embica o pára-choque na reta do viaduto que, mais quatro curvas pra esquerda e outro túnel, o deixará na porta da oficina de Seu Raimundo, em frente ao Rocha Maia, pertinho do Pinel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã seguinte, a glória. Seu Raimundo coça os cabelos brancos, ajeita os óculos, olha a roda com cara de tragédia e, do alto da experiência de anos e anos consertando carro velho, pergunta, sem acreditar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você trouxe esse carro assim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-2601306362877951628?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2601306362877951628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/2601306362877951628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/11/honrio-o-gurgel-o-eixo.html' title='HONÓRIO, O GURGEL - O EIXO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SSAz5P_CGXI/AAAAAAAAATc/KLMVWRNgdU0/s72-c/eixoquebrado.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-6479215859854350010</id><published>2008-10-27T09:15:00.000-07:00</published><updated>2010-01-12T12:50:52.195-08:00</updated><title type='text'>NOTURNO DO ESTÁCIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX8P3_U8iI/AAAAAAAAATE/xV2GeoZhcpA/s1600-h/melodia.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX8P3_U8iI/AAAAAAAAATE/xV2GeoZhcpA/s320/melodia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261889089310093858" /&gt;&lt;/a&gt;Não tinha outro começo pra matéria. Chego no apê onde Luiz Melodia dava um tempo (enquanto a casa dele em São Conrado era reformada) pronto pra entrevistar o cara. Pesquisa feita e aquela tensão ligeira, que sempre bate quando o entrevistado vale a pena. Aí ele chega na sala, cumprimenta o fotógrafo, olha pra mim e manda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ué, tem entrevista?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha passado meio mal na véspera, tava com uma cara de cansado, e por algum motivo achou que faria apenas uma sessão de fotos, em dois pontos da cidade que ele freqüentava. Aí também fiz minha cara de ué e respondi, timidamente: Tem, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara aceitou na boa. Só pediu pra gente fazer a entrevista durante as fotos, sem essa de parar, sentar num canto, ligar o gravador... Concordei, mas a conversa começou bem antes de qualquer coisa, porque Melodia sugeriu um chope no bar embaixo do prédio dele, em frente à Globo, no Jardim Botânico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, a entrevista começou antes, no elevador, quando o cara jogou por terra a propalada invencibilidade do Politheama, time de pelada do Chico Buarque. Disse que tinha levado um pessoal do Estácio pra jogar no campo do Chico e que Melodia e cia não tomaram conhecimento dos adversários. Acabamos com eles, garantiu o cantor, com certo ar de desdém. Meses depois, falando pra outra matéria com um titular absoluto do Politheama, Carlinhos Vergueiro, a versão foi outra. No sofá de sua casa, com aquela cara de goleiro argentino dos anos 70, o pai de Dora Vergueiro disse, entre risos, que Melodia só podia estar maluco, e pra ratificar sua declaração informou o placar da partida contra a galera do Estácio, algo entre 7 a 2 e 8 a 3, a favor dos donos da casa. Não há documentos que provem qualquer das duas versões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas do chope passamos à sinuca do Humaitá, que o cara dizia freqüentar, embora garantisse que não jogava bem, ao contrário do futebol. E se um dia alguém quiser apostar dinheiro com um cara que freqüenta uma sinuca mas diz que não joga bem, que aposte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX6APa8AyI/AAAAAAAAAS0/Jn1T0gBhQpU/s1600-h/saocarlos.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX6APa8AyI/AAAAAAAAAS0/Jn1T0gBhQpU/s320/saocarlos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261886621698753314" /&gt;&lt;/a&gt;A última parada foi num restaurante japonês, um que tem um pequeno lago com peixes dentro. Mas antes disso, no carro, Melodia me disse o que seria o abre da matéria se ela não fosse publicada numa revista de celebridades. O cara não ia ao Morro do Estácio, onde nasceu e foi criado, há algum tempo. E o pior: o cara tinha um enorme receio de ir lá. Tinha que avisar antes à família, pra saber se dava pra subir ou não. Em suma, pedir autorização. E quando Luiz Melodia precisa de autorização pra subir o Morro do Estácio, sei não, fica difícil à beça ser otimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 206, de 14 de julho de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Quando o bicho pega vai tudo pra minha casa. Outro dia uma sobrinha não podia subir o morro por causa de tiroteio. (...) É muito deprimente ver o lugar onde cresci daquele jeito. Me dá tristeza de chorar.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vai ter entrevista?” A pergunta de Luiz Melodia, enquanto se preparava para as fotos, dava o tom do humor do cantor na quinta-feira 3, após uma exaustiva viagem para um show em Belém. Visivelmente cansado, livrando-se dos resquícios de uma forte dor de dente na véspera, Melodia não transparecia qualquer vontade de conversar. Puro engano. Num passeio por alguns dos pontos mais freqüentados pelo músico na zona sul carioca, o filho do falecido sambista Oswaldo Melodia falou da infância no Morro de São Carlos, no Estácio, centro do Rio, ao show marcado para a quarta-feira 9, no Canecão, em comemoração aos 30 anos de carreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No roteiro de Melodia, 52 anos, a primeira parada é na lanchonete ao lado do prédio no bairro do Jardim Botânico, onde está morando nos últimos meses, enquanto sua casa em São Conrado continua em obras. Chega o primeiro chope e começa o balanço da carreira. “Nunca abaixei a cabeça diante de propostas indecentes, de tentarem me levar para o lado comercial”, diz o compositor. “Negão como eu, saído do morro, tinha que fazer só samba. Cortei isso de imediato”, afirma, lembrando da fama de maldito que teima em persegui-lo. “Me rotularam assim porque nunca fui de abrir perna pra gravadora. Foi até melhor. Se não fosse o marginal e tivesse feito o que eles queriam, talvez não estivesse trabalhando até hoje.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX6b32oYSI/AAAAAAAAAS8/cdjUH1_yigA/s1600-h/Perola_Negra-thumb.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 303px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX6b32oYSI/AAAAAAAAAS8/cdjUH1_yigA/s320/Perola_Negra-thumb.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261887096408793378" /&gt;&lt;/a&gt;O autor de “Pérola Negra” não nega as origens. Em casa, no morro considerado o berço do samba – por ter abrigado a Deixa Falar, primeira escola de samba, fundada por Ismael Silva –, Melodia arriscou os primeiros acordes. Foi na viola de quatro cordas que atiçava o ciúme do pai. Quando Oswaldo não estava em casa, o único homem entre seus quatro filhos roubava a viola, até o dia em que o instrumento quebrou. “Meu pai chegou e escondi a viola num vão na parede, mas ela caiu”, lembra o compositor, que na época tinha 12 anos e não escapou da surra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do morro, ele conserva lembranças como o coral em que cantava com as irmãs, Marise, Vânia e Raquel, na igreja presbiteriana freqüentada pelos pais. “Lá percebi que cantava direito, mas preferia soltar pipa atrás da igreja”, confessa o compositor, que morou no São Carlos até 1973, quando lançou seu primeiro disco, Pérola Negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida tranqüila na favela faz parte de um passado distante. Para visitar as irmãs no lugar onde nasceu, Melodia tem de esquecer letras de sucessos seus, como “Estácio Holly Estácio”, e telefonar antes para saber se pode subir o morro ou se há tiroteio. “Hoje há rodízio no tráfico. Do pessoal que vende drogas no Estácio, só um ou dois são de lá”, conta ele, saudoso da época em que o poder bélico dos traficantes não era ostentado diante dos moradores. “Só os mais velhos andavam armados. Quando tinha tiroteio, era mais a polícia matando os caras, não tinha essa coisa de guerra entre eles.” O músico ainda sonha em conseguir dinheiro para &lt;br /&gt;tirar a família da favela. “Quando o bicho pega vai tudo pra minha casa. Outro dia uma sobrinha não podia subir o morro por causa de tiroteio”, diz ele, que reduziu as idas ao São Carlos. “É muito deprimente ver o lugar onde cresci daquele jeito. Me dá tristeza de chorar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX8n3MsgGI/AAAAAAAAATU/2a4I4SBg7mY/s1600-h/waly.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 216px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX8n3MsgGI/AAAAAAAAATU/2a4I4SBg7mY/s320/waly.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261889501414588514" /&gt;&lt;/a&gt;Outro motivo de tristeza foram as mortes recentes de amigos como o produtor musical Almir Chediak, o compositor Itamar Assumpção e o poeta Wally Salomão. Freqüentador do Morro de São Carlos nos anos 70, Wally dirigia o show de Gal Costa em 1972. Incluiu “Pérola Negra” no repertório e deu o impulso definitivo para a carreira do cantor. Foi morando no antigo apartamento do poeta, em Copacabana, que Melodia começou a ter hábitos na Zona Sul, como o de freqüentar uma sinuca próxima ao estúdio Mega, onde grava e ensaia, no Humaitá. “Não jogo nada, mas freqüento”, diz. A relação com os restaurantes japoneses, outro de seus points prediletos, é mais próxima. O cantor tem até hashis (os tradicionais pauzinhos) próprios em dois restaurantes de São Paulo, mas não conseguiu convencer a mulher, Jane, dos benefícios da culinária japonesa. “Não como nada cru”, afirma Jane. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da relação que dura 26 anos, nasceu Mahal, único filho do casal, de 24 anos, que passa os dias compondo raps e parece ter herdado a originalidade que fez do pai um músico difícil de ser rotulado. “As letras dele são sofisticadas”, analisa Melodia. Preocupado com a ansiedade do filho em mostrar a própria produção, o autor de “Magrelinha” ao menos tem experiência de sobra para dar conselhos. “Digo a ele pra&lt;br /&gt;ficar calmo, porque o pai demorou anos pra aparecer. E até hoje é difícil pra mim.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-6479215859854350010?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6479215859854350010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/6479215859854350010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/10/noturno-do-estcio.html' title='NOTURNO DO ESTÁCIO'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SQX8P3_U8iI/AAAAAAAAATE/xV2GeoZhcpA/s72-c/melodia.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-317451011803588729</id><published>2008-09-26T11:08:00.000-07:00</published><updated>2009-12-10T15:55:50.795-08:00</updated><title type='text'>NO SALÃO DE BELEZA</title><content type='html'>Rua Figueiredo Magalhães, no meio da tarde de um dia de semana. A Copacabana barulhenta de sempre, carro pra tudo quanto é lado, gente se esbarrando na calçada e uma passagem bem estreita, entre um botequim e uma drogaria. Depois uma escada, também espremida entre as paredes, e no fim dos vinte degraus de concreto, a porta, com aquele vidro de área de serviço e o nome do local em tinta vermelha: Salão de Beleza Bezerra da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0qbK40BeI/AAAAAAAAASM/GFUmcuQ1_fA/s1600-h/bezerramaloca.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0qbK40BeI/AAAAAAAAASM/GFUmcuQ1_fA/s320/bezerramaloca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250399386851345890" /&gt;&lt;/a&gt;Atrás da porta, debruçado no balcão da entrada, o próprio. Calça preta, camisa social azul de manga curta e a boina xadrez. Conversava com a mulher, mulata de seus 50 anos que, com todo o respeito, poderia muito bem ter trabalhado com Sargentelli na juventude. Era ela quem comandava o salão, onde o único espaço livre, sem aquelas cadeiras de cabeleireiro, era a distância entre a porta e o balcão, dois metros no máximo. Bezerra arrumou dois banquinhos de plástico, daqueles de piscina, e a entrevista foi ali mesmo, interrompida algumas vezes pelo abrir e fechar da porta ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na carona do salão de beleza, a matéria enveredou pelo lado menos conhecido do cara, que ele tocava trompete, que quase tinha sido advogado e outras coisas mais, até descambar na última surpresa: a conversão à igreja evangélica. Mas sem fanatismo, como o próprio fez questão de frisar, ao contar a resposta dada a um repórter que o entrevistara sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara perguntou se ele, Bezerra, daria a outra face a quem lhe desse um tapa na cara, e ao responder, de pronto, o cantor revelou um versículo do Evangelho Segundo Bezerra da Silva (royalties: &lt;a href="http://odia.terra.com.br/blog/digitais/index.asp"&gt;Marlos Mendes&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você me der um tapa na cara e ficar na minha frente, eu vou é te sentar o dedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parava por aí o respeito aos preceitos cristãos do malandro criado no Cantagalo, o Morro do Galo, como o cara chamava o lugar. E se revelou tanta coisa na entrevista que ajudava a desconstruir a imagem de “cantor dos bandidos”, Bezerra não fez a menor questão de ser ver livre dela. Confirmou que era malandro, sim, mas do jeito dele, e pra definir cantou, sentado no banquinho de plástico, na entrada do salão de beleza, o samba de um tal Marquinhos PC, um dos compositores que ele gravava e nem sabia quem era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A letra é a seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malandro é o cara que é considerado&lt;br /&gt;Onde chega é muito bem chegado&lt;br /&gt;Num ponto de esquina, na mesa de um bar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malandro é o cara que não faz asneira&lt;br /&gt;Acorda cedo na segunda-feira &lt;br /&gt;E sai pro batente pra ir trabalhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malandro é o sujeito que é bem informado&lt;br /&gt;E na sociedade sabe muito bem onde é seu lugar&lt;br /&gt;Malandro não é batedor de carteira&lt;br /&gt;É um rapaz decente que leva a vida a cantarolar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malandro é o cara que gosta de samba&lt;br /&gt;Só freqüenta onde tem gente bamba&lt;br /&gt;E faz de tudo para agradar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malandro é o cara que venceu na vida&lt;br /&gt;E sem fazer intriga &lt;br /&gt;Tem muitas verdades lindas pra contar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Malandro é o supra-sumo da decência&lt;br /&gt;E pra você que não sabe &lt;br /&gt;Malandro é sinônimo de inteligência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0q2xSGfTI/AAAAAAAAASU/C6VUJkgbprE/s1600-h/miles1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0q2xSGfTI/AAAAAAAAASU/C6VUJkgbprE/s200/miles1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250399861014428978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;A matéria abaixo vem com uma ligeira modificação no texto publicado. Escrevi no lead que Bezerra arranhava umas notas no trompete, mas a editora, criatura de bom coração, deve ter achado ofensivo ao malandro e botou lá, a um centímetro da minha assinatura, que Bezerra da Silva tocava trompete lindamente. Pelo menos nenhum amigo meu leu a matéria, graças a Deus. O texto a seguir vem como se deve, porque lindamente, no lead, nem se fosse o Miles Davis.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 147, de 27 de maio de 2002&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Nunca bebi, não fumo maconha nem cheiro pó. Também não ando de madrugada. Mas essas realidades ninguém nunca fala” &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estudou violão clássico, arranha umas notas no trompete, foi percussionista da orquestra da Rede Globo durante oito anos, por onde se aposentou, trabalhou como assessor jurídico e freqüenta uma igreja evangélica três vezes por semana. É difícil acreditar, mas é assim a vida do sambista e ícone da malandragem carioca, Bezerra da Silva, 65 anos, famoso pelas letras que falam do cotidiano das favelas com a naturalidade de quem conhece o assunto de perto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamado de cantor dos bandidos, graças aos sambas que tratam do mundo do crime e aos inúmeros shows em presídios ao longo da carreira, Bezerra não se incomoda com a fama de malandro, mas faz questão de mostrar seu outro lado. “Nunca bebi, não fumo maconha nem cheiro pó. Também não ando de madrugada. Mas essas realidades ninguém nunca fala”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0rZgm6ROI/AAAAAAAAASc/x9yTMoiTn2U/s1600-h/bezerra_01.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0rZgm6ROI/AAAAAAAAASc/x9yTMoiTn2U/s320/bezerra_01.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250400457833727202" /&gt;&lt;/a&gt;Os hábitos combinam com a religião do sambista, que há seis meses freqüenta os cultos na Catedral Mundial da Fé. “Vamos lá domingo, segunda e terça. É rapidinho. Tudo que fala em Deus pra mim está bom, mas sem fanatismo”, afirma o novo evangélico. Mudança de comportamento pode até ser, mas trocar o repertório tradicional por músicas evangélicas está fora de cogitação, avisa o sambista. Ele não descarta a possibilidade de gravar um disco religioso, mas só se fosse para ganhar dinheiro. “Se me chamarem, será por comércio, mas não preciso cantar em cima de Jesus Cristo para vender disco”, diz o cantor, que garante não fazer apologia às drogas com suas músicas. Segundo ele, “Malandragem Dá um Tempo” – maior sucesso de Bezerra, já gravado pelo Barão Vermelho e espécie de hino da turma da maconha –, por exemplo, é na verdade uma mensagem contra as drogas. “Ela fala do que pode acontecer com quem cai na droga. Alerta muito mais que qualquer campanha”, acredita o sambista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona do salão de beleza batizado com o nome do marido, Regina, 50 anos, foi a responsável pela conversão de Bezerra. Juntos há 19 anos, os dois não são casados no papel. “Vai fazer 20 anos que ele está me enrolando”, diz a mulher, com ar resignado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançando o 27o disco da carreira, A Gíria É a Cultura do Povo, Bezerra sai pela tangente ao responder se está rico. “Não estou morrendo de fome, mas fui roubado durante anos pelas gravadoras. Sou uma máquina de fazer dinheiro em perfeito estado. Sou feio, mas vendo disco”, afirma o cantor, que contabiliza cerca de dois milhões de cópias vendidas nos 27 anos de carreira, ele que aos 15 anos saiu de Recife, escondido num navio. “Fugi da fome. Se tivesse mais idade na época, seria do bando de Lampião”, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0uMVWdhcI/AAAAAAAAASs/tDr1LIg-KhQ/s1600-h/castro-alves.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0uMVWdhcI/AAAAAAAAASs/tDr1LIg-KhQ/s200/castro-alves.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250403530008528322" /&gt;&lt;/a&gt;Durante os quatro primeiros anos no Rio, dormia nas obras dos prédios que ajudava a construir. De operário passou a pintor de parede e foi morar no Morro do Cantagalo, em Ipanema. Foi a época em que se acostumou a ser preso, sempre para averiguação. “Sabia até onde era minha cela no xadrez”, brinca o sambista, que, apesar das 21 entradas na prisão, ostenta um “nada consta” na ficha criminal. A sina estimulou em Bezerra a vontade de conhecer o Código Penal, lido até hoje, nas horas vagas. Entre 1967 e 1973, foi assessor jurídico de um amigo advogado. Pai de três filhos do primeiro casamento, o cantor, que iniciou a carreira em 1958, tocando tamborim em gravações de Carnaval, nem pensa em parar. Continuará garimpando autores desconhecidos nos morros, responsáveis por 99% de seu repertório. “Sou um seguidor de Castro Alves. Ele fazia versos em prol dos escravos. Eu canto para o povo. Sou favela.” E nem liga se continuar sendo chamado de cantor de bandidos. “Pelo menos ando na cidade sem medo de ser assaltado.”&lt;a href="http://odia.terra.com.br/blog/digitais/index.asp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://odia.terra.com.br/blog/digitais/index.asp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-317451011803588729?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/317451011803588729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/317451011803588729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/09/no-salo-de-beleza.html' title='NO SALÃO DE BELEZA'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SN0qbK40BeI/AAAAAAAAASM/GFUmcuQ1_fA/s72-c/bezerramaloca.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-3695363464258042198</id><published>2008-08-24T07:56:00.000-07:00</published><updated>2011-07-06T15:45:03.539-07:00</updated><title type='text'>O APÊ DO SAMBA (MADE IN BRAZIL)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGA5gWprXI/AAAAAAAAASE/lmtKptFTtv4/s1600-h/Sargentelli+P.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGA5gWprXI/AAAAAAAAASE/lmtKptFTtv4/s400/Sargentelli+P.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238109567034436978" /&gt;&lt;/a&gt;O prédio era daqueles grandes no meio de Copacabana. Muitos apartamentos, centenas de janelas pequenas e corredores enormes, estreitos, cinzas, como o que adentramos ao sair do elevador de porta pantográfica. O local da entrevista ficava na cabeceira do corredor, atrás do olho mágico que, junto com seu vizinho lá do outro lado, tinha a melhor visão de quem entrava ou saía pelas dezenas de portas do andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendeu a campainha um sujeito sorridente, vestido com calça branca e uma espécie de bata; segurava numa das mãos o crochê interrompido. Na poltrona e no sofá do apertado quarto e sala estavam ainda uma matrona de lenço na cabeça, certamente ex-mulata, e um casca-grossa típico, de cavanhaque grisalho, camisa aberta e medalhão dourado. Havia ainda duas mulatas à paisana, uma daquelas de interromper conversa em botequim, quase um metro e oitenta, que trajava vestido opressor, e outra bem mais discreta, magrinha, de calça moletom e blusa folgada, que usava óculos. Ao fundo da sala, sentado à mesa de jantar, de pijama, pés descalços, Sargentelli nos esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGAmepr4sI/AAAAAAAAAR8/N838PqsFzXw/s1600-h/claradasneves.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGAmepr4sI/AAAAAAAAAR8/N838PqsFzXw/s320/claradasneves.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238109240159888066" /&gt;&lt;/a&gt;Após longo período de hibernação, o imperador das mulatas, descobridor de Adele Fátima, ensaiava uma volta aos tempos de fama, quando sua casa de shows era freqüentada por gente como Henry Kissinger. Lançava a própria biografia, de título espetacular, e anunciava a abertura de nova casa, que acabou não se concretizando. Foi sua última entrada em cena antes de cair em novo ostracismo, do qual só sairia pra morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi muito divertida aquela entrevista num quarto e sala com oito pessoas. Sargentelli era um sujeito engraçado demais. Contou histórias do tio, Lamartine Babo, falou de um jogo qualquer dos anos 40, do Botafogo dele contra o América do fotógrafo, e relembrou ótimos momentos de sua carreira de jornalista. Aliás, o cara era dos melhores no ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos recebeu como velhos amigos, tanto que nos achamos no direito de pedir pra fazer uma foto com ele na praia, a uns oitocentos metros do apê de quarto e sala, fora a viagem no elevador de porta pantográfica. Idéia do fotógrafo, claro, e sem muito sentido, em se tratando de um senhor de 76 anos que tava em casa de pijama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura as duas mulatas já tinham se arrumado pra compor as fotos, e a magrinha discreta, que trocara o moleton e a camisa folgada por um jeans justo e um top, revelou-se tão perturbadora quanto a colega de um metro e oitenta. Sargentelli olhou pras moças, pra gente, fez uma cara compungida e começou a falar com ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como eu não vou atender o pedido desses rapazes que vieram aqui pra me ajudar, pra divulgar meu livro? E botava a mão na testa, olhava pras mulatas, pra gente. Eu tenho que atender esse pedido, como não? Seria uma desfeita. E de novo a cara de lamento, de quem estava muito triste, até envergonhado, e o pedido de desculpas, porque ele não iria até a praia, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGAQlavY-I/AAAAAAAAAR0/1X6Wja2_BWE/s1600-h/_tanajura.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGAQlavY-I/AAAAAAAAAR0/1X6Wja2_BWE/s320/_tanajura.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238108864019129314" /&gt;&lt;/a&gt;Depois do lançamento da biografia e sem casa nova de espetáculos, Sargentelli voltou a sair de cena. Ficou no canto dele, quieto, até ser homenageado na novela O Clone, que fazia sucesso estrondoso, daqueles incompreensíveis. Gravou com Solange Couto, também descoberta por ele, e foi internado logo em seguida. Infarto. Morreu no dia seguinte e já não estava aqui ao aparecer pela última vez em público, para o Brasil inteiro, quando sua cena foi ao ar na novela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abaixo, a matéria.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revista Istoé Gente, edição 15, de 15 de novembro de 1999&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLF93HDhguI/AAAAAAAAARs/FgAsf5JRSqI/s1600-h/sargentellirevista.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLF93HDhguI/AAAAAAAAARs/FgAsf5JRSqI/s400/sargentellirevista.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238106227348701922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;“Não basta ser mulata, tem que sambar”. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele andava meio sumido, mas está de volta - e com a corda toda. Aos 76 anos, o sambista e especialista em mulatas Oswaldo Sargentelli prepara um novo show no Rio de Janeiro, sete anos depois de fechar sua última casa noturna, e acaba de estrear na Rádio Manchete com o programa Botequim do Sargentelli. Esse é também o nome de sua nova casa, que abrirá em parceria com o empresário Ricardo Amaral no local do antigo Sucata, na Lagoa. A estréia, prevista para 8 de dezembro, será com o show Ziriguidum 2000. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a fórmula de sempre, o espetáculo terá 15 mulatas e vai reviver a Lapa antiga. “A ansiedade é enorme. Parece que estou começando tudo de novo”, diz ele, que ainda consegue tempo para promover sua biografia, Memórias de um Sargento de Mulatas, escrita por Fernando Costa e lançada no último dia 4. O livro relembra o parentesco de Sargentelli com o compositor Lamartine Babo, seu tio, e histórias como as prisões durante o regime militar, quando se viu obrigado a encerrar a carreira de repórter político na extinta TV Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dez meses, Sargentelli se submeteu a uma cirurgia no coração, realizada pelo ex-ministro Adib Jatene, no Incor, em São Paulo. “Recebi três pontes de safena e disse ao Jatene que iria fundar a Unidos da Ponte de Safena para o Carnaval”, brinca. O bom humor continua afiado e sempre presente no apartamento de quarto e sala em Copacabana, que ele divide com “o maior número de pessoas possível”. Atualmente, moram com ele o cantor de seus shows Miguel França, as mulatas Aline Barreto e Renata Santana e outras três pessoas. “Tem dia em que dormem umas 11 pessoas aqui. Não gosto de ficar sozinho”, diz. Solteiro desde 1978, quando se separou de sua terceira mulher, ele se complica na hora de enumerar os filhos. “Dentro de casa, foram sete”, diz, referindo-se aos filhos dos três casamentos - com Lúcia, que durou oito anos, Vera, 11 anos, e com Almary, 13. Desconcertado, confessa que tem 21 filhos “espalhados por aí”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLF9bJhjWrI/AAAAAAAAARk/nU1uKqsOgPc/s1600-h/LamartineBabo_001.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLF9bJhjWrI/AAAAAAAAARk/nU1uKqsOgPc/s320/LamartineBabo_001.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238105746975185586" /&gt;&lt;/a&gt;Nascido na Lapa, o berço da boemia carioca, o menino Oswaldo foi criado pela mãe, Maria Amélia Sargentelli, e teve pouco contato com o pai, Leopoldo de Azeredo Babo, irmão de Lamartine, que não o registrou. Só conheceu o tio famoso quando começou a trabalhar como locutor na Rádio Clube do Brasil, em 1948. Autor dos hinos de todos os grandes times de futebol do Rio, Lamartine contou ao sobrinho que compôs todos eles em três dias, preso em um apartamento pela gravadora, em 1942. Isso porque, depois de receber um adiantamento, ele adiara o quanto pôde a entrega dos hinos. Até que os diretores da gravadora aproveitaram a fama de mulherengo de Lalá e inventaram a história de que ele havia sido convidado para ser paraninfo de uma turma de normalistas, mas antes teria de ir a uma reunião em um apartamento no Centro. Chegando lá, Lamartine foi trancado por fora, com uma geladeira cheia, papel, lápis à vontade e um telefone. Ficou até terminar a encomenda. “Ele ligava para maestros como Radamés Gnatalli porque era analfabeto musical. Meu tio cantava a letra e os maestros escreviam”, conta Sargentelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do rádio, Sargentelli foi para a televisão. Entre 1957 e 1964, comandou o programa O Preto no Branco. Sem aparecer no vídeo, o locutor fazia as perguntas mais indiscretas possíveis aos entrevistados. Certa vez, Sargentelli convidou Jânio Quadros para o programa e, aproveitando o estrabismo do ex-presidente, iniciou a entrevista com a seguinte frase: “Jânio Quadros, um olho no capital estrangeiro e outro em Moscou”. A ousadia do programa trouxe problemas para o apresentador, entre eles quatro prisões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLF9ETdVovI/AAAAAAAAARc/Y9ahRjGfZy0/s1600-h/395px-Henry_Kissinger.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLF9ETdVovI/AAAAAAAAARc/Y9ahRjGfZy0/s200/395px-Henry_Kissinger.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5238105354504872690" /&gt;&lt;/a&gt;Em 1964, foi proibido de trabalhar na imprensa pelo regime militar e começou a fazer os primeiros shows com mulatas. Em 1969, assumiu a direção da sua primeira casa, o Sambão, em Copacabana. Um ano depois surgiu o Sucata e, em 1973, Sargentelli transformou o antigo Zeppellin - reduto da esquerda carioca - no Oba-Oba, a casa em Ipanema que deu fama definitiva ao produtor. Foram dez anos no Rio e outros seis em São Paulo, em que Sargentelli e suas mulatas recebiam até políticos estrangeiros - entre eles o secretário de Estado americano Henry Kissinger, que visitou a casa em 1975. Hoje, às voltas com fichas de seleção de morenas e mulatas para a nova casa, Sargentelli, que já trabalhou com 250 delas ao longo da carreira, avisa: “Não basta ser mulata, tem que sambar”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-3695363464258042198?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3695363464258042198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/3695363464258042198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/08/o-ap-do-samba-made-in-brazil.html' title='O APÊ DO SAMBA (MADE IN BRAZIL)'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PnyHYFiXkMw/SLGA5gWprXI/AAAAAAAAASE/lmtKptFTtv4/s72-c/Sargentelli+P.JPG' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5601667618537946501.post-5657126016929216669</id><published>2008-07-16T10:39:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T10:54:15.884-07:00</updated><title type='text'>HONÓRIO, O GURGEL – A VIAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_PnyHYFiXkMw/SH41uIV8bAI/AAAAAAAAARU/5WmxVek2EuY/s1600-h/ESTRADA1a.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_PnyHYFiXkMw/SH41uIV8bAI/AAAAAAAAARU/5WmxVek2EuY/s400/ESTRADA1a.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223671684426132482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Descanso mesmo, de mais de cinco segundos, só quando alguém passava a nossa frente e ficava um tempo na pista da direita, até desaparecer na escuridão. No mais, o indicador e o dedo médio da mão esquerda foram heróicos naquela viagem de volta da Região dos Lagos. Seguraram, um e outro, revezando-se, a alavanca do farol alto, que não ficava no lugar e poderia muito bem ser deixada de lado, se o farol baixo do gurgel estivesse funcionando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu lado, meu amigo Manguaça, que sempre gostou muito de falar, vinha em silêncio. De vez em quando perguntava se eu enxergava alguma coisa à minha frente. E eu, entre as piscadelas do farol alto, com os dois dedos já latejando, dizia que sim, que tava tudo tranqüilo. Só que a gente tinha resolvido, ao sair de Arraial do Cabo, dar uma passada em Búzios antes de voltar ao Rio, e com isso pegamos a estrada no fim da tarde. Em menos de meia hora de viagem, começou a escurecer. Foi quando me lembrei do pequeno problema no farol do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegar estrada à noite já é um negócio que requer cuidado redobrado. Se não tiver farol, então, fica ainda mais difícil. O bravo Honório fazia sua parte. Rodava macio, nem parecia ligar para a limitação de seu campo de visão. O problema era ficar segurando a porra da alavanca do farol alto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_PnyHYFiXkMw/SH41cTm-UkI/AAAAAAAAARM/U6uxUcmJM7o/s1600-h/piquetmansell.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp3.blogger.com/_PnyHYFiXkMw/SH41cTm-UkI/AAAAAAAAARM/U6uxUcmJM7o/s200/piquetmansell.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223671378212704834" /&gt;&lt;/a&gt;Meu esforço deve ter sido maior que o do Senna naquele GP do Brasil em que ele perdeu sei lá o quê, acho que umas cinco marchas, e cruzou a linha quase desmaiando. Depois saiu do carro como se acabasse de escapar de um naufrágio e parecia que levantava um menir quando ergueu o troféu da corrida, que não devia pesar nem cinco quilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não precisei fazer essa cena toda, mas confesso que aliviei a tensão ao longo daquela viagem, às escuras, com dois dedos doendo sem parar, de forma um tanto estranha. Primeiro vibrei com um engarrafamento em Araruama e depois, enquanto o trânsito tava parado, joguei adedanha com o Manguaça, durante alguns minutos. Aí o engarrafamento acabou, a estrada voltou a ficar escura e ficamos em silêncio, de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alívio mesmo, de esquecer a dor, só quando, inebriado pelos odores da Niterói-Manilha, avistei aquela bela fileira de luzes amarelas, exemplo maior da pujança econômica de nossa ditadura, a nos avisar que dentro de poucos minutos estaríamos todos, eu, o Manguaça, o Honório e os dois dedos que já pulsavam, adentrando na querida cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, amplamente iluminada, pelo menos nas principais vias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5601667618537946501-5657126016929216669?l=orlandolele.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5657126016929216669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5601667618537946501/posts/default/5657126016929216669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://orlandolele.blogspot.com/2008/07/honrio-o-gurgel-viagem.html' title='HONÓRIO, O GURGEL – A VIAGEM'/><author><name>Luís Edmundo Araújo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_PnyHYFiXkMw/SH41uIV8bAI/AAAAAAAAARU/5WmxVek2EuY/s72-c/ESTRADA1a.jpg
